quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cap. 15

Renascendo das Cinzas

 Quando Priscilla já estava convencida de sua vitória, uma aeronave sobrevoou rapidamente sobre a ponte, fazendo todo o lugar sacudir e trazendo um som quase ensurdecedor, assustando não só os mutantes, mas também os humanos que ali estavam. Priscilla pensou que fosse um helicóptero, mas não emitia sons de elicies e nele não havia poucas luzes.
 Enquanto a aeronave fazia uma volta, em torno da ponte, Priscilla podia observa-lo, notando que ele era um objeto negro, quase não podia enxerga-lo direito, mas o luar da lua cheia lhe denunciava no céu da noite. Quando a aeronave estava bem próxima, ela viu oque realmente era, algo que a deixou com muita vontade de lutar. O Jato Noturno.
- É eles chegaram. – Murmurou Mateus. Do alto, Anna observava a ponte que havia se tornando um caos com a guerra. Cinco carros em chamas, corpos dilacerados por todos os lados e soldados do exercito enfrentando crianças.
- Meu Deus... – Murmurou Anna. - Vocês, estão vendo o Dennis por aí? – Carolina respondeu:
- Aposto que a Priscilla quer usa-lo como elemento surpresa. – Alice concordou.
- É, isso é a cara daquela cachorra!
 Depois de deixarem, o Jato Noturno, em modo piloto automático, abriram uma comporta na parte de baixo do jato, por onde os quatro saíram. Alice saltou sem paraquedas, rugindo de braços abertos, como se fosse atacar o chão, Anna abriu suas asas e em cada mão segurava Pedrinho e Carolina. No momento em que os feras aterrissavam, mais uma tropa chegavam à ponte.
 Quando faltavam apenas dois metros para chegarem ao chão, Anna largou as mãos de Carolina e Pedrinho, mas mesmo assim todos chegaram ao chão, ao mesmo tempo, entre o exercito de mutantes e o exercito humano. Quando os quatro levantaram-se do chão, Anna gemeu e depois disse:
- Ai! Acho que desloquei o braço, Pedrinho que você anda comendo? – Um dos militares, que estava logo atrás posicionado para atirar falou com o colega do lado.
- Aqueles ali... São... Os... – E o seu colega do lado riu empolgado e lhe respondeu:
- São eles, sim! – Os mutantes e os lobisomens olhavam para os Feras Noturnas, surpresos. No alto das cabines de pedágio Priscilla sorriu maliciosa para os amigos.
- Essa noite, está prometendo! – Priscilla, Mateus e Isadora começaram a gargalhar. Todos os mutantes param de atacar os militares e focaram o olhar nos feras, como se eles fossem algo mais divertido para matar do que os soldados. Sem mover um musculo Pedrinho disse a Anna.
- Se agente não sair vivo dessa... Saiba que eu sempre amei você! – Sem demostrar reação Anna lhe disse:
- Se agente sair vivo dessa, eu juro que vou te transformar em churrasquinho. – Alice murmurou:
- Eca! Churrasco de Pedrinho... 1 bilhão de calorias! – E então do outro lado da ponte Priscilla gritou:
- O INIMIGO... ACABEM COM EEELES! – O exercito de mutantes gritaram, rugiram e uivaram, avançaram em direção a eles.
- Feras Noturnas – Gritou Anna – Atacar! – Anna, Pedrinho, Alice e Carolina também avançaram, com toda a bravura, ao exercito do Refugio dos Lobos. Igualmente fizeram os militares, como se estivessem recebendo ordens de Anna, eles foram em direção ao inimigo, gritando e atirando em todos os mutantes, exceto os Feras Noturnas. As asas de Anna saíram de suas costas, como sempre, lançando penas marrons para todos os lados. Ela bateu asas e levantou voo. Alice colocou sua máscara de gato preto.
 Quando se encontraram com os inimigos, os feras derrubavam os outros mutantes, com tanta facilidade que nem precisavam fazer tanto esforço. Eles sabiam que os maiores estragos naquela guerra eram causados, pelos lobisomens, mas para chegar até eles, precisavam passar por vários e vários jovens ferozes. Carolina, que estava com uma mochila especializada para levar duas garrafas de 2 litros, criou dois enormes tentáculos, feitos de água e com os movimentos das mãos e dos braços, fez com que atingisse toda linha da frente de mutantes, que iriam ataca-los. Pedrinho eriçou seus espinhos, e com um movimento do braço, lançou uma saraivada de pequenos espinhos, em uma dúzia de mutantes, não os matou, mas foi o suficiente para deixarem todos caídos no chão, imobilizados.
