A Guerra Mutante
Enquanto isso em Fortaleza, as horas pareciam
demorar, mais do que o normal, para Anna. Mesmo depois de acordada, Anna não
queria se levantar. Alice, Pedrinho e Carolina entraram no quarto para falarem
com ela. Era um desafio para Carolina, pois a vontade que ela tinha era de
estar a 100 metros de distancia de Alice.
- Como você se
sente amiga? – Perguntou Alice.
- Como você
acha? – Murmurou Anna. – Péssima!
- Amor não fique
assim! – Disse Pedrinho. – Sua mãe fez um café da manhã, delicioso, mas não tem
graça nenhuma comer sem você por perto. – Anna revirou os olhos. Carolina
falou:
- Pedrinho? Você
comeu três pães cheios de manteiga, a metade do pote de biscoitos e quatro
fatias de bolo!
- E daí? –
Pedrinho olhou para Anna. - Sem a Anna, por lá, não pareceu que eu comi nenhuma
migalha! – Anna disse:
- Gente? Eu
preciso ficar um pouco sozinha, tá? – Alice falou.
- Isso tudo é
culpa minha, desculpa amiga.
- Desculpar
oque?
- Se eu não
tivesse lhe dado à ideia de “dar a inciativa”, nada disso teria acontecido.
- Não, a culpa é
minha. Como eu pude ser tão burra? Eu sabia que um cara da idade do David,
jamais gostaria de min e... Ele me prometeu que não ia me abandonar.
Ouvindo aquilo, Carolina percebeu que
finalmente alguém sentia oque ela sentia, em relação a Dennis. Ela se
apaixonara por um garoto, quatro anos mais velho que ela, que nunca lhe amou e
que a abandou. Ela adoraria ter dito, frases consoladoras como: “Eu sei como é”, ou como: “Vai passar”
ou “Vai ficar tudo bem, não
fique assim”. Mas Carolina acabou dizendo algo maior como:
- Tenho certeza,
que ele fez aquilo por uma razão muito importante. – Anna deu uma risada fraca.
Pedrinho concordou.
- É e foi por
algo importante mesmo!
- Tipo oque
garoto? – Perguntou Alice.
- Como David, é
do futuro ele devia saber que eu e a Anna, nos casaríamos, então fez oque é
certo e saiu do meu caminho. – Alice e Carolina riram bastante, depois de
ouvirem oque Pedrinho disse até mesmo Anna, que estava num estado depressivo,
não conteve as risadas.
- Oque foi? Do
que vocês estão rindo? – Perguntava Pedrinho.
- As tropas
militares, já chegaram à cidade. – Disse Carolina.
- Isso explica o
barulho de helicópteros, passando por aqui a manhã inteira? – Perguntou Anna.
– Sim. Camburões, policiais, viaturas, homens
armados, com escudos e armaduras estão em quase todas as ruas. – Alice
concordou.
- É mesmo, me da
até medo de sair na rua!
- Minha mãe
mandou foi eu ficar por aqui. – Disse Pedrinho.
- O exercito do
Refugio dos Lobos, devem estar bem perto daqui. Podem chegar a qualquer
instante. – Falou Carolina.
- Ahm, tudo bem.
– Disse Anna. – Vou me levantar daqui a pouco, tá certo?
- Certo. –
Assentiram todos de um por um e saíram do quarto.
Algum tempo depois, na cozinha, Dona Tereza
preparava um frango assado, mas quando terminou o colocou em uma bandeja em
cima da mesa, quando virou as costas, o gato Xandre pulou na mesa e antes que
ele fosse ao encontro do frango, Tereza o viu e explodiu de raiva.
- Seu vira lata!
Sai daí gato, sai! – Ela começou a bater no gato com um pano de prato, Xandre
entrou em pânico, mas roubou uma chocha do frango e fugiu. Carolina que entrava
na cozinha junto com Alice e Pedrinho, perguntou:
- Dona Tereza
oque ouve?
