Dennis Ataca Novamente
Anna estava deitada na cama, respondendo alguns torpedos de Alice, quando João entrou em seu quarto e disse:
- Oi Anna, posso entrar?
- Já entrou né? – Disse ela com os olhos no celular.
- Queria falar um pouco com você. – João sentou-se ao lado de Anna, na cama. – Por que você não fala mais com o Dennis? – Anna desligou o celular.
- Ainda falo com ele.
- Tá, mas, porque vocês não andam mais com ele?
- João, porque tá me perguntando essas coisas?
- Anna, você e o Dennis eram tão unidos, eram unha e carne. Agora nem vejo mais vocês dois juntos. O que aconteceu?
- Nada.
- Tem que ter acontecido alguma coisa! Olha tudo bem, que o Dennis fez novos amigos, mas poxa. Nem parece que vocês já foram primos, ou que se conheceram.
- Apenas, não nos falamos mais.
- Por quê? Um? – Anna balançou a cabeça.
- Ele fez alguma coisa com os seus amigos?
- Não.
- E com você? Ele te fez alguma coisa?
- Nada João! Não aconteceu nada entre agente. – De repente o gato Xandre subiu na cama. - Agora será que eu posso sabe o motivo da preocupação?
- É que... Anna eu tenho que te confessar uma coisa. Lembra quando o Renan caiu da varanda e você ficou acusando o Dennis, de te empurrado ele? – Anna murmurou:
- Eu sei, eu errei...
- Talvez não.
- Oque? – Anna se assustou.
- No dia em que aconteceu o incêndio na cozinha da lanchonete, vi o Dennis sair de casa. Chamei ele, mas não me ouviu e quando entrei em casa, encontrei a nossa mãe desesperada, cercada pelo fogo na lanchonete. – Anna estava esperando por esse momento, há dias, Dennis finalmente estava sendo descoberto, mas no mesmo instante, ela se lembrou de que não podia entregar seu primo, sem entregar ela mesma e a seus amigos e sem colocar em risco sua família.
- E então... Você acha que o Dennis causou o incêndio? – Disse Anna tentando fingir que não acreditava.
- Olha eu me sinto mal só de imaginar o Dennis sendo culpado por esses “acidentes”, mas... Ou ele tem problemas de audição pra não ter ouvido a mamãe gritar, ou ele é distraído demais, pra não ter visto aquele incêndio na cozinha!
- Eu sei.
- Tudo bem que a mamãe, às vezes, trata o Dennis, com um pouquinho de arrogância, mas ele não seria capaz de fazer mal a alguém. Muito menos ao nosso vizinho, o Renan.
- Com certeza não.
- Quem não seria capaz de fazer mal a alguém? – Perguntou Dennis, que entrava no quarto.
- Ahm, nada Dennis, só estávamos conversando. – Respondeu João. Dennis sorriu e sentou-se na cama, ao lado de Anna.
- Tenha uma boa noite Anna! – Dennis passou a mão no cabelo dela e disse: – Amanhã teremos mais um dia pela frente. Sonhe com os anjos.
Dennis levantou-se se foi. João ainda estava inconformado com a conversa que teve com Anna, estava começando a levantar suspeitas de que algo muito ruim teria acontecido entre os dois, na manhã seguinte foi conversa sua mãe enquanto ela lavava a louça.
- Eu queria saber oque esse povo tem na cabeça, pra não lavar as coisas que usam! – Resmungava Dona Tereza. – Eu já falei umas mil vezes que se sujou alguma coisa: lavem! Mas não. Quando eu termino de lavar louça, num piscar de olhos a pia já tá cheia de prato, copo, colher! Ai só Jesus na causa! – João Perguntou:
- Mãe tem visto o Dennis?
- Como se aquele moleque ficasse dentro de casa alguma hora, ele passa o dia inteiro na rua!
- Mãe!
- Num é verdade não?
- Você não fica preocupada em saber com que tipo pessoas o Dennis tá andando?
- Eu lá quero saber com quem aquele vagabundo tá andando! João aquele pestinha não se importa com ninguém nessa casa não.
- Mãe respeita ele, tá? Ele é filho na sua irmã lembra? – Advertiu João.
- Eu não tenho culpa se a minha maninha, cria um capeta como filho... E ainda manda ele pra minha casa!
- Mãe e se isso for à causa para o Dennis está estranho desse jeito? Essa sua mania de ficar insultando ele?
- João não fale comigo, como se eu fosse sua filha! Eu estou certa e você tá errado. Cale a sua boca!
Mais tarde Dennis havia voltado do acampamento do Refugio dos Lobos, estava em seu quarto desenhando, sentado na cama de frente para o espelho.
- O que João e a Anna estavam conversando ontem à noite? – Perguntou o reflexo de Dennis, que não estava desenhando e sim apenas sentado na cama observando Dennis.
- Sobre min é claro.
- Sabe por que isso está acontecendo, não sabe?
- Porque eu te dei ouvidos? – O reflexo de Dennis trincou os dentes.
- E você pensa que eu não sei?
- O que?
