Priscilla Mostra Suas Garras
Algumas horas mais tarde, por volta das 5hs da
manhã, David foi ao quarto de Anna, ele estava com seu uniforme, de Feras Noturnas
do futuro, camiseta regata vermelha, calça camuflada, botas e óculos escuros.
Ele entrou no quarto sem fazer um som, Carolina dormia na rede e Alice dormia
ao lado de Anna, roncando ou rosnado. David se agachou e sussurrou para Anna.
- Não queria que
tivesse que ser assim. – David beijou Anna no rosto. – Isso vai doer mais em
min do que você imagina. – David levantou-se e saiu. No mesmo instante, Anna
acordou e se levantou rapidamente e curiosa, o seguiu. Alice também acabou
acordando.
- Anna? Pra onde
você vai?
David foi ao quintal e olhou para a rasa
cratera que criou em sua viagem do tempo, pelos dias que já havia passando,
capim e algumas plantas cresciam na areia carbonizada. Anna logo em seguida,
chegou ao quintal, percebendo que o céu da noite já estava clareando.
- Ah, Anna. –
Disse David sobressaltado.
- Tá fazendo
oque? – David queria falar sobre oque havia acontecido, há algumas horas mais
cedo, mas sabia que não ia adiantar muito.
- Nada. Você...
Está chateada?
- Nem um pouco.
– Disse Anna ironizando. - Ouve algum problema para você estar aqui? – David
suspirou.
- Sim, quer
dizer... Não. É só a minha missão... Chegou ao fim.
- Como assim? –
David a olhou em seus olhos
- Eu acabei
Anna, oque tinha para fazer aqui.
- E... Agora
você, vai embora?
- Isso. – Anna
deu um passo à frente.
- Oque, mas como
assim? Você ainda não pode ir embora, seu objetivo era impedir a mutação em
massa no Brasil e salvar o Dennis!
- Esses feitos
ainda não foram realizados, mas tudo que tinha para fazer, eu já fiz.
- Nada disso! –
Alice e Carolina também chegaram ao quintal.
- Ali estão
eles! – Disse Carolina.
- Oque vocês
dois estão fazendo aqui? – David ignorou as duas e respondeu a Anna.
- Minha
obrigação de proteger o país de uma invasão de mutantes não é mais tão
necessária, forças especiais do governo estão trabalhando para deter o exercito
do Refugio dos Lobos e eu treinei quatro mutantes muito poderosos, com
treinamentos de nível superior da Organização Feras Noturnas. Acho que isso dá
conta do recado.
- Tá, mas e o
meu primo, o causador de tudo isso? – Perguntou Anna.
- Anna o destino
de Dennis, cabe a você salvar, será que não percebe? Quando o conheci, pensei
que ele tivesse sofrido algo grave, mas percebi que tudo que ele precisa é
você, só quem pode salva-lo é você, Anna. – Anna sentiu como se alguém tivesse
lhe jogado um balde de água fria.
- Eu intendi. –
Disse Anna.
– Afinal, você
foi um dos motivos que ele teve para deixar os feras. Mas caso não consiga,
precisa fazer oque é certo... Matá-lo.
- O que? – Disse
Anna.
- E isso
significa, que a minha missão, por aqui, foi cumprida. – Anna deu mais um passo
a frente.
- Não, espera.
Ainda precisamos de você! – David clicou em um botão, em seu dispositivo R.N.G.
e um raio lazer foi disparado na “cratera” de David, que começou a produzir um
brilho azul.
- Lamento Anna,
também adoraria que vocês ainda precisassem de min, mas não precisam mais. –
Alice e Carolina se aproximaram de Anna.
- É amiga, tá na
hora dele ir. – Falou Alice.
- É isso mesmo
Anna. – Agora Carolina. – David já fez de mais por nós, agora é com agente! –
Anna começou a chorar desesperadamente.
- Não, David!
Por favor, eu preciso de você aqui. – David ficou de pé em cima da cratera e
disse a Carolina e Alice:
- Não deixem ela
chegar perto de min. – Quando ele disse isso, foi quando Anna avançou em
direção a ele, Carolina e Alice tiveram que segurar os braços de Anna, que por
sorte não decidiu ficar em chamas.
- David eu sei
que eu agi, feito uma idiota em te beijar! Mas, Por favor, não vá embora! –
David prostrou-se na rasa cratera brilhante e seu corpo foi envolvido por uma
esfera luminosa e brilhante.
- David, por
favor, não!
