quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cap. 17

Aquática, A Princesa das águas

 As tropas do exercito militar, enviadas pelo governo, estavam fazendo um ótimo trabalho, estavam conseguindo capturar quase todos os mutantes, mais ainda restavam muitos e Anna, ao lado de seus amigos chorava inconsolável com a morte do primo.
- Como eu pude... – Dizia Anna, depois de ter se acalmado. – Como eu pude deixar isso acontecer? –Alice respondeu:
- Ele se sacrificou para te salvar Anna. – Pedrinho concordou.
- Ele morreu como um herói. – Anna fungou.
- Não Espinho-Branco... Ele não morreu, ele foi morto. – Anna olhou para Priscilla que ainda andava desnorteada, para lutar com os soldados.
- E quem fez isso foi ela, você é a culpada de tudo isso! – Dizia Anna, fuzilando Priscilla com o olhar.
- Anna do que você tá falando? – Perguntou Pedrinho. Anna enxugou as lágrimas, largou o corpo de Dennis e se levantou, depois pegou uma das espadas de Alice que estavam caídas no chão. Mas quando Anna começou a correr em direção a Priscilla. Um forte tremor sacudiu a ponte, fazendo o chão rugir, Anna se desequilibrou, caindo no chão.
 Os que estavam em pé também se desequilibraram e caíram, alguns permaneceram de pé. Os portes que ainda tinham lâmpadas intactas começaram a piscar e balançar. Quando o tremor estava começando a cessar, ouvirem um som estranho, abaixo da ponte. Anna conseguiu se levantar. Soldados e mutantes correram juntos para amurada da ponte, para ver oque estava acontecendo.
 E viram que a correnteza do Rio Ceará estava muito forte, de uma maneira fora do normal. Barcos e tudo que estava rio estavam sendo puxados pela correnteza indo em direção ao mar. Como se o oceano houvesse ganhado vida e estivesse sugando o rio. Mutantes e soldados começaram a sair da ponte e gritavam uns para os outros para deixarem o local.
 Anna não precisou se levantar para ver oque estava acontecendo, ela olhou para o horizonte e viu que o mar estava revolto e dele uma enorme onda havia se erguido. No mesmo instante, Anna também teve vontade correr apavorada, mas também não queria deixar a Dennis. A onda ganhava altura e velocidade em segundos, passando de quatro, para cinco e logo depois 6 metros de altura. Anna voltou-se para Pedrinho e Alice que também estavam muito assustados.
- Anna, agente precisa sair daqui! – Falou Alice desesperada.
- Mas e o... Dennis? – Perguntou Pedrinho.
- Tudo bem. – Disse Anna com calma. – Podem ir. Eu fico com o meu primo. - Alice e Pedrinho perguntaram ao mesmo tempo:
- Oque? – Anna se sentou no chão e pôs a cabeça de seu primo em seu colo.
- Vão! – Ordenou Anna. – Não vou deixar o meu primo, minha vida não vai ser melhor sem ele. – Pedrinho e Alice se entreolharam.
- A nossa também não. – Respondeu Alice. Ela e Pedrinho se sentaram no chão, em volta de Anna.
- Se vamos morrer... – Dizia Pedrinho. – Vamos morrer juntos. – Alice resmungou:
- Não acredito que estou fazendo isso! – Anna e Pedrinho a encararam e Alice fez um sorriso como se estivesse prestes a chorar.
- Eu amo todos vocês! - E cada vez mais o tsunami se aproximava da ponte, destruindo barracos e até mesmo fazendo a água invadir a cidade, arrastando carros e pessoas. Anna deu um beijo na testa de Dennis e em meio à multidão que corria assustada, surgiu Carolina, com sua maquiagem azul toda borrada.
- Carolina? – Anna, Pedrinho e Alice falaram ao mesmo tempo.
- Carolina onde é que você se meteu? – Perguntou Anna.
 Carolina estava com uma expressão seria no rosto, oque a deixava com uma aparência mais matura do que ela já tinha e sem se importar com a preocupação de Anna, ela respondeu:
- Estava olhando uma coisa.
 Carolina se ajoelhou de ante do corpo de Dennis e não pode evitar a sensação de tristeza, mas Carolina preferiu não se entregar as lágrimas, ela pôs sua mão no peito de Dennis e logo seu rosto assumiu uma expressão de espanto.
– Anna, Dennis ainda está vivo.
- Oque? – Perguntou Anna incrédula.
