Descobertas Sobre Carolina
Depois que todos subiram o morro, Anna
encontrou seu gato Xandre, na rua.
- Xandre, o que
você tá fazendo aqui? – Ela pegou o gato e o segurou em seus braços.
- Adivinha onde
eu vi, ele ontem? – Perguntou Carolina. – No quintal da minha casa! – Pedrinho
falou:
- David agente
devia voltar lá e fazer aqueles mutantes voltarem correndo pra São Paulo
enquanto ainda são poucos!
- Em primeiro
lugar: Vocês não estão prontos, em segundo: Seria suicídio e em terceiro:
Enquanto vocês estariam, correndo risco de vida para deter aqueles mutantes, a
Priscilla estaria encomendando outros de São Paulo. Se é que é a Priscilla que
está por trás disso.
- O David tem
razão pessoal - Disse Anna. – estaríamos perdendo tempo atacando eles agora,
vamos deixar o Refugio dos Lobos fazer o que estão planejando, vamos receber o
nosso treinamento e depois o detemos. – Alice falou:
- Eu não sei
vocês, mas eu me sinto pronta, pra acabar com cada um deles! – David disse:
- Não importa!
Quero vocês bem longe desse matagal, intendido? – Todos responderam, em um
sonolento coro: “Sim David!”.
- Obrigado. O
clã da Priscilla está em maior número agora e como eu disse: vocês ainda não
estão prontos. Vamos voltar ao laboratório hoje à noite?
- Ah, vamos! –
Disse Anna. – Aí agente pensa em um novo lugar para treinar. – Pedrinho
completou:
- E também,
David, você poderia nos ensinar técnicas de como derrotar aqueles mutantes! –
Carolina percebendo que estavam passando, bem em frente a sua casa disse:
- É gente, eu
vou pra minha casa tá? Até mais. – Alice perguntou irônica:
- Porque
Carolina? Fica mais um pouquinho com agente!
- Gente eu não
estou me sentindo muito bem, quero ir pra casa, mas David pode deixar, eu vou
para o Laboratório Noturno mais tarde.
- Tudo bem,
mas...
- Tchau. –
Carolina não esperou David terminar de falar, apenas se virou e correu pra casa
apressada. E todos mais uma vez estranharam o comportamento dela.
- Pessoal façam
o mesmo que ela. Vão pra casa se não, os pais de vocês vão começar a reclamar
que vocês ficam andam muito tempo fora de casa. – Disse David.
- A muito
obrigada! – Falou Alice. – Quem sabe a novela ainda tá passando. – E Alice se
virou se e foi para sua casa, só que ao contrario de Carolina, ela foi andando
um pouco mais devagar, como se estivesse desfilando. – Pedrinho falou:
- Valeu David,
tchau amorzinho! – Pedrinho também se foi. Quando Anna e David chegaram à
calçada da lanchonete. Anna disse a David:
- É... Pode ir
entrando, tá? Se a minha mãe perguntar, diz que eu estou na casa da Carolina.
- Não posso ir
junto? – Perguntou David.
- Desculpa, mas
quero ter uma conversa de mulher pra mulher com ela.
- Tudo bem,
então. – Enquanto Anna se dirigia a casa de Carolina, no matagal, os três
garotos do Refugio dos Lobos, armavam novas barracas para os recém-chegados,
nesse mesmo momento. Escondidos atrás de algumas árvores, a poucos quilômetros
do rio, Mateus Aguiar, Dennis e Priscilla conversam entre si, em uma reunião
secreta.
- Meus queridos
irmãos. – Falava Priscilla. – Quero pedir um favor a vocês, preciso que me
acompanhem de agora em de ante, quando eu for sair para recrutar mais pessoas
para nossa causa. Deixem os outros tomarem de conta do acampamento.
- Será um
prazer, ajudar você Priscilla! – Disse Dennis.
- Espera aí, nós
três? – Perguntou Mateus.
- Claro Mateus.
Não sou de fazer acepção de pessoas, ainda mais pessoas da minha família, mas
eu preciso dos meus irmãos mais qualificados que tenho para um trabalho desse
tipo. – Mateus disse:
- Priscilla será
que eu posso conversar com você em particular, um instantinho?
- Mas estamos
numa conversa particular, se tiver algo pra falar, fale aqui, agora.
