Atitudes Erradas e as Alucinações
A casa que
Renan havia voltado a morar estava em reforma, estava toda terminada, exceto a
varanda, no segundo andar. Ela não tinha teto e nem colunas, apenas o alpendre,
sem reboco e o cômodo depois dessa varanda, no segundo andar é o quarto de
Renan que lá, ele dormia tranquilamente, mas acabou acordando depois de ouvir
um barulho na sua janela. Ele pensou que fosse “nada”, então voltou a dormir,
mas acordou assustado outra vez depois de ouvir o mesmo barulho, como se alguém
estivesse jogando pedras em sua janela. Dessa vez ele não voltou a dormir ficou
acordado bem atento, esperando outra vez o barulho foi quando ele escoltou pela
terceira vez o barulho de uma pedra sendo arremessado na sua janela, Rena
levantou-se e abriu a porta indo em direção à varanda, ele foi até a beira do
parapeito, olhou lá pra baixo, na rua e não viu ninguém, como não havia nenhuma
pessoa na rua, concluiu que o barulho devia ter vindo de outro lugar, mas
quando ele olhou para baixo, a sua esquerda, debaixo da janela havia três pedras,
então tevê certeza de que alguém teria jogado aquelas pedras em sua janela.
Quando Renan se virou para trás, para voltar para o seu quarto, se deparou com
Dennis atrás dele que o empurrou da varanda, deixando Renan gravemente ferido,
no asfalto da rua. O grito do Renan acabou acordando sua família e os vizinhos,
que o encontraram desacordado na rua. Com a mente sossegada e aliviada da raiva
Dennis voltou para seu quarto e dormiu, como se nada tivesse acontecido, ainda
no meio da noite Dennis se acordou para beber um copo d’água, ele se levantou e
abriu a porta, mas quando ele saiu do quarto, percebeu que não estava mais na
casa de sua prima, pelo menos era o que parecia, ele estava em um corredor bem
longo, nesse corredor as paredes eram pintadas com a mesma cor das paredes da
casa de sua tia, até o piso era o mesmo, não tinha quadros ou janelas nas
paredes, no fim do corredor havia outra porta que dela saiu um garoto que fez
Dennis ficar espantado, era um garoto com um pijama igual ao seu, porém o dele
era todo preto, mas o que deixou mesmo Dennis muito espantado era que o garoto
era igual a ele, pele branca, cabelo preto e partido ao meio, olhos castanhos
dourados, como se estivesse vendo seu reflexo ou um clone. Dennis começou andar
em direção ao garoto, que fez a mesma coisa, Dennis não conseguia acreditar no
que estava vendo era um garoto idêntico a ele, quando os dois se cruzaram o
garoto sorriu para Dennis. Apenas sorriu, sem mostrar os dentes, mas Dennis
pode ouvir uma gargalhada maliciosa com a voz igual a sua, lhe dando calafrios,
mas o que lhe deixou amedrontado, foi quando o garoto piscou, quando as
pálpebras se fecharam e abriram os olhos que eram castanhos dourados, estavam
vermelhos como sangue. O garoto continuou a andar e entrou pelo quarto, de onde
Dennis tinha vindo o barulho que a porta fez, quando se fechou fez com que,
Dennis acordasse assustado, descobrindo que estava sonhado. Naquele dia Dennis
havia acordado como se aquele fosse o seu primeiro dia na casa de sua tia, deu
um “bom dia” aos seus primos, alegremente acompanhou sua prima ao deposito da
lanchonete para pegar pães e tomou o seu café da manhã. Naquela mesma manhã,
Dennis e Anna receberam pela segunda vez a visita inesperada de Pedro, Alice e
Carolina. Com um sorriso e muita alegria Dennis os recebeu dizendo:
- Oi pessoal,
Bom dia! Entrem. –Todos entraram. - O que vocês vieram fazer aqui tão cedo? -
Alice estranhando o bom humor respondeu.
- Aham...
Nós...
- Nós? – Rosnou Anna lembrando-lhes do que
ela disse na reunião.
- Ah nós
viemos te ver! – Falou Carolina.
- Porque você
é o cara mais legal que já conhecemos! – Acrescentou Pedro.
- É sério? –
Perguntou Dennis emocionado.
- É claro! –
Respondeu Alice forçando um sorriso. Anna perguntou:
- E é só isso
que vocês têm a dizer? – Alice continuou.
- Ah e Dennis
sabe aquela história da votação para um novo líder, esquece, não vamos fazer. –
Carolina falou:
- Eu amo
você... Quer dizer, nós amamos você, Dennis! – Carolina deu um abraço bem
apertado em Dennis, Anna mandou os outros fazerem a mesma coisa e todos deram
um abraço em grupo, mas eles imediatamente pararam depois que ouviram alguém
batendo palmas no portão. Anna olhou e era uma garota com a aparência bem
preocupada, ela era alta, bronzeada e loira. Anna a reconheceu era, Lúcia, a
irmã mais velha de Renan. Anna abriu o portão para a garota e disse:
- Lúcia?
