Epílogo: Recuperando o Tempo Perdido
Quando os três garotos restantes do Refugio dos Lobos, Carlos, Roberto e Marcelo,
perceberam que perderam sua líder e quando todos os outros mutantes perceberam
que a mutação havia acabado. Renderam-se aos militares e foram presos, como se
fossem marginais, comuns. Enquanto Carolina enviava um sinal de seu dispositivo
R.N.G. chamando o Jato Noturno, Anna ainda não tirava os olhos de Dennis, mas
sua atenção foi chamada quando viu um objeto brilhante descendo pelo céu.
Anna pensou que se tratava de um meteorito, mas
era uma pequena esfera de luz, com uma cauda gasosa e emitia uma luz azulada.
Como um pequeno cometa. O objeto atingiu a ponte, caindo a alguns quilômetros
perto dos cinco e explodiu em luz. Dennis, Anna, Alice, Pedrinho e Carolina
tiveram virar o rosto para o outro lado. Quando voltaram a olhar, viram uma
pequena cratera de asfalto carbonizado, com um homem no centro dela, David, o
agente Dente de Sabre.
- Eu não
acredito. – Sussurrou Anna. David andou em direção aos cinco, ele usava o mesmo
traje que vestia quando surgiu no quintal de Anna.
Camiseta vermelha sem manga, calça camuflada,
óculos escuros e seu dispositivo R.N.G. 3.0. Anna percebeu que ele sorria de
uma forma diferente, nos dias em que ele esteve na casa de Anna, David sempre
demostrou ser extrovertido, espontâneo e até mesmo brincalhão. Tanto quanto os
feras, mas naquele momento parecia estar sorrindo, verdadeiramente feliz. Como
se não viesse de um futuro “apocalíptico”.
- De onde aquele
cara veio? – Perguntou Dennis e então se surpreendeu ao ver que seus amigos o
reconheciam.
- David? –
Perguntou Alice. O rosto de David dizia tudo, mas mesmo assim Carolina quis
perguntar:
– Aconteceu
alguma coisa com a linha do tempo?
- Aconteceu. –
Disse ele. – Feras. Voltei apenas para agradecer a vocês, a missão foi um
sucesso.
- É sério? –
Perguntou Pedrinho.
- O futuro se
alterou de forma positiva, os mutantes nunca dominaram o país e o Dennis, não
está mais na lista de procurados pela organização.
- Procurado pela organização? – Perguntou
Dennis. – Que organização? – Anna olhou sem graça para Dennis e disse:
- Já vi que
vamos ter muito oque explicar para o Dennis. – David concordou:
- E já vi que
vocês conseguiram deter o Refugio dos Lobos. Parece que ouve uma guerra por
aqui e que você conseguiu trazer o Dennis de volta. – Dennis impaciente
perguntou:
- Anna, quem é esse? – Anna, David, Alice,
Carolina e Pedrinho riram.
- Dennis se
lembra do David? – Perguntou Anna. – Aquele que ficou alguns dias lá em casa?
Pois é, é ele. – Dennis ergueu uma sobrancelha.
- Anna? David
era um garoto de uns 11 ou 12 anos, esse cara aí deve ter uns 20!
- Era o meu
disfarce. – David tocou em seu bracelete e seu corpo emitiu um fleche, se
transformando em um garoto e depois de outro fleche, voltou ao normal. Dennis
boquiaberto disse:
- Fala sério!
- Sabe Dennis. –
Disse Anna. – No futuro os Feras Noturnas irá se tornar uma grande organização.
- Como é que é?
– Perguntou ele.
- Isso mesmo e o
David é um viajante do tempo, que veio em uma missão para...
- Para deter
você. – Completou David. E então ele e Anna, explicaram tudo. Que no futuro os
mutantes haveriam dominado o país e o mundo, com a ajuda de Dennis, que se
tornaria o mutante mais perigoso do mundo e que David viajou no tempo, para
impedir que tudo isso acontecesse.
- Puxa! – Disse
Dennis. – Eu não imaginava que seria capaz de tudo isso. – Dennis olhou para
David envergonhado.
- David... Meus
parabéns pela sua missão, você me impediu
de destruir o mundo. Obrigado. – David pôs sua mão no ombro dele e disse:
- Ei, tá tudo
bem agora. Todos cometemos erros, senhor. – Dennis teria questionado, mas ele
franziu a testa e perguntou.
- Como assim, senhor?
- Então – Disse
Anna. – Você agradece por agente ter te ajudado, agente também agradece pela
sua ajuda, mas acho que deve estar na hora de você ir. – David deu um passo em
direção a Anna e disse:
- Anna...
- Não! –
Interrompeu ela – Volte para o seu tempo e comemore sua vitória.
- Amiga. Calma.
– Falou Alice. David voltou a falar.
- Anna, me
perdoe, mas...
- Você prometeu!
– Os olhos de Anna começavam a se encher de lágrimas. – Você prometeu que não
iria nos deixar.
- Eu juro que
não queria deixar, vocês lutarem sozinhos, contra os mutantes, mas era preciso.
- Por quê? –
Rosnou Anna.