- Acontece que
eu realmente preciso falar com você a sós. – Mateus segurou o braço de
Priscilla e a levou para um lugar, onde o matagal terminava em coqueiros de frente
para o rio Ceará.
– Só um minuto
Dennis! – Disse Mateus.
- O que é? –
Perguntou Priscilla com antipatia.
- Não tenho nada
contra o Dennis. Agora não tenho mais nada. Mas até quando esse garoto vai ter
que ficar entre a gente?
- Mateus, me
desculpe, mas eu não estou intendo o que você tá querendo dizer.
- Quando é que
vamos ter um tempo, só para nós dois?
- Nunca, porque
não ah nada entre nós dois.
- Então porque
você precisa tanto de min? Me trouce pra essa cidadezinha e me fez o vice-líder
do Refugio dos Lobos.
- Mateus como eu
posso dizer isso pra você...? Pra min você não passa de um, qualquer um, tá legal? Você é tão
importante quanto os outros, sim, mas o Dennis, ele é a minha arma mais
poderosa. Será que a sua cabeça oca intendeu agora? – Priscilla voltou para
Dennis, deixando Mateus de ante do Rio Ceará.
Anna tocou a campainha da casa de Carolina,
mas quem atendeu foi o pai dela, Roberto Mendes.
- Seu Mendes? Eu
posso falar com a Carolina?
- Olá Anna,
entre. – Disse ele. A casa da amiga que Anna mais frequentava era a de Alice,
devido à necessidade de usar o Laboratório Noturno. Portanto Anna, quase nunca
ia à casa de Dennis, Pedrinho ou na de Carolina, que já havia quase se
esquecido como a casa dela era grande. Chegando à sala de estar, Anna encontrou
a mãe de Carolina, Sheila Mendes.
- Dona Mendes!
Como à senhora está? – A mãe de Carolina disse:
- Olá Anna,
quanto tempo? Estou bem obrigada, é... Vai ver Carolina?
- Sim, ela está
lá em cima? – Perguntou Anna.
- Está sim, mas
será que você poderia fazer o favor de perguntar a ela: O que ela tem?
- Claro, por
quê? – Roberto respondeu:
- Depois que ela
chegou em casa, ela subiu, se trancou no quarto e não quer conversar.
- E ela não tem
andando bem, há dias. – Disse Dona Mendes. Anna falou:
- Nossa! Vou ver
o que posso fazer. – Anna lhes deu um sorriso confiante e subiu a escada,
chegando ao quarto de Carolina. Anna bateu na porta e foi surpreendida com um
grito histérico de Carolina.
- Vai embora!
- Carolina? –
Perguntou Anna.
- Quem é?
- Sou eu Anna.
Sua amiga.
- Você está com
mais alguém?
- Não, estou
sozinha. Pode abrir a porta, por favor? – De repente a porta se destrancou e
assim que ela se abriu, Carolina correu e se jogou em sua cama. Anna entrou
lentamente no quarto e encontrou sua amiga deitada na cama em posição fetal,
virada pra janela.
Como já havia dito antes, Anna raramente
frequentava a casa de seus amigos, exceto Alice, por tanto, quando Anna entrou
naquele quarto ficou impressionada. Em um mural na parede, havia vários
recortes de revistas e jornais, falando sobre mutantes, casos de mutação
genética, descobertas cientificas ou alguma manchete falando sobre os Feras
Noturnas. Ao lado do computador havia uma máquina grande e velha, que Anna
quase não reconheceu direito, era um antigo rádio que Carolina, usava para
ouvir a frequência da policia, para ajudar a prender bandidos.
- Carolina você
tá bem? – Carolina olhou para Anna, mas depois virou o rosto que estava
vermelho e molhado de lágrimas.
- Eu estou bem.
– Respondeu Carolina.
- Com essa cara
não é o que parece. – Anna sentou-se na cama. – Quer conversar sobre oque você
tem? – Carolina permaneceu em silencio.
- Vai, contar
pra min, o que está acontecendo? – Anna recebeu nenhuma resposta.
- Carolina, por favor! – Insistiu Anna. – Seus
pais estão preocupados com você e eles estão esperando uma resposta de min, o
que eu digo a eles? – Carolina nada respondeu.