- E gente, a
véia pirou! – Falou Alice, baixinho.
- Aconteceu
alguma coisa com a comida? – Perguntou Pedrinho em desespero.
- Foi, aquela
bola de pelos da Anna, levou um pedaço do meu frango! – Tereza começou a falar
sozinha. - Ah gato safado. Um dia eu te pego, um dia eu pego! – Alice, Pedrinho
e Carolina saíram de mansinho enquanto Tereza resmungava sozinha.
Ao entardecer Pedrinho foi para a casa de
Alice, ao Laboratório Noturno, com seu uniforme cinza de Espinho-Branco, Anna
havia chamado todos os Feras Noturnas, com o entardecer do dia, seria melhor se
todos estivessem preparados. Mas ao chegar à casa de Alice, a porta do quarto
dela estava trancado.
- Alice abre
essa porta! – Dizia Pedrinho, enquanto esmurrava a porta.
- Espera!
Estamos quase prontas. – Respondeu Alice de dentro do quarto.
- Prontas? Prontas pra quê? - E Pedrinho
voltou a bater na porta. Até que então a porta do quarto se abriu e Pedrinho
viu Alice, Carolina e Anna.
Elas estavam vestidas com seus uniformes de
Feras Noturnas, Anna vestida de vermelho, Carolina de azul e Alice parecendo
uma estrela do Pop teen, de calça
jeans e camiseta rosa, mas quando Pedrinho olhou para o rosto delas deu um pulo
pra trás, com um susto. Gritando:
- Crê Deus Pai!
– Alice, Anna e Carolina estavam com maquiagens pesadas no rosto, como se
fossem roqueiras punks ou artistas de circo, cada uma com suas cores. Anna
estava com o cabelo preso para trás, com algumas de suas penas marrons presas
nele.
– Meninas? Até
onde eu sei o carnaval já passou e o dia das bruxas ainda não chegou, então,
que diabo é isso? – Alice murmurou:
- Aí ô balofo,
será que você não intende nada de beleza? – Pedrinho respondeu:
- Olha, eu
intendo, mas eu não sei oque essa bruxaria aí tem haver com “beleza”.
- Pela primeira
vez os Feras Noturnas, irão lutar contra algo grande. Deveríamos estar com a aparência adequada para esse tipo de
ocasião, certo? – Carolina falou:
- Sem querer
ofender, certas pessoas, mas os Feras
Noturnas vai para uma missão, de salvar o mundo da dominação dos mutantes, não
para um concurso de beleza. – Anna concordou:
- Carolina tem
razão amiga, mas, por outro lado, essa maquiagem vai ser ótima para esconder
nossas identidades secretas, se aparecer algum repórter enquanto estivermos lá
na ponte, vamos estar seguros.
- Viram só? –
Falou Alice. – Maquiagens Alice, ajudando a proteger as identidades secretas e
deixando as garotas dos Feras Noturnas um arraso! – Carolina perguntou:
- Já não
deveríamos estar no Laboratório Noturno? – Anna respondeu.
- Ah, é mesmo!
Vamos galera. – Pedrinho entrou no quarto e com pressa, abriu o armário de
Alice com as suas impressões digitais e foi para o laboratório.
- Alice, seus
pais estão fora? – Perguntou Anna.
- Sim, eles só
voltam à noite.
- Ok. – Alice
entrou no armário. – Carolina perguntou:
- E aí Anna,
está preparada?
- É só mais uma
missão para a Fênix, é claro que estou preparada.
- Não era disso
que eu estava falando... Está pronta para fazer oque é certo, caso precise? –
Anna pensou por um momento e respondeu:
- Sim, estou
preparada. – E as duas entram no armário e foram para o laboratório.
Enquanto isso no município de Caucaia, o
Refugio dos Lobos e seu exercito de mutantes já se aproximavam da cidade,
atravessando o município. Priscilla e seus mutantes corriam pela estrada, com
exceção de Isadora que voava com suas asas de vespa. Os mutantes não atacaram
ninguém em Caucaia, mas as pessoas paravam o transito com medo de saírem dos
carros, enquanto os perdestes corriam assustados, o exercito já se estendera
para mais 50 crianças e adolescentes mutantes.
Já em Fortaleza, a ponte que ligava a cidade
ao município, a Ponte do Rio Ceará, já estava interditada e bloqueada pelas
tropas enviadas pelo governo. Viaturas bloqueavam o início da ponte, carros
fortes chegavam a todo instante trazendo soldados do exercito, com suas armas
de sedativos, alguns usavam escudos e cassetetes, até mesmo no céu havia
segurança, dois helicóptero rondavam a área a procura dos primeiros mutantes.
Quando o sol se pôs e a escuridão da noite
chegou, os helicópteros acenderam seus faróis, uma lua cheia surgiu no céu
iluminando toda a ponte, tão forte quanto o sol e foi nesse momento em que os
mutantes chegaram. Do outro lado da ponte, atrás das cabines vazias de pedágio,
o exercito de jovens mutantes apareceram gritando, rugindo e uivando. Nesse
momento os soldados começaram a cruzar a ponte, os mutantes pularam as barras
das cabines e foram ao encontro dos soldados, Priscilla, Mateus, Isadora e os
outros integrantes do Refugio dos Lobos saltaram para a laje, que cobria as
cabines, para assistir o trabalho do exercito. Como David havia dito os
mutantes realmente atacavam por instintos, sem o menor raciocínio, mas alguns
chegaram a pensar em algo. Alguns usaram garrafas com álcool e incendiaram
algumas viaturas. Mas para o azar de Priscilla seus mutantes não tiveram muito
desempenho, quando os soldados interceptaram os mutantes, os militares abriram
“fogo” disparando dardos tranquilizantes nos mutantes.
Os sedativos eram poderosos, ao acertarem um
garoto, eles imediatamente caiam no chão, desacordado, os militares derrubaram
toda a linha da frente dos mutantes com seus dardos tranquilizantes, depois de
acertarem os inimigos, os soldados avançavam sobre o exercito dos mutantes
enquanto equipes recolhiam os corpos dos mutantes caídos no chão e os
transportavam imediatamente para a cidade. Os soldados faziam um trabalho muito
bem organizado, não sofriam nenhum tipo de dificuldades, tanto que o número do
exercito de Priscilla começou a baixar, passando de cinquenta jovens, quarente
e em seguida vinte.
Priscilla rosnou furiosa, depois olhou para os
três garotos de seu bando, Roberto, Carlos e Marcelo e gritou:
- Acabem com
aqueles policiais!
Os três garotos saltaram da laje e se
transformaram em lobisomens, deixando farrapos de suas roupas e suas túnicas
negras para trás. Os lobisomens atacaram os soldados militares, com toda a
fúria, quebrando os pescoços de vários homens, alguns tiveram até os membros
arrancados. Os militares tentaram de tudo, mas nada parecia capaz de impedir os
lobisomens, nem mesmo os sedativos. Muitos soldados morreram e o exercito dos
mutantes começaram a ganhar força, Priscilla teve certeza que iriam vencer.
Um dos helicópteros se aproximou das cabines
de pedágio apontando os faróis para Priscilla, Mateus e Isadora. A porta
lateral do helicóptero estava aberta, onde se projetava um homem com uma arma
de dardos tranquilizantes, que mirava nos três.
- Isadora –
Chamou Priscilla. – Apaga essa luz, por favor? – Isadora sorriu.
- Sim senhora.
E garota levantou voo e laçou três ferrões, na
parte de baixo no helicóptero que começou a soltar fumaça e perder altitude e
depois caiu no rio explodindo. Priscilla, Isadora e Mateus sorriram, como se
algo realmente engraçado tivesse acontecido. Quando os humanos estavam quase,
sendo derrotadas, pelos mutantes os Feras Noturnas chegam para guerrear.
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