- Por mais que
eu estivesse em uma missão para alterar o tempo, não poderia me interferir
nele. Precisava deixar o destino, com vocês. – Antes que Anna dissesse mais
alguma coisa, David a interrompeu. – Anna olhe a sua volta, olhe para o seu
primo! Dennis está ao seu lado, de novo e o governo ajudou vocês a deter os
mutantes. Eu estava mentindo em algo que disse?
- Não. –
Respondeu Carolina e todos voltaram os olhos para ela. – Desde que eu me tornei
uma Fera Noturna, eu nunca imaginei
que seria capaz de fazer algo além de tirar a água de um copo. E hoje eu fiz um
tsunami, que eu não quero nem ver o estrago que fiz na cidade, mas, usei o poder
de cura para remover a mutação daqueles jovens e... – Carolina olhou
constrangida para Dennis. – E salvei a vida do meu... Melhor amigo. – Se Dennis
estivesse tão sensível quanto Anna, teria chorado naquele mesmo instante, mas
ele conseguiu conter as lagrimas e sorriu para ela.
- Você não
estava mentindo David. – Concluiu Carolina.
- Já eu – Falou
Alice – Eu nunca pensei que seria capaz de abrir mão das minhas espadas e usar
as minhas unhas lindas e perfeitas, pra lutar com alguém. É claro que eu vou
ter que ficar a eternidade na manicure depois dessa guerra, mas eu descobri que
sou até melhor com as minhas garras do que com as espadas. – Pedrinho disse:
- Agora eu,
pensei que quando você tinha ido embora - Pedrinho voltou os olhos para David
-, pensei que fosse pra sempre, mas agora você voltou, só pra dar encima da
minha garota! Não é?
- Pedrinho,
acorda! – Murmurou Anna. - Eu não sou sua garota. – Pedrinho perguntou a David.
- Mas um dia, no
futuro, ela vai ser minha não é verdade?
- Prefiro não
responder. – David voltou-se para Carolina e se ajoelhou ficando, mais ou menos
da altura dela. – Aquática, fico muito feliz por você. Eu disse que você no
futuro é bem poderosa. – Carolina falou:
- Eu sei, mas eu
pensava que esse futuro, fosse daqui
a alguns anos, não há alguns dias!
- Intendo, mas
se bem que... Eu nunca vi a Carolina do futuro, criar um tsunami! Mas oque
importa é que você se saiu bem, nunca deixe de acreditar no seu potencial
Carolina. – Ela assentiu e disse:
- Depois dessa
noite, não tenho porque não acreditar. - David se levantou, olhou para Alice e
falou:
- Garota-Pantera,
tudo que eu tenho a lhe dizer é... Faça o que você sabe fazer de melhor.
Brilhe. – Alice soltou sua risada escandalosa, que foi ouvida por toda a ponte.
- Meu
queridinho, não é oque eu faço de melhor, eu brilho por natureza própria! –
David revirou os olhos.
- Muito bem! – E
então David voltou-se para Pedrinho e se abaixou, na frente dele.
-
Espinho-Branco. Imagino que você tenha lutado nessa guerra, como um verdadeiro,
Feras Noturna. – Pedrinho sorriu e
disse:
- Mas é claro!
Aqueles mutantes não iriam ser derrotados sozinhos e acredite se não fosse por
min, essas garotas teriam sido mortas. Você
não imagina o quanto eu tive trabalho pra salvar a vida dessas três! Se metem
em encrenca o tempo todo. – Anna, Alice
e Carolina começaram a murmurar, mas David e Pedrinho as ignoraram.
- Ahm, Pedrinho?
Sabe aquela garota ali, a Alice?
- A que se
parece com a Bruxa do 71? Com certeza!
- Olhe, eu sei
que de vez em quando, ela pode ser um pouquinho chata, insuportável e
mesquinha...
- Barraqueira,
metida, doida... Sim, eu sei. – David olhou rapidamente para Alice e falou:
- Pois é não a
odeie tanto, procure ser um pouco mais compreensível com ela.
- Mas, por quê?
- David se curvou para Pedrinho e cochichou em seu ouvido:
- Por que se não
eu... Não vou nascer. – David se afastou de Pedrinho, que questionou.
- Tá, mas oque
eu tenho haver com... – E então a ficha caiu. – Ah, não, não, não!
- Oque foi? –
Perguntou Alice.
- Nada, não! –
Respondeu David. Ele olhou para Anna segurou as mãos dela – Fênix...
- David, eu te
amo tanto! – Disse ela, com agonia.
- Eu também gosto de você Anna, mas eu não sou a
pessoa certa! Um dia você vai encontrar a
pessoa certa e quando você encontrar, você não vai ter duvidas, porque ela
também vai te amar.
- Quando eu vou
conhecê-lo? Ah, esquece. Você não pode dizer.
- Bem, pois é eu
não posso falar muito, mas... Essa pessoa vai lhe aparecer em um momento, em
que você menos espera e ela será a pessoa mais inesperada que você imaginar. E
depois... Anna, você é tão nova, você devia aproveitar a vida, não se preocupar
com essas coisas.
- É tem razão e
também porque, não ia dar certo entre nós mesmo. Não gosto de garotos mais
novos! – Alice voltou-se para Pedrinho.
- Ui! Ouviu oque
ela disse cabeça de ovo? Vê se decora.
