quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cap. 13

Priscilla Mostra Suas Garras

 Algumas horas mais tarde, por volta das 5hs da manhã, David foi ao quarto de Anna, ele estava com seu uniforme, de Feras Noturnas do futuro, camiseta regata vermelha, calça camuflada, botas e óculos escuros. Ele entrou no quarto sem fazer um som, Carolina dormia na rede e Alice dormia ao lado de Anna, roncando ou rosnado. David se agachou e sussurrou para Anna.
- Não queria que tivesse que ser assim. – David beijou Anna no rosto. – Isso vai doer mais em min do que você imagina. – David levantou-se e saiu. No mesmo instante, Anna acordou e se levantou rapidamente e curiosa, o seguiu. Alice também acabou acordando.
- Anna? Pra onde você vai?
 David foi ao quintal e olhou para a rasa cratera que criou em sua viagem do tempo, pelos dias que já havia passando, capim e algumas plantas cresciam na areia carbonizada. Anna logo em seguida, chegou ao quintal, percebendo que o céu da noite já estava clareando.
- Ah, Anna. – Disse David sobressaltado.
- Tá fazendo oque? – David queria falar sobre oque havia acontecido, há algumas horas mais cedo, mas sabia que não ia adiantar muito.
- Nada. Você... Está chateada?
- Nem um pouco. – Disse Anna ironizando. - Ouve algum problema para você estar aqui? – David suspirou.
- Sim, quer dizer... Não. É só a minha missão... Chegou ao fim.
- Como assim? – David a olhou em seus olhos
- Eu acabei Anna, oque tinha para fazer aqui.
- E... Agora você, vai embora?
- Isso. – Anna deu um passo à frente.
- Oque, mas como assim? Você ainda não pode ir embora, seu objetivo era impedir a mutação em massa no Brasil e salvar o Dennis!
- Esses feitos ainda não foram realizados, mas tudo que tinha para fazer, eu já fiz.
- Nada disso! – Alice e Carolina também chegaram ao quintal.
- Ali estão eles! – Disse Carolina.
- Oque vocês dois estão fazendo aqui? – David ignorou as duas e respondeu a Anna.
- Minha obrigação de proteger o país de uma invasão de mutantes não é mais tão necessária, forças especiais do governo estão trabalhando para deter o exercito do Refugio dos Lobos e eu treinei quatro mutantes muito poderosos, com treinamentos de nível superior da Organização Feras Noturnas. Acho que isso dá conta do recado.
- Tá, mas e o meu primo, o causador de tudo isso? – Perguntou Anna.
- Anna o destino de Dennis, cabe a você salvar, será que não percebe? Quando o conheci, pensei que ele tivesse sofrido algo grave, mas percebi que tudo que ele precisa é você, só quem pode salva-lo é você, Anna. – Anna sentiu como se alguém tivesse lhe jogado um balde de água fria.
- Eu intendi. – Disse Anna.
– Afinal, você foi um dos motivos que ele teve para deixar os feras. Mas caso não consiga, precisa fazer oque é certo... Matá-lo.
- O que? – Disse Anna.
- E isso significa, que a minha missão, por aqui, foi cumprida. – Anna deu mais um passo a frente.
- Não, espera. Ainda precisamos de você! – David clicou em um botão, em seu dispositivo R.N.G. e um raio lazer foi disparado na “cratera” de David, que começou a produzir um brilho azul.
- Lamento Anna, também adoraria que vocês ainda precisassem de min, mas não precisam mais. – Alice e Carolina se aproximaram de Anna.
- É amiga, tá na hora dele ir. – Falou Alice.
- É isso mesmo Anna. – Agora Carolina. – David já fez de mais por nós, agora é com agente! – Anna começou a chorar desesperadamente.
- Não, David! Por favor, eu preciso de você aqui. – David ficou de pé em cima da cratera e disse a Carolina e Alice:
- Não deixem ela chegar perto de min. – Quando ele disse isso, foi quando Anna avançou em direção a ele, Carolina e Alice tiveram que segurar os braços de Anna, que por sorte não decidiu ficar em chamas.
- David eu sei que eu agi, feito uma idiota em te beijar! Mas, Por favor, não vá embora! – David prostrou-se na rasa cratera brilhante e seu corpo foi envolvido por uma esfera luminosa e brilhante.
- David, por favor, não!
