Um Vilão faz um Ato de Heroísmo
- Tchau Seu Mendes, tchau Dona Mendes. Fui! –
Dizia Alice saindo da casa de Carolina. Sheila curiosa perguntou:
- Conversou com
a Carolina?
- Como ela está?
– Perguntou Roberto.
- Conversei um
pouco com ela sim e a Carolina está ótima, mas não se esqueçam de levarem ela a
um shopping para comprar umas roupas, ela tá precisando! Tchauzinho. – Alice se
foi. Logo em seguida Anna desceu as escadas apressada.
- Onde está
Alice? – Perguntou Anna.
- Ela já foi. –
Falou Sheila.
- Obrigada. –
Anna foi andando apressadamente em direção à porta.
- Anna espera,
falou com Carolina? – Perguntou Sheila.
- Ahm, sim. Ela
está bem, eu fui uma ótima... Psicóloga, podem me pagar amanhã, se puderem. Até
mais. – Anna se foi.
- Pagar? – Repetiu Roberto. Quando Anna
saiu da casa de Carolina, percebeu que já havia anoitecido, ela olhou em volta
na rua e avistou Alice atravessando a rua, indo em direção a sua casa.
- Alice! –
Gritou Anna. Alice parou de andar e ficou olhando de um lado para o outro,
procurando quem havia gritado o seu nome, e então viu Anna correndo em sua
direção.
- Alice!
- O que foi
Anna? O que aconteceu? – Perguntou Alice.
- Eu é que
pergunto! – Respondeu Anna. – Porque você foi pra casa da Carolina?
- Anna, eu já
falei! Fui visitar minha amiga.
- É que, se me lembro
bem, a Carolina não é uma das suas pessoas favoritas.
- Anna isso é um
absurdo! A Carolina é especial pra min tanto quanto vocês. – Anna lançou um
olhar sério para Alice. – Tá bom, tá bom, eu fui na sua casa e o David me
contou que você estava aqui.
– Tá legal, mas
o que deu em você, por que disse aquelas coisas pra Carolina? Ela tá sofrendo!
- Eu sei.
- Como assim, eu sei? Você sabia que ela era a fim
do...?
- É claro que eu
sabia, até um sego vê isso! – Respondeu Alice sorrindo.
- E mesmo assim,
você... Espera aí, então foi esse motivo que você veio aqui? Como pôde?
- Ai Anna,
parece até que eu cometi um crime! A única coisa que eu fiz foi falar pra
Carolina de uma forma menos dolorosa, que o Dennis nunca será dela.
- Ah tá, menos dolorosa. E vem cá, você pensou em
como a Carolina se sentiria? Não, você nunca pensa em ninguém além de você
mesma!
- Como se eu me
importasse com os sentimentos daquela pirralha.
- Alice no dia
que você amar alguém, se é que isso vai acontecer, aí você vai sentir o que ela
tá passando!
- Anna por mais
que essa conversa esteja me irritando, eu não vou brigar com você. Quando isso
tudo acabar o Dennis, será meu, acredite.
- Ok, mas um
conselho. Sabe aquela sua máscara de gato preto? É melhor colocar ela, vai que
você quebra a cara? É melhor tá protegida. – Anna deu as costas e se foi.
Chegando em casa, Anna encontrou David na sala
de estar assistindo televisão, na verdade ele não estava assistindo e sim
passando os canais. Anna andou pesadamente até ele, se jogou no sofá e suspirou.
- Eu sei que é
obvio, mas aconteceu algo de ruim? – Disse David, com os olhos na TV.
- Não, nada. É
só a Alice. – Respondeu Anna.
- O que ela fez
dessa vez?
- É que ela
adora implicar com a Carolina. Queria saber o que tem na cabeça dela.
- Falando na
Carolina, você conversou com ela?
- Sim.
- E o que ela
tem?
- Não posso te
contar, posso alterar acidentalmente a linha do tempo! – David e Anna
riram.
