segunda-feira, 29 de julho de 2013

Cap. 9

O Dispositivo R.N.G.



 Já era 06h40min da tarde quando Carolina estava de volta à lanchonete, foi até Anna bastante empolgada e sorridente e lhe disse:
- Oi Anna, Eu preciso que você me leve até o Dennis! – Anna lhe olhou confusa.
- Carolina? Nem pensar! Isso é muito perigoso, ainda mais agora que está anoitecendo. Ele pode fugir. E eu estou muito ocupada, o meu turno só acaba daqui a 20 minutos.
- Eu sei, mas eu preciso que você veja o que eu trouce aqui!- Disse Carolina saltitando.
- Carolina que alegria é essa?
- Por favor, Anna eu finalmente consegui uma coisa que pode solucionar o problema do Dennis e com o nosso. Seja lá o que estiver acontecendo com agente. – E então Anna foi até sua mãe e lhe explicou que precisava largar o turno mais cedo, porque precisava muito resolver um assunto com os amigos. É claro que qualquer mãe não deixaria sua filha largar suas obrigações tão facilmente, mas a mãe de Anna era diferente, ela tinha adoração pela sua filha. Assim que ela ouviu Anna dizer: “Mamãe posso sair da lanchonete mais sedo?” Ela já havia deixado, sem nem quere ouvir explicações.
- Dennis? – Chamava Anna batendo na porta do quarto. - Pode vir aqui, por favor? – Dennis abriu a porta e sua aparência estava péssima, pálido, com manchas envoltas dos olhos que lembravam hematomas ou olheiras.
- Você tá bem?
- Não estou muito melhor – Respondeu Dennis numa voz fraca. Logo apareceram Pedrinho e Alice, fazendo um sorriso para esconder as caras de culpados.
- Onde vocês estavam? – Perguntou Carolina.
- Anna minha querida. – Disse Pedrinho. – Agente estava...
- Vocês fizeram o que prometeram fazer? – Perguntou Anna friamente.
- Ah nos fizemos! – Respondeu Alice.
Fizemos? – cochichou Pedrinho.
- Vocês ficarão aqui olhando o Dennis? – Anna Voltou a perguntar.
- Bom agente tentou. – Respondeu Alice. – Só que teve um problema.
- E o que foi?
- É que a porta estava fechada e não dava pra enxergar direito pela fechadura.
- Faz sentido. – Comentou Dennis.
- É foi isso, foi isso mesmo, que... Que aconteceu! – Disse Pedrinho.
- Aí vocês foram ver televisão? – Disse Anna olhando para o controle-remoto na mão de Alice.
- Foi. – Falou Alice com a maior tranquilidade.
- Eu não acredito! Vocês fazem ideia do que poderia ter acontecido?
- Eu sei agente poderia ter perdido os programas de hoje. Que foi demais! Não foi Pedro?
- Não! – Continuo Anna. – Vocês fazem ideia de que horas são? Já esta escurecendo, o Dennis poderia ter saído e ter machucado alguém lá embaixo na lanchonete. – Dennis falou:
- Ah, qual é Anna? Você sabe que eu não machucaria nem uma mosca.
- Dennis!
- Foi mau.
- Bem pessoal. – Disse Carolina. – Tenho uma coisa pra dizer a vocês. Todos já sabem muito bem o que aconteceu conosco hoje de manhã, coisas estranhas e diferentes aconteceram com cada um de nós e principalmente com Dennis que apresenta estranhos sintomas e comportamentos, mas a verdade é que ele não está doente, nenhum de nós está. Não a febre-alta, ataque de fome, alucinações com água, transtorno de personalidade e muito menos gel de cabelo. Invadi o colégio em que o meu irmão estuda e usei o laboratório escondida para analisar as amostras de saliva que coletei da gente e...
- Espera um pouco ai. – Interrompeu Dennis. – Você disse que invadiu o colégio do seu irmão?
- É foi para usar o laboratório de lá, é o único lugar em que eu conheço que eu poderia examinar as amostras.
- Você é sem dúvida uma excelente espiã!
- Ah, obrigada. – Carolina começou a soltar sua risada frouxa.
- Xiii... Essa daí andou usando produto químico nesse laboratório. – Disse Pedrinho.
- Ah, voltando ao assunto. – Carolina voltou à postura séria. – Eu examinei as amostras de saliva, e os resultados foram bem espantosos, e para ter certeza os enviei, para um laboratório de análise clínica.
