sábado, 12 de julho de 2014

Cap. 5

Atitudes Erradas e as Alucinações

 A casa que Renan havia voltado a morar estava em reforma, estava toda terminada, exceto a varanda, no segundo andar. Ela não tinha teto e nem colunas, apenas o alpendre, sem reboco e o cômodo depois dessa varanda, no segundo andar é o quarto de Renan que lá, ele dormia tranquilamente, mas acabou acordando depois de ouvir um barulho na sua janela. Ele pensou que fosse “nada”, então voltou a dormir, mas acordou assustado outra vez depois de ouvir o mesmo barulho, como se alguém estivesse jogando pedras em sua janela. Dessa vez ele não voltou a dormir ficou acordado bem atento, esperando outra vez o barulho foi quando ele escoltou pela terceira vez o barulho de uma pedra sendo arremessado na sua janela, Rena levantou-se e abriu a porta indo em direção à varanda, ele foi até a beira do parapeito, olhou lá pra baixo, na rua e não viu ninguém, como não havia nenhuma pessoa na rua, concluiu que o barulho devia ter vindo de outro lugar, mas quando ele olhou para baixo, a sua esquerda, debaixo da janela havia três pedras, então tevê certeza de que alguém teria jogado aquelas pedras em sua janela. Quando Renan se virou para trás, para voltar para o seu quarto, se deparou com Dennis atrás dele que o empurrou da varanda, deixando Renan gravemente ferido, no asfalto da rua. O grito do Renan acabou acordando sua família e os vizinhos, que o encontraram desacordado na rua. Com a mente sossegada e aliviada da raiva Dennis voltou para seu quarto e dormiu, como se nada tivesse acontecido, ainda no meio da noite Dennis se acordou para beber um copo d’água, ele se levantou e abriu a porta, mas quando ele saiu do quarto, percebeu que não estava mais na casa de sua prima, pelo menos era o que parecia, ele estava em um corredor bem longo, nesse corredor as paredes eram pintadas com a mesma cor das paredes da casa de sua tia, até o piso era o mesmo, não tinha quadros ou janelas nas paredes, no fim do corredor havia outra porta que dela saiu um garoto que fez Dennis ficar espantado, era um garoto com um pijama igual ao seu, porém o dele era todo preto, mas o que deixou mesmo Dennis muito espantado era que o garoto era igual a ele, pele branca, cabelo preto e partido ao meio, olhos castanhos dourados, como se estivesse vendo seu reflexo ou um clone. Dennis começou andar em direção ao garoto, que fez a mesma coisa, Dennis não conseguia acreditar no que estava vendo era um garoto idêntico a ele, quando os dois se cruzaram o garoto sorriu para Dennis. Apenas sorriu, sem mostrar os dentes, mas Dennis pode ouvir uma gargalhada maliciosa com a voz igual a sua, lhe dando calafrios, mas o que lhe deixou amedrontado, foi quando o garoto piscou, quando as pálpebras se fecharam e abriram os olhos que eram castanhos dourados, estavam vermelhos como sangue. O garoto continuou a andar e entrou pelo quarto, de onde Dennis tinha vindo o barulho que a porta fez, quando se fechou fez com que, Dennis acordasse assustado, descobrindo que estava sonhado. Naquele dia Dennis havia acordado como se aquele fosse o seu primeiro dia na casa de sua tia, deu um “bom dia” aos seus primos, alegremente acompanhou sua prima ao deposito da lanchonete para pegar pães e tomou o seu café da manhã. Naquela mesma manhã, Dennis e Anna receberam pela segunda vez a visita inesperada de Pedro, Alice e Carolina. Com um sorriso e muita alegria Dennis os recebeu dizendo:
- Oi pessoal, Bom dia! Entrem. –Todos entraram. - O que vocês vieram fazer aqui tão cedo? - Alice estranhando o bom humor respondeu.
- Aham... Nós...
- Nós? – Rosnou Anna lembrando-lhes do que ela disse na reunião.
- Ah nós viemos te ver! – Falou Carolina.
- Porque você é o cara mais legal que já conhecemos! – Acrescentou Pedro.
- É sério? – Perguntou Dennis emocionado.
- É claro! – Respondeu Alice forçando um sorriso. Anna perguntou:
- E é só isso que vocês têm a dizer? – Alice continuou.