- Ah, cala a
boca! Garota-Panqueca.
David beijou
Anna, na testa e em seguida voltou-se para Dennis, que ainda se sentia
constrangido.
-
Garoto-Morcego. – Disse David.
- Viajante do
tempo. – Retrucou Dennis.
- Depois que o
futuro se alterou, você me contou os motivos, que você teve para sair dos Feras
Noturnas.
- Então, você
sabe.
- Sei. Escuta
Dennis, eu imagino como você deve ter se sentido... Ao chegar ao ponto de
deixar a seus amigos, por causa da humilhação, o sentimento de rejeição,
solidão e até mesmo a perturbação psicológica, mas você deve saber que tudo
aquilo que você passou é apenas o começo de muita coisa que você vai enfrentar
na sua vida. – Dennis olhou para o chão.
- Eu intendo.
- Eu sei que
isso pode ser desagradável de ouvir, mas você deve saber que a vida não
perfeita, o mundo não é. E que no mundo existem pessoas, que sabem como atingir
os nossos pontos mais fracos... Sempre vai existir pessoas, que vão querer nos
derrubar, ou querer nos ferir, mas não devemos evita-las, devemos enfrentar elas.
Então, seja forte, tá legal? – Dennis estava a em silêncio, mas depois de algum
tempo ele levantou a cabeça, com um enorme sorriso no rosto.
- Tá legal,
obrigado David. – Os dois apertaram as mãos e David falou:
- Pois é
pessoal, tenho que ir.
- Tem mesmo que
ir, gato? – Perguntou Alice. – A noite é uma criança.
- Ahm, não
preciso mesmo ir!
- Já vai tarde!
– Murmurou Pedrinho.
David voltou para a pequena cratera de asfalto
carbonizado e começou a programar algo em seu dispositivo R.N.G. 3.0.
- David. –
Chamou Anna – Obrigada, por tudo.
David assentiu e se agachou. E em volta de seu
corpo uma esfera de luz azul se projetou, até que explodiu e decolou se
juntando as estrelas no céu.
No início da ponte, notaram havia mais pessoas
do que o normal, ainda havia alguns dos militares, mas então perceberam que
eram repórteres gravando matérias de jornais e fazendo perguntas a quem
estivesse por perto. No céu, helicópteros com emblemas de redes de televisão
circulavam pela cidade. Quando alguns dos repórteres notaram a presença dos
Feras Noturnas, ao longo da ponte, alguns soldados começaram correr em direção
a eles. A principio pensaram que só queriam fazer perguntas, mas quando viram
que estavam armados, preferiram fugir como fazem algumas celebridades e foi nesse
momento em que o Jato Noturno, surgiu pairando sobre os cinco. Anna e Dennis
pegaram seus amigos e os levaram para o jato e saíram do lugar imediatamente.
Dennis e Anna chegaram tarde, em casa, mas
Dona Tereza estava feliz demais para dar broncas, pois recebera boas noticias
sobre João. Na manhã seguinte Dennis acordou na cama de seu primo, usado
pijama. Ele teve uma sensação estranha, como se não fizesse isso há muito tempo
e realmente, fazia algum tempo que sua vida não era mais a mesma. Ele olhou para
o seu braço esquerdo e lembrou-se da noite anterior, o corte que Priscilla
fizera em seu braço já estava cicatrizando. De repente a porta se abriu, a
cabeça de Anna se projetou, por trás da porta que disse:
- Podem vir
gente, ele tá acordado! –
E então, Anna acompanhada de Alice, Carolina e
Pedrinho invadiram no quarto, fazendo a maior algazarra, puxaram os cobertores
de Dennis e se jogaram em cima da cama. Dennis ficara tão perplexo com aquilo,
que seus amigos temeram que ele ainda, não fosse o mesmo. Que ele ainda fosse o
Dennis de o Refugio dos Lobos.
- Ahm, Dennis. –
Disse Anna. – Desculpa agente não queria te incomodar. – Dennis bufou.
- Incomodar? Tá brincando? Vocês são meus
amigos, não me incomodam! – Alice falou:
- Pensamos que
você ainda queria nos matar. – Dennis franziu a testa e Anna deu uma cotovelada
em Alice e sussurrou:
- Alice, cala a
boca! – Dennis prosseguiu.
- Eu só queria
saber, oque vocês estão fazendo aqui, tão cedo de manhã? – Carolina falou:
- Ahm, Dennis?
São quase 11hs da manhã. – Dennis arregalou os olhos.
- É sério? –
Dennis olhou a hora em seu dispositivo R.N.G. - Nossa! Faz muito tempo, que eu
não durmo, como um humano. É estranho.
- Espero que
consiga se acostumar outra vez! – Disse Anna. – Você dormia feito um morcego de
verdade lá no acampamento? – E então, Anna percebeu que não fizera uma boa
pergunta. O rosto de Dennis ficou angustiado e seu olhar, se tornou vazio.
- Dennis –
Perguntou Pedrinho. – Tá tudo bem? – Dennis respondeu.
- Eu não mereço.
– Ele olhou para seus amigos – Eu não mereço vocês.
- Mas, por quê?
– Perguntou Pedrinho.