 Enquanto Anna berrava e chorava, Carolina e Alice a puxavam para o mais longe possível de David. E então a luz azulada emitida pela esfera, começou a ficar mais intensa. Anna, Carolina e Alice tiveram que virar o rosto para outro lado, para não terem os olhos queimados. A esfera de luz explodiu e disparou em direção ao céu, desparecendo. Anna caiu ajoelhada no chão, aos prantos, com suas amigas a consolando.
 O dia amanheceu e na cidade de Natal, no estado de Rio Grande do Norte, os cidadãos foram surpreendidos, pelos ataques dos mutantes do Refugio dos Lobos, em plena luz do dia. Como a policia local, não eram especializados para esse tipo de ocorrência, os ataques duraram horas pela manhã, tanto que o Refugio dos Lobos tomaram um hotel cinco estrelas, para usarem como um covil temporário. E se aproveitando do luxo e do conforto, Dennis usava um quarto enorme, com uma varanda, com vista para o mar, mas apesar de tudo, ele estava muito pensativo.
 Pensamentos sobre desistir do plano do Refugio dos Lobos e voltar a ser quem era, vinham cada vez mais, em sua mente, o que lhe deixava incomodado. Quando estava no banheiro, ele retirou de seu bolço seu dispositivo R.N.G. um relógio Champion, preto, que passara a andar com ele no bolço, indeciso se voltava ou não a usa-lo. Dennis levantou os olhos para o espelho do banheiro, e se assustou ao ver alguém atrás dele, ele mesmo.
- O que significa isso? – Dennis nervoso respondeu:
- Não é nada! É só um...
- Um dispositivo R.N.G. usado pelos Feras Noturnas! No que está pensando Dennis? Esta pensando em voltar para sua prima e aqueles garotos, que não te valorizam, que não se importam com você?
- Nem um pouco!
- Dennis, o nosso plano já está quase sendo concluído e logo, logo os Feras Noturnas morreram e todas as pessoas, que te maltrataram também morreram! Tudo que agente sempre quis, será realizado.
- Agente? – Dennis virou-se para seu próprio eu. – Como assim “agente”?
- Agente, nós dois. Eu e você.
- Desde que você apareceu eu deixei você tomar conta de min, das minhas decisões, das minhas atitudes... Tenho até deixado, você pensar por min! Tá na hora de isso parar um pouco. – O “reflexo” de Dennis soltou uma gargalhada e sua voz, ficou grossa e mais velha.
- Você precisa de min Dennis. Não consegue pensar ou tomar decisões, sem min.
- Será mesmo?
- Você não sabe com quem está lidando Dennis Alcântara! – A luz do banheiro começou a piscar, a gargalhada do garoto fez o cérebro de Dennis vibrar e por mais que ele não quisesse, Dennis sentiu medo.
- Seu corpo e sua alma, pertencem a min! – Dennis fechou os olhos, respirou fundo e disse:
- Só que não.
 Dennis deu um soco no rosto de seu outro eu, em seguida o acertou com a mão esquerda e depois agarrou seus ombros e com o joelho, bateu com força no estomago dele. Mas o garoto não se deu por vencido, ele agarrou Dennis pelo pescoço e o jogou para direita, o acertando contra a parede, Dennis levantou-se e voltou a lutar, mas seu reflexo segurava com força seus pulsos, Dennis empurrou seu inimigo para trás e ele acabou escorregando, e caiu batendo a cabeça no vazo sanitário, ficando desacordado.
 Quando saiu do banheiro, Dennis trancou a porta e em seguida empurrou uma pesada cômoda para frente da porta do banheiro, bloqueando a passagem. O outro eu de Dennis, não passava de uma alucinação, um fruto de sua imaginação, mas Dennis se sentiu mais confiante fazendo isso. Poucos segundos depois, sombras de morcegos – apenas sombras – começaram a invadir o quarto. Uma centena de vultos em forma de morcegos saia da porta do banheiro e voavam pelas paredes. Dennis saiu do quarto o mais depressa possível e trancou a porta, quando se virou, Mateus estava atrás dele.
- Olá Dennis.
- Ah! – Dennis berrou de susto.
- Tá assustado? – Perguntou Mateus rindo da cara dele. Dennis suspirou.
- Oque você esta fazendo aqui? – Mateus respondeu:
- Priscilla quer falar com agente... Na suíte dela.