- Isso até me
faz lembrar que eu queria te falar uma coisa. – Anna olhou para David. – Me
desculpe.
- Se acha que me
pedir desculpas, por não me falar muito sobre futuro, vai me fazer te contar,
sobre a minha conversa com a Carolina está enganado! Me desculpe, mas é que é
segredo.
- Não! Eu queria
te pedir desculpas, por hoje de manhã, no quintal eu não devia ter falado do
Dennis. Foi idiotice minha. - Dona Tereza veio da cozinha e perguntou:
- Anna viu o
Xandre por aí? – Anna respondeu.
- Não mãe, eu
acabei de chegar... – Anna juntou as sobrancelhas e se virou lentamente para
David. - Você não trouce ele?
- Sim, ele
estava lá na cozinha com a sua mãe.
- E estava
mesmo. – Confirmou Tereza. – É que eu comprei uma ração diferente pra ele. A
que eu comprava estava faltando. Ai eu queria saber se ele gosta, mas não o
encontro em lugar algum. – Anna murmurou:
- Ah! Deve ter
saído de novo. – Depois que Anna havia dito isso, David com os olhos vidrados
na TV falou:
- Anna, shhhh! –
Anna olhou para David, que imediatamente aumentava o volume. Era outro
telejornal, a manchete na parte de baixo da tela dizia:
CRIANÇAS E
ADOLESCENTES DESAPARECIDOS SOFRERAM MUTAÇÃO GENÉTICA?
O Repórter
ancora do jornal falava om um tom de voz incrédulo: “Nesta manhã de segunda-feira, mais duas cidades, foram atacada pelo
que a população chama de ‘mutantes’. Os vândalos que antes, estavam
aterrorizando a grande São Paulo, atacaram hoje a cidade de Belo Horizonte, em
Minas Gerais e em Salvador, na Bahia. Dois jovens dos vândalos foram
identificados, um é uma garota de 13 anos chamada Isadora Barbosa,” – E na
Televisão surgiu a foto de uma garota, com pele branca, olhos azuis e com os
cabelos pretos em um corte Chanel. – “ela foi identificada por uma câmera de
vigilância, durante um roubo a um banco em Belo Horizonte.” – A foto da
garota despareceu, e em seu lugar surgiu às filmagens de uma câmera, que
mostravam um bando de jovens semelhantes aos que David mostrou para Anna e os
outros no Laboratório Noturno, mas dessa vez o bando parecia ter aumentado. – “Isadora é uma dos jovens desaparecidos de
São Paulo, o que eu deixou a família e os investigadores do desaparecimento da
garota, muito surpresos. E levou os Paulistas e a todos acreditarem que as
crianças e os adolescentes desaparecidos estejam, aliados com os mutantes.
Outro jovem identificado é um garoto de 10 anos chamado Rafael Pereira,” -
Outra foto surgiu na tela, era a foto de um garotinho de pele morena, cabelos
escuros e olhos castanhos e inocentes. – “a
policia o capturou em um restaurante, em um ataque de vandalismo, na cidade de
Salvador. O garoto identificado, também é um dos jovens paulistas desaparecido.
Por estar muito agressivo e violento, quando Rafael foi capturado, ele teve que
ser sedado, mas não foi entregue a família, ele foi levado para o Laboratório
de Análise Clinica do Estado da Bahia, os exames de DNA mostraram que Rafael
possui o mesmo material genético de um leão. O garoto ainda permanece, sendo
analisado em estudos no laboratório. E os cidadãos do nordeste, devem ficar
atentos.” – Depois disso o Telejornal, foi para os comerciais.
- Meu Pai
eterno! – Disse Tereza preocupada. – Como se já não fosse o bastante esses
sequestradores, ficarem roubando crianças. Agora tem que transformar elas em
bichos também! – Tereza voltou para a cozinha. David falou:
- Os jovens que
agente viu chegarem ao acampamento do Refugio dos Lobos, eles foram trazidos de
Salvador e de Belo Horizonte!