- Tudo bem
então. – Anna se levantou. – Não precisa ir para o Laboratório Noturno hoje se
não quiser. Estou indo. – Quando começou a andar em direção a porta Carolina
falou:
- Anna, espera!
– Anna perguntou:
- E o que foi? –
Carolina se virou para Anna e enxugou as lágrimas.
- Volta. Você é
a única pessoa que possa me ajudar, eu acho.
- Então fale
Carolina, posso ficar aqui conversando com você o resto do dia, pra fazer o
possível pra te ajudar. – Anna voltou a se sentar na cama. Carolina ficou um
minuto em silencio olhando para baixo e disse com bastante esforço:
- É... O Dennis.
- O que, que
tem? O que ele fez?
- Nada. – Carolina
passou a olhar para Anna. - É que, assim, eu amo ele. – Anna suspirou e disse:
- Oh Carolina,
todos nós amamos ele, é por isso que estamos treinando tanto, é por isso que o
David está aqui, para nos ajudar a lutar por ele.
- Eu sei, mas eu
não amo ele como você o ama, ou como os outros eu... Estou... Apaixonada por
ele.
- Ah. – Anna
ficou um instante em silêncio, depois mordeu o lábio e baixou a cabeça para
esconder o sorriso. – Mas Carolina, desde quando você tá afim dele?
- Desde quando
eu o conheci, pessoalmente.
- Carolina eu
preciso ser sincera, todos nós já desconfiávamos disso minha amiga. - Carolina
perguntou desesperada:
- Eu dei muita
bandeira? – Anna riu.
- Não, não... Um
pouco.
- Eu sou
ridícula não sou?
- Não é não!
- Então porque
você tá rindo?
- Ah, por nada
desculpa. – Anna imediatamente se conteve. – é que eu estou tão surpresa que,
não sei o que dizer. Carolina escute: isso que você tá sentindo é uma coisa
linda, uma das poucas coisas de humano que ainda restaram em você. Em nós. – Um
leve sorriso se formou no rosto de Carolina, mas logo depois sumiu.
- Mas isso não
me importa. Isso tá me machucando de mais. Eu queria tanto que ele estivesse aqui!
- Eu sei
Carolina, isso logo vai passar, é sinal de que você está se tornando uma
mocinha!
- Que legal! –
Carolina Murmurou. – Mas não é isso que mais dói em min, eu não quero ajudar a
matar o Dennis.
- Mas, Carolina,
não vamos matá-lo.
- Vamos sim! Foi
você mesma que disse hoje de manhã lembra, é o único motivo para nós estarmos
treinando não percebe? Mesmo que agente derrote todos os integrantes do Refugio
dos Lobos e aqueles mutantes, o Dennis não vai voltar pra nós, sair dos Feras
Noturnas foi vontade dele Anna, é a mais pura verdade.
- Não, o que
você está dizendo? Não é verdade...
- Eu também
mentia para min mesma, mas só piora as coisas Anna.
- Mesmo assim
Carolina, precisamos ter fé e esperança que vai dar tudo certo. Se não, vamos
perder nessa guerra.
- Tem razão, não vou deixar os mutantes
dominarem o mundo só porque o meu mundo está se despedaçando.
- É disso que eu
estava falando, garota!
- Vou lutar pelo
Dennis, ele é meu primeiro amor e não quero perde-lo para uns lobos.
- Eu ouvi
direito? – Disse uma voz feminina que entrava no quarto. – A Carolina tá amando
o Dennis? – Anna falou:
- Alice o que
você está fazendo aqui? – Alice sorriu.
- A qual é Anna?
A Carolina também é minha amiga, será que só você pode visita-la? Ah, mas agora
me contém, a pirralha tá a fim do
Garoto-Morcego? – Carolina cerrou os punhos.
- Alice, isso
não tem graça! Deixa ela em paz! – Rosnou Anna.
- Tá como
quiser! – Alice olhou para Carolina. – Só espero que a fofinha aí saiba, que se
tiver alguma esperança é melhor acabar com ela, porque o Dennis já tem uma dona
e ela, sou eu. – Alice se foi. Os olhos de Carolina se encheram de lágrimas.
- Carolina, tá
tudo bem, se acalma, não liga pra ela. – Anna foi em direção à porta.
- Pra onde você
vai? – Perguntou Carolina chorando de raiva.
- Vou perguntar
a Alice, onde ela perdeu o juízo.
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