 Priscilla já estava furiosa, em ver que os Feras Noturnas estavam acabando com seu exercito, mais do que as tropas militares, mas quando viu que uns soldados, em um dos helicópteros estavam se preparando, do alto, para disparar sedativos em seus mutantes, Priscilla ordenou que Isadora fizesse o mesmo que fez com o outro helicóptero. Isadora voou com toda a tranquilidade e com as mãos, lançou alguns ferrões na aeronave, mas antes que o acertasse Anna juntou as mãos e lançou uma coluna de fogo destruindo os ferrões. Isadora trincou os dentes e foi ao encontro de Anna, mas Priscilla a interceptou dizendo.
- Isadora. Não!
- Mas o quê?
- Deixe a, vamos ver do que são capazes. – Isadora não era mutante loba, mas naquele momento ela grunhiu de raiva.
 Alice esticou suas garras e atacou todos os mutantes que pôde, enquanto ela, Carolina, Pedrinho e os soldados imobilizavam os mutantes, as equipes médicas levavam mais e mais corpos de crianças e adolescentes. Anna sobrevoava pela ponte, lançando bolas de fogos.
 Elas explodiam como bombas quando atingia o solo, lançando mutantes para todos os lados, alguns mal se machucavam, outros se queimavam gravemente, mas ainda assim voltavam a lutar, já outros nem se levantavam. Foi então que Priscilla chegou ao limite, ela olhou seriamente para Isadora e disse:
- Vai!
 Num piscar de olhos, Isadora levantou voou e foi em direção a Anna, ansiosa para ataca-la. Anna olhou para uns dos lobisomens e percebeu que ele estava prestes a matar mais um soldado, então Anna o impediu lançando uma bola de fogo próxima aos dois. Ela não queria que o pobre soldado se machucasse, mas o máximo que a explosão fez, foi separar o homem do mutante. Antes que Anna se aproximasse deles, algo passou zumbindo em seu ouvido.
 Anna virou-se e viu Isadora a alguns metros, projetando um ferrão na palma de sua mão, pronto para atirar. Isadora lançou o primeiro, mas Anna se esquivou, antes que ela se preparasse para lançar uma bola de fogo, Isadora atirou mais um ferrão que passou de raspão, no lado direito do seu corpo, rasgando um pouco de sua blusa e de sua pele. Fênix, inevitavelmente, sentiu uma imensa dor percorrer o seu corpo, Isadora sorriu e enquanto se aproximava lançou lhe mais um ferrão, Anna ainda pôde se esquivar com rapidez, mas acabou sendo atingida na cocha, da perna esquerda, casando um corte profundo. Como se não bastasse, sentir uma tremenda dor de um veneno de uma mutante vespa, no lado direito de seu corpo, agora Anna também sentia uma dor ainda pior em sua coxa.
 Ela começou a sentir como se sua perna esquerda, começasse a pesar uma tonelada. A dor fazia com que Anna, perdesse a concentração em bater as asas e isso a fez com que perdesse altitude. Mas então, Anna pensou consigo mesma e chegando a uma conclusão: David não estava ali para lhe salvar e mesmo que estivesse ninguém poderia lhe levar para casa, aquilo era uma guerra, precisava ser forte, ela havia chegado à luta há poucos minutos, não aceitaria ser abatida logo no início e o pior de tudo. Não queria deixar seus amigos, se ela se desse por vencida, os Feras Noturnas iriam perder e os mutantes dominariam o mundo.
 Anna, então cerrou os punhos e decidiu não se concentrar na dor, ela levantar voo e foi ao encontro de Isadora. Anna a atacou com toda fúria, mas Isadora segurou seus braços e lhe jogou para esquerda, então Anna lembrou-se que já havia lutado com alguém no ar antes, seu primo. Ela fez a mesma técnica que Dennis havia feito, para derrota-la. Anna voo sobre Isadora e mergulhou, sobre ela, usando seu próprio peso contra sua inimiga, as duas caíram uma por cima da outra no asfalto da ponte. Anna deu um soco no rosto de Isadora, primeiro pela direita depois com a esquerda, Isadora deu um tampa no rosto de Anna, logo em seguida retribuiu um soco. Se aproveitando que Anna havia ficando meio desorientada, ela se arrastou por baixo dela e tentou escapar. Isadora correu um pouco e logo depois levantou voo e fugiu.