- Você ajudou aquela garotinha dos Feras Noturnas, a Aquática! Priscilla e logo, logo todos os outros do Refugio dos Lobos vão ficar sabendo disso.
- E a algum problema? Eu apenas a ajudei, ela ia morrer.
- Você já se esqueceu a quem ela pertence?
- E daí? Carolina não fez nada contra min! – O reflexo de Dennis o fuzilou com seus olhos vermelhos.
- Dennis por acaso você está se esquecendo de quem você é? Ou você está amando aquela pirralha? – Dennis jogou seu caderno de desenhos na cama.
- É claro que não! - Depois que Dennis havia gritado, João abriu a porta do quarto.
- Dennis tá tudo bem aí?
- Ahm, sim, claro, pode entrar! – Dennis rapidamente pegou o caderno.
- Tá tudo bem aí? – João voltou a perguntar.
- Umhum, só estou... Desenhando.
- Eu ouvi você gritar com alguém! – João olhou em volta no quarto à procura de alguém.
- Ah! – Dennis riu. – É que eu estava cantando... Rock. – João sorriu.
- É mesmo? Maneiro! Será que eu podia falar um pouquinho com você? – Dennis voltou a desenhar.
- Pode sim. – João sentou-se na cama, ao lado de Dennis e perguntou:
- Você e a Anna brigaram? – Dennis largou o lápis em sua mão.
- Não João. Por que tá me perguntando isso?
- É que vocês não se falam mais...
- Eu falei com ela ontem, você não me viu?
- Ontem a noite, não conta. Você não anda mais com a sua prima, a Alice, o Pedrinho e a Carolina. – Dennis rosnou silenciosamente.
- Encontrei pessoas melhores do que eles! – João se assustou com o tom de voz de seu primo. – Quer dizer... Só encontrei pessoas, que eu tenho mais haver, só isso.
- É, eu... Acho que não tem nada de errado nisso.
- Mas eu ainda gosto deles João, verdade.
- Tá legal, é... Saindo aqui tá? – João forçou um sorriso.
- Tá, até mais. – João se levantou e saiu. Quando João fechou a porta do quarto. Dennis revirou os olhos e resmungou:
- Mas que droga!
- Dennis aquele garoto, sabe sobre você! – Disse o reflexo dele.
- Não sei como, mais sabe! O que eu faço?
- Dennis, oque agente faz com um prego que não quer entrar na madeira?
- Sei lá! Agente... Martela mais forte?
- Isso! Agente martela bem forte em sua cabeça. – Dennis sorriu maliciosamente para seu reflexo.
- Acho que conheço alguém que precisa de uma martelada.
Ao anoitecer David anuncia mais uma reunião no Laboratório Noturno.
- Muito bem galera, quero vocês, daqui a pouco no laboratório na reunião.
- Outra reunião? – Murmurou Alice.
- Isso, precisamos planejar uma estratégia para o confronto.
- Ah, até que fim, não via a hora de se encontrar com aqueles mutantes.
- Nem eu! – Disse Carolina. No momento em que Alice, Pedrinho e Carolina estavam saindo, se depararam com João que estava entrando.
- E aí galerinha, o Dennis tá em casa? – Anna respondeu:
- Ah claro! Agente estava conversando com ele agora pouco não é pessoal? – João lançou um olhar sério para Anna. – Ele tá com a Priscilla.
- Imaginei. Cadê a mãe?
- Foi para a igreja.
Depois de uma hora, Anna e David foram para a reunião no Laboratório Noturno. João estava sozinho em casa, quando Dennis havia chegado, ele observou a lanchonete, o trabalho dos pedreiros que já estavam reformando o local. Ele olhou para os materiais no chão e encontrou uma chave inglesa, esquecida pelos trabalhadores, Dennis pegou a ferramenta em suas mãos e disse:
- Esse me parece um bom martelo.
Dennis subiu a escada fazendo o maior silencio possível, ele foi à sala de estar e viu João deitado no sofá assistindo TV. João percebeu algo de estranho, se levantou e olhou para trás, mas não viu Dennis, pois já tinha saído. João voltou a se deitar no sofá, e então o telefone, na cozinha tocou e João se levantou para ir atender.
- Alô? – Disse João, mas ninguém respondeu.
E de repente todas as luzes da casa se apagaram, João apertou todos os terruptores, mas as luzes não acendiam, ele olhou pela janela da sala e todas as casas da rua, estavam acesas.
- Que estranho! – Murmurou João. Ele pensou em ir dar uma olhada na caixa de força, mas então ouviu um barulho no andar de cima, ao subir a escada João perguntava:
- Anna, Dennis, Mãe, tem alguém ai? – O Terceiro andar, igualmente aos inferiores estava sem luz, mas João conseguiu ver que a porta de seu quarto estava aberta, João usou seu celular como uma lanterna improvisada e olhou o quarto, mas não havia ninguém lá.