- É verdade - Respondeu Alice. –, eu posso escutar o coração dele, mas está batendo cada vez mais devagar. – Carolina olhou nos olhos de Anna e disse:
- Eu acho que posso salvá-lo, mas ele está muito fraco, não sei se vou conseguir. – Anna respirou fundo, tentando conter uma explosão de esperança em sua mente e logo depois, viu a onda gigantesca que se aproximava.
- Tá, mas não seria melhor se agente saísse daqui, primeiro?
- Não, é preciso que ele fique aqui. – Anna perguntou:
- O que? – Anna, Pedrinho e Alice ficaram confusos e assustados ao mesmo tempo. Carolina se levantou e virou-se para a onda gigantesca que se elevava a uma altura de um prédio de cinco andares. O tsunami cedeu sobre a ponte, e sem o menor sentimento de medo, Carolina ergueu as mãos em direção à onda.
 Anna, Pedrinho e Alice fecharam os olhos. Eles ouviram a onda se quebrar sobre a ponte, e sentiram toda sua estrutura tremer, mas nenhuma gota d’água caiu sobre eles. Pensaram que talvez a onda ainda não tivesse caído sobre eles e então quando abriram os olhos, estavam no interior de uma enorme bolha de ar. Sustentadas por Carolina que ainda permanecia de braços erguidos.
 Ao olharem em volta, perceberam que tudo estava submerso, a água do mar cobria toda a ponte, envolvendo todo o cenário da guerra em uma imensidão azul, com os soldados e os mutantes rodopiando pela água, que por algum motivo não eram levados pela correnteza. Como peixes, presos em uma rede. Carolina virou-se para seus amigos, que a olhavam assombrados, ela se ajoelhou mais uma vez de ante do corpo Dennis e começou a desabotoar a camisa dele. Em outras ocasiões, Carolina teria adorado fazer aquilo, mas o momento era sério, então...
 Anna ficou horrorizada, ao ver que por baixo da camisa de Dennis, havia muito mais ferimentos, como mordidas e arranhões. E em seu abdômen, logo acima do umbigo havia uma terrível perfuração, o local onde Priscilla o apunhalara com sua espada. Carolina fez um gesto com sua mão e fez entrar na bolha de ar, um tentáculo de água, que serpenteou pelo ar, seguindo os movimentos de sua mão. O tentáculo de água entrou pelo buraco no abdômen de Dennis, que em poucos segundos todos os seus ferimentos começaram cicatrizar.
 Todas as mordidas e arranhões que havia em suas mãos, em seu rosto e pelo seu corpo começaram a sumir, inclusive o buraco em seu abdômen. Os cílios dele tremeram e seus olhos se abriram. As águas trazidas pelo tsunami começaram ir e todo o resto que havia invadido a cidade, instantaneamente escorreu para o rio. Anna deu um abraço apertado em seu primo e voltou a chora, só que de alegria dessa vez. Alice, Pedrinho e Carolina também foram contagiados pela alegria.
 Por todos os lados, mutantes e soldados estavam espalhados pelo chão ensopados, lixo e alguns peixes, também estavam espalhados pela ponte. Mas os jovens estavam perdendo seus poderes. Os garotos lobisomens voltaram a sua forma humana e as mutações de todos estavam indo embora. Exceto a dos Feras Noturnas.
- Eu não intendo! – Falou Alice. – Eu não intendo um monte de coisas, mas eu simplesmente não intendo oque aconteceu aqui. – Pedrinho também.
- Também boiei, o exercito do Refugio dos Lobos e o próprio, Refugio dos Lobos estão deixando de ser mutantes. – Anna sorrindo disse:
- Foi a Carolina. – Pedrinho perguntou:
- Oque?
- O que é que tem a pirralha? – Carolina lançou um olhar demoníaco para Alice. Anna falou:
- Eu não sei como, mas isso tudo que aconteceu: os mutantes estarem sendo curados e essa onde gigante. Foi tudo obra dela! – Anna olhou para Carolina sorrindo.
- Como você fez isso garota? – Carolina toda orgulhosa, falou sobre a ideia que teve de se jogar da ponte para canalizar todo o seu poder nas águas do rio.
-... eu sabia que mesmo com dois litros de água, não seria o suficiente pra acabar com um exercito de mais de 30 mutantes, então eu pensei: porque detê-los se eu posso curá-los? Então criei um tsunami... E não quero nem ver o estrago que eu causei na cidade! – Pedrinho perguntou:
- Mas ô Carolina, então quer dizer que, com a água você pode curar não só ferimentos, como também mutação genética?
