Renascendo das Cinzas
Quando Priscilla já estava convencida de sua
vitória, uma aeronave sobrevoou rapidamente sobre a ponte, fazendo todo o lugar sacudir e trazendo um som
quase ensurdecedor, assustando não só os mutantes, mas também os humanos que
ali estavam. Priscilla pensou que fosse um helicóptero, mas não emitia sons de
elicies e nele não havia poucas luzes.
Enquanto a aeronave fazia uma volta, em torno
da ponte, Priscilla podia observa-lo, notando que ele era um objeto negro, quase
não podia enxerga-lo direito, mas o luar da lua cheia lhe denunciava no céu da
noite. Quando a aeronave estava bem próxima, ela viu oque realmente era, algo
que a deixou com muita vontade de lutar. O Jato Noturno.
- É eles
chegaram. – Murmurou Mateus. Do alto, Anna observava a ponte que havia se
tornando um caos com a guerra. Cinco carros em chamas, corpos dilacerados por
todos os lados e soldados do exercito enfrentando crianças.
- Meu Deus... –
Murmurou Anna. - Vocês, estão vendo o Dennis por aí? – Carolina respondeu:
- Aposto que a
Priscilla quer usa-lo como elemento surpresa. – Alice concordou.
- É, isso é a
cara daquela cachorra!
Depois de deixarem, o Jato Noturno, em modo
piloto automático, abriram uma comporta na parte de baixo do jato, por onde os
quatro saíram. Alice saltou sem paraquedas, rugindo de braços abertos, como se
fosse atacar o chão, Anna abriu suas asas e em cada mão segurava Pedrinho e
Carolina. No momento em que os feras aterrissavam, mais uma tropa chegavam à
ponte.
Quando faltavam apenas dois metros para
chegarem ao chão, Anna largou as mãos de Carolina e Pedrinho, mas mesmo assim
todos chegaram ao chão, ao mesmo tempo, entre o exercito de mutantes e o
exercito humano. Quando os quatro levantaram-se do chão, Anna gemeu e depois
disse:
- Ai! Acho que
desloquei o braço, Pedrinho que você anda comendo? – Um dos militares, que
estava logo atrás posicionado para atirar falou com o colega do lado.
- Aqueles ali...
São... Os... – E o seu colega do lado riu empolgado e lhe respondeu:
- São eles, sim!
– Os mutantes e os lobisomens olhavam para os Feras Noturnas, surpresos. No
alto das cabines de pedágio Priscilla sorriu maliciosa para os amigos.
- Essa noite,
está prometendo! – Priscilla, Mateus e Isadora começaram a gargalhar. Todos os mutantes
param de atacar os militares e focaram o olhar nos feras, como se eles fossem
algo mais divertido para matar do que os soldados. Sem mover um musculo
Pedrinho disse a Anna.
- Se agente não
sair vivo dessa... Saiba que eu sempre amei você! – Sem demostrar reação Anna
lhe disse:
- Se agente sair
vivo dessa, eu juro que vou te transformar em churrasquinho. – Alice murmurou:
- Eca! Churrasco
de Pedrinho... 1 bilhão de calorias! – E então do outro lado da ponte Priscilla
gritou:
- O INIMIGO...
ACABEM COM EEELES! – O exercito de mutantes gritaram, rugiram e uivaram,
avançaram em direção a eles.
- Feras Noturnas
– Gritou Anna – Atacar! – Anna, Pedrinho, Alice e Carolina também avançaram,
com toda a bravura, ao exercito do Refugio dos Lobos. Igualmente fizeram os
militares, como se estivessem recebendo ordens de Anna, eles foram em direção
ao inimigo, gritando e atirando em todos os mutantes, exceto os Feras Noturnas.
As asas de Anna saíram de suas costas, como sempre, lançando penas marrons para
todos os lados. Ela bateu asas e levantou voo. Alice colocou sua máscara de
gato preto.
Quando se encontraram com os inimigos, os
feras derrubavam os outros mutantes, com tanta facilidade que nem precisavam
fazer tanto esforço. Eles sabiam que os maiores estragos naquela guerra eram
causados, pelos lobisomens, mas para chegar até eles, precisavam passar por
vários e vários jovens ferozes. Carolina, que estava com uma mochila
especializada para levar duas garrafas de 2 litros, criou dois enormes
tentáculos, feitos de água e com os movimentos das mãos e dos braços, fez com
que atingisse toda linha da frente de mutantes, que iriam ataca-los. Pedrinho
eriçou seus espinhos, e com um movimento do braço, lançou uma saraivada de
pequenos espinhos, em uma dúzia de mutantes, não os matou, mas foi o suficiente
para deixarem todos caídos no chão, imobilizados.