- Se eu não
estivesse completamente chocada agora. – Dizia Anna. – Eu diria que eles estão fazendo uma turnê pelo país.
– David com ar sombrio falou:
- Não estão não.
– David olhou para Anna. - Estão vindo pra cá.
Carolina em seu quarto, já havia parado de
chorar. Estava deitada em sua cama, com os pensamentos rodopiando em sua mente.
Ela então se levantou e foi para a varanda (lugar onde ela costuma ir para
melhorar os ânimos). A varanda ficava do lado de trás e sua casa, com vista
para uma centena de outras casas. Carolina se apoiou na amurada, suspirou e
baixou a cabeça. Ela então foi surpreendida, com um som tristonho, o miado de
um gato, Carolina olhou em volta e viu pendurado em um fino galho de árvore, da
casa do vizinho a direta, um gato branco no qual, reconheceu no mesmo instante.
- Xandre? Eu não
acredito! – Sussurrou Carolina, fingindo estar furiosa. - O que você está
fazendo aí?
- Miau! – Respondeu Xandre, implorando por
socorro, que por algum motivo Carolina conseguiu compreender.
- Calma vou
tirar você daí em um minuto, só num sei como. – Xandre não estava tão longe de
Carolina, a árvore da casa de seu vizinho, era bem grande e alguns galhos,
tomavam uma pequena parte do quintal de Carolina.
Ela então planejou subir na amurada da
varanda, procurar se equilibrar ao máximo e tentar pegar Xandre. E Carolina fez
conforme seu plano, ela ficou em pé na amurada da varanda, quando olhou para
baixo percebeu que o chão do quintal havia ficado mais distante, logicamente a
sua altura tinha aumentado, por tanto a tentativa do equilíbrio se tornou a
coisa mais difícil para ela naquele momento. Carolina foi andando de lado bem
lentamente, sem tirar os pés da amurada.
- Calma Xandre.
Estou indo te salvar, não se mecha. – Dizia Carolina, tentando acalma-lo.
Chegando ao canto, da varanda, Carolina apoiou
seu corpo na parede e esticou o braço, para tentar pegar o gato. Mas ela foi
impedida por alguns centímetros. Carolina olhou para baixo mais uma vez, e um
nervosismo muito grande percorreu seu corpo, ela então fechou os olhos e
inclinou seu corpo. Quando a mão dela já estava bem próxima do galho onde
Xandre se equilibrava.
E então a mente felina de Xandre, teve uma
ideia involuntária. Ele pulou no braço de Carolina, arranhando a garota com as
suas unhas, Xandre andou até o ombro dela e saltou. Quando o gato fez impulso
com as patas de trás para saltar, ele acabou empurrando Carolina nas costas,
que caiu de sua varanda. Faltando alguns segundos para cair no chão, Carolina
fechou os olhos e algo lhe empurrou para a esquerda, quando ela abriu os olhos,
se deu de conta que estava voando, abraçada com uma pessoa, braços fortes lhe
seguravam nas partes superiores e inferiores de suas costas. Ao notar um som de
asas, gigantes, batendo imediatamente acreditou que sua amiga Anna, tivesse lhe
salvado.
- Ah, Anna
obrigada! Eu nem acredito que... - Então Carolina viu o rosto da pessoa que lhe
segurava que no mesmo instante, lhe fez perder o raciocínio. Era Dennis, que
havia lhe salvado a vida. Depois de uma volta completa, em volta da casa de
Carolina, Dennis a deixou no quintal, no mesmo local onde Carolina teria
passado dessa para melhor.
- Ah
o-o-obrigada, Dennis. – Ele assentiu e sem dizer uma palavra, ou demostrar
algum sentimento, Dennis se virou, bateu asas e levantou voo. Depois que o
Garoto-Morcego sumiu de vista no céu, Carolina voltou a si e disse:
- Xandre, você
bem que podia vir no meu quintal mais vezes.
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