Enquanto Anna berrava e chorava, Carolina e
Alice a puxavam para o mais longe possível de David. E então a luz azulada emitida
pela esfera, começou a ficar mais intensa. Anna, Carolina e Alice tiveram que
virar o rosto para outro lado, para não terem os olhos queimados. A esfera de
luz explodiu e disparou em direção ao céu, desparecendo. Anna caiu ajoelhada no
chão, aos prantos, com suas amigas a consolando.
O dia amanheceu e na cidade de Natal, no
estado de Rio Grande do Norte, os cidadãos foram surpreendidos, pelos ataques
dos mutantes do Refugio dos Lobos, em plena luz do dia. Como a policia local,
não eram especializados para esse tipo de ocorrência, os ataques duraram horas
pela manhã, tanto que o Refugio dos Lobos tomaram um hotel cinco estrelas, para
usarem como um covil temporário. E se aproveitando do luxo e do conforto,
Dennis usava um quarto enorme, com uma varanda, com vista para o mar, mas
apesar de tudo, ele estava muito pensativo.
Pensamentos sobre desistir do plano do Refugio
dos Lobos e voltar a ser quem era, vinham cada vez mais, em sua mente, o que
lhe deixava incomodado. Quando estava no banheiro, ele retirou de seu bolço seu
dispositivo R.N.G. um relógio Champion, preto,
que passara a andar com ele no bolço, indeciso se voltava ou não a usa-lo.
Dennis levantou os olhos para o espelho do banheiro, e se assustou ao ver
alguém atrás dele, ele mesmo.
- O que
significa isso? – Dennis nervoso respondeu:
- Não é nada! É
só um...
- Um dispositivo
R.N.G. usado pelos Feras Noturnas! No que está pensando Dennis? Esta pensando
em voltar para sua prima e aqueles garotos, que não te valorizam, que não se
importam com você?
- Nem um pouco!
- Dennis, o
nosso plano já está quase sendo concluído e logo, logo os Feras Noturnas
morreram e todas as pessoas, que te maltrataram também morreram! Tudo que
agente sempre quis, será realizado.
- Agente? – Dennis virou-se para seu próprio
eu. – Como assim “agente”?
- Agente, nós
dois. Eu e você.
- Desde que você
apareceu eu deixei você tomar conta de min, das minhas decisões, das minhas
atitudes... Tenho até deixado, você pensar por min! Tá na hora de isso parar um
pouco. – O “reflexo” de Dennis soltou uma gargalhada e sua voz, ficou grossa e
mais velha.
- Você precisa
de min Dennis. Não consegue pensar ou tomar decisões, sem min.
- Será mesmo?
- Você não sabe
com quem está lidando Dennis Alcântara! – A luz do banheiro começou a piscar, a
gargalhada do garoto fez o cérebro de Dennis vibrar e por mais que ele não
quisesse, Dennis sentiu medo.
- Seu corpo e
sua alma, pertencem a min! – Dennis fechou os olhos, respirou fundo e disse:
- Só que não.
Dennis deu um soco no rosto de seu outro eu,
em seguida o acertou com a mão esquerda e depois agarrou seus ombros e com o
joelho, bateu com força no estomago dele. Mas o garoto não se deu por vencido,
ele agarrou Dennis pelo pescoço e o jogou para direita, o acertando contra a
parede, Dennis levantou-se e voltou a lutar, mas seu reflexo segurava com força seus pulsos, Dennis empurrou seu inimigo
para trás e ele acabou escorregando, e caiu batendo a cabeça no vazo sanitário,
ficando desacordado.
Quando saiu do banheiro, Dennis trancou a
porta e em seguida empurrou uma pesada cômoda para frente da porta do banheiro,
bloqueando a passagem. O outro eu de Dennis, não passava de uma alucinação, um
fruto de sua imaginação, mas Dennis se sentiu mais confiante fazendo isso.
Poucos segundos depois, sombras de morcegos – apenas sombras – começaram a
invadir o quarto. Uma centena de vultos em forma de morcegos saia da porta do
banheiro e voavam pelas paredes. Dennis saiu do quarto o mais depressa possível
e trancou a porta, quando se virou, Mateus estava atrás dele.
- Olá Dennis.
- Ah! – Dennis
berrou de susto.
- Tá assustado?
– Perguntou Mateus rindo da cara dele. Dennis suspirou.
- Oque você esta
fazendo aqui? – Mateus respondeu:
- Priscilla quer
falar com agente... Na suíte dela.