- Ah e Dennis sabe aquela história da votação para um novo líder, esquece, não vamos fazer. – Carolina falou:
- Eu amo você... Quer dizer, nós amamos você, Dennis! – Carolina deu um abraço bem apertado em Dennis, Anna mandou os outros fazerem a mesma coisa e todos deram um abraço em grupo, mas eles imediatamente pararam depois que ouviram alguém batendo palmas no portão. Anna olhou e era uma garota com a aparência bem preocupada, ela era alta, bronzeada e loira. Anna a reconheceu era, Lúcia, a irmã mais velha de Renan. Anna abriu o portão para a garota e disse:
- Lúcia? Quanto tempo? – Lúcia meio nervosa falou.
- Oi Anna, m-me desculpe eu não ter vindo falar com você antes, eu...
- Tá tudo bem? – Perguntou Anna.
- É o Renan.
- O que ouve?
- Ele sofreu um acidente e está em estado grave no hospital. – Os olhos de Lúcia se encheram de lágrimas.
- Um acidente, mas como? – Perguntou Anna muito nervosa.
- Ele caiu da varanda ontem à noite.
- Simplesmente caiu? – Lúcia começou a chorar.
- Achamos que poderia ter sido sonambulismo, ele era feliz não tinha motivos para tentar se matar, mas ele também não era sonambulo!
- Lúcia, calma. Ele se lembra de alguma coisa? – Quando Anna fez essa pergunta, Dennis ficou paralisado.
- O médico disse que, ele não deve se lembrar de muita coisa. Minha mãe e o meu pai passaram a noite com ele no hospital e eu vou de carro com o meu namorado daqui a pouco se você e os seus amigos quiserem vir.
- Tudo bem, nós vamos sim. – Falou Alice colocando a mão no ombro de Anna. Momentos antes da ida ao hospital, Dennis e Anna foram para a lanchonete a espera de Lúcia e seus amigos.
- Só espero que o Renan, esteja melhorando! – Suplicou Anna.
- Ah tá! – Murmurou Dennis.
- O que foi?
- Ah, você não está mesmo preocupada com Renan está? Fala sério!
- Como assim Dennis? É claro que estou!
- Anna ele me humilhou, na frente de todo mundo! – Anna suspirou.
- Dennis eu não estou acreditando no que você está falando.
- Eu não estou acreditando, que você ainda quer ver ele depois do que ele fez comigo!
- Tá legal ele foi um idiota com você, ele erro. Mas ele é muito importante pra min eu pensei que nunca mais ia ver ele na minha vida e ele sofreu uma fatalidade, logo após de voltar pra cá! Dá uma chance pra ele. – Dennis sacudiu a cabeça e se subiu. Pedro, Alice e Carolina chegaram e logo em seguida o namorado de Lúcia que os levaram ao hospital, durante toda a viagem, Dennis e Anna não conversaram mais. Porém Dennis estava inquieto perguntando, por que todos queriam tanto ir ver Renan. Chegando ao hospital, Lúcia foi até a recepcionista, perguntando aonde o seu irmão se encontrava, a recepcionista lhe disse qual o quarto onde Renan estava e também lhe falou que os seus pais já haviam ido embora. Ouvindo isso Dennis falou:
- Preciso ir ao banheiro! – Anna disse:
- Tem que ser agora? – Lúcia falou.
- Tudo bem nós ficamos, um bom tempos no carro. Mais alguém quer ir ao banheiro? – Alice respondeu.
- Ai eu quero, Anna vem comigo? Quero retocar a maquiagem. – Pedro disse:
- Ei Dennis, eu posso procurar o banheiro com você?– Dennis gritou:
- Eu vou sozinho! – Deixando a todos assustados. – Quer dizer, não preciso não, eu posso procurar o banheiro sozinho, mas se você quiser vir.
- Ah, quero sim, não importa o que você vai fazer lá meu caso é mais urgente! – E Pedro acompanhou Dennis até o banheiro masculino chegando lá, Pedro correu desesperadamente para um Box, mas Dennis não foi ele saiu do banheiro e foi até o quarto em que Renan estava, quando chegou lá percebeu o quanto Renan estava bem machucado. Renan estava, com algumas partes da pele dos braços e do rosto ralados, o braço direito e perna esquerda estava quebrada, Renan respirava por fios de oxigênio no nariz e ele também estava com o pescoço enfaixado. Dennis pegou a mão esquerda de Renan e a torceu, lhe provocando dor e instantaneamente lhe acordando, ao ouvir os gemidos de Renan, Dennis correu rapidamente para perto dele colocando a sua mão na boca de Renan.
- Shhhh! – Fez Dennis mandando Renan fazer silêncio.
- O que você quer de min? – Perguntou Renan apavorado.
- Tem um pessoal aqui que veio te ver, então sobre o nosso encontro de ontem a noite é melhor, nem comentar!