  Mas não por muito tempo, Anna juntou suas mãos e lançou uma coluna de fogo sobre Isadora, para a sorte dela já estava longe demais para que o fogo a consumisse, mas as suas asas foram carbonizadas. Isadora gritou ao sentir suas asas de vespa ser queimadas e depois gritou mais ainda, porque estava caindo. Isadora esperava um impacto doloroso contra o asfalto, mas para o seu azar ela estava a alguns metros da ponte, e ao invés de cair, se esborrachar no asfalto, caiu no Rio Ceará. Anna viu Isadora despencar do céu, gritando desesperada, mas quando Anna não ouviu mais, os gritos dela. Não precisou ir até a amurada da ponte para saber oque havia acontecido depois de ouvir um splash.
- Você estava precisando de um banho mesmo! – Disse Anna.
 Mateus olhava preocupado para Priscilla, que olhava perplexa para Anna, tentando acreditar no que seus olhos haviam acabado de ver. Depois de algum tempo, em estado de choque Priscilla revirou os olhos para Mateus e disse:
- Vamos logo acabar com isso.
 Mateus e Priscilla saltaram da Lage, quando Mateus havia chegado ao chão se transformara em um lobisomem. Carolina que havia acabado de derrubar um dos lobisomens viu Priscilla entrar na guerra e correu em direção a ela. Carolina havia se lembrando, que foi por causa de Priscilla que Dennis havia deixado os Feras Noturnas, Carolina se sentia tão poderosa, havia derrotado mais mutantes que poderia ter imaginado e estava tão furiosa, que não sentiu um pingo de medo em lutar com Priscilla.
 Carolina correu em direção a Priscilla e quando estava de ante dela, lançou uma tromba de água no rosto de Priscilla, que cambaleou, mas conseguiu permanecer de pé, ela tirou um pouco do cabelo molhado do rosto, depois olhou séria para Carolina, cuspiu um pouco de água e perguntou?
- Oque-foi-isso? – Carolina violentamente, lançou mais uma tromba de água no rosto de Priscilla, desta vez lhe acertando no queixo.
- Essa, foi por tudo que você fez com agente! – Disse Carolina entredentes. Priscilla respondeu:
- Não pense, que só porque eu adorei a sua sandália, não signifique que eu queria te matar! – A expressão no rosto de Carolina suavizou um pouco.
- Ah. Você gostou? – E então Priscilla lhe fez se lembrar de que aquilo era uma ameaça, emitindo um rosnando canino.
 Priscilla puxou os cabelos, da parte de trás, da cabeça de Carolina que começou a gritar, mas logo se lembrou de que não devia demostrar dor. E então Carolina gritou e chutou a perna de Priscilla. Ela grunhiu de dor, mas depois deu um soco no estomago de Carolina, que nem emitiu algum som, devido à falta de fôlego.
 Priscilla soltou os cabelos de Carolina, a garota caiu de joelhos no chão, ainda sentindo dor, Carolina estava furiosa e louca para lutar com Priscilla, mas não conseguia se levantar e sem poder evitar, lágrimas escorreram em seu rosto e isso a fez com que se sentisse mais impotente.
- Volta pra sua creche, pirralha! – Priscilla deu uma risada. Vendo a situação, Pedrinho correu imediatamente ao local e gritou:
- Ei! Deixe ela em paz!
 Priscilla sorriu com um ar deboche, mas logo depois parou de sorrir quando um espinho de meio metro passou a poucos centímetros de seu rosto. Pedrinho lançou mais uma estaca em direção a Priscilla, mas ela se esquivou e o agarrou no ar. Pedrinho tentou golpeá-la no rosto, mas Priscilla agarrou seu punho e colocou a ponta da estaca na garganta dele.
Vendo isso, Alice arranhou o rosto do lobisomem, com quem lutava e disparou em direção a Priscilla.
