O Hospede
Só para você entender, havia se passado uma
semana, desde a noite em que Dennis, com a mente enlouquecida, tentara matar
sua prima Anna e seus amigos. Também havia passado uma semana, desde a noite em
que Anna, Alice, Pedrinho e Carolina conheceram David. O viajante do tempo, que
veio em uma missão para deter Dennis, pois segundo David, em um futuro
distante, Dennis iria se tornar uma ameaça à população humana, liderando uma
invasão de mutantes que dominou o mundo. Então desde a sua chegada, como já
havia dito antes, o agente Dente de Sabre, submetera os Feras Noturnas, a
treinamentos diários, com seus dispositivos de simulação. E por ser parte, do
segredo dos Feras Noturnas, David vivia escondido dentro da casa.
- Pessoal,
preciso da ajuda de vocês. – Disse Anna, ainda com seus amigos no quintal.
- Farei o máximo
possível para te ajudar, amor! – Falou Pedrinho.
- David, não é
nada contra você. – Dizia Anna. – É que tá sendo difícil, esconder um homem
adulto, dentro de casa. Minha mãe pode flagrar você, a qualquer momento!
- Não precisa se
preocupar comigo, Anna, eu estou bem. – Disse David.
- Infelizmente,
preciso me preocupar sim. Se a minha mãe ou o meu irmão, pegam você, aqui
dentro de casa com agente, Deus sabe o que pode acontecer com você e com as
nossas identidades secretas. – Alice concordou.
- E depois, não
é certo trancar uma pessoa dentro de casa, como se fosse um animal! Deixa eu
passar uns dias com ele. – Anna lhe negou a proposta com um olhar.
- Pois é gente,
preciso da ajuda de vocês. – Continuou Anna. – Ah! E também precisamos de um
lugar para treinar, minha mãe já está começando a min encher de perguntas,
tipo: Por que as plantas dela estão
aparecendo destruídas? ou Porque o quintal está parecendo uma zona de
guerra... – Alice falou:
- Bem, sobre o
David... Ele poderia ficar lá na minha casa, o meu quarto em bem, espaçoso
sabe? – Pedrinho discordou.
- Talvez não,
meu irmão ainda não usa o próprio quarto, ele dorme no berço no quarto dos meus
pais, o David poderia ficar no quarto dele. - Carolina falou:
- Não, quero que
ele fique na minha casa! Ainda tenho muitas perguntas pra fazer pra ele, sobre
o futuro. Ele pode me ensinar tudo que eu preciso saber sobre apetrechos e
dispositivos. – Alice, Pedrinho e Carolina começaram a discutir. Anna revirou
os olhos.
- Chega! O
David, não vai a lugar algum. Só preciso de um meio, para escondê-lo melhor. –
David falou:
- Se quiserem,
eu aciono o modulo de disfarce do meu dispositivo R.N.G., assumo a forma de uma
criança e me enturmo com vocês, sem ter que ficar escondido, sempre, por aqui.
– Anna murmurou:
- David você
sabia, que podia fazer isso o tempo todo e só agora, que veio falar? – David
sorriu envergonhado e disse:
- Ahm desculpe,
é que esse é o mais novo dispositivo R.N.G. 3.0, a Carolina inventou pouco
antes, de eu partir na missão, ainda não sei usa-lo direito. – Desde que David,
viera do futuro Anna, Alice, Pedrinho e Carolina o cobriram de perguntas, mas
David não podia responder a todas, pois acreditava que poderia alterar a linha
do tempo, falar sobre coisas boas ou ruins que iriam acontecer, não era tão
seguro como imaginavam. Portanto nenhum deles se atreveu a perguntar, o que era
aquele estranho bracelete com luzes cintilantes, no pulso de David.
- Espera aí? –
Perguntou Carolina, impressionada. – Eu
inventei isso, quer dizer, eu vou
inventar isso? Que demais!