- Eu não vou contar eu juro! – Dennis colocou a sua mão no pescoço de Renan com tanta força, que quase que a cabeça dele, afundava no travesseiro. Os dentes de Dennis começaram a crescer assustando a Renan.
- É melhor mesmo! – Dennis começou a cochichar no ouvido de Renan. - Se você contar, eu mato a sua irmãzinha! – Algumas lágrimas rolaram pelo rosto dele. Dennis riu.
- Quem é uma garotinha agora?  Pense melhor antes de fazer brincadeirinhas com a cara de alguém! – Dennis saiu do quarto e imediatamente voltou para o banheiro, pensando que Pedro ainda estava lá. Mas depois que Dennis entrou no banheiro, Pedro também entrou.
- Dennis eu sai do banheiro e não te achei mais, onde é que você estava?
- Aham... Você estava demorando ai eu fui dar uma volta.
- Ah tá. Mas agora vem deve tá todo mundo esperando pela gente, lá no quarto do Renan! – Quando, Anna, Carolina, Alice, Lúcia e seu namorado chegaram ao quarto, Renan estava em desespero, tiveram que chamar uma enfermeira para lhe aplicar um calmante. Quando todos saíram do quarto, Dennis e Pedro chegaram. Anna perguntou.
- Dennis onde é que você estava? – Pedro então, lhe explicou que demorou, porque estava procurando por Dennis. E naquela manhã todos tiveram que voltar para suas casas, com bastante desânimo. Mas Anna ficou muito desconfiada, com Dennis primeiro, pela alegria dele sem motivo naquela manhã de preocupação e segundo pelo “desparecimento” de Dennis no hospital e por Renan ter tido um ataque de nervos, enquanto Dennis sumira, porém Anna não queria acreditar de jeito nenhum que o seu primo, estava envolvido no acidente de Renan. Na casa da Dona Tereza, depois de um almoço silencioso, Dennis foi escovar os dentes no banheiro, quando estava terminou começou a enxaguar a boca, quando fez uma concha de água com as mãos percebeu que a água em suas mãos estava avermelhada então a derramou, Dennis cuspiu a água que estava em sua boca, ela estava vermelha e viscosa, como sangue, Dennis ficou muito assustado e enojado quando viu aquilo então abriu a torneira para lavar a boca, mas a torneira começou a jorrar sangue em vez de água, Dennis saiu do banheiro e imediatamente abriu a torneira da cozinha para lavar a boca, mas ela também jorrava sangue. Tereza que se aproximava gritou:
- Dennis oque é que você tá fazendo?
- Tia Tereza olha! – Quando Dennis olhou para a torneira a água estava normal, transparente como se nunca tivesse mudado. – A água...
- Eu estou vendo, tá derramando, tá pensando o que, que a água vem de graça? Vai logo fecha essas torneira, moleque! - Algo muito pior do que peso na consciência estava perturbando Dennis, ele não conseguia mais definir o que era real e o que não era. Seus olhos lhe mostravam coisas perturbadoras que, porém não eram reais. Devido a todo o impacto dos fatos acontecendo a sua volta. - O primeiro assédio de sua vida, o pesadelo e a tentação de sair dos Feras Noturnas. - Dennis estava sobre estresse e todo esse estresse estava resultando em delírios e alucinações tanto como auditivas e visuais. O que estava fazendo Dennis acreditar que estava ficando louco, mas ele não contava para ninguém sobre o que estava passando. No dia seguinte, Dennis havia acabado de tomar banho e estava escovando os dentes, quando terminou de escovar, para sua desgraça, ele percebeu que a escova estava suja de sangue, Dennis olhou os dentes e viu que o dente canino esquerdo inferior estava sangrando ele cutucou o dente e percebeu que ele estava mole. Que lhe deixou bastante confuso, pois ele já estava com 13 anos, todos os seus dentes de “leite” já haviam caído. Dennis pegou o dente, mesmo doendo e o puxou, ele ficou olhando para o dente em sua mão que começou a crescer se tornando uma presa de morcego, assustado Dennis largou o dente, que caiu no ralo da pia. Ele olhou para sua mão e percebeu que os seus dedos estavam todos presos a uma membrana que ia do dedo indicador até a cintura. Uma asa de morcego. Dennis ouviu uma gargalhada maliciosa com uma voz igual a sua, ele olhou para o espelho e o seu reflexo estava com os olhos vermelhos e uma toalha igual a sua, só que no espelho estava preta, Dennis estava vendo outra vez o garoto idêntico a ele, que viu em seu sonho. O garoto, do reflexo lhe disse:
- Você não pode fugir de quem você é! – Dennis saiu assustado do banheiro se esbarrando em João, que estava a caminho do banheiro.