- Eu abandonei
vocês e ainda tentei matá-los por motivos tão... – A voz de Dennis ficou rouca
– Eu não mereço o amor de vocês eu... – Anna o interrompeu dizendo:
- Não, não, não.
Dennis. O que passou, passou.
- Vocês eram os
únicos amigos que eu tinha e os abandonei, porque me deixei levar pelos outros
e se não fosse por um cara do futuro eu teria me tornado uma ameaça nacional.
- Mas, ô Dennis
conta aí – Falou Alice – Foi bom sair dos Feras Noturnas e tipo, ser do mal? – Dennis revirou os olhos.
- Bom, eu não
vou mentir. Gostei de ter saído, na época meus pensamentos estavam confusos e
eu me sentia só. E eles, me faziam se
sentir importante e especial, eles me respeitavam e me acolheram no grupo, como
se eu fosse da família deles. – Carolina falou:
- Nós sentimos
muito, por termos lhe tratado com frieza quando você estava aqui. – Anna
confirmou:
- Sentimos
mesmo! – Disse ela olhando para todos. – Aquela história toda sobre um “novo
líder”, foi uma péssima ideia. – Pedrinho perguntou:
- Mas se você
gostava tanto deles? Porque deixou o pessoal?
- É eles
realmente me faziam feliz, a Priscilla me fazia se sentir como um rei, mas não
era como vocês. No fundo eu podia sentir que era falsidade, até porque quando
decidi deixa-los, descobri que eles só estavam me usando. Na verdade eles só
tiraram proveito das minhas habilidades para recrutar mutantes e quando a
Priscilla viu que ela não podia mais me influenciar... Tentou me matar.
- Dennis – Falou
Alice. – A Anna, contou pra gente que antes de você ir para o Refugio dos
Lobos, você estava se comportando de um jeito estranho.
- Como assim? –
Carolina respondeu:
- Ela dizia que
você andava meio distraído e alucinado. – Pedrinho confirmou:
- É, com a
cabeça nas nuvens e não era só isso, ela disse que você estava tipo, bipolar. –
Anna falou:
- Foi, mas oque
eu mais queria saber era que, ás vezes quando agente falava com você, você
falava sobre si mesmo. Como se... Como se você, não fosse mais você. Pode
explicar isso pra gente? – Ele olhou para o lado, escondendo seu rosto.
- Bom, é... –
Dennis pensou por um minuto, escolhendo as palavras certas – Vocês sabem,
quando agente tem que tomar uma decisão e a nossa consciência surge? Aquelas
vozes na nossa cabeça nos dizendo, oque é certo e errado? – Alice Perguntou:
- Tipo o anjinho
e o diabinho, que se sentam nos nossos ombros?
- Que nem nos
desenhos animados! – Sugeriu Pedrinho.
- É isso mesmo!
– Falou Dennis. – No meu caso, eu deixei de ouvir a voz do anjinho e deixei o diabinho tomar
as decisões. Eu segui um conselho da Priscilla, ela tinha me dito que se eu
fosse malvado e impiedoso com as pessoas eu seria temido e respeitado,
francamente foi até bom, mas não por muito tempo. E eu sei que pode parecer
loucura, porque é claro que é, mas eu sentia como se uma coisa... Como se uma,
outra pessoa se apoderasse de min, com personalidade e pensamentos próprios.
Como se fosse um piloto-automático do mau. – E então Dennis contou a todos,
sobre tudo que ele passou antes de se tornar um membro de o Refugio dos Lobos.
Pedrinho falou:
- Isso é...
Sinistro. – Dennis começou a rir do nada.
- Sinistro é
pouco! Você não sabe o quanto eu ficava assustado, mas a questão, é que eu fui
burro em seguir o conselho da Priscilla. Fui burro em deixar vocês... Eu não
mereço ser parte dos Feras Noturnas – Anna relutante falou:
- Mas você se
arrependeu e se voltou contra o seu próprio bando, sacrificando até a sua vida,
só pra nos salvar. Não importa se você não quer
Dennis, nós queremos que você
fique. – Dennis olhou para Alice, Pedrinho e Carolina que confirmavam oque Anna
dizia.
- E então que
dizer, que vocês querem que eu ainda seja líder... Mesmo sabendo que eu tenha
traído vocês e tudo mais?
- Sabe Dennis? –
Dizia Alice. – Antes, eu detestava o Pedrinho e a Carolina, ainda não gosto
muito deles, mas depois que eu te conheci. Fiquei um pouco mais, paciente e
percebi que, até que eles são bem legais.
- É mesmo. –
Concordou Pedrinho. – E antes de eu te conhecer Dennis, eu pensava que a Anna,
nunca iria reparar em min, mas agora ela me chama até pelo meu apelido
carinhoso. Pedrinho! – Anna não resistiu e começou a rir.
- Eu te conheci
desde que eu nasci né Dennis? – Dizia Anna. – Mas depois que você voltou a
frequentar minha casa, minha vida se tornou uma aventura! – E então todos
olharam, para Carolina esperando que ela dissesse alguma coisa.
- E d-d-depois
que eu te conheci... – Carolina olhou
para Anna, que lhe lançava um olhar encorajador como se dissesse: “Vai lá, você consegue!”. Carolina
limpou a garganta e falou um pouco mais calma.
