quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cap. 8

David e As Dicas de Como Lutar Com Mutantes

 Naquela mesma noite, no acampamento do Refugio dos Lobos, Isadora e os três garotos lobisomens que perseguiram Anna, David, Alice, Pedrinho e Carolina foram à barraca de Priscilla, para falar com ela sobre o ocorrido. Os três garotos que estavam com Isadora, se cobriam com suas túnicas negras como se fossem toalhas e em seus rostos, na região do nariz, estavam feridos e sagrando, devido aos espinhos de Pedrinho. Quando soube que os Feras Noturnas conseguiram escapar, Priscilla não gostou nem um pouco.
- Como vocês podem ser tão INCOMPETENTES? – Berrou Priscilla.
- Nos perdoe senhora, nós falhamos. – Disse um dos garotos de cabeça baixa.
- Não Roberto, perdoem a min, foi muita burrice minha ter mandando quatro dos meus melhores mutantes destruírem os Feras Noturnas, devia ter mandando logo o exercito inteiro! Afinal qualquer um aqui, teria conseguido fazer o que eu mandei, ao contrario de vocês. – Isadora falou:
- Mas eu consegui acertar a asa daquela garota a... Fênix!
- Não importa, acabei de saber que três dos meus lobisomens e uma das minhas mutantes mais poderosas, são incapazes de vencer quatro projetinhos de mutantes! – Outro garoto, o mais novo, implorou:
- Mas Priscilla! – Logo depois que conseguiu a atenção dela, baixou a cabeça com medo. – Eles não eram quatro, eram cinco.
- O quê? Como disse Carlos? – Perguntou Priscilla incrédula.
- Isso mesmo, é verdade! – Disse um garoto mais velho, com ansiedade. – Os Feras Noturnas não estavam sozinhos, tinha alguém com eles.
 Priscilla ficou espantada.
- Marcelo, como assim alguém? Um, um outro mutante?
- Sim. – Respondeu Marcelo. – Ele era um mutante, de um tipo que nunca vimos antes, não há outros como ele por aqui. – Priscilla ficou pálida.
- Mas o que exatamente ele fazia? – Roberto respondeu.
- Bem, ele mudava de forma. Primeiro era um menino, depois, de repente virou um homem enorme e fez um rugido de um animal feroz, como um... Um leão.
- Espera o que você disse? – Perguntou Priscilla.
- Que... Ele fez um rugido de um leão.
- Não, antes.
- Que ele mudava de forma? – Priscilla suspirou e revirou os olhos.
- NÃO garoto! Antes disso, como ele era a primeira vista?
- Um menino.
- Um menino. – Repetiu Priscilla ainda não convencida. – Não, não isso não pode ser verdade! – Disse Priscilla falando sozinha.
- Do que está falando senhora? – Perguntou Isadora.
- Acho que os Feras Noturnas, podem ter criado um mutante, mas isso não pode ser possível, eles não tem Eau Mutant e aquela Carolina não é inteligente o suficiente para fazer a fórmula.
 Isadora, Roberto, Carlos e Marcelo ficaram bem aliviados, pois Priscilla havia se esquecido de sua raiva.
- Bem vou sair agora com Dennis e o Mateus, os Feras Noturnas não era o meu alvo, no momento, mas conseguiram a minha atenção agora, esse garoto misterioso me deixou muito curiosa!
 Depois que o dia amanheceu os olhos de Anna se abriram, ela havia dormido feito uma pedra, estava do mesmo jeito quando adormeceu, porém as dores em seu corpo haviam sumido. As lembranças dos momentos em que passou com David, na noite anterior estavam ecoando em sua mente, como se tivesse adormecido há cinco minutos, atrás. Ela olhou envolta, mas não havia ninguém em seu quarto, o que a fez acreditar que tudo não passou de um sonho: quando viu a nudez de David, quando ele a levou para sua cama e conversa que teve antes de dormir.