 Mateus acompanhou Dennis até os aposentos de Priscilla, enquanto iam até lá Dennis colocou em seu pulso, o seu dispositivo R.N.G. sem que Mateus percebesse e depois o cobriu com a manga de sua camisa rapidamente. Chegando ao quaro de Priscilla, Dennis percebeu que era uma suíte presidencial, com dois dos garotos do Refugio dos Lobos, Marcelo e Roberto guardando a porta, como seguranças. Algo até... Ridículo, pois no hotel não havia ninguém além dos mutantes. Mateus assentiu para os “cães de guardas” e eles permitiram que Mateus e Dennis entrassem. Quando entraram no quarto do hotel, encontraram Priscilla conversando com Carlos, mas depois que viu Dennis interrompeu o garoto e disse:
- Ah Dennis! – Sorriu ela. – Que bom que você veio. – Mateus se jogou no sofá, ligou a Televisão e começou a assistir todos os canais da TV a cabo, ao mesmo tempo.
- Você queria... Falar comigo? – Perguntou Dennis.
- Ahm, na verdade nós queremos falar com você. – Priscilla olhou para Mateus e gritou: - Mateus? Pra cá!
 Depois sorriu para Dennis. Mateus rosnou ao desligar a TV e cochichou no ouvido de Priscilla, mas Dennis pode ouvir com clareza.
- Como assim “nós”? – Priscilla olhou para Mateus e cochichou de volta:
- É! Nós. Lembra? – Mateus ficou um instante em silêncio e depois falou como se estivesse, lembrando-se de algo.
- Aaaah! Sei, sei. - Dennis piscou.
- Ahm, Priscilla...? – Ela olhou para Dennis, abriu um enorme sorriso e disse:
- Ah sim Dennis. O que queríamos falar com você é que, como você já deve ter notado, falta apenas uma cidade para começarmos nosso extermínio a raça humana. E creio que, assim como eu, você deve conhecer muito bem essa cidade.
- Fortaleza... É claro, que conheço. – Murmurou Dennis.
- Isso Fortaleza, o lar daquele... Grupinho de mutantes heróis, os Feras Noturnas. – Um calafrio percorreu a coluna de Dennis. - Não vejo a hora de vê-los destruídos! Mas, por mais que eu queria muito destruí-los, Dennis, eu sei muito bem que você os odeia como ninguém! – Priscilla deu uma volta lenta em torno de Dennis. - Por tanto eu lhe dou a ordem, quer dizer, a permissão de matar todos eles, esmagá-los como insetos. – Dennis gostaria... Ele adoraria ouvir aquilo, mas olhou para o chão inseguro.
- O que foi? – Perguntou Priscilla que esperava uma reação mais contente de Dennis. Ele respirou fundo e disse olhando nos olhos dela.
- É... Não quero destruir os Feras Noturnas. – Aquilo deixou a Priscilla, Mateus e o garoto que estava com eles, perplexo.
- O que ele disse? – Perguntou Carlos a Priscilla.
- Como é que é? – Falou Mateus.
- Dennis... – Disse Priscilla tentando conter seu estado de choque. – Porque você não quer destruir os Feras Noturnas? Todos querem. – Dennis não acreditava no que ele mesmo estava falando, mas mesmo assim não queria parar.
- Tudo que eu queria fazer com eles, eu já fiz... Não estou mais a fim de me vingar deles, cansei deles. – Priscilla já não reconhecia mais a Dennis.
- Dennis tá tudo bem com você? Você vai se vingar deles, era oque você queria! – Dennis deu de ombros.
- Não quero mais. – O sorriso no rosto de Priscilla se transformou em uma cara raivosa.
- Dennis eles tramaram contra você, e nós te ajudamos, eles também tramaram contra min, você me deve por isso! Ou você se esqueceu do nosso código de honra? – Priscilla começou a hesitar: - Aquele que você odeia, nós odiaremos também... – Dennis ficou com a expressão mais confiante.
- Valeu, mas não faz mais nenhum sentido pra min, perder meu tempo, caçando aquele bando de dementes. Me desculpa, mas se você quer tanto ver a derrota deles. Porque não faz isso você mesma, ou algum outro mutante? Você tem um exercito! – Priscilla explodiu de raiva.
- Porque eu quero que VOCÊ vá! Como no MEU plano... – Priscilla então percebeu que acabou falando algo que não devia. Dennis franziu a testa.
- Como assim? Que história é essa de plano? – Priscilla tossiu um pouco e depois voltou a sorrir.
- O meu verdadeiro objetivo Dennis. Vingar a morte de Janderson e dar continuidade ao seu plano de transformar a humanidade em seres geneticamente modificados e... Usurpar o mutante-vampiro dos Feras Noturnas. – Dennis arregalou os olhos.
- Oque? Então... Me fazer sair dos Feras Noturnas, era ideia sua? – Priscilla deu uma risada e se aproximou de Dennis.
