Aquática, A Princesa das águas
As tropas do exercito militar, enviadas pelo
governo, estavam fazendo um ótimo trabalho, estavam conseguindo capturar quase
todos os mutantes, mais ainda restavam muitos e Anna, ao lado de seus amigos
chorava inconsolável com a morte do primo.
- Como eu
pude... – Dizia Anna, depois de ter se acalmado. – Como eu pude deixar isso
acontecer? –Alice respondeu:
- Ele se
sacrificou para te salvar Anna. – Pedrinho concordou.
- Ele morreu
como um herói. – Anna fungou.
- Não
Espinho-Branco... Ele não morreu, ele
foi morto. – Anna olhou para
Priscilla que ainda andava desnorteada, para lutar com os soldados.
- E quem fez
isso foi ela, você é a culpada de tudo isso! – Dizia Anna, fuzilando Priscilla
com o olhar.
- Anna do que
você tá falando? – Perguntou Pedrinho. Anna enxugou as lágrimas, largou o corpo
de Dennis e se levantou, depois pegou uma das espadas de Alice que estavam
caídas no chão. Mas quando Anna começou a correr em direção a Priscilla. Um
forte tremor sacudiu a ponte, fazendo o chão rugir, Anna se desequilibrou,
caindo no chão.
Os que estavam em pé também se desequilibraram
e caíram, alguns permaneceram de pé. Os portes que ainda tinham lâmpadas
intactas começaram a piscar e balançar. Quando o tremor estava começando a
cessar, ouvirem um som estranho, abaixo da ponte. Anna conseguiu se levantar.
Soldados e mutantes correram juntos para amurada da ponte, para ver oque estava
acontecendo.
E viram que a correnteza do Rio Ceará estava
muito forte, de uma maneira fora do normal. Barcos e tudo que estava rio
estavam sendo puxados pela correnteza indo em direção ao mar. Como se o oceano
houvesse ganhado vida e estivesse sugando o rio. Mutantes e soldados começaram
a sair da ponte e gritavam uns para os outros para deixarem o local.
Anna não precisou se levantar para ver oque
estava acontecendo, ela olhou para o horizonte e viu que o mar estava revolto e
dele uma enorme onda havia se erguido. No mesmo instante, Anna também teve
vontade correr apavorada, mas também não queria deixar a Dennis. A onda ganhava
altura e velocidade em segundos, passando de quatro, para cinco e logo depois 6
metros de altura. Anna voltou-se para Pedrinho e Alice que também estavam muito
assustados.
- Anna, agente
precisa sair daqui! – Falou Alice desesperada.
- Mas e o...
Dennis? – Perguntou Pedrinho.
- Tudo bem. –
Disse Anna com calma. – Podem ir. Eu fico com o meu primo. - Alice e Pedrinho
perguntaram ao mesmo tempo:
- Oque? – Anna
se sentou no chão e pôs a cabeça de seu primo em seu colo.
- Vão! – Ordenou
Anna. – Não vou deixar o meu primo, minha vida não vai ser melhor sem ele. –
Pedrinho e Alice se entreolharam.
- A nossa também
não. – Respondeu Alice. Ela e Pedrinho se sentaram no chão, em volta de Anna.
- Se vamos
morrer... – Dizia Pedrinho. – Vamos morrer juntos. – Alice resmungou:
- Não acredito
que estou fazendo isso! – Anna e Pedrinho a encararam e Alice fez um sorriso
como se estivesse prestes a chorar.
- Eu amo todos
vocês! - E cada vez mais o tsunami se aproximava da ponte, destruindo barracos
e até mesmo fazendo a água invadir a cidade, arrastando carros e pessoas. Anna
deu um beijo na testa de Dennis e em meio à multidão que corria assustada,
surgiu Carolina, com sua maquiagem azul toda borrada.
- Carolina? –
Anna, Pedrinho e Alice falaram ao mesmo tempo.
- Carolina onde
é que você se meteu? – Perguntou Anna.
Carolina estava com uma expressão seria no
rosto, oque a deixava com uma aparência mais matura do que ela já tinha e sem
se importar com a preocupação de Anna, ela respondeu:
- Estava olhando
uma coisa.
Carolina se ajoelhou de ante do corpo de
Dennis e não pode evitar a sensação de tristeza, mas Carolina preferiu não se
entregar as lágrimas, ela pôs sua mão no peito de Dennis e logo seu rosto
assumiu uma expressão de espanto.
– Anna, Dennis
ainda está vivo.
- Oque? –
Perguntou Anna incrédula.