 Quando se levantou sentiu sua cabeça pesar uma tonelada, ela olhou as horas em seu dispositivo R.N.G. e viu que já era mais de 10hs da manhã, Anna calçou seus chinelos e saiu do quarto, quando passou em frente ao quarto de seu irmão (no qual, estava hospedado Dennis e David) Anna viu algo pendurado na maçaneta, que a fez perder suas duvidas sobre a noite anterior, na porta estava pendurado um tecido branco e felpudo, a principio pensou que fosse uma toalha, mas quando o segurou em suas mãos, percebeu que era o roupão que David usou para se cobrir.
 Anna cheirou o roupão e sentiu um cheiro de uma mistura entre seu sabonete de sua casa e o cheiro de seu gato Xandre, todo ensopado, ou seja, David. Anna desceu a escada vagarosamente, se esforçando para manter, os olhos abertos e então, ouviu a voz de David vindo da sala de estar. Onde estava reunido, com seus amigos, Alice, Pedrinho e Carolina.
- Anna meu amor! – Gritou Pedrinho, quando a viu.
 David que estava em pé se virou para vê-la e Anna percebeu que, ele estava de volta a sua forma, de um garoto, de 12 anos. O que a deixou, um pouco angustiada.
- Bom dia amiga! – Falou Alice. – Seu cabelo está parecendo uma arapuca.
- Tá. Bom dia pra você também Alice! – Murmurou Anna.
- Estávamos começando a acreditar que o veneno da Isadora tinha matado você! – Disse Carolina.
- É, parece que esse relógio - Anna levantou o braço onde estava o dispositivo R.N.G. –, funciona muito bem. – Anna se jogou no sofá. David falou:
- Anna que bom que você acordou, vamos sair agora mesmo.
- Agora? – Choramingou ela.
- Parece que o Pedrinho, conhece um bom lugar para os treinamentos e agente ia conferir.
- Mas e a minha mãe e o meu irmão? Agente tem que falar com eles antes de...
- Sua mãe saiu bem cedo, foi resolver uns assuntos sobre a lanchonete e o seu irmão, parece que tomou uns calmantes antes de dormir e vai ficar ainda algumas horas, apagado.
- Bem então... Vão precisar esperar um pouco, acabei de acordar, ainda estou acabada de ontem à noite e eu quero um banho.
- Tudo bem agente pode esperar. – Disse David. Anna suspirou e foi para a cozinha. Pedrinho ligou a TV e se jogou no sofá. Enquanto Anna abria a geladeira, Carolina foi até ela com muita ansiedade.
- Oi Anna! – Desconfiada Anna respondeu.
- Oi! - Depois de analisar o enorme sorriso de Carolina e o brilho nos olhos dela, Anna perguntou: - Por acaso seus pais te deram o novo iphone?
- Não. – Respondeu Carolina.
- A Windows, lançou algo novo? – Anna pegou um pote de doce de leite da geladeira.
- Também não.
- Um aparelho eletrônico, novo foi lançado, algum cientista fez uma descoberta? O que foi? – Anna e Carolina sentaram-se à mesa de jantar.
- Retiro tudo que disse sobre o que eu falei ontem, sobre o Dennis, sobre ele não querer voltar para nós! – Anna ficou confusa.
- Tudo bem... Por quê?
- Porque ele me salvou. – Anna se engasgou com o doce de leite.
- Como é garota?
- Depois que você saiu da minha casa, o Xandre apareceu outra vez no meu quintal, só que dessa vez ele estava pendurado no galho da árvore do vizinho e quando eu tentei tirar ele de lá eu cai do parapeito e então... Ele apareceu do nada, me segurou nos braços e me pôs sã e salva no chão. - Anna ficou pensativa por um instante.
- Ele me salvou, como se fosse um herói ou um anjo, só que vestido de preto e com asas de morcego. Um anjo de asas negras, mas enfim eu... – Carolina notou o rosto pasmado de Anna.
- Tudo bem com você?
- Claro que estou!
- É que não parece, você...