Priscilla já estava furiosa, em ver que os
Feras Noturnas estavam acabando com seu exercito, mais do que as tropas
militares, mas quando viu que uns soldados, em um dos helicópteros estavam se
preparando, do alto, para disparar sedativos em seus mutantes, Priscilla
ordenou que Isadora fizesse o mesmo que fez com o outro helicóptero. Isadora
voou com toda a tranquilidade e com as mãos, lançou alguns ferrões na aeronave,
mas antes que o acertasse Anna juntou as mãos e lançou uma coluna de fogo
destruindo os ferrões. Isadora trincou os dentes e foi ao encontro de Anna, mas
Priscilla a interceptou dizendo.
- Isadora. Não!
- Mas o quê?
- Deixe a, vamos
ver do que são capazes. – Isadora não era mutante loba, mas naquele momento ela
grunhiu de raiva.
Alice esticou suas garras e atacou todos os
mutantes que pôde, enquanto ela, Carolina, Pedrinho e os soldados imobilizavam
os mutantes, as equipes médicas levavam mais e mais corpos de crianças e
adolescentes. Anna sobrevoava pela ponte, lançando bolas de fogos.
Elas explodiam como bombas quando atingia o
solo, lançando mutantes para todos os lados, alguns mal se machucavam, outros
se queimavam gravemente, mas ainda assim voltavam a lutar, já outros nem se
levantavam. Foi então que Priscilla chegou ao limite, ela olhou seriamente para
Isadora e disse:
- Vai!
Num piscar de olhos, Isadora levantou voou e
foi em direção a Anna, ansiosa para ataca-la. Anna olhou para uns dos
lobisomens e percebeu que ele estava prestes a matar mais um soldado, então
Anna o impediu lançando uma bola de fogo próxima aos dois. Ela não queria que o
pobre soldado se machucasse, mas o máximo que a explosão fez, foi separar o
homem do mutante. Antes que Anna se aproximasse deles, algo passou zumbindo em
seu ouvido.
Anna virou-se e viu Isadora a alguns metros,
projetando um ferrão na palma de sua mão, pronto para atirar. Isadora lançou o
primeiro, mas Anna se esquivou, antes que ela se preparasse para lançar uma bola
de fogo, Isadora atirou mais um ferrão que passou de raspão, no lado direito do
seu corpo, rasgando um pouco de sua blusa e de sua pele. Fênix,
inevitavelmente, sentiu uma imensa dor percorrer o seu corpo, Isadora sorriu e
enquanto se aproximava lançou lhe mais um ferrão, Anna ainda pôde se esquivar
com rapidez, mas acabou sendo atingida na cocha, da perna esquerda, casando um
corte profundo. Como se não bastasse, sentir uma tremenda dor de um veneno de
uma mutante vespa, no lado direito de seu corpo, agora Anna também sentia uma
dor ainda pior em sua coxa.
Ela começou a sentir como se sua perna
esquerda, começasse a pesar uma tonelada. A dor fazia com que Anna, perdesse a
concentração em bater as asas e isso a fez com que perdesse altitude. Mas
então, Anna pensou consigo mesma e chegando a uma conclusão: David não estava
ali para lhe salvar e mesmo que estivesse ninguém poderia lhe levar para casa,
aquilo era uma guerra, precisava ser forte, ela havia chegado à luta há poucos
minutos, não aceitaria ser abatida logo no início e o pior de tudo. Não queria
deixar seus amigos, se ela se desse por vencida, os Feras Noturnas iriam perder
e os mutantes dominariam o mundo.
Anna, então cerrou os punhos e decidiu não se
concentrar na dor, ela levantar voo e foi ao encontro de Isadora. Anna a atacou
com toda fúria, mas Isadora segurou seus braços e lhe jogou para esquerda,
então Anna lembrou-se que já havia lutado com alguém no ar antes, seu primo.