-Ei Dennis! Oque foi? – Dennis não respondeu e continuou a andar apreçado e perturbado para o quarto. João perguntou a Anna que estava na mesa lendo um livro e que viu tudo.
- O que, que ele tinha? – Anna respondeu.
- Eu não sei. – Passaram-se alguns dias e as coisas foram de mal a pior, as alucinações de Dennis estavam ficando cada vez mais perturbadora e a percepção do real e o irreal estava ficando cada vez mais difícil para ele. E enquanto a Priscilla e o Refugio dos Lobos, nenhum deles mais foram vistos andando pelo bairro. Numa certa tarde Anna e Carolina foram à casa da Alice. As três estavam sentadas na cama de Alice, que fazia as unhas de Anna enquanto Carolina usava o seu notebook.
- Meninas eu estou ficando preocupada. – Desabafou Anna.
- Com o que, amiga? – Perguntou Alice.
- É o Dennis... – Ao ouvir isso Carolina, explodiu de preocupação.
- O Dennis, o que aconteceu? Me diz!
- Calma Carolina, não aconteceu nada de ruim com ele. O Dennis está agindo de um jeito estranho. – Alice falou:
- Já sei, ele tá sem apetite, mas não para de ir ao banheiro? Ai minha filha, não se preocupe eu conheço a solução pra isso!
- Não! Também não é isso.
- Então o que é, pelo amor de Deus!? – Perguntou Alice.
- Bom ele, tá andando muito assustado sabe? Como se estivesse vendo gente morta, ou sei lá o quê e ele está sempre com cara de cansado como se não dormisse a noite. – Alice comentou.
- Ai Anna, você sabe que ele é um mutante morcego e todo mundo sabe que os morcegos não dormem a noite! Ser um morcego e um humano ao mesmo tempo, não deve estar sendo fácil pra ele.
- É mais o dispositivo R.N.G. nunca deixaria o gene de morcego causar isso nele. – Disse Carolina.
- Vai ver o dele tá quebrado. – Falou Alice.
- Ah tá! – Murmurou Carolina.
- Voltando ao assunto, se o Dennis não está com todas essas coisas que eu falei, ele fica com raiva sem motivo. Ele tá assim desde aquele dia que agente visitou o Renan no hospital.
- Ah bom Anna, eu não sei por que o Dennis está assim, mas agente tá fazendo de tudo, não é Carolina?
- É sim! – Alice continuou:
- É isso ai, agente tem feito direitinho, aquilo que você pediu, sobre agradar o Dennis, mas isso que ele tá passando só quem pode resolver é você!
- Você acha? – Perguntou Anna.
- Claro! – Respondeu Carolina.
- Uma vez eu ouvi Dennis falando no celular com a mãe dele... Ele estava fazendo de tudo para não dizer, que não estava mais gostando daqui! – Alice falou. Carolina falou:
- Não acredito! – Carolina acabou falando mais alto do que esperava. – Quer dizer... Que pena!
- Só que tem uma coisa que me deixa muito mais preocupada.
- O que? – Perguntou Carolina.
- Nada, não.
- Qual é Anna, fala! – Perguntou Alice.
- O Dennis, está reagindo de um jeito diferente, sobre o que aconteceu com o Renan.
- Como assim? – Perguntou Alice.
- Bom no dia em que agente recebeu a noticia do acidente do Renan, Dennis estava com muito bom humor. E a Lúcia falou que o Renan simplesmente caiu da varanda sem motivo nenhum, que é uma explicação muito esquisita! E quando agente estava indo para o hospital, ele me perguntou na maior frieza, se eu realmente estava preocupada com o Renan.
- E no carro ele não parava de resmungar, né? – Falou Alice.
- E o pior é que quando agente foi ver o Renan, ele estava transtornado e o Dennis havia sumido!
- Mas ele não estava com o Pedrinho? – Disse Carolina.
- Estava quando o Pedrinho o encontrou! – Alice largou as mãos de Anna e perguntou:
- Anna espera ai? Você não tá achando que o seu primo está envolvido no acidente do Renan, está?
- É o que eu não quero acreditar Alice! Mas eu não consigo parar de pensar nessas coisas. – Carolina falou:
- Mas o Dennis é tão gatinho, que dizer ele é tão bonzinho ele jamais faria isso! – Alice deu a sua opinião.
– Ele só tá passando por uma faze ruim! Olha você e o Dennis sempre tiveram uma ligação muito grande, um com o outro, por que você não conversa com ele? – Anna aprovou dizendo:

- É uma boa ideia.

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