- Depois que eu
te conheci... Minha vida ficou mais feliz. – O rosto de Carolina ficou
vermelho, mas Dennis não notou isso.
- Puxa. – Disse
ele. - É sério?
- Tá vendo
Dennis? – Perguntou Anna. – Graças a você, nós estamos unidos e viramos uma
equipe. Se não fosse por você, não
existiria Feras Noturnas. – Alice concordou:
- É, se não
fosse por você, nós não teríamos nos tornado mutantes. – Dennis sorriu sem
jeito e Anna, voltou a lhe perguntar:
- E então, vai
voltar a ser o Garoto-Morcego ou você é superior demais pra andar com agente? –
Dennis riu.
- Talvez eu seja
muito superior, ontem foi meu aniversário.
- O que? – Todos
perguntaram ao mesmo tempo.
- Quantos anos?
– Perguntou Pedrinho
- Quatorze. –
Respondeu Dennis.
- Mas e os seus
pais? – Perguntou Anna.
- Pois é, eles
me ligaram varias vezes dizendo que queriam me buscar, mas eu consegui
convencer a eles dizendo, que iria comemorar aqui e já que eles vivem
trabalhando e viajando. Eles aceitaram. – Alice saltou da cama.
- Ah! Então oque
estamos fazendo parados aqui? Temos uma festa pra fazer! Anna as reformas na
lanchonete já acabaram?
- Mas tem uma
coisa. – Disse Dennis. - Vão me buscar hoje anoite.
- Bom, então
vamos logo com essa festa! – Disse Pedrinho.
- Tá legal –
Falou Dennis -, mas antes, preciso dar um jeito no meu uniforme de
Garoto-Morcego, agora que eu tenho azas não posso mais usar minha jaqueta de
couro.
- Tudo bem, pode
deixar que, eu dou um jeito no seu figurino e também no seu visual, por que...
Desculpa gato, mas você está precisando.
- Alice! –
Murmurou Anna.
- Não ela tem
razão. – Concordou Dennis. - Não quero me olhar no espelho e se lembrar do
Dennis, o encrenqueiro, mas também não quero voltar a ser o Dennis certinho e
ingênuo. – Alice gritou:
- Ai, eu A-DORO
esse garoto! – Anna falou:
- Agora vamos,
porque o tempo voa.
Alice, Anna, Carolina Pedrinho se levantaram
da cama e saíram do quarto. Logo depois, Dennis se levantou e viu o espelho, na
penteadeira. Dennis foi até de ante do espelho e acenou para ele, que seguiu
seus movimentos, como sempre fazia, deixando a Dennis aliviado.
Depois de pronto, quando Dennis estava
descendo a escada, na sala ele estar, ele percebeu que a TV estava ligada e
seus amigos assistiam atentamente a um noticiário. Era o governador do estado
do Ceará, anunciando que o estado, e todo o país estavam livres da ameaça dos
mutantes. Pois 50% das crianças e adolescentes vítimas de desaparecimento e
mutação genética, que foram “recuperadas” estavam sendo mantidas nos melhores
hospitais do país, em tratamento e o restante dos jovens apreendidos pelos soldados
do GATE estão 100% curados da mutação genética e já poderiam ser levados de
volta para suas cidades e suas famílias, porém ainda há alguns que permanecem
desaparecidos, como Isadora Barbosa e Mateus Aguiar. E de última hora, o
governador fez um agradecimento pela ajuda dos Feras Noturnas, que se tornaram
o maior assunto nos jornais em todo o país.
- Mas isso não é
demais? – Disse Anna. – Não imagino a alegria daquelas crianças, em voltarem
para suas famílias. Você fez um ótimo trabalho Carolina. – Pedrinho falou:
- Pode ser Anna,
mas a metade deles, ainda permanece com as mutações. – Alice concordou.
- E os humanos,
vão levar anos para encontrarem uma cura. – Dennis falou:
- Vamos
conseguir liberta-los... Não sei quando, ou como, mas vamos conseguir.
- Ainda tem
muitos arquivos, deixados pelo primo da Alice no Laboratório Noturno, que eu
ainda não olhei. – Dizia Carolina. – A fórmula do purificador de genes, deve
estar por lá, em algum lugar. – Dennis disse:
- Que bom, mas e
enquanto a Isadora e o Mateus? Não os vi em lugar algum na ponte. Alguém os
viu, por lá? – Anna forjou uma tosse.
- Quanto ao
Mateus eu não sei – Dizia Alice. – Mas, já a Isadora. Tenho certeza que ela não
vai voltar. Não é mesmo Anna? – Dennis perguntou:
- O que, como
assim? – Sem graça, Anna respondeu.
- Explico, mais
tarde. – E então, o gato Xandre, veio correndo da cozinha com um pedaço de
bife, em sua boca. Uma colher de madeira passou voando pela sala, atravessando
a janela e então Dona Tereza surgiu enfurecida.
- Xandre, sua
bola de pelos imprestável... Eu te pego GATO! – Até que ela notou que Dennis,
Alice, Pedrinho, Carolina e Anna, pasmados. Tereza abriu um afetivo sorriso e
disse:
- Ah, olá
crianças! Viram o Xandre por ai?