- Carolina você tem certeza que isso realmente aconteceu? Que ele não estava tentando fazer outra coisa com você, ou que... – Carolina riu.
- Anna você tá falando sério? É claro que eu tenho certeza, ele me salvou me pôs no chão! Não fez nada comigo, infelizmente.
- É que eu não consigo acreditar, desde que o Dennis foi para o Refugio dos Lobos, generosidade foi um dos hábitos que ele abandonou.
- Bem, não é mentira, o Dennis que agente conhece ainda está lá em algum lugar!
- Carolina muito obrigada mesmo, por me dizer isso, mas... Vamos guardar isso como segredo, certo?
- Mas por quê?
- Não vai adiantar de nada contar pra eles. Não vão acreditar em nós e não vai nos dar vantagem nessa guerra, tudo que devemos fazer agora é se dedicar nos treinamentos e ter fé de que tudo dê certo. – E então Alice entrou na cozinha.
- E aí Anna, como foi à noite? – Quando Carolina a viu fez uma careta de nojo.
- Argh! – Carolina se levantou e saiu andando pesadamente da cozinha.
- Ué? – Perguntou Alice.
- O que foi Alice, a noite de ontem? – Anna suspirou.
- É, eu queria que você me contasse. Como foram as coisas por aqui ontem à noite, o David brigou muito com você?
- Claro que não, por quê?
- Porque ele nos proibiu de ir para o matagal sozinho lembra?
- Ah sim, sim. – Alice ficou tensa.
- E então ele deu muita bronca? – Anna sorriu ao se lembrar da noite anterior.
- Não, claro que não! Ele não fez nada de ruim comigo. Por mais que o David seja um argente, muito bem treinado, durão e perigoso, tal... Ele é uma pessoa muito carinhosa.
- Ah isso até eu já percebi, mas... Espera um pouco aí! – Alice fez um sorriso sarcástico. – Agora intendi o que tá rolando aqui.
- E o que é? Porque eu não faço ideia do que você tá falando.
- Você tá afim do David! – Anna mordeu a colher em sua boca.
- Alice? Pirou de vez? Eu não estou afim dele!
- Anna eu sei que eu posso ter esse jeito assim de doida, maluca, lesada, mas eu não sou idiota... Eu leio a revista Capricho sabia?
- E isso quer dizer o quê?
- Eu andei observando esse seu jeito de: uma hora estar com raiva do David e outra hora, estar amando ele. Isso é uns dos sinais da paixão.
- Alice, chega tá legal? Eu já disse, não estou afim do David! – Alice cruzou os braços.
- Ai! – Berrou Anna. – Tá legal, eu estou! – Alice começou a sorrir e bater palmas, como se Anna tivesse acabado de ganhar um prêmio.
- Viu só, eu sabia!
- Tá e agora, ficou satisfeita? – Murmurou Anna.
- Quer que eu te ajude a conquistar ele?
- Não! Por favor? Sem essa!
- Mas por quê? Vocês dois são feitos um paro o outro, olha só vocês dois são Feras Noturnas, são super... valentes, corajosos e destemidos. Não vejo porque vocês dois não ficarem juntos.
- Alice por mais que eu não goste do Pedrinho, não quero ferir os sentimentos dele e se não percebeu o David é anos mais velho do que eu.
- Anna se não percebeu, o David não é mais velho do que você, não nesse ponto de vista... – Anna se inclinou na cadeira e viu lá na sala de estar, Pedrinho estava fazendo palhaçadas para o David e Carolina.
– E o Pedrinho? Ah, quem se importa com os sentimentos daquele balofo! Você o David, amiga, formam o casal perfeito.
- Mesmo assim, ele está aqui em uma missão e não vou atrapalhar isso.
- Cê que sabe, o David não vai ficar aqui pra sempre, se eu fosse você eu aproveitava. – Anna pensou um instante e se levantou da cadeira.
- Vou tomar banho, com licença.