- Parece que sim. – Anna olhou para Dennis que parecia tenso com alguma coisa, e disse:
- Mas oque importa, é que você conseguiu trazer meu primo de volta, Carolina obrigada. – Dennis se sentou e olhou para Priscilla que se levantava do chão, todo ensopada sua mutação canina havia ido embora. E depois de acordado, Dennis finalmente disse alguma coisa.
- Então você... Curou todos os mutantes, certo? – O olhar de Dennis deixou Carolina um pouco assustada, mas ela pôde responder.
- Ahm, sim. – Dennis levantou-se e foi em direção a Priscilla.
- Dennis pra onde você vai? – Perguntou Anna, mas Dennis não lhe respondeu.
 Dennis pegou uma das espadas de Alice, e começou a andar em direção a Priscilla. Igualmente a todos os outros que estavam ali na ponte, Priscilla estava completamente ensopada, tossindo engasgada com a água, sua maquiagem estava toda borrada e sua juba de cabelos ruivos, pareciam alga marinha. Com dificuldade se levantou e percebeu que não estava mais com sua espada. Havia sido levada pela correnteza.
 Quando Priscilla olhou para trás, quase teve uma parada cardíaca, quando viu Dennis vivinho da Silva, mais saldável do que nunca. Priscilla deu um grito e tentou correr, mas quando se virou, Dennis havia surgido em sua frente.
- Você não machucaria uma mulher, machucaria?
 Sem precisar da uma resposta, Dennis agarrou o pescoço dela e a levantou. Priscilla tentou se espernear, mas de nada adiantou. Dennis deu um salto, ficando de pé na amurada da ponte, erguendo o corpo Priscilla sobre o rio.
- Isso tudo não vai acabar com a minha morte! – Disse Priscilla, que forçava para manter uma aparência intimidadora e furiosa, mas o tom em sua voz denunciou seu medo.
– Outros irão se levantar, contra os Feras Noturnas! – Dennis não intendera oque ela queria dizer com aquilo, mas não se interessou em perguntar. Ele colocou a ponta de sua espada, no abdômen de Priscilla, no mesmo lugar onde ela o apunhalara.
- Talvez, eu devesse matar você, mas isso não me tornaria diferente de você, não é? Me tornaria igual a você! – Priscilla deu uma risada, em quanto levava sua mão para a parte de trás do corpo.
- Dennis, Dennis, Dennis você não percebe o quanto é estupido ir para o lado dos mocinhos? – Priscilla retirou do bolço de trás de seu jeans um canivete. – Mocinhos nunca matam os vilões! – Priscilla sacou seu canivete e cortou o braço de Dennis, que a sustentava. Dennis gemeu de dor e sem que percebesse abriu sua mão, deixando o pescoço de Priscilla escapar.
- Mas também, não os salvam. – Disse Dennis. Priscilla sem mostrar nenhuma reação de medo, caiu em direção ao rio Ceará. E viu Dennis o corpo de Priscilla afundar nas águas do riu, ele saltou da amurada olhando para o corte em seu braço.
 Anna e seus amigos, o olhavam preocupados, com medo. Achando que mesmo depois de “derrotar” Priscilla, ele ainda seguiria o mesmo caminho. Mas então Dennis lhes deu um sorriso. E todos correram até ele e lhe deram um abraço coletivo. Anna segurava o rosto de Dennis, se certificando de que ele era real, contendo as lágrimas para não chorar de novo.
- Ah meu Deus! Dennis eu não acredito, você está vivo!
- É, ele não tá morto! – Disse Pedrinho. Alice perguntou:
- Gente, eu não intendi de novo! Oque que a cachorra da Priscilla fez? – Dennis respondeu.
- Ela foi inteligente em preferir se matar, do que, ser morta por min.
- Ahm, Dennis. Seu braço tá sangrando. – Falou Pedrinho.
- É, a cachorra, quer dizer, a Priscilla cortou meu braço.
- Eu não acredito! – Gritou Carolina – Dei um duro danado nesse garoto e a Priscilla corta o braço dele? – Dennis, Anna, Pedrinho e Alice começaram a rir.
- Ô Carolina? – Disse Pedrinho. – Eu sei que é óbvio, mas pra onde é vai toda aquela água que você enfiou na barriga do Dennis?
- Falando em água... – Disse Dennis. – Me deu uma vontade de ir ao banheiro! – Anna falou:

- É, acho que já da pra saber pra onde aquela água vai.

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