- Ahm, eu disse
isso? – David suspirou. – É, é sim.
- Bom, mas e se
o David se fingir que é um garoto, onde é que ele vai ficar? – Perguntou Alice.
- É mesmo! –
Murmurou Pedrinho.
- Ah, já sei! –
Disse Anna.
- Ele vai pra
minha casa? – Perguntou Alice.
- Não! –
Respondeu Anna. - Depois que o David, tomar a forma de um... Garoto. Eu digo
para minha mãe que ele é um primo distante, que foi mandado pra cá pela... Pela
minha vó, ai o David vai poder andar livremente por ai e ninguém vai
desconfiar, de quem ele realmente é.
- Ótimo! – Disse
David, concordando com a ideia. – Vou ativar o modulo de disfarce agora. –
David começou a apertar alguns botões em seu dispositivo R.N.G. e às vezes
passava o dedo, em seu aparelho como se fosse touch screen.
- Ahm, quantos
anos vocês tem? – Anna respondeu.
- Eu tenho 13,
por quê? – Assim, que Anna havia dito a sua idade, David voltou os olhos para
seu dispositivo R.N.G. E então o corpo dele, começou a produzir alguns flashes
de luzes azuis e começou a se transformar. A barba mal feita, em seu rosto
sumiu, seu corpo começou a encolher e seu rosto começou a rejuvenescer, se
tornando um garoto de 13 anos, deixando a todos boquiabertos. David havia se
tornado um garoto, mas ainda dava para perceber que ele era diferente, em seu
corpo jovem, ainda dava para se notar os músculos definidos, como se ele fosse
um garoto que trainara em um acampamento militar, desde os cinco anos.
- É, funcionou.
– Disse David, olhando para seu corpo. – Ops! – Disse ele, depois de segurar as
calças, que por pouco não caíram. Alice falou:
- Boa ideia
gente, mas as pessoas não vão deixar de ficar desconfiadas, se ele ficar
andando por ai com um figurino desses. Precisa de roupas novas! Alice apontou
para as roupas de David, com uma expressão de nojo. A ambição dele, de cumprir
sua missão, era tão grande que David ainda não havia percebido que ainda estava
com as mesmas roupas que usava, no dia de sua viajem no tempo. O uniforme dos
Feras Noturnas do futuro, camiseta regata vermelha, calça camuflada e botas.
- Ainda temos
guardado aqui em casa, as roupas do João, de quando ele era mais novo. Venham,
vamos trocar essa roupa. – Anna e os outros levaram David, para dentro de casa,
passaram pela lanchonete que, ainda estava destruída pelo incêndio, subiram
discretamente a escada, passando pela sala de estar e indo para o terceiro
andar, Anna e Alice procuraram nos armários algumas roupas e deram para David
se trocar no quarto de Anna. Ao observar o cabelo de Alice, Anna percebeu que
suas mechas loiras e cacheadas, que antes eram apenas duas, agora estavam por
todos os lados em sua cabeça.
- Oque aconteceu
com suas mechas da sorte - Perguntou Anna. – elas se casaram e tiveram filhos?
- Mais ou menos
isso. Resolvi multiplicar a minha sorte. Oque você achou?
- Ficou lindo. –
Pedrinho comentou
- Tá parecendo
que a sua cabelereira estava com raiva de você. - Alguns minutos depois,
Carolina bateu na porta do quarto e perguntou:
- E então David,
já terminou? – A porta do quarto se abriu e David, saiu com uma camisa
listrada, bermudas e tênis.
- Estou
parecendo uma daquelas crianças, de filmes antigos! – Disse David rindo de si
mesmo. Desde que Anna, conheceu a David percebeu que o rosto dele era familiar,
oque lhe dava toda certeza que ele era algum descendente seu ou de seus amigos,
quando ele se tornara um garoto ficou ainda mais familiar.