 Depois de pronta, Anna e seus amigos saíram de casa. João que havia acordado foi à varanda e viu Anna e seus amigos saírem na rua para direita, enquanto Dennis vinha pelo lado esquerdo. João ficou um pouco intrigado, quando viu Renan que estava jogando bola na rua com seus amigos, mandou os garotos pararem o jogo e abrirem caminho, para Dennis passar, com muito temor e reverencia, enquanto Dennis andava sorrindo maliciosamente para eles.
 Pedrinho guiou seus amigos para um lugar bem longe, do outro lado da Barra do Ceará, levando-os a uma velha fábrica de alumino.
- E aqui está. – Disse Pedrinho depois de mostrar-lhes um enorme galpão coberto de pichações.
- Isso? – Murmurou Alice. – Pedrinho, seu porquinho da índia. Eu não acredito que você levou agente até aqui, só pra mostrar um ferro velho!
- Pelo menos ele fez algo que preste Alice. – Disse Anna.
- Aqui não é um ferro velho, ô cara de rato! É velha fábrica de alumínio do bairro. O lugar pra gente treinara. – David falou:
- Esse lugar é perfeito, é isolado e espaçoso. – Alice voltou a murmurar.
- Pra min isso aqui é um lixo! – Carolina disse:
- Não sei se é uma boa ideia, e se alguém passar por aqui e nos ouvir ou, ver agente? – Pedrinho respondeu.
- Relaxa, ninguém vem aqui há anos, e se alguém vem se esqueceu de concertar a cerca elétrica. – David falou:
- Carolina pode me ajudar a escolher bons locais para instalar os pilares de projeção?
- Claro. – David e Carolina foram para os fundos do galpão instalar os projetores e Alice não deixou de reparar que Anna não tirava os olhos de David.
- Admirando a paisagem? – Anna saltou de susto.
- Claro! Essa fabrica abandonada é muito bonita, um luxo. – Alice sorria
- Eu sei oque você acha bonito aqui! E não é esse lugar.
- Cala a boca Alice! – Depois de instalar todos os pilares, David retirou sua mochila de suas costas.
- Muito bem, agora peguem seus óculos e fones de ouvido. – E com seu dispositivo R.N.G. David começou a selecionar, o cenário para o treinamento.
- Só espero que ele não faça agente lutar com algum monstrengo outra vez! – Falou Alice.
- Dessa vez, eu decidi ouvir a voz de vocês... – Dizia David. – Não vou fazer vocês lutarem com, algum monstro ou um animal 10 vezes maior do que vocês.
- Graças a Deus! – Suspirou Carolina.
- Agora vocês vão treinar com criaturas que estão à altura dos mutantes da Priscilla. – Enquanto David falava, o lugar em que estavam, começou a mudar, o teto sumiu, a luz do sol se tornou mais intensa e as colunas desapareceram. – Não precisam ter medo, os mutantes que vocês que vocês iram enfrentar brevemente, são apenas jovens descontrolados, com extintos animais, a flor da pele, ou seja, eles não vão raciocinar corretamente isso vai lhes garantir uma grande vantagem sobre eles. Mas para que vocês vençam essa guerra com sucesso, é preciso que vocês saibam de algumas regras essenciais de como lutar com mutantes.
- Que tipo de regras? – Perguntou Pedrinho.
- A 1° regra: nunca comecem uma luta mostrando suas habilidades especiais, eles não vão estar raciocinando, mas isso não vai os impedir de verem suas fraquezas. – E quando se deram de conta, estavam em uma cidade abandonada. – E 2° regra: Vocês precisam ser unidos, trabalho em equipe, qualquer tentativa individualista de se sair bem, vai provocar a sua derrota e de toda a esquipe e vocês vão morrer. 3° regra que, aliás, é a mais importante de todas ahm... Procurem sobreviver.

 David deu as costas e saltou para cima de um difícil. Anna, Alice, Pedrinho e Carolina ouviram alguns gemidos, eles se viraram e viram zumbis vindos de todos os lados de todos os cantos, lhes deixando sem saída.

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