Quanto tempo? – Lúcia meio nervosa falou.
- Oi Anna,
m-me desculpe eu não ter vindo falar com você antes, eu...
- Tá tudo bem?
– Perguntou Anna.
- É o Renan.
- O que ouve?
- Ele sofreu
um acidente e está em estado grave no hospital. – Os olhos de Lúcia se encheram
de lágrimas.
- Um acidente,
mas como? – Perguntou Anna muito nervosa.
- Ele caiu da
varanda ontem à noite.
- Simplesmente
caiu? – Lúcia começou a chorar.
- Achamos que
poderia ter sido sonambulismo, ele era feliz não tinha motivos para tentar se
matar, mas ele também não era sonambulo!
- Lúcia,
calma. Ele se lembra de alguma coisa? – Quando Anna fez essa pergunta, Dennis
ficou paralisado.
- O médico
disse que, ele não deve se lembrar de muita coisa. Minha mãe e o meu pai
passaram a noite com ele no hospital e eu vou de carro com o meu namorado daqui
a pouco se você e os seus amigos quiserem vir.
- Tudo bem,
nós vamos sim. – Falou Alice colocando a mão no ombro de Anna. Momentos antes
da ida ao hospital, Dennis e Anna foram para a lanchonete a espera de Lúcia e
seus amigos.
- Só espero
que o Renan, esteja melhorando! – Suplicou Anna.
- Ah tá! –
Murmurou Dennis.
- O que foi?
- Ah, você não
está mesmo preocupada com Renan está? Fala sério!
- Como assim
Dennis? É claro que estou!
- Anna ele me
humilhou, na frente de todo mundo! – Anna suspirou.
- Dennis eu
não estou acreditando no que você está falando.
- Eu não estou
acreditando, que você ainda quer ver ele depois do que ele fez comigo!
- Tá legal ele
foi um idiota com você, ele erro. Mas ele é muito importante pra min eu pensei
que nunca mais ia ver ele na minha vida e ele sofreu uma fatalidade, logo após
de voltar pra cá! Dá uma chance pra ele. – Dennis sacudiu a cabeça e se subiu.
Pedro, Alice e Carolina chegaram e logo em seguida o namorado de Lúcia que os
levaram ao hospital, durante toda a viagem, Dennis e Anna não conversaram mais.
Porém Dennis estava inquieto perguntando, por que todos queriam tanto ir ver
Renan. Chegando ao hospital, Lúcia foi até a recepcionista, perguntando aonde o
seu irmão se encontrava, a recepcionista lhe disse qual o quarto onde Renan
estava e também lhe falou que os seus pais já haviam ido embora. Ouvindo isso
Dennis falou:
- Preciso ir
ao banheiro! – Anna disse:
- Tem que ser
agora? – Lúcia falou.
- Tudo bem nós
ficamos, um bom tempos no carro. Mais alguém quer ir ao banheiro? – Alice
respondeu.
- Ai eu quero,
Anna vem comigo? Quero retocar a maquiagem. – Pedro disse:
- Ei Dennis,
eu posso procurar o banheiro com você?– Dennis gritou:
- Eu vou
sozinho! – Deixando a todos assustados. – Quer dizer, não preciso não, eu posso
procurar o banheiro sozinho, mas se você quiser vir.
- Ah, quero
sim, não importa o que você vai fazer lá meu caso é mais urgente! – E Pedro
acompanhou Dennis até o banheiro masculino chegando lá, Pedro correu
desesperadamente para um Box, mas Dennis não foi ele saiu do banheiro e foi até
o quarto em que Renan estava, quando chegou lá percebeu o quanto Renan estava
bem machucado. Renan estava, com algumas partes da pele dos braços e do rosto
ralados, o braço direito e perna esquerda estava quebrada, Renan respirava por
fios de oxigênio no nariz e ele também estava com o pescoço enfaixado. Dennis
pegou a mão esquerda de Renan e a torceu, lhe provocando dor e instantaneamente
lhe acordando, ao ouvir os gemidos de Renan, Dennis correu rapidamente para
perto dele colocando a sua mão na boca de Renan.
- Shhhh! – Fez
Dennis mandando Renan fazer silêncio.
- O que você
quer de min? – Perguntou Renan apavorado.
- Tem um
pessoal aqui que veio te ver, então sobre o nosso encontro de ontem a noite é
melhor, nem comentar!