- Mas o que deu nos resultados? – Perguntou Anna.
- Os resultados mostravam que nos estávamos, como eu posso dizer... Geneticamente modificados. – Todos se assustaram com o que Carolina tinha dito.
- Quer dizer que estamos virando, tipo assim, em mutantes? – Disse Pedrinho
- Mas como? – Perguntou Anna.
- Não sei. – Respondeu Carolina
- Pelo menos agora eu sei que o que esta acontecendo comigo - Comentou Dennis. - É uma mutação genética e não mais “sintomas” da minha puberdade.
- Adoro garotos em fase de puberdade! – Cochichou Carolina.
- O que você disse? – Perguntou Dennis.
- Ahm eu disse que tenho uma novidade.
- Outra? – Perguntou Alice.
- Eu trabalhei o dia inteiro em uma invenção minha. – Alice falou:
- Não me diga que é outra máquina de fazer as unhas, por que se for eu... – Carolina tirou de sua mochila algo que parecia um relógio, mas era enorme.
– Eu o chamo de dispositivo R.N.G. (Relógio Neutralizador de Gene) faz com que com que a nossa mutação fique neutralizada e que assim seja possível controla-la.
- Quer dizer que pode curar o Dennis e a todos nós. – Perguntou Anna.
- Infelizmente não Anna, apenas esconde os sintomas e... Dennis eu gostaria muito testar o dispositivo em você.
- Ah seria uma honra. – Dennis estendeu o braço e Carolina pôs o relógio em seu pulso, Dennis percebeu que embaixo do relógio havia três pequenas agulhas, que lhe machucou um pouco.
- Pra que serve essas agulhas?
- Para o dispositivo funcionar ele precisa ter contato com o seu organismo. – Carolina abriu a parte do relógio que mostrava as horas e começou a apertar, minúsculos botõezinhos que havia lá. Dennis de repente começou a sentir o corpo formigar e todos ficaram olhando atenciosos para ele. Até que Dennis falou:
- Carolina me desculpe, mas não funcionou. Não me sinto diferente. – Todos ficaram com a expressão triste.
- Ah, tudo bem talvez só precise de alguns ajustes.
- Carolina. – Perguntou Pedrinho. – O que você intende de mecânica? – Com muito orgulho Carolina respondeu.
- Eu intendo de muitas coisas na qual você não intende.
- O que você quer dizer com isso?
- Era disso que eu estava falando.
- Anna? – Perguntou Dennis. – A lanchonete fechou mais sedo hoje?
- Não por quê?
- É que de repente começou a fazer um silêncio.
- É por que não estamos fazendo barulho e... Espera um pouco ai. Você disse que esta fazendo silêncio?
- É.
- Dennis o seu rosto! – E então as olheiras que lembravam hematomas no rosto de Dennis começaram a sumir, a postura dele começou a ficar mais ereta, os olhos dele que eram vermelhos começaram a ficar castanhos de novo, mas não como o castanho que era realmente, mas num castanho dourado, cor de mel e aquela expressão horrível no rosto dele começou a sumir.
- O meu aparelho... Funciona! – Disse Carolina gaguejando de tanta felicidade.
- Dennis! – Anna deu abraço apertado em seu primo. – Graças a Deus o aparelho da Carolina funciona.
- Mas e agora Carolina, eu vou ter que ficar andando pra cima e pra baixo com essa coisa enorme no meu pulso.
- É só um protótipo, eu ainda estou criando um modelo menor.
- Ah, do que eu estou reclamando? Muito obrigado Carolina, mesmo.
- Ah de nada, é pra isso que servem os amigos.
- É, mas se não fosse por você eu não sei o que seria de min. – E então Carolina foi surpreendida por um abraço de Dennis. Alice suspirou:
- Ai, que lindo! – Mas Anna lhe deu uma cotovelada e murmurou:
- Cala a boca! – Depois que Dennis a soltou, Carolina ficou meio sem jeito e começou a sorrir como se tivesse feito algo humilhante na frente dos amigos.
- Muito bem pessoal agora eu preciso... Ir pra casa explicar para os meus pais onde, onde, onde eu estive o dia inteiro. – Carolina desmaiou.
- Ei! – Disse Pedrinho. – Anna porque você também não desmaia quando eu te abraço?

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