- Dennis eu adoro esse seu jeito de ser lesado e esperto ao mesmo tempo, é uma das coisas que eu mais gosto em você! – Mateus rosnou com ciúmes. Dennis ordenou:
- O que você estava planejando pra min, Priscilla? Diga! – Priscilla suspirou.
 - Ah, tudo bem. Ano passado, no mês de Julho quando você e aqueles seus amiguinhos se contaminaram com Eau Mutant e se transformaram em mutantes. O Janderson e eu percebemos de cara que você seria problema Dennis, porque você é o mutante mais perigoso que já criamos com a nossa fórmula.
- Eu sou é? – Perguntou Dennis surpreso.
- As habilidades de caça de um morcego, sendo introduzidas em um ser humano, gerou um cruzamento genético surpreendente. Criando uma mutação muito poderosa e muito perigosa também. – Dennis percebera que o modo como Priscilla falava era muito semelhante ao de Janderson.
- Sim, vá direto ao ponto.
- Quando Janderson descobriu que tipo de mutante você era, ele quis imediatamente, você, ao nosso lado, mas a sua mutação era tão perigosa, que ele preferia, você morto. Tentamos matar vocês, mas vocês conseguiram se safar. Então eu percebi que seria muito mais fácil e menos perigoso também, se eu conseguisse fazer o líder dos Feras Noturnas se voltar contra seu próprio bando e se unir a min. E para conseguir isso, tive que criar meu próprio clã, pois a mutação do lobo não deu muito certo, em min.
- Fez com que Renan me provocasse também, para conseguir oque queria?
- Ah. Não, não, aquilo não foi ideia minha. Se bem que, veio muito a calha pra min, pude se aproveitar da situação para ti influenciar. Ahm, onde eu estava? Ah, sim. Já que a mutação do lobo não tem grandes efeitos em pessoas do sexo feminino, fui a São Paulo pedir para o Mateus, que também estava com a mutação do lobo, para criar uma alcateia e o que aconteceu depois... Acho que você já sabe. – Dennis ficou indignado.
- Como eu pude deixar ser influenciado por você?
- Como eu disse, adoro esse seu jeito de ser lesado e esperto ao mesmo tempo!
- Bom então, você não se importava comigo? Nenhuns de vocês se importavam, não é?
- Claro que não Dennis! Tudo aquilo era o meu jogo e você é a principal!
- Não acredito que você estava me usando esse tempo todo!
- Pois é, nós estávamos te usando, agora infelizmente você não tem mais utilidade para nós. – Priscilla assoviou, Dennis se virou e viu as portas do quarto se abriram. Os outros Roberto e Marcelo que estavam do lado de fora entram e ficaram de braços cruzados em frente às portas, bloqueando a saída. – Então, não nos resta outra escolha, ao não ser... Descarta-lo.
Dennis sabia exatamente, oque ela queria dizer, então olhou para ela nos olhos e disse-lhe:
- Não antes de eu acabar com você! – Dennis ergueu sua perna e chutou Priscilla no tórax, a garota foi arremessada pelo quarto, até que atingiu a parede no fundo. A queda de Priscilla foi amortecida pela cama, quando ela se levantou seu rosto estava furioso.
- Matem ele! – Mateus virou-se para Dennis.
- Finalmente!
 Mateus rosnou e avançou em Dennis, mas ele foi golpeado por um soco no rosto que o deixou atordoado, em seguida Carlos, que estava presente latiu e saltou sobre Dennis, mas Dennis o agarrou pelo pescoço e o jogou no chão. Teria sentido pena se ele não tivesse tentando lhe matar. Enquanto Dennis estava distraído lutando contra Mateus e Carlos. Os “guardas” que bloqueavam a saída vinham por trás, um deles mordeu Dennis no ombro. A dor que Dennis senil foi tão grande que ele começou a gritar e seu corpo todo ficou paralisado. O garoto largou o ombro de Dennis, que caiu de joelhos no chão, logo depois o sentaram em uma cadeira e como não havia cordas, os garotos seguraram seus braços.
- Ele não é humano. – Dizia Priscilla se aproximando. – Então podem mastigar todo o corpo dele. – Os garotos abriram a camisa de Dennis, desabotoando todos os botões de uma vez.
- Acho que vampiros não são páreos contra lobisomens.

 Mateus e os outros garotos se transformaram em lobisomens e começaram a atacar Dennis, mordiam e arranhava seu peito, seu pescoço, seus braços e a suas pernas. Priscilla se aproximou de Dennis e lhe deu um soco no rosto com tanta força que o deixou desacordado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário