O Dispositivo R.N.G.
Já era 06h40min da tarde
quando Carolina havia chegado à lanchonete, foi até Anna bem empolgada e
sorridente e lhe disse:
-
Oi Anna, Eu preciso que você me leve até o Dennis! – Anna lhe olhou confusa.
-
Carolina? Nem pensar! Isso é muito perigoso, ainda mais agora que está
anoitecendo. Ele pode fugir. E eu estou muito ocupada, o meu turno só acaba
daqui a 20 minutos.
-
Eu sei, mas eu preciso que você veja o que eu trouce aqui!- Disse Carolina
saltitando.
-
Carolina que alegria é essa?
-
Por favor, Anna eu finalmente consegui uma coisa que pode solucionar o problema
do Dennis e com o nosso. Seja lá o que estiver acontecendo com agente. – E
então Anna foi até sua mãe e lhe explicou que precisava largar o turno mais
cedo, porque precisava muito resolver um assunto com os amigos. É claro que
qualquer mãe não deixaria sua filha largar suas obrigações tão facilmente, mas
a mãe de Anna era diferente, ela tinha adoração pela sua filha. Assim que ela
ouviu Anna dizer: “Mamãe posso sair da lanchonete mais sedo?” Ela já havia
deixado, sem nem quere ouvir explicações.
-
Dennis? – Chamava Anna batendo na porta do quarto. - Pode vir aqui, por favor?
– Dennis abriu a porta e sua aparência estava péssima, pálido, com manchas
envoltas dos olhos que lembravam hematomas ou olheiras.
-
Você tá bem?
-
Não estou muito melhor – Respondeu Dennis numa voz fraca. Logo apareceram
Pedrinho e Alice, fazendo um sorriso para esconder as caras de culpados.
-
Onde vocês estavam? – Perguntou Carolina.
-
Anna minha querida. – Disse Pedrinho. – Agente estava...
-
Vocês fizeram o que prometeram fazer? – Perguntou Anna friamente.
-
Ah nos fizemos! – Respondeu Alice.
-
Fizemos? – cochichou Pedrinho.
-
Vocês ficarão aqui olhando o Dennis? – Anna Voltou a perguntar.
-
Bom agente tentou. – Respondeu Alice. – Só que teve um problema.
-
E o que foi?
-
É que a porta estava fechada e não dava pra enxergar direito pela fechadura.
-
Faz sentido. – Comentou Dennis.
-
É foi isso, foi isso mesmo, que... Que aconteceu! – Disse Pedrinho.
-
Aí vocês foram ver televisão? – Disse Anna olhando para o controle-remoto na
mão de Alice.
-
Foi. – Falou Alice com a maior tranquilidade.
-
Eu não acredito! Vocês fazem ideia do que poderia ter acontecido?
-
Eu sei agente poderia ter perdido os programas de hoje. Que foi demais! Não foi
Pedro?
-
Não! – Continuo Anna. – Vocês fazem ideia de que horas são? Já esta
escurecendo, o Dennis poderia ter saído e ter machucado alguém lá embaixo na lanchonete.
– Dennis falou:
-
Ah, qual é Anna? Você sabe que eu não machucaria nem uma mosca.
-
Dennis!
-
Foi mau.
-
Bem pessoal. – Disse Carolina. – Tenho uma coisa pra dizer a vocês. Todos já
sabem muito bem o que aconteceu conosco hoje de manhã, coisas estranhas e
diferentes aconteceram com cada um de nós e principalmente com Dennis que
apresenta estranhos sintomas e comportamentos, mas a verdade é que ele não está
doente, nenhum de nós está. Não a febre-alta, ataque de fome, alucinações com
água, transtorno de personalidade e muito menos gel de cabelo. Invadi o colégio
em que o meu irmão estuda e usei o laboratório escondida para analisar as
amostras de saliva que coletei da gente e...
-
Espera um pouco ai. – Interrompeu Dennis. – Você disse que invadiu o colégio do seu irmão?
-
É foi para usar o laboratório de lá, é o único lugar em que eu conheço que eu
poderia examinar as amostras.
-
Você é sem dúvida uma excelente espiã!
-
Ah, obrigada. – Carolina começou a soltar sua risada frouxa.
-
Xiii... Essa daí andou usando produto químico nesse laboratório. – Disse
Pedrinho.
-
Ah, voltando ao assunto. – Carolina voltou à postura séria. – Eu examinei as
amostras de saliva, e os resultados foram bem espantosos, e para ter certeza os
enviei, para um laboratório de análise clínica.
-
Mas o que deu nos resultados? – Perguntou Anna.
-
Os resultados mostravam que nos estávamos, como eu posso dizer... Geneticamente
modificados. – Todos se assustaram com o que Carolina tinha dito.
-
Quer dizer que estamos virando, tipo assim, em mutantes? – Disse Pedrinho
-
Mas como? – Perguntou Anna.
-
Não sei. – Respondeu Carolina
-
Pelo menos agora eu sei que o que esta acontecendo comigo - Comentou Dennis. -
É uma mutação genética e não mais “sintomas” da minha puberdade.
-
Adoro garotos em fase de puberdade! – Cochichou Carolina.
-
O que você disse? – Perguntou Dennis.
-
Ahm eu disse que tenho uma novidade.
-
Outra? – Perguntou Alice.
-
Eu trabalhei o dia inteiro em uma invenção minha. – Alice falou:
-
Não me diga que é outra máquina de fazer as unhas, por que se for eu... –
Carolina tirou de sua mochila algo que parecia um relógio, mas era enorme.
–
Eu o chamo de dispositivo R.N.G. (Relógio Neutralizador de Gene) faz com que
com que a nossa mutação fique neutralizada e que assim seja possível
controla-la.
-
Quer dizer que pode curar o Dennis e a todos nós. – Perguntou Anna.
-
Infelizmente não Anna, apenas esconde os sintomas e... Dennis eu gostaria muito
testar o dispositivo em você.
-
Ah seria uma honra. – Dennis estendeu o braço e Carolina pôs o relógio em seu
pulso, Dennis percebeu que embaixo do relógio havia três pequenas agulhas, que
lhe machucou um pouco.
-
Pra que serve essas agulhas?
-
Para o dispositivo funcionar ele precisa ter contato com o seu organismo. –
Carolina abriu a parte do relógio que mostrava as horas e começou a apertar,
minúsculos botõezinhos que havia lá. Dennis de repente começou a sentir o corpo
formigar e todos ficaram olhando atenciosos para ele. Até que Dennis falou:
-
Carolina me desculpe, mas não funcionou. Não me sinto diferente. – Todos
ficaram com a expressão triste.
-
Ah, tudo bem talvez só precise de alguns ajustes.
-
Carolina. – Perguntou Pedrinho. – O que você intende de mecânica? – Com muito
orgulho Carolina respondeu.
-
Eu intendo de muitas coisas na qual você não intende.
-
O que você quer dizer com isso?
-
Era disso que eu estava falando.
-
Anna? – Perguntou Dennis. – A lanchonete fechou mais sedo hoje?
-
Não por quê?
-
É que de repente começou a fazer um silêncio.
-
É por que não estamos fazendo barulho e... Espera um pouco ai. Você disse que
esta fazendo silêncio?
-
É.
-
Dennis o seu rosto! – E então as olheiras que lembravam hematomas no rosto de
Dennis começaram a sumir, a postura dele começou a ficar mais ereta, os olhos
dele que eram vermelhos começaram a ficar castanhos de novo, mas não como o
castanho que era realmente, mas num castanho dourado, cor de mel e aquela
expressão horrível no rosto dele começou a sumir.
-
O meu aparelho... Funciona! – Disse Carolina gaguejando de tanta felicidade.
-
Dennis! – Anna deu abraço apertado em seu primo. – Graças a Deus o aparelho da
Carolina funciona.
-
Mas e agora Carolina, eu vou ter que ficar andando pra cima e pra baixo com
essa coisa enorme no meu pulso.
-
É só um protótipo, eu ainda estou criando um modelo menor.
-
Ah, do que eu estou reclamando? Muito obrigado Carolina, mesmo.
-
Ah de nada, é pra isso que servem os amigos.
-
É, mas se não fosse por você eu não sei o que seria de min. – E então Carolina
foi surpreendida por um abraço de Dennis. Alice suspirou:
-
Ai, que lindo! – Mas Anna lhe deu uma cotovelada e murmurou:
-
Cala a boca! – Depois que Dennis a soltou, Carolina ficou meio sem jeito e
começou a sorrir como se tivesse feito algo humilhante na frente dos amigos.
-
Muito bem pessoal agora eu preciso... Ir pra casa explicar para os meus pais
onde, onde, onde eu estive o dia inteiro. – Carolina desmaiou.
-
Ei! – Disse Pedrinho. – Anna porque você também não desmaia quando eu te
abraço?
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