- Eu não vou
contar eu juro! – Dennis colocou a sua mão no pescoço de Renan com tanta força,
que quase que a cabeça dele, afundava no travesseiro. Os dentes de Dennis
começaram a crescer assustando a Renan.
- É melhor
mesmo! – Dennis começou a cochichar no ouvido de Renan. - Se você contar, eu
mato a sua irmãzinha! – Algumas lágrimas rolaram pelo rosto dele. Dennis riu.
- Quem é uma
garotinha agora? Pense melhor antes de
fazer brincadeirinhas com a cara de alguém! – Dennis saiu do quarto e
imediatamente voltou para o banheiro, pensando que Pedro ainda estava lá. Mas
depois que Dennis entrou no banheiro, Pedro também entrou.
- Dennis eu
sai do banheiro e não te achei mais, onde é que você estava?
- Aham... Você
estava demorando ai eu fui dar uma volta.
- Ah tá. Mas
agora vem deve tá todo mundo esperando pela gente, lá no quarto do Renan! –
Quando, Anna, Carolina, Alice, Lúcia e seu namorado chegaram ao quarto, Renan
estava em desespero, tiveram que chamar uma enfermeira para lhe aplicar um
calmante. Quando todos saíram do quarto, Dennis e Pedro chegaram. Anna
perguntou.
- Dennis onde
é que você estava? – Pedro então, lhe explicou que demorou, porque estava
procurando por Dennis. E naquela manhã todos tiveram que voltar para suas
casas, com bastante desânimo. Mas Anna ficou muito desconfiada, com Dennis
primeiro, pela alegria dele sem motivo naquela manhã de preocupação e segundo pelo
“desparecimento” de Dennis no hospital e por Renan ter tido um ataque de
nervos, enquanto Dennis sumira, porém Anna não queria acreditar de jeito nenhum
que o seu primo, estava envolvido no acidente de Renan. Na casa da Dona Tereza,
depois de um almoço silencioso, Dennis foi escovar os dentes no banheiro,
quando estava terminou começou a enxaguar a boca, quando fez uma concha de água
com as mãos percebeu que a água em suas mãos estava avermelhada então a
derramou, Dennis cuspiu a água que estava em sua boca, ela estava vermelha e
viscosa, como sangue, Dennis ficou muito assustado e enojado quando viu aquilo
então abriu a torneira para lavar a boca, mas a torneira começou a jorrar
sangue em vez de água, Dennis saiu do banheiro e imediatamente abriu a torneira
da cozinha para lavar a boca, mas ela também jorrava sangue. Tereza que se
aproximava gritou:
- Dennis oque
é que você tá fazendo?
- Tia Tereza
olha! – Quando Dennis olhou para a torneira a água estava normal, transparente
como se nunca tivesse mudado. – A água...
- Eu estou
vendo, tá derramando, tá pensando o que, que a água vem de graça? Vai logo
fecha essas torneira, moleque! - Algo muito pior do que peso na consciência
estava perturbando Dennis, ele não conseguia mais definir o que era real e o
que não era. Seus olhos lhe mostravam coisas perturbadoras que, porém não eram
reais. Devido a todo o impacto dos fatos acontecendo a sua volta. - O primeiro
assédio de sua vida, o pesadelo e a tentação de sair dos Feras Noturnas. -
Dennis estava sobre estresse e todo esse estresse estava resultando em delírios
e alucinações tanto como auditivas e visuais. O que estava fazendo Dennis
acreditar que estava ficando louco, mas ele não contava para ninguém sobre o
que estava passando. No dia seguinte, Dennis havia acabado de tomar banho e
estava escovando os dentes, quando terminou de escovar, para sua desgraça, ele
percebeu que a escova estava suja de sangue, Dennis olhou os dentes e viu que o
dente canino esquerdo inferior estava sangrando ele cutucou o dente e percebeu
que ele estava mole. Que lhe deixou bastante confuso, pois ele já estava com 13
anos, todos os seus dentes de “leite” já haviam caído. Dennis pegou o dente,
mesmo doendo e o puxou, ele ficou olhando para o dente em sua mão que começou a
crescer se tornando uma presa de morcego, assustado Dennis largou o dente, que
caiu no ralo da pia. Ele olhou para sua mão e percebeu que os seus dedos
estavam todos presos a uma membrana que ia do dedo indicador até a cintura. Uma
asa de morcego. Dennis ouviu uma gargalhada maliciosa com uma voz igual a sua,
ele olhou para o espelho e o seu reflexo estava com os olhos vermelhos e uma
toalha igual a sua, só que no espelho estava preta, Dennis estava vendo outra
vez o garoto idêntico a ele, que viu em seu sonho. O garoto, do reflexo lhe
disse:
- Você não
pode fugir de quem você é! – Dennis saiu assustado do banheiro se esbarrando em
João, que estava a caminho do banheiro.