Ao cair da noite, Alice, Anna, Carolina e
Pedrinho organizaram a festa de aniversário de 14 anos de Dennis, na
lanchonete, que estava bem cheia com sues amigos do bairro, que foram
convidados. Quando Anna pediu a sua mãe, permissão para dar uma festa, não quis
questionar quando soube que era uma festa para Dennis, oque Anna achou uma
coisa muito bacana da parte da mãe, ou ruim, pois ela ainda continuava a
ignorar Dennis. A lanchonete estava completamente reformada, as paredes
pintadas e a cozinha restaurada, mas a decoração tema ainda não estava definida.
Anna incentivava muito Carolina a falar com
Dennis, já que era a última noite dele no bairro, oque estava deixando Carolina
apavorada. Ela estava quase, começando a se arrepender de ter dito a Anna, que
amava seu primo.
- Anna, por
favor! – Reclamou Carolina. – Porque você que tanto que eu fale, com ele? Não
vai mudar coisa alguma!
- Carolina! –
Insistiu Anna, empurrando ela para a festa. – Ele já está indo embora, faça
pelo menos um elogio. A Alice ficou a tarde inteira com ele, trabalhando no
visual dele.
- Espero que
tenha ficado feio o suficiente, pra min não gostar mais dele! E então, Alice
subiu no palco e chamou a atenção dos outros na festa, falando no microfone.
- Gente, gente,
atenção! Esse troço tá ligado? Ah tá sim. Agora pessoal, atenção, finalmente o
aniversariante chegou, ele acabou de passar por uma transformação minha, então
se alguém gostar, me curta no facebook, ou me siga no twitter, estou vinte e
quatro ho... – Alice foi interrompida, por um sussurro de alguém no alto da
escada.
- Alice anda
logo!
- Ah, sim, sim,
gente agora eu quero que vocês cantem parabéns bem alto e bem bonito para o
Dennis! – E então Dennis desceu a escada e Alice todos na festa começou a
cantar, a canção de aniversário para ele.
Quando Carolina o viu, teve vontade de
atropelar a multidão a sua frente e correr até Dennis, só para vê-lo de perto.
Para ela, Dennis estava simplesmente deslumbrante, além de seus tênis, calça
jeans e uma camiseta gola V, havia alago de diferente em seu rosto. Seus olhos
castanhos claros brilhavam, de um jeito como nunca vira antes e não havia
cabelo caindo em sua testa, ou sobre suas orelhas. Seus cabelos negros estavam
bem mais curtos e arrepiados e Carolina não pode deixar de adorar tudo aquilo.
Dennis foi até uma mesa, onde havia seu bolo
de aniversário, que seus amigos prepararam para ele. Quando Anna, Alice,
Carolina e Pedrinho o fizeram, o confeitaram com todo tipo de coisa, doces,
caldas de chocolate e morango, leite condensado, biscoitos, frutas e até mesmo
açúcar. Sem duvida era o bolo mais esquisito do mundo. Em cima dele havia uma
vela acesa com o formato do número 14, Dennis fez um pedido, assoprou a vela e
todos comemoraram. Algumas horas depois, na festa, Alice estava cantando uma
canção no palco, enquanto isso Dona Tereza estava tentando levar escondido um
enorme, pedaço de bolo, que havia pegado do bolo de Dennis e estava indo para o
andar de cima, mas sua filha a viu.
- Mãe, a senhora
já vai? – Perguntou Anna. Tereza se virou sorrindo e jogou a fatia de bolo para
trás, que quando caiu no chão, uma garota pisou em cima e escorregou, porém
Anna nem percebeu.
- Já querida. –
Respondeu Tereza - Estou tão cansada! Mas olhe, as 10hs eu quero que essa
criançada toda, tenha ido embora e você e seus amiguinhos tenham limpado e arrumado
tudo. – Anna assentiu.
- Sim senhora.
- Eu achei uma
pena que os pais do Davi tenham vindo buscar ele antes, dessa festa magnifica,
que você fez! – Anna riu.
- Obrigada. E
mãe, o nome dele era David.
- Que seja. Eu
vou dar uma... Olhada por ali. Acho que alguém roubou uma fatia do bolo.
Enquanto isso Carolina observava Dennis,
conversando com umas garotas do bairro, isso a deixou morrendo de ciúmes. E
então alguém tocou Carolina no ombro, o que a fez saltar de susto.
- Ah! – Carolina
Berrou.
- Que é isso
menina! – Gritou Alice.
- Ah, Alice é
você. – Disse Carolina com a respiração ofegante.
- Não! É a tua
avó que tá aqui... - E então Alice viu Dennis na outra mesa cercado de garotas.
– Espera aí, você estava olhando o Dennis?
- Alice, me
desculpe, mas a noite tá ótima e eu não estou afim de...
- Não, espera.
Eu só... Queria te pedir... – Carolina estranhou o fato de Alice estar lhe
pedindo algo.
- O que você
quer? – Com uma expressão seria nos olhos Alice, respondeu:
- Eu queria te
pedir desculpas.
- Pelo quê?
- Por ter zoado
com a sua cara, porque você gosta do Dennis, me desculpa.