Mateus acompanhou Dennis até os aposentos de
Priscilla, enquanto iam até lá Dennis colocou em seu pulso, o seu dispositivo
R.N.G. sem que Mateus percebesse e depois o cobriu com a manga de sua camisa
rapidamente. Chegando ao quaro de Priscilla, Dennis percebeu que era uma suíte
presidencial, com dois dos garotos do Refugio dos Lobos, Marcelo e Roberto
guardando a porta, como seguranças. Algo até... Ridículo, pois no hotel não
havia ninguém além dos mutantes. Mateus assentiu para os “cães de guardas” e
eles permitiram que Mateus e Dennis entrassem. Quando entraram no quarto do
hotel, encontraram Priscilla conversando com Carlos, mas depois que viu Dennis
interrompeu o garoto e disse:
- Ah Dennis! –
Sorriu ela. – Que bom que você veio. – Mateus se jogou no sofá, ligou a
Televisão e começou a assistir todos os canais da TV a cabo, ao mesmo tempo.
- Você queria...
Falar comigo? – Perguntou Dennis.
- Ahm, na
verdade nós queremos falar com você.
– Priscilla olhou para Mateus e gritou: - Mateus? Pra cá!
Depois sorriu para Dennis. Mateus rosnou ao
desligar a TV e cochichou no ouvido de Priscilla, mas Dennis pode ouvir com
clareza.
- Como assim
“nós”? – Priscilla olhou para Mateus e cochichou de volta:
- É! Nós.
Lembra? – Mateus ficou um instante em silêncio e depois falou como se estivesse,
lembrando-se de algo.
- Aaaah! Sei,
sei. - Dennis piscou.
- Ahm,
Priscilla...? – Ela olhou para Dennis, abriu um enorme sorriso e disse:
- Ah sim Dennis.
O que queríamos falar com você é que, como você já deve ter notado, falta
apenas uma cidade para começarmos nosso extermínio a raça humana. E creio que,
assim como eu, você deve conhecer muito bem essa cidade.
- Fortaleza... É
claro, que conheço. – Murmurou Dennis.
- Isso
Fortaleza, o lar daquele... Grupinho
de mutantes heróis, os Feras Noturnas. – Um calafrio percorreu a coluna de
Dennis. - Não vejo a hora de vê-los destruídos! Mas, por mais que eu queria muito destruí-los, Dennis, eu sei muito
bem que você os odeia como ninguém! – Priscilla deu uma volta lenta em torno de
Dennis. - Por tanto eu lhe dou a ordem, quer dizer, a permissão de matar todos
eles, esmagá-los como insetos. – Dennis gostaria... Ele adoraria ouvir aquilo,
mas olhou para o chão inseguro.
- O que foi? –
Perguntou Priscilla que esperava uma reação mais contente de Dennis. Ele
respirou fundo e disse olhando nos olhos dela.
- É... Não quero
destruir os Feras Noturnas. – Aquilo deixou a Priscilla, Mateus e o garoto que
estava com eles, perplexo.
- O que ele
disse? – Perguntou Carlos a Priscilla.
- Como é que é?
– Falou Mateus.
- Dennis... –
Disse Priscilla tentando conter seu estado de choque. – Porque você não quer
destruir os Feras Noturnas? Todos querem. – Dennis não acreditava no que ele
mesmo estava falando, mas mesmo assim não queria parar.
- Tudo que eu
queria fazer com eles, eu já fiz... Não estou mais a fim de me vingar deles,
cansei deles. – Priscilla já não reconhecia mais a Dennis.
- Dennis tá tudo
bem com você? Você vai se vingar
deles, era oque você queria! – Dennis deu de ombros.
- Não quero
mais. – O sorriso no rosto de Priscilla se transformou em uma cara raivosa.
- Dennis eles
tramaram contra você, e nós te ajudamos, eles também tramaram contra min, você
me deve por isso! Ou você se esqueceu do nosso código de honra? – Priscilla
começou a hesitar: - Aquele que você
odeia, nós odiaremos também... – Dennis ficou com a expressão mais
confiante.
- Valeu, mas não
faz mais nenhum sentido pra min, perder meu tempo, caçando aquele bando de
dementes. Me desculpa, mas se você quer tanto ver a derrota deles. Porque não
faz isso você mesma, ou algum outro mutante? Você tem um exercito! – Priscilla
explodiu de raiva.
- Porque eu
quero que VOCÊ vá! Como no MEU plano... – Priscilla então percebeu que acabou
falando algo que não devia. Dennis franziu a testa.
- Como assim?
Que história é essa de plano? – Priscilla tossiu um pouco e depois voltou a
sorrir.
- O meu
verdadeiro objetivo Dennis. Vingar a morte de Janderson e dar continuidade ao
seu plano de transformar a humanidade em seres geneticamente modificados e...
Usurpar o mutante-vampiro dos Feras Noturnas. – Dennis arregalou os olhos.
- Oque? Então...
Me fazer sair dos Feras Noturnas, era ideia sua? – Priscilla deu uma risada e
se aproximou de Dennis.
