As Cinco Crianças
Era uma
linda manhã de sol, do primeiro dia do mês de Julho, na cidade de Fortaleza. No
bairro Aldeota, em um dos andares de um enorme prédio em um apartamento,
morava um menino chamado Dennis, um garoto de 13 anos, pele branca, olhos
castanhos claros, cabelo liso e preto. Sua mãe o acordou lembrando-lhe que sua
prima estava esperando, Dennis se levantou muito empolgado, pois ele iria
passar as férias na casa de sua prima Anna Beatriz, na qual ele não via desde
os 7 anos de idade. Ele pôs em sua mochila todos os seus conjuntos de roupas e
calçados favoritos.
Dennis também levou seu desenho, o qual queria
dar de presente para seus amigos, mas para ele o desenho tinha um significado pessoal, o desenho era um morcego, a lendária ave
fênix, um porco-espinho branco, uma pantera cor-de-rosa e um golfinho azul,
todos no mesmo papel, ele o arrancou de seu caderno de desenhos, dobrou e
colocou no seu bouço. Também levou sua caixa de bugigangas, onde ele acreditava poder tirar algo de útil em momentos de necessidades. Como por exemplo, um tubo de caneta vazio e um elástico, inútil, mas em um momento apropriado, um excelente lança flechas.
Francisco, o pai de Dennis foi deixa-lo, de
carro, na casa de sua prima. Não foi uma viagem muito demorada pelas ruas de
Fortaleza. Ao perceber, Dennis já estava na Barra do Ceará. Olhando para o
alto, não se via mais prédios e sim pequenas casas, simples e humildes, crianças de todas as idades brincando nas ruas, vizinhos conversando uns com os
outros nas calçadas e músicas de todos os gêneros vinha de todas as direções. A pobreza
naquele bairro era óbvia, mas a felicidade naquele lugar era contagiante. Dennis teve
até dúvida se o local era aquele mesmo, pois estava muito diferente, a casa dela
havia se transformado em uma lanchonete, com uma decoração tema de um casino,
com muitas palmeiras na frente.
Mas teve certeza depois que viu a Tia, e a
Prima dele, esperando na calçada. O Pai de Dennis sempre animador gritou:
-
Chegamos!
-
Essa casa mudou muito. – Dennis comentou depois de ler o letreiro enorme
escrito Lanchonete Srta. Tereza. Era como a tia de Dennis se chamava.
-
É, só pode ser aqui. – Ele confirmou.
A mãe de Anna, na calçada, toda carinhosa
falou:
-
Até que enfim vocês chegaram, Anna e eu estávamos morrendo de saudades do
Dennis! Faz tanto tempo, que não visita, minha casa. Por favor, entrem. Mas e
você Francisco, como você está? Quer entrar e tomar um café?
Francisco,
o pai de Dennis sem um pouco de entusiasmo para conversar, ignorou o convite e
falou:
-
Pois bem eu tenho que ir, qualquer coisa me liga Dennis! Tchau.
E ele acelerou o carro, cantando os pneus,
passou por cima de uma possa de lama molhando Tereza da cabeça aos pés, assim
que o pai de Dennis sumiu de vista, Tereza mudou a expressão, se tornando
demoníaca e falou:
-
Ô moleque? Se tá achando que vai ficar de moleza aqui, tá muito enganado! Agora
vai logo guarda suas coisa lá encima e vá se lavar pra almoçar.
E saiu Tereza resmungando. A lanchonete ainda
não estava aberta naquele horário e então Anna chamou Dennis, para sentar em
uma das mesas, para conversarem um pouco. Dennis falou:
-
A sua mãe é muito simpática não é? – Anna percebeu o sorriso sarcástico no
rosto de Dennis e respondeu:
-
Logo ela se acostuma com você. – Dennis jogou a mochila pesada na mesa e
perguntou:
-
Anna, qual é a da lanchonete?
-
É que a minha mãe estava desempregada e então ela encontrou um emprego que
envolvesse toda a família, mas infelizmente, nós abrimos a lanchonete há alguns
meses e já estamos falindo. As pessoas nem estão vindo mais para jogar pôquer,
baralho e nem mesmo nas maquinas caça niques!
-
Então vocês vão fechar? – Anna respondeu numa risada.
-
Claro que não! Por isso a minha mãe teve a “ideia” de mandar construírem aquele
palco ali, e fazer algum evento para atrair fregueses.
-
Legal! Mas qual vai ser esse evento?
-
Ainda não sabemos. Talvez um show de humor ou chamar algum cantor. – Respondeu
Anna.
Antes que você fique meio confuso com A
Fantástica Casa da Anna. A casa dela é um triplex, uma casa de três andares. O
primeiro andar, que é o térreo, era todo usado para a lanchonete, exceto o
quintal, já do segundo pra cima era a residencial: Sala, cozinha, banheiros. No
ultimo andar: Quartos e uma varanda.
-
Dennis, lembra-se dos amigos que eu te apresentei no e-mail? - Perguntou Anna.
-
Que amigos? – Sorriso sarcástico mais uma vez no rosto de Dennis.
-
Como assim “que amigos?”.
-
Pelo que eu sei, você não tem nenhum! – Anna ficou séria, mas logo depois, os
dois começaram a rir.
-
Não se lembra da Alice, da Carolina e do Pedrinho? Queria te apresentar,
pessoalmente eles.
-
Lembro! - Respondeu Dennis - Lembro sim, mas onde eles estão?
-
Devem estar na casa da Alice, ensaiando para o número musical.
-
Como? – Perguntou Dennis.
-
É que a Alice quer porque quer cantar uma música internacional aqui na
lanchonete, e tá obrigando a Carolina e o Pedrinho a serem os back-vocal dela.
-
Então ela vai cantar?