-Ei Dennis!
Oque foi? – Dennis não respondeu e continuou a andar apreçado e perturbado para
o quarto. João perguntou a Anna que estava na mesa lendo um livro e que viu
tudo.
- O que, que
ele tinha? – Anna respondeu.
- Eu não sei.
– Passaram-se alguns dias e as coisas foram de mal a pior, as alucinações de
Dennis estavam ficando cada vez mais perturbadora e a percepção do real e o
irreal estava ficando cada vez mais difícil para ele. E enquanto a Priscilla e
o Refugio dos Lobos, nenhum deles mais foram vistos andando pelo bairro. Numa
certa tarde Anna e Carolina foram à casa da Alice. As três estavam sentadas na
cama de Alice, que fazia as unhas de Anna enquanto Carolina usava o seu
notebook.
- Meninas eu
estou ficando preocupada. – Desabafou Anna.
- Com o que,
amiga? – Perguntou Alice.
- É o
Dennis... – Ao ouvir isso Carolina, explodiu de preocupação.
- O Dennis, o
que aconteceu? Me diz!
- Calma
Carolina, não aconteceu nada de ruim com ele. O Dennis está agindo de um jeito
estranho. – Alice falou:
- Já sei, ele
tá sem apetite, mas não para de ir ao banheiro? Ai minha filha, não se preocupe
eu conheço a solução pra isso!
- Não! Também
não é isso.
- Então o que
é, pelo amor de Deus!? – Perguntou Alice.
- Bom ele, tá
andando muito assustado sabe? Como se estivesse vendo gente morta, ou sei lá o
quê e ele está sempre com cara de cansado como se não dormisse a noite. – Alice
comentou.
- Ai Anna,
você sabe que ele é um mutante morcego e todo mundo sabe que os morcegos não
dormem a noite! Ser um morcego e um humano ao mesmo tempo, não deve estar sendo
fácil pra ele.
- É mais o
dispositivo R.N.G. nunca deixaria o gene de morcego causar isso nele. – Disse
Carolina.
- Vai ver o
dele tá quebrado. – Falou Alice.
- Ah tá! –
Murmurou Carolina.
- Voltando ao
assunto, se o Dennis não está com todas essas coisas que eu falei, ele fica com
raiva sem motivo. Ele tá assim desde aquele dia que agente visitou o Renan no
hospital.
- Ah bom Anna,
eu não sei por que o Dennis está assim, mas agente tá fazendo de tudo, não é
Carolina?
- É sim! –
Alice continuou:
- É isso ai,
agente tem feito direitinho, aquilo que você pediu, sobre agradar o Dennis, mas
isso que ele tá passando só quem pode resolver é você!
- Você acha? –
Perguntou Anna.
- Claro! –
Respondeu Carolina.
- Uma vez eu
ouvi Dennis falando no celular com a mãe dele... Ele estava fazendo de tudo
para não dizer, que não estava mais gostando daqui! – Alice falou. Carolina
falou:
- Não
acredito! – Carolina acabou falando mais alto do que esperava. – Quer dizer...
Que pena!
- Só que tem
uma coisa que me deixa muito mais preocupada.
- O que? –
Perguntou Carolina.
- Nada, não.
- Qual é Anna,
fala! – Perguntou Alice.
- O Dennis,
está reagindo de um jeito diferente, sobre o que aconteceu com o Renan.
- Como assim?
– Perguntou Alice.
- Bom no dia
em que agente recebeu a noticia do acidente do Renan, Dennis estava com muito
bom humor. E a Lúcia falou que o Renan simplesmente caiu da varanda sem motivo
nenhum, que é uma explicação muito esquisita! E quando agente estava indo para
o hospital, ele me perguntou na maior frieza, se eu realmente estava preocupada
com o Renan.
- E no carro
ele não parava de resmungar, né? – Falou Alice.
- E o pior é
que quando agente foi ver o Renan, ele estava transtornado e o Dennis havia
sumido!
- Mas ele não
estava com o Pedrinho? – Disse Carolina.
- Estava
quando o Pedrinho o encontrou! – Alice largou as mãos de Anna e perguntou:
- Anna espera
ai? Você não tá achando que o seu primo está envolvido no acidente do Renan,
está?
- É o que eu
não quero acreditar Alice! Mas eu não consigo parar de pensar nessas coisas. –
Carolina falou:
- Mas o Dennis
é tão gatinho, que dizer ele é tão bonzinho ele jamais faria isso! – Alice deu
a sua opinião.
– Ele só tá
passando por uma faze ruim! Olha você e o Dennis sempre tiveram uma ligação
muito grande, um com o outro, por que você não conversa com ele? – Anna aprovou
dizendo:
- É uma boa
ideia.
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