Ela fez a mesma técnica que Dennis havia feito, para derrota-la. Anna voo sobre
Isadora e mergulhou, sobre ela, usando seu próprio peso contra sua inimiga, as
duas caíram uma por cima da outra no asfalto da ponte. Anna deu um soco no
rosto de Isadora, primeiro pela direita depois com a esquerda, Isadora deu um
tampa no rosto de Anna, logo em seguida retribuiu um soco. Se aproveitando que
Anna havia ficando meio desorientada, ela se arrastou por baixo dela e tentou
escapar. Isadora correu um pouco e logo depois levantou voo e fugiu.
Mas não por muito tempo, Anna juntou suas
mãos e lançou uma coluna de fogo sobre Isadora, para a sorte dela já estava
longe demais para que o fogo a consumisse, mas as suas asas foram carbonizadas.
Isadora gritou ao sentir suas asas de vespa ser queimadas e depois gritou mais
ainda, porque estava caindo. Isadora esperava um impacto doloroso contra o
asfalto, mas para o seu azar ela estava a alguns metros da ponte, e ao invés de
cair, se esborrachar no asfalto, caiu no Rio Ceará. Anna viu Isadora despencar
do céu, gritando desesperada, mas quando Anna não ouviu mais, os gritos dela.
Não precisou ir até a amurada da ponte para saber oque havia acontecido depois
de ouvir um splash.
- Você estava
precisando de um banho mesmo! – Disse Anna.
Mateus olhava preocupado para Priscilla, que
olhava perplexa para Anna, tentando acreditar no que seus olhos haviam acabado
de ver. Depois de algum tempo, em estado de choque Priscilla revirou os olhos
para Mateus e disse:
- Vamos logo
acabar com isso.
Mateus e Priscilla saltaram da Lage, quando
Mateus havia chegado ao chão se transformara em um lobisomem. Carolina que
havia acabado de derrubar um dos lobisomens viu Priscilla entrar na guerra e
correu em direção a ela. Carolina havia se lembrando, que foi por causa de
Priscilla que Dennis havia deixado os Feras Noturnas, Carolina se sentia tão
poderosa, havia derrotado mais mutantes que poderia ter imaginado e estava tão
furiosa, que não sentiu um pingo de medo em lutar com Priscilla.
Carolina correu em direção a Priscilla e
quando estava de ante dela, lançou uma tromba de água no rosto de Priscilla,
que cambaleou, mas conseguiu permanecer de pé, ela tirou um pouco do cabelo
molhado do rosto, depois olhou séria para Carolina, cuspiu um pouco de água e
perguntou?
- Oque-foi-isso?
– Carolina violentamente, lançou mais uma tromba de água no rosto de Priscilla,
desta vez lhe acertando no queixo.
- Essa, foi por
tudo que você fez com agente! – Disse Carolina entredentes. Priscilla
respondeu:
- Não pense, que
só porque eu adorei a sua sandália, não signifique que eu queria te matar! – A
expressão no rosto de Carolina suavizou um pouco.
- Ah. Você
gostou? – E então Priscilla lhe fez se lembrar de que aquilo era uma ameaça,
emitindo um rosnando canino.
Priscilla puxou os cabelos, da parte de trás,
da cabeça de Carolina que começou a gritar, mas logo se lembrou de que não
devia demostrar dor. E então Carolina gritou e chutou a perna de Priscilla. Ela
grunhiu de dor, mas depois deu um soco no estomago de Carolina, que nem emitiu
algum som, devido à falta de fôlego.
Priscilla soltou os cabelos de Carolina, a
garota caiu de joelhos no chão, ainda sentindo dor, Carolina estava furiosa e
louca para lutar com Priscilla, mas não conseguia se levantar e sem poder
evitar, lágrimas escorreram em seu rosto e isso a fez com que se sentisse mais
impotente.
- Volta pra sua
creche, pirralha! – Priscilla deu uma risada. Vendo a situação, Pedrinho correu
imediatamente ao local e gritou:
- Ei! Deixe ela
em paz!
Priscilla sorriu com um ar deboche, mas logo
depois parou de sorrir quando um espinho de meio metro passou a poucos
centímetros de seu rosto. Pedrinho lançou mais uma estaca em direção a
Priscilla, mas ela se esquivou e o agarrou no ar. Pedrinho tentou golpeá-la no
rosto, mas Priscilla agarrou seu punho e colocou a ponta da estaca na garganta
dele.
Vendo isso,
Alice arranhou o rosto do lobisomem, com quem lutava e disparou em direção a
Priscilla.