-
Não, mas ela não para de insistir pra minha mãe!
-
Eu sempre achei que as músicas típicas de uma favela fosse o funk e o reage. –
Anna fechou a cara e respiro fundo.
-
Em 1° lugar, A Barra do Ceará, não esta mais sendo considerada uma favela e sim
um dos melhores bairros da cidade e em 2°, e daí se algum nordestino goste de
música internacional?
-
Nada! só estava pensando alto. – disse Dennis – Agora Anna, vamos lá, na casa
da Alice? Porque se agente for parar pra colocar as conversas, em dias, as
férias vão se acabar logo! - Anna riu e falou:
-
Tem razão, vamos!
Anna, a prima de Dennis, era uma bela garota,
de 12 anos de idade, Anna era a melhor amiga de Alice e de Carolina, no caso de
Pedrinho, Anna tentava ter uma amizade normal, com ele depois que recusou
vários pedidos de namoro, feito por ele.
Enquanto Dennis e Anna estavam, quase chegando
da casa de Alice, que fica na mesma rua de Anna. Assim como Pedro e Caroline.
Ao chegarem na calçada de Alice, Dennis logo percebeu que a casa da Anna não
era a única a ser usada para negócios. Onde Alice morava, era uma construção de
quatro andares, onde seus pais vendiam casas de aluguel.
Antes que Anna e Dennis entrassem, Alice
estava no meio de uma canção, pop bem agitada e Carolina e Pedro estavam
cantando como back-vocal, a musica era"Sticky Dough" de uma cantora
brasileira chamada Wanessa, que havia gravado um CD em idioma inglês. Alice
parou a música e falou cheia de arrogância:
-
Será que da pra fazerem direito? Isso aqui é sério!
E
esta é Alice, uma bela garota, de 12 anos, porém muito metida, ela tinha olhos
verdes, cabelo liso e castanho, mas seu cabelo estava sempre mudando, assim
como uma diva pop, naquele dia estava
com duas mechas, loiras cacheadas dividindo ao meio o cabelo.
-
Mas nós fizemos certo! – respondeu Carolina.
-
Não fizeram não, vocês nunca fazem e eu já estou cansada de aguentar vocês! –
Pedro disse:
-
Por que você não para de ficar dando ordens? Você ao menos nem sabe se vai
cantar na lanchonete da Anna. – Alice respirou funda e falou com um pouco mais
calma.
-
Pois fique você sabendo, que quando um produtor musical, me descobrir e... E eu
ficar mundialmente famosa, não venha correndo atrás de min pedindo um
autografo! Vamos começar mais uma vez do início!
Quando
Alice reiniciou o playback no aparelho de som, Anna entrou no quarto de Alice
devagar lhe chamando numa vos suave.
-
Aliceeeeeee? – Assim que Pedro vil Anna, correu em direção a ela e lhe abraçou
bem forte, dizendo:
-
Anna meu amor, você veio me ver!
-
Pedrinho, me solta e não me chame de meu amor, quantas vezes eu tenho que te
dizer que vamos ser só amigos?
-
Até você mudar de ideia.
-
Então espere sentado porque vai demorar! – disse Anna enquanto removia os
braços gordinhos de Pedro em volta dela.
-
Ah então você promete que, um dia, você vai mudar de ideia? – Alice que já
estava cansada de esperar, falou:
-
O que você quer Anna estou ocupada? – Anna respondeu.
-
Não se preocupe vai ser bem rapidinho, eu só vim avisar que o meu primo – E ela
puxou Dennis para dentro do quarto. – Vai passar as férias na minha casa.
Quando
Carolina viu Dennis ficou encantada por ele. Anna disse:
-
Dennis esse aqui, é o Pedrinho. - Pedrinho o cumprimentou dizendo:
-
E aí cara, toca aê. - Anna continuou:
-
Aquela é Carolina. - Dennis apertou a mão de Carolina e disse:
-
Oi Carolina. - E de repente Carolina, desaprendeu a falar e começou a gaguejar.
-
A-a-ah... é... Olá! - Carolina sorriu pra disfarçar.
-
E essa aqui - Dizia Anna -, é a minha melhor amiga, Alice.
Alice
deu um grito de entusiasmo, que assustou a Dennis.
-
Olá Dennis! – Alice se virou para Anna e sussurrou: - Ele mais gato do que eu
pensava! – Carolina ficou meio irritada, mas nada disse.
Depois
se voltou para Dennis e continuou a falar:
-
Eu estava precisando de alguém como você, quer ser meu back vocal? Eu vou ser
cantora sabe... – Dennis a interrompeu.
-
Mas o meu talento não é bem cantar.
-
Então qual é? Ah, não importa! Alguém tão bonito como você, tem que estar no
palco, comigo.
-
Bem, o que eu sei fazer de melhor é desenhar. – Dennis respondeu envergonhado.
-
Então é isso! – Anna teve uma ideia.
-
O que foi Anna? – perguntou Alice aborrecida.
-
Já que a maioria de nós não é favor do evento musical, por que não vamos fazer
uma galeria de artes?
-
Galeria de artes? Como assim mulher?
-
Vamos fazer esculturas de materiais recicláveis. O Dennis sabe desenhar. Aí
agente faz uma exposição no restaurante. – Carolina concordou.
-
Ah! Eu topo até porque, é trabalho super-ecológico e agente também pode fazer
cartazes sobre a preservação do meio-ambiente. – Pedro também concordou.
-
Podem contar comigo! – Alice perguntou:
-
Anna vem cá, essa é minha chance de mostrar pras pessoas o meu potencial. Por
quê você acha que eu vou concordar com isso? - Anna fez um sorrisinho.
-
Porque você é a minha melhor amiga? – Alice murmurou:
-
Lá se vai a minha chance de ser famosa!
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