Depois que João saiu do quarto e fechou a porta, de repente um vulto veio rapidamente em sua direção, João foi golpeado no peito e foi arremessado a um metro para trás, caindo no chão. João se levantou atordoado e assustado, pegou seu celular que havia voado de sua mão e foi o mais depressa possível para a escada, de relance viu algo no quarto de sua mãe, João se virou e no escuro viu a silhueta de Dennis com a chave inglesa na mão, antes que João reconhecesse que era seu primo, Dennis usou a ferramenta para golpear João, bem na parte lateral de sua cabeça, o sangue dele respingou na parede e João caiu bolando escanda á baixo. Quando João chegou ao chão, sua visão estava turva, mas pode ver no topo da escada um garoto com asas de morcego, João piscou os olhos com força, mas ele havia desaparecido e João acabou desmaiando. Só então as luzes da casa voltaram a acender.
- É isso pessoal, por hoje é só. – Disse David encerrando a reunião.
- Hum, ainda bem. – Falou Alice. – Já tá tarde, se eu não chegar logo em casa, minha mãe me da uma surra no pé do vidro! – David disse:
- Eu sei que tá tarde, mas não posso deixar vocês irem pra casa agora.
- O que? – Perguntou Carolina.
- Anna me contou que vocês são bons em espionagem. O que acham de partir em uma missão de ultima hora?
David levou Anna, Pedrinho, Carolina e Alice, ao matagal no acampamento do Refugio dos Lobos. No exato momento, em que chegaram, Priscilla estava dando uma “palestra”. Ela se aproveitava do sintoma de amnesia que a fórmula Eau Mutant causava nos jovens e os enganava dizendo que, a mutação genética é uma doença transmissiva e que eles nunca mais iriam conseguir ter suas vidas normais de volta ou que nunca mais iriam se encaixar na sociedade, pois a humanidade iria caça-los e extermina-los.
- Irmãos e irmãs, me escutem! – Dizia Priscilla no alto de um monte de pedras com os integrantes de seu bando, a sua volta. – A hora chegou a hora de a humanidade, ter conhecimento do que somos capazes. – Anna, David, Alice, Pedrinho e Carolina se esconderam atrás das árvores e perceberam que o exercito estava muito maior do que antes. – Em um dia, como qualquer outro, meus irmãos e eu percebemos que não éramos mais os mesmos, algo havia acontecido conosco, havíamos nos transformados em mutantes...
- Mas do que ela tá falando? – Sussurrou Carolina.
-... Logo depois, encontramos outros como nós, mas de espécies diferentes, pedimos ajuda as pessoas, mas tudo que elas fizeram foi nos discriminar, sentiram medo de nós e logo depois passaram a nos odiar! – Anna falou:
- Ela está os disciplinando... Como Dennis disse.
- Falando nele. – Disse Pedrinho olhando para o céu. Ouviram-se um forte bater de asas e bem ao lado de Priscilla, Dennis aterrissou.
-... E então, os humanos não nos deixaram outra escolha, a não ser viver escondidos, sempre fugindo e saqueando cidades, para sobrevivermos... Não é mesmo? – Todos os mutantes gritaram: “Éééé!!!”
- Não podemos, nem andar em paz nas ruas, sem ver nossos rostos nos jornais não é mesmo? – Os mutantes responderam: “Éééé!!!”
- Todos vocês viram o que aconteceu com aquele garotinho de 10 anos de idade, Rafael Pereira, ele estava atrás de comida em um restaurante na Bahia e quando descobriram que ele era um mutante, o prenderam em um laboratório, o proibiram de ver sua família e está até hoje sendo usado como cobaia por cientistas. Vocês acham isso justo?
– Nããão!!! - responderam os mutantes.
- Mas não precisam ter pena de Rafael Pereira ou se preocuparem com o que vai acontecer com vocês, porque depois de amanhã, depois que todos nós voltarmos da viagem à cidade de Natal, NÓS TOMAREMOS FORTALEZA! – “Éééé!!!” urrou os mutantes.
- E não vamos simplesmente fazer um arrastão, vamos transmitir nossa doença para todos os humanos dessa cidade e em seguida, PARA TODO O MUNDO! – Priscilla começou a gargalhar e então todos os mutantes começaram a comemorar, gritando, uivando e aplaudindo. Quando David percebeu que os mutantes estavam se dispersando, disse:
- Venham, vamos sair daqui. – Depois que saíram de seus esconderijos, subiram o morro e David os levou para a ponte do rio Ceará.
- David o que você quer mostrar pra gente agora? – Perguntou Pedrinho.
- É, porque nos trouce para essa ponte? – Perguntou Anna.
- Quando o Refugio dos Lobos e seu exercito voltarem de Natal - Respondia David. –, vão ter que passarem por essa ponte, para entrar na cidade e...
- Vamos ter que impedir isso? – Completou Carolina.
- Exatamente, vocês precisam impedir a invasão dos mutantes, mas também precisam derrota-los aqui, se aqueles mutantes passarem por essa ponte e chegarem à cidade. Tudo vai estar acabado.
Depois que David os dispensou, todos partiram para suas casas, mas quando chegaram à rua, notaram um estranho amontoado de pessoas na frente da casa de Anna, e para o desespero dela, em frente a sua casa uma ambulância estava estacionada. Anna correu imediