quinta-feira, 10 de julho de 2014

Cap. 9

O Que Está Acontecendo com Dennis?


 Cientistas acreditam, que se um gene de um animal fosse implantado no DNA de um humano, essa pessoa, provavelmente começaria a ter hábitos e características desse animal. Era o que estava acontecendo com Dennis e alguns de seus amigos. Anna foi ver como Dennis estava em seu quarto, quando ela entrou, percebeu que o lugar estava escuro, com as curtinhas fechadas e as luzes apagadas. Anna também percebeu que Dennis estava na cama, mas não estava descansando, estava sentado numa posição rígida, assustado, tampando os ouvidos.
- Dennis tá tudo bem com você? – perguntou Anna.
- Shhhhh – sussurrou Dennis inquieto – fale mais baixo, fale mais baixo!
- Mas eu estou... mas eu estou falando baixo! O que você tem?
- Eu não sei, mas está piorando a cada segundo.
- O que você está sentindo?
- Toda vez que eu olho para a luz do sol, meus olhos começam a arder e eu... consigo escutar tudo.
- Como assim o que você consegue escutar?
- Simplesmente, escuto. Você e os outros conversando aí no corredor, a sua mãe lá em baixo, as crianças brincando na rua, tudo! Até os seus batimentos cardíacos.
- Consegue ouvir os meus pensamentos Também? – Anna tentou fazer Dennis sorri, mas não deu certo. – Desculpe... Ahm Dennis?
- Oque?
- O que houve com você hoje de manhã?
- Anna, eu não me lembro de nada, sobre hoje mais cedo, nem mesmo como eu acordei ou o que eu comi no café da manhã. Só me lembro de você com a lanterna na minha cara e os outros olhando assustados pra min.
- Tá, mas por acaso você lembra se fez alguma coisa ontem de madrugada?
- Não. Por quê?
- Por nada. Só pra saber. – Anna se retirou do quarto e fechou a porta, com muito cuidado para não fazer barulho.
- Como é que ele está? – Perguntou Carolina preocupada.
- Está piorando. – Sussurrou Anna.
- O que ele tem? – Sussurrou Alice.
- Ele não pode ver a luz do sol. – Pedrinho perguntou:
- Porque estamos sussurrando?
 - A audição dele está muito apurada. Qualquer som machuca os ouvidos dele, acho que se até se uma formiga der um grito, ele consegue ouvir.
- Anna você viu a cor dos olhos dele? – perguntou Carolina.
- Sim. Estavam vermelhos e a pele tá mais branca do que o normal. Será que é anemia?
- Anna? – disse Carolina. – Você acha que o seu primo pode está se transformando em um... – Alice a interrompeu gritando:
- UM VAMPIRO! – todos fizeram: “shhhhhhh”
- Alice fale baixo! – disse Anna.
- Desculpe mais em toda minha vida eu sempre me imaginei conhecendo um vampiro de verdade!
- Vampiros não existem aqui sua boba, estamos no nordeste do Brasil, aqui existe mesmo é lobisomem! – disse Pedrinho
- Ah, bando de cabeça de ovo! – murmurou Carolina. – Não existem vampiros e lobisomens, e Dennis não esta se transformando em um vampiro ele esta virando algum tipo de meio humano e meio morcego. Sei lá. – Alice falou:
- Hello? E os vampiros são meio humanos e meio oque? Dã!
 Enquanto isso dentro do quarto, Dennis se levantou da cama. Estava perplexo como conseguia ouvir tão bem a sua prima e seus amigos, mesmo sabendo que todos estão do lado de fora do quarto, ele podia ouvi-los falarem e respirarem como se estivessem ao pé de seus ouvidos. Dennis passou em frente ao espelho do quarto e algo em seu corpo lhe chamou a atenção, ele voltou para a frente do espelho e percebeu um estranho volume em seu corpo.
 Suas roupas estavam justas e seu corpo parecia maior. "Será que estou tendo uma ilusão de ótica?", ele se perguntou. Dennis então, levantou sua camisa e ficou surpreso com o que viu. Seus músculos estavam salientes de uma forma impressionante, seu peitoral estava avantajado, os músculos de seu abdômen estavam definidos, divididos em dobras e as mangas de sua blusa estavam acochadas sobre seus bíceps.
- O que esta acontecendo comigo? - Ele se perguntou.
 Do lado de fora do quarto, Carolina tirou sua mochila das costas.