- É verdade -
Respondeu Alice. –, eu posso escutar o coração dele, mas está batendo cada vez
mais devagar. – Carolina olhou nos olhos de Anna e disse:
- Eu acho que
posso salvá-lo, mas ele está muito fraco, não sei se vou conseguir. – Anna
respirou fundo, tentando conter uma explosão de esperança em sua mente e logo
depois, viu a onda gigantesca que se aproximava.
- Tá, mas não
seria melhor se agente saísse daqui, primeiro?
- Não, é preciso
que ele fique aqui. – Anna perguntou:
- O que? – Anna,
Pedrinho e Alice ficaram confusos e assustados ao mesmo tempo. Carolina se
levantou e virou-se para a onda gigantesca que se elevava a uma altura de um
prédio de cinco andares. O tsunami cedeu sobre a ponte, e sem o menor
sentimento de medo, Carolina ergueu as mãos em direção à onda.
Anna, Pedrinho e Alice fecharam os olhos. Eles
ouviram a onda se quebrar sobre a ponte, e sentiram toda sua estrutura tremer,
mas nenhuma gota d’água caiu sobre eles. Pensaram que talvez a onda ainda não
tivesse caído sobre eles e então quando abriram os olhos, estavam no interior
de uma enorme bolha de ar. Sustentadas por Carolina que ainda permanecia de
braços erguidos.
Ao olharem em volta, perceberam que tudo
estava submerso, a água do mar cobria toda a ponte, envolvendo todo o cenário
da guerra em uma imensidão azul, com os soldados e os mutantes rodopiando pela
água, que por algum motivo não eram levados pela correnteza. Como peixes,
presos em uma rede. Carolina virou-se para seus amigos, que a olhavam
assombrados, ela se ajoelhou mais uma vez de ante do corpo Dennis e começou a
desabotoar a camisa dele. Em outras ocasiões, Carolina teria adorado fazer
aquilo, mas o momento era sério, então...
Anna ficou horrorizada, ao ver que por baixo
da camisa de Dennis, havia muito mais ferimentos, como mordidas e arranhões. E
em seu abdômen, logo acima do umbigo havia uma terrível perfuração, o local
onde Priscilla o apunhalara com sua espada. Carolina fez um gesto com sua mão e
fez entrar na bolha de ar, um tentáculo de água, que serpenteou pelo ar,
seguindo os movimentos de sua mão. O tentáculo de água entrou pelo buraco no
abdômen de Dennis, que em poucos segundos todos os seus ferimentos começaram
cicatrizar.
Todas as mordidas e arranhões que havia em
suas mãos, em seu rosto e pelo seu corpo começaram a sumir, inclusive o buraco
em seu abdômen. Os cílios dele tremeram e seus olhos se abriram. As águas trazidas
pelo tsunami começaram ir e todo o resto que havia invadido a cidade,
instantaneamente escorreu para o rio. Anna deu um abraço apertado em seu primo
e voltou a chora, só que de alegria dessa vez. Alice, Pedrinho e Carolina
também foram contagiados pela alegria.
Por todos os lados, mutantes e soldados
estavam espalhados pelo chão ensopados, lixo e alguns peixes, também estavam
espalhados pela ponte. Mas os jovens estavam perdendo seus poderes. Os garotos
lobisomens voltaram a sua forma humana e as mutações de todos estavam indo
embora. Exceto a dos Feras Noturnas.
- Eu não
intendo! – Falou Alice. – Eu não intendo um monte de coisas, mas eu
simplesmente não intendo oque aconteceu aqui. – Pedrinho também.
- Também boiei,
o exercito do Refugio dos Lobos e o próprio,
Refugio dos Lobos estão deixando de ser mutantes. – Anna sorrindo disse:
- Foi a
Carolina. – Pedrinho perguntou:
- Oque?
- O que é que
tem a pirralha? – Carolina lançou um olhar demoníaco para Alice. Anna falou:
- Eu não sei
como, mas isso tudo que aconteceu: os mutantes estarem sendo curados e essa
onde gigante. Foi tudo obra dela! – Anna olhou para Carolina sorrindo.
- Como você fez
isso garota? – Carolina toda orgulhosa, falou sobre a ideia que teve de se
jogar da ponte para canalizar todo o seu poder nas águas do rio.
-... eu sabia
que mesmo com dois litros de água, não seria o suficiente pra acabar com um
exercito de mais de 30 mutantes, então eu pensei: porque detê-los se eu posso
curá-los? Então criei um tsunami... E não quero nem ver o estrago que eu causei
na cidade! – Pedrinho perguntou:
- Mas ô
Carolina, então quer dizer que, com a água você pode curar não só ferimentos,
como também mutação genética?
- Parece que
sim. – Anna olhou para Dennis que parecia tenso com alguma coisa, e disse:
- Mas oque
importa, é que você conseguiu trazer meu primo de volta, Carolina obrigada. –
Dennis se sentou e olhou para Priscilla que se levantava do chão, todo ensopada
sua mutação canina havia ido embora. E depois de acordado, Dennis finalmente
disse alguma coisa.
- Então você...
Curou todos os mutantes, certo? – O olhar de Dennis deixou Carolina um pouco
assustada, mas ela pôde responder.
- Ahm, sim. –
Dennis levantou-se e foi em direção a Priscilla.
- Dennis pra
onde você vai? – Perguntou Anna, mas Dennis não lhe respondeu.
Dennis pegou uma das espadas de Alice, e
começou a andar em direção a Priscilla. Igualmente a todos os outros que
estavam ali na ponte, Priscilla estava completamente ensopada, tossindo
engasgada com a água, sua maquiagem estava toda borrada e sua juba de cabelos
ruivos, pareciam alga marinha. Com dificuldade se levantou e percebeu que não
estava mais com sua espada. Havia sido levada pela correnteza.
Quando Priscilla olhou para trás, quase teve
uma parada cardíaca, quando viu Dennis vivinho da Silva, mais saldável do que
nunca. Priscilla deu um grito e tentou correr, mas quando se virou, Dennis
havia surgido em sua frente.
- Você não
machucaria uma mulher, machucaria?
Sem precisar da uma resposta, Dennis agarrou o
pescoço dela e a levantou. Priscilla tentou se espernear, mas de nada adiantou.
Dennis deu um salto, ficando de pé na amurada da ponte, erguendo o corpo
Priscilla sobre o rio.
- Isso tudo não
vai acabar com a minha morte! – Disse Priscilla, que forçava para manter uma
aparência intimidadora e furiosa, mas o tom em sua voz denunciou seu medo.
– Outros irão se
levantar, contra os Feras Noturnas! – Dennis não intendera oque ela queria
dizer com aquilo, mas não se interessou em perguntar. Ele colocou a ponta de
sua espada, no abdômen de Priscilla, no mesmo lugar onde ela o apunhalara.
- Talvez, eu
devesse matar você, mas isso não me tornaria diferente de você, não é? Me
tornaria igual a você! – Priscilla deu uma risada, em quanto levava sua mão
para a parte de trás do corpo.
- Dennis,
Dennis, Dennis você não percebe o quanto é estupido ir para o lado dos
mocinhos? – Priscilla retirou do bolço de trás de seu jeans um canivete. –
Mocinhos nunca matam os vilões! – Priscilla sacou seu canivete e cortou o braço
de Dennis, que a sustentava. Dennis gemeu de dor e sem que percebesse abriu sua
mão, deixando o pescoço de Priscilla escapar.
- Mas também,
não os salvam. – Disse Dennis. Priscilla sem mostrar nenhuma reação de medo,
caiu em direção ao rio Ceará. E viu Dennis o corpo de Priscilla afundar nas
águas do riu, ele saltou da amurada olhando para o corte em seu braço.
Anna e seus amigos, o olhavam preocupados, com
medo. Achando que mesmo depois de “derrotar” Priscilla, ele ainda seguiria o
mesmo caminho. Mas então Dennis lhes deu um sorriso. E todos correram até ele e
lhe deram um abraço coletivo. Anna segurava o rosto de Dennis, se certificando
de que ele era real, contendo as lágrimas para não chorar de novo.
- Ah meu Deus!
Dennis eu não acredito, você está vivo!
- É, ele não tá
morto! – Disse Pedrinho. Alice perguntou:
- Gente, eu não
intendi de novo! Oque que a cachorra da Priscilla fez? – Dennis respondeu.
- Ela foi
inteligente em preferir se matar, do que, ser morta por min.
- Ahm, Dennis.
Seu braço tá sangrando. – Falou Pedrinho.
- É, a cachorra,
quer dizer, a Priscilla cortou meu braço.
- Eu não
acredito! – Gritou Carolina – Dei um duro danado nesse garoto e a Priscilla
corta o braço dele? – Dennis, Anna, Pedrinho e Alice começaram a rir.
- Ô Carolina? –
Disse Pedrinho. – Eu sei que é óbvio, mas pra onde é vai toda aquela água que
você enfiou na barriga do Dennis?
- Falando em
água... – Disse Dennis. – Me deu uma vontade de ir ao banheiro! – Anna falou:
- É, acho que já
da pra saber pra onde aquela água vai.
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