Carolina não conseguia acreditar que a
orgulhosa da Alice estava lhe pedindo desculpas, mas mesmo depois de prometer a
si mesma que não iria perdoá-la, Carolina falou:
- Tudo bem
Alice, eu te perdoo, na verdade eu é
que queria te pedir desculpas, por ter gritado todas aquelas coisas com você,
naquele dia, eu não devia ter feito aquilo. – Alice sorriu.
- Que pena,
porque agente bem que podia discutir mais vezes. Você tem jeito menina! –
Carolina se espantou.
- Verdade?
- É! Ah e sobre
aquilo que eu falei, sobre o Dennis ser meu, esquece.
- É mesmo?
Porque você sempre foi afim dele, vivia dizendo que gostava dele, que achava
ele um gato e entre outras.
- Ah, minha
queridinha! Se tem uma coisa, que eu aprendi sozinha nessa vida é que as
pessoas gostam de elogios. E não, eu nunca gostei do Dennis, quer dizer, ele é
gatíssimo sim, mas ele não é pra min.
- Porque não?
- Por que ele é
todo certinho, santinho... Se bem que ele demostrou, ser um garoto bem perigoso
nesses últimos dias, mas ele sempre teve mais haver com você. – Os olhos de
Carolina brilharam.
- É sério?
- Um hum!
- Olha Alice...
Eu não consigo dizer o quanto eu fico feliz com essas coisas que você está me
dizendo.
- É, eu também
não consigo acreditar no que eu estou dizendo. A Anna andou conversando
bastante comigo, sobre o meu jeito de ser, ela disse que eu tenho que ter
mais... Como é mesmo a palavra? Humidade.
- Você quis
dizer, humildade. – Sugeriu Carolina.
- É isso mesmo.
Lá na ponte, quando você invocou aquela onda gigante, você podia simplesmente
ter deixado aquela água molhar o meu cabelo e... Destruir a minha chapinha, mas
você me protegeu. Obrigada.
Carolina abriu os braços para abraçar Alice,
mas ela a interrompeu colocando a mãe na frente de Carolina, como uma guarda de
transito.
- Opa, opa, opa!
Isso não significa que nós viramos amigas, pirralha. – Carolina revirou os
olhos.
- Cala a boca e
me dá logo um abraço? – Alice olhou para os dois lados, nervosa e disse:
- Ai, tá bom! –
Alice e Carolina se abraçaram. Até que Alice a largou tentando controlar a
respiração.
- Ai, tá bom,
chega. Não quero borrar a minha maquiagem.
- Obrigada
também por não ter contado para o Dennis, que eu gosto dele e... – Carolina deu
uma risadinha. - E por ter feito o Dennis ficar mais bonito do que ele já é! –
As duas começaram a rir.
- Ai, admita:
Ele tá um gato, não tá não?
- Sim. –
Carolina respondeu rindo.
- Ele tá! Eu
sei. Eu sou demais! – Vindo em direção as duas, Anna falou:
- Oh! Eu nunca
pensei que estaria viva, para ver isso! Fizeram as pazes? – Alice e Carolina se
entreolharam e responderam juntas:
- Sim. – Antes
que Anna, perguntasse mais alguma coisa, Dennis e Pedrinho se aproximaram.
Dennis falou:
- Oi garotas! –
Pedrinho disse:
- Anna, meu
amor! – Anna e Alice trocaram olhares, como se tivessem uma conversa
telepática.
- Ahm, então
gente – Dizia Alice – Vamos, escolher algumas músicas? Hora de colocar o povo
pra dançar! Eu e a Anna vamos, Carolina você fica aí com o Dennis, tá certo? –
Carolina gaguejou:
- Ahm... Eu... –
Anna falou.
- Pedrinho você
vem também.
- Claro. Claro.
Eu vou pra onde você quiser meu anjo! – Anna agarrou o braço de Pedrinho e o
arrastou, deixando Dennis e Carolina a sós.
- Então... –
Disse Dennis.
- O quê, o que
foi?
- Nada! – Dennis
sorriu. – Só queria saber se você tá gostando da festa.
- Sim, eu... –
Antes que Carolina terminasse de falar, uma música lenta e romântica começou a
tocar. E então todos os adolescentes começaram a dançar em pares.
- Aceita uma
dança? – Perguntou Dennis. Carolina imaginou Anna, Pedrinho e Alice observando
ela em algum lugar na festa.
- Claro. –
Respondeu ela. Dennis pegou na mão de Carolina que recuou assustada. Dennis
franziu a testa.
- Tá tudo bem?
- Sim, sim. –
Carolina respirou. – Dennis tem uma coisa que eu queria perguntar pra você há
dias. – O rosto de Dennis ficou sério e Carolina, instantaneamente se
arrependeu por isso.
- Pode
perguntar. – Disse ele.
- Há alguns dias
atrás, tentei tirar o Xandre de uma arvore e acabei caindo do parapeito, no meu
quintal e você me salvou... Por quê? – O olhar de Dennis foi para longe.
- Eu... Eu, não
sei. – Dennis a olhou nos olhos. – Achei que você merecia, afinal eu não tinha
motivo algum pra você ser minha inimiga.
- Bem, obrigada.
- Não, que é
isso? Obrigado quem diz sou eu, você salvou a minha vida lá na ponte. –
Carolina ficou vermelha, mas com o jogo de luz, Dennis não pode notar.