- Não sei o que está acontecendo com Dennis ou com a gente, mas talvez eu possa saber se conseguir dar uma olhada bem de perto, se é que me entendem.
 Carolina retirou de dentro da sua mochila uma caixinha de cotonetes e cinco saquinhos plásticos.
 Como assim? - Perguntou Alice – Eu não entendi, o que é que você vai olhar que na gente?
– Eu vou coletar uma amostra saliva e tentar examinar o nosso material genético.
 Pedrinho perguntou:
 Você sempre anda com isso na sua mochila?
 Nunca se sabe quando você vai precisar de uma amostra de DNA.
 Como eu já disse antes, Carolina é uma garota muito inteligente para a idade. Com os cotonete, pegou um pouco de saliva de cada um, depois os colocou em saquinhos e os etiquetou com os nomes de cada um.
- Agora falta o Dennis. – Disse Carolina.
- Quer que eu te leve até ele? – Perguntou Anna.
- Claro que não! Quer dizer, é o Dennis, ele não vai me fazer mal.
- Tudo bem, mas faça silêncio – Disse Anna.
 Quando Carolina entrou no quarto, Dennis estava fora de si. Estava agora numa posição mais relaxada na cama, com as pernas cruzadas e quando viu Carolina entrar, abriu um sorriso convencido no rosto, claramente já esperava por ela.
- Carolina você veio me ver! – Disse Dennis com a voz sonolenta.
- Anna me disse que... que você estava péssimo. – falou Carolina confusa.
- Estava, mas agora não estou mais, sabe por quê?
- N-não sei. Por quê?
- Por que você está aqui.
 Carolina começou a rir desnecessariamente e logo depois percebeu o seu comportamento anormal e então parou, sentou-se na cama e disse:
- Eu vim pra, pra pegar uma amostrar de DNA. – Dizia Carolina nervosa enquanto pegava um cotonete. – Pode abri a boca?
 Dennis se curvou para Carolina e abriu a boca flertando-lhe, Carolina passou o cotonete em volta dos lábios de Dennis, e se assustou quando viu seus caninos estavam crescendo.
- Está com medo? – Perguntou Dennis com a expressão perversa.
- Não.
- Deveria estar.
- Não vai me machucar. – Disse Carolina confiante.
- Será mesmo?
 Quando Carolina compreendeu o que estava prestes a acontecer, ela correu imediatamente para a porta, mas num piscar de olhos, Dennis estava em cima dela, deitados no chão. Carolina começou a gritar, Dennis arreganhou a boca fazendo um ruído com a garganta. Quando Anna ouviu os gritos de Carolina, abriu a porta do quarto imediatamente e viu Dennis em cima de Carolina, segurando os pulsos dela contra o chão. Anna gritou:
- Dennis, largue ela!
 Mas assim que a luz invadiu o quarto. Rápido como uma flecha, Dennis saiu de cima de Carolina e se escondeu. Carolina se levantou atordoada e correu para fora do quarto.
- A mutação dele é mais instável do que pensei. – Disse Carolina.
- Me desculpe – disse Anna –, não devia ter deixado você entrar lá sozinha.
- Tá tudo bem eu consegui a amostra de DNA. Anna, seu primo precisa que você cuide dele, deixe a porta trancada quando anoitecer.
- Tem razão. – Concordou Alice – Não que eu me incomode em ser atacada pelo Dennis, mas eu não quero saber do que ele vai ser capaz de fazer depois que escurecer e ele puder sair. 
- Mas Carolina – disse Anna – meu turno na lanchonete começa ao meio-dia e acaba às sete da noite. Não posso trabalhar na lanchonete e ficar tomando conta dele.
- Tudo bem, Anna – disse Pedrinho – eu e Alice vamos tomar conta dele, por você eu faço tudo!
- O quê? – Gritou Alice. – E por quê eu faria isso?
- Porque você é a minha melhor amiga? – Disse Anna sorrindo.
- Ainda bem que o Dennis é bonito.
 Carolina odiou o que Alice disse sobre o Dennis, sabia que sua amiga também se sentia atraída por ele, mas Alice amava o Dennis de uma forma que Carolina não admirava.
 E assim, Anna foi trabalhar na lanchonete, Pedrinho e Alice ficaram na sala vendo televisão, brigando pelo controle-remoto, discutindo e xingando um ao outro, e Carolina se infiltrou em um colégio militar, no qual seu irmão mais velho estudava para usar o laboratório e analisar as amostras de DNA coletadas de seus amigos.

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