- Bem, agora só
preciso te dar uma mala, enrolar a minha mãe dizendo que você é um parente
nosso, torcer para que ela acredite e pra ela não reconhecer as roupas e a
mala.
- Manda haver
Anna, boa sorte com a sua encenação! – Falou Alice, sarcasticamente.
- Vai dar tudo
certo, Anna – Disse Carolina, encarando Alice. – Ela não vai reconhecer nada.
- Pois bem
gente, já é meio-dia, vocês precisam ir, lembram? Não quero que vocês levem
bronca dos pais. – Disse Anna.
- Boa sorte
amorzinho! – Falou Pedrinho, enquanto ele e Alice e Carolina, iam embora. Antes
que os três descessem a escada, David os chamou dizendo:
- Ah! Pessoal,
eu sei que vocês passaram a manhã inteira aqui, na casa da Anna, mas queria que
nós nos reuníssemos no Laboratório Noturno hoje mais tarde, ok? Até mais. –
Anna voltou-se para David e disse-lhe:
- Ok David,
agora relaxe e concorde com tudo que eu disser tá legal?
- Um hum. –
David e Anna desceram a escada, segurando uma mala e foram à cozinha, onde
João, o irmão de Anna e sua mãe estavam.
- Sabe mãe -
Dizia João, que conversava com a sua mãe, que preparava a mesa. - já que a
lanchonete vai ser reformada, precisamos inventar algo novo, para dar bastante
lucro, pra poder pagar as despesas e pagar o concerto da caixa de força, que
misteriosamente quebrou.
- Mas como assim
algo novo? – perguntou Dona Tereza.
- Ahm, a
decoração tema. Precisamos de algo bem mais chamativo do que um casino, algo
que seja produtivo.
- Algo ainda
melhor do que um casino?
- Oi mãe. –
Disse Anna, entrando na cozinha segurando a mão do menino David.
- Oi minha
filha. – Disse Dona Tereza, com os olhos em David – Quem é esse?
- Ah, esse aqui
é o David, ele é um nosso primo distante, a vovó mandou ele pra cá, ele veio lá
de... De Messejana, pra passar alguns dias aqui.
- De Messejana? – Disse Tereza incrédula. –
Oh, meu querido então venha cá, vamos almoçar, é Davi?
- David. – Disse
ele.
- Ah sim, David,
Anna depois ajude ele a levar as coisas dele lá pra cima.
- Espera aí,
essas roupas... – Dizia João olhando para as roupas de David. – Acho que já as
vi em algum lugar. – Dona Tereza o repreendeu dizendo:
- Ora, não seja
bobo João! Se bem que, eu acho que tenho uma mala igual a essa. Ah deixa pra
lá, vamos almoçar! – David olhou para Anna e sussurrou:
- Eles caíram? –
Anna sussurrou de volta, sorrindo.
- Acho que sim!
– Enquanto David e Anna andavam mais adentro na cozinha indo em direção à mesa
de jantar, um garoto vestido de preto, usando um capuz, uma espécie de uniforme
do clube gótico O Refugio dos Lobos, passou por entre Anna e David,
apressadamente os empurrando. Como Tereza não gostava de pronunciar seu nome,
fez uma torce falsa, a fim de chamar sua atenção, mas ele ignorou e foi em
direção ao aparelho de gelo-água.
- E aí Dennis? –
Disse João sorridente.
- Oi. – Disse
Dennis com a voz fria.
- Diga ''olá'',
para o nosso hospede. – Dennis se virou confuso, como se não tivesse reparado
na presença de nenhum estranho. Quando Dennis viu David, ele começou a analisar
seus olhos, David começou a ficar nervoso e passou a olhar para o chão. Dennis
se aproximou de David, estendeu-lhe a mão e abriu um sorriso.
- É um prazer
conhece-lo. – David, fez esforço para olhar Dennis, nos olhos e disse:
- Também é um
prazer conhecê-lo!
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