- Não foi nada!
E tecnicamente eu não salvei a sua vida, por que você estava...
- Enfim, estamos
quites agora.
Carolina queria ter dito alguma coisa, mas por
um instante desaprendeu a falar. E então Dennis a largou e beijou Carolina na
bochecha e então Carolina fez algo que o surpreendeu. Ela desmaiou.
Todos na festa pararam de dançar e olharam
para os dois boquiabertos.
- Eu não fiz
nada! – Disse Dennis. – Eu juro.
E então, Anna, Pedrinho e Carolina surgiram
para socorrer Carolina e todos em volta se aproximaram.
Um instante depois, Dennis recebeu uma
mensagem em seu celular. Era uma mensagem de sua mãe que dizia para ele olhar
para rua. E viu Dennis, estacionado em frente à lanchonete, o carro de seu pai,
com a sua mãe no banco de passageiro. Quando todos os convidados foram
informados de que o aniversariante teria que ir embora, todos ficaram tristes.
Porém o desanimo durou apenas, cinco segundos.
Do lado de fora, Dona Tereza comprimento sua
irmã, Maria, mãe de Dennis. Os pais de Dennis, como sempre, estavam com pressa,
por tanto incentivaram o filho a se despedir logo.
- Eu volto o
mais rápido do que imaginam. – Prometeu Dennis.
- Espero que
sim! – Murmurou Alice.
- Tá tudo bem
Dennis – Disse Anna -, além da Isadora e do Mateus, ainda tem alguns jovens que
ainda não foram encontrados, então, vamos ficar bem ocupados.
- Também vou me
ocupar. – Respondeu Dennis - Enquanto eu recrutava com o Refugio dos Lobos,
pessoas no nordeste estavam começando a desaparecer, mas não era obra da gente. – Pedrinho perguntou:
- Então quem, ou
o que você acha que poderia ser?
- Eu não sei,
mas vou tentar descobrir. Ah, Pedrinho? – Dennis procurou algo em sua mochila e
quando, encontrou ofereceu algo a Pedrinho, que lhe trouce más lembranças. Seu
velho yoyo verde e vermelho, com a linha substituída por cabo de aço.
- Pra você.
- Ah, seu yoyo
de linha de aço! – Pedrinho se lembrou do quanto teve medo, quando usou aquilo.
– Valeu.
- É que, como eu
tenho asas agora, não tem mais porque eu usar, então é seu. – Dennis sorriu. -
Você é meu melhor amigo... Se bem que é o único que eu tenho.
Depois que ele se despediu de todos os seus
amigos e da prima, ele pediu perdão a Tereza.
- Tia, me
desculpa se eu lhe tratei de forma mal educada, ou se eu fiz algo que lhe ofendeu
no tempo em que estive aqui. Eu amo a senhora e queria muito lhe agradecer, por
deixar, eu ficar aqui nas férias. – Maria se emocionou:
- Oh! Meu
garotinho! – Francisco, pai de Dennis murmurou:
- Ahm, ô Dennis?
Estamos com pressa aqui. – Dona Tereza abraçou Dennis, fingindo ser carinhosa e
falou bem alto para que seus pais pudessem ouvir.
- Oh Dennis, não
tem nada que se desculpa! – Então ela sussurrou com sua voz natural. – Vai embora e vê se fica por lá, moleque.
Pelo amor de Deus! – Dona Tereza voltou a ser carinhosa.
- Tchau meu
querido, vá com Deus e volte sempre! - Dennis abriu a porta de trás e entrou.
Seus amigos se despediram mais uma vez, mas Carolina precisava vê-lo pela
última vez.
- Ô Dennis? –
Gritou ela. Ele baixou o vidro da janela e olhou.
- Oque foi?
- Vou sentir
saudades. – Dennis sorriu e acenou para Carolina, que não pode deixar de sorrir
de volta.
Francisco os retirou de lá o mais de pressa
possível. Maria voltou-se para seu filho e perguntou:
- Dennis, você
tá lindo com esse corte de cabelo. – Seu pai perguntou:
- Tiveram muitos
assaltos, assassinatos, muita confusão?
- Não. Tudo
tranquilo.
- E então, como
foram as férias na casa da prima? Quando liguei pra você, você não me parecia
muito bem. O que você tinha?
- Eu só não
estava muito bem, mas agora estou ótimo. As férias foram muito boas, mas... Não
aproveitei muito.
- Porque não? –
Perguntou sua mãe. – Ah, sei. Essa história de mutantes atacando cidades. Que
coisa horrível, já pensou! ? – Francisco falou:
- Se agente não
estivesse trabalhando, teríamos te levado pra casa! – Maria falou:
- Mas a casa da
minha irmã, era o lugar mais seguro pra ele. – Dennis se colocou entre os
bancos de seu pai e sua mãe.
- Mas eu posso
voltar nas próximas férias, não posso? – Seu pai confirmou e sua mãe também.
- Claro Dennis!
– Em silencio Dennis comemorou, ele encostou a cabeça no banco do carro e olhou
para os grandes prédios de Fortaleza e adormeceu imaginando a próxima vez que
veria de novo seus amigos Feras Noturnas.
Continua...
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