- Ninguém faz
esse idiota de idiota, além de min! – E então Alice sacou suas espadas.
Priscilla levou uma de suas mãos, até suas costas e puxou uma espada, um pouco
maior e mais grossa do que, as duas, de Alice.
- Nos
encontramos de novo Alice, ou deveria dizer... Garota-Pantera! – Priscilla deu
uma risada. – Você e seus amigos, tiraram bom proveito da nossa fórmula de
transmutação. Mas vocês vão morrer, bem lentamente e dolorosamente.
- Ah, cala boca
sua cachorra! Aqui, seu recalque bate de volta.
O rosto de Priscilla ficou vermelho, igual a
um tomate e as duas se atracaram com suas espadas. Carolina passou a se sentir
constrangida, de repente toda sua alta confiança e coragem havia lhe
abandonado. Agora ela se sentia, como aquela velha garota inútil, que não
participava de missões perigosas dos Feras Noturnas, por ser nova e frágil.
Carolina olhou para Pedrinho caído no chão,
respirando com dificuldade, esfregando a mão no pescoço, depois olhou para Anna
que lutava contra três lobisomens ao mesmo tempo e olhou para Alice que estava
perdendo para Priscilla, em uma luta de espadas.
- Meus amigos
estão perdendo e um monte de crianças vai ter a juventude arruinada – Disse
Carolina para si mesma. - eu sou uma inútil, não ajudo em nada.
E então Carolina teve uma ideia, ela se
levantou do chão, mas não voltou a lutar, subiu na amurada da ponte e se apoiou
em um poste. Carolina olhou para baixo, a alguns metros, o Rio Ceará corria
tranquilamente, as águas brilhavam com um tom azulado do luar, ela olhou para
trás, mais uma vez olhou para seus amigos, e quando começou a chorar pensou:
“Talvez eles sintam a minha falta quando derrotarem os mutantes”.
Mas quando ela tomou coragem para pular,
Carolina se lembrou de algo que David havia lhe dito. “Você no futuro é tão poderosa, que chegou a mover rios e mares. Os
Feras Noturnas tem muita sorte, em ter alguém com seu poder.” E no mesmo
instante, Carolina perdeu a vontade de se suicidar, mas a ideia de se jogar no
rio ainda estava de pé. Carolina respirou fundo e disse para si mesma.
- Carolina
poderosa do futuro, ai vou eu.
Carolina fechou os olhos e se jogou da ponte,
depois de alguns segundos com o vento zumbindo em seu ouvido, Carolina perdeu a
adrenalina e quando decidiu abrir os olhos, sua visão foi tomada por uma
imensidão azul. Um turbilhão de bolhas subia a sua volta e enquanto afundava no
rio como uma âncora, se concentrou em toda aquela água, canalizando seus
poderes. E então Carolina pôde sentir sua a sua volta, tudo que estava sob os
domínios das águas do Rio Ceará, peixes, barcos, balsas, as colunas que
sustentavam a ponte e até mesmo algumas pessoas.
Naquela mesma noite, em outro lugar, na cidade
de Natal, no hotel cinco estrelas, que o Refugio dos Lobos usara como um covil
temporário, pessoas faziam uma varredura no lugar. Equipes investigativas,
detetives analisavam o local a procurar de digitais e amostras de DNA, a fim de
identificar alguns dos mutantes que estiveram ali, até mesmo policiais armados
exploravam o hotel, verificando se ainda havia algum mutante por lá - que era
óbvio que não – Mas, porém ainda havia um, na suíte presidencial o corpo de
Dennis ainda se encontrava desacordado, sua roupa estava rasgada e seu corpo
estava completamente ferido.
Quando Priscilla e seu bando o haviam deixado
ali, trancado no quarto do hotel, pensaram que ele morreria devido aos
ferimentos ou se tornaria alguma aberração, causada pela mistura entre genes de
morcego e de lobo. Mas eles não perceberam que Dennis estava usando seu
dispositivo R.N.G. à única coisa que lhe salvou, protegendo seu DNA de mais
mutações e lhe dando resistência aos ferimentos. Dennis acordou no chão da
suíte, apavorado pensando, que os Lobisomens ainda o usavam como brinquedo de
cachorro. No mesmo momento em que ele acordou, policiais tentavam arrombar a
porta, quando conseguiram abri-la, não encontraram nada além de mais uma quarto
revirado e vazio.
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