- Ninguém faz esse idiota de idiota, além de min! – E então Alice sacou suas espadas. Priscilla levou uma de suas mãos, até suas costas e puxou uma espada, um pouco maior e mais grossa do que, as duas, de Alice.
- Nos encontramos de novo Alice, ou deveria dizer... Garota-Pantera! – Priscilla deu uma risada. – Você e seus amigos, tiraram bom proveito da nossa fórmula de transmutação. Mas vocês vão morrer, bem lentamente e dolorosamente.
- Ah, cala boca sua cachorra! Aqui, seu recalque bate de volta.
 O rosto de Priscilla ficou vermelho, igual a um tomate e as duas se atracaram com suas espadas. Carolina passou a se sentir constrangida, de repente toda sua alta confiança e coragem havia lhe abandonado. Agora ela se sentia, como aquela velha garota inútil, que não participava de missões perigosas dos Feras Noturnas, por ser nova e frágil.
 Carolina olhou para Pedrinho caído no chão, respirando com dificuldade, esfregando a mão no pescoço, depois olhou para Anna que lutava contra três lobisomens ao mesmo tempo e olhou para Alice que estava perdendo para Priscilla, em uma luta de espadas.
- Meus amigos estão perdendo e um monte de crianças vai ter a juventude arruinada – Disse Carolina para si mesma. - eu sou uma inútil, não ajudo em nada.
 E então Carolina teve uma ideia, ela se levantou do chão, mas não voltou a lutar, subiu na amurada da ponte e se apoiou em um poste. Carolina olhou para baixo, a alguns metros, o Rio Ceará corria tranquilamente, as águas brilhavam com um tom azulado do luar, ela olhou para trás, mais uma vez olhou para seus amigos, e quando começou a chorar pensou: “Talvez eles sintam a minha falta quando derrotarem os mutantes”.
 Mas quando ela tomou coragem para pular, Carolina se lembrou de algo que David havia lhe dito. “Você no futuro é tão poderosa, que chegou a mover rios e mares. Os Feras Noturnas tem muita sorte, em ter alguém com seu poder.” E no mesmo instante, Carolina perdeu a vontade de se suicidar, mas a ideia de se jogar no rio ainda estava de pé. Carolina respirou fundo e disse para si mesma.
- Carolina poderosa do futuro, ai vou eu.
 Carolina fechou os olhos e se jogou da ponte, depois de alguns segundos com o vento zumbindo em seu ouvido, Carolina perdeu a adrenalina e quando decidiu abrir os olhos, sua visão foi tomada por uma imensidão azul. Um turbilhão de bolhas subia a sua volta e enquanto afundava no rio como uma âncora, se concentrou em toda aquela água, canalizando seus poderes. E então Carolina pôde sentir sua a sua volta, tudo que estava sob os domínios das águas do Rio Ceará, peixes, barcos, balsas, as colunas que sustentavam a ponte e até mesmo algumas pessoas.
 Naquela mesma noite, em outro lugar, na cidade de Natal, no hotel cinco estrelas, que o Refugio dos Lobos usara como um covil temporário, pessoas faziam uma varredura no lugar. Equipes investigativas, detetives analisavam o local a procurar de digitais e amostras de DNA, a fim de identificar alguns dos mutantes que estiveram ali, até mesmo policiais armados exploravam o hotel, verificando se ainda havia algum mutante por lá - que era óbvio que não – Mas, porém ainda havia um, na suíte presidencial o corpo de Dennis ainda se encontrava desacordado, sua roupa estava rasgada e seu corpo estava completamente ferido.

 Quando Priscilla e seu bando o haviam deixado ali, trancado no quarto do hotel, pensaram que ele morreria devido aos ferimentos ou se tornaria alguma aberração, causada pela mistura entre genes de morcego e de lobo. Mas eles não perceberam que Dennis estava usando seu dispositivo R.N.G. à única coisa que lhe salvou, protegendo seu DNA de mais mutações e lhe dando resistência aos ferimentos. Dennis acordou no chão da suíte, apavorado pensando, que os Lobisomens ainda o usavam como brinquedo de cachorro. No mesmo momento em que ele acordou, policiais tentavam arrombar a porta, quando conseguiram abri-la, não encontraram nada além de mais uma quarto revirado e vazio.

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