- Dennis eu
adoro esse seu jeito de ser lesado e esperto ao mesmo tempo, é uma das coisas
que eu mais gosto em você! – Mateus rosnou com ciúmes. Dennis ordenou:
- O que você
estava planejando pra min, Priscilla? Diga! – Priscilla suspirou.
- Ah, tudo bem. Ano passado, no mês de Julho
quando você e aqueles seus amiguinhos
se contaminaram com Eau Mutant e se
transformaram em mutantes. O Janderson e eu percebemos de cara que você seria
problema Dennis, porque você é o mutante mais perigoso que já criamos com a
nossa fórmula.
- Eu sou é? –
Perguntou Dennis surpreso.
- As habilidades
de caça de um morcego, sendo introduzidas em um ser humano, gerou um cruzamento
genético surpreendente. Criando uma mutação muito poderosa e muito perigosa
também. – Dennis percebera que o modo como Priscilla falava era muito
semelhante ao de Janderson.
- Sim, vá direto
ao ponto.
- Quando
Janderson descobriu que tipo de mutante você era, ele quis imediatamente, você,
ao nosso lado, mas a sua mutação era tão perigosa, que ele preferia, você
morto. Tentamos matar vocês, mas vocês conseguiram se safar. Então eu percebi
que seria muito mais fácil e menos perigoso também, se eu conseguisse fazer o
líder dos Feras Noturnas se voltar contra seu próprio bando e se unir a min. E
para conseguir isso, tive que criar meu próprio clã, pois a mutação do lobo não
deu muito certo, em min.
- Fez com que
Renan me provocasse também, para conseguir oque queria?
- Ah. Não, não,
aquilo não foi ideia minha. Se bem que, veio muito a calha pra min, pude se
aproveitar da situação para ti influenciar. Ahm, onde eu estava? Ah, sim. Já
que a mutação do lobo não tem grandes efeitos em pessoas do sexo feminino, fui
a São Paulo pedir para o Mateus, que também estava com a mutação do lobo, para
criar uma alcateia e o que aconteceu depois... Acho que você já sabe. – Dennis
ficou indignado.
- Como eu pude deixar
ser influenciado por você?
- Como eu disse,
adoro esse seu jeito de ser lesado e esperto ao mesmo tempo!
- Bom então,
você não se importava comigo? Nenhuns de vocês se importavam, não é?
- Claro que não
Dennis! Tudo aquilo era o meu jogo e você é a principal!
- Não acredito
que você estava me usando esse tempo todo!
- Pois é, nós estávamos te usando, agora infelizmente
você não tem mais utilidade para nós. – Priscilla assoviou, Dennis se virou e
viu as portas do quarto se abriram. Os outros Roberto e Marcelo que estavam do
lado de fora entram e ficaram de braços cruzados em frente às portas,
bloqueando a saída. – Então, não nos resta outra escolha, ao não ser...
Descarta-lo.
Dennis sabia
exatamente, oque ela queria dizer, então olhou para ela nos olhos e disse-lhe:
- Não antes de
eu acabar com você! – Dennis ergueu sua perna e chutou Priscilla no tórax, a
garota foi arremessada pelo quarto, até que atingiu a parede no fundo. A queda
de Priscilla foi amortecida pela cama, quando ela se levantou seu rosto estava
furioso.
- Matem ele! –
Mateus virou-se para Dennis.
- Finalmente!
Mateus rosnou e avançou em Dennis, mas ele foi
golpeado por um soco no rosto que o deixou atordoado, em seguida Carlos, que
estava presente latiu e saltou sobre Dennis, mas Dennis o agarrou pelo pescoço
e o jogou no chão. Teria sentido pena se ele não tivesse tentando lhe matar.
Enquanto Dennis estava distraído lutando contra Mateus e Carlos. Os “guardas”
que bloqueavam a saída vinham por trás, um deles mordeu Dennis no ombro. A dor
que Dennis senil foi tão grande que ele começou a gritar e seu corpo todo ficou
paralisado. O garoto largou o ombro de Dennis, que caiu de joelhos no chão,
logo depois o sentaram em uma cadeira e como não havia cordas, os garotos
seguraram seus braços.
- Ele não é
humano. – Dizia Priscilla se aproximando. – Então podem mastigar todo o corpo
dele. – Os garotos abriram a camisa de Dennis, desabotoando todos os botões de
uma vez.
- Acho que
vampiros não são páreos contra lobisomens.
Mateus e os outros garotos se transformaram em
lobisomens e começaram a atacar Dennis, mordiam e arranhava seu peito, seu
pescoço, seus braços e a suas pernas. Priscilla se aproximou de Dennis e lhe
deu um soco no rosto com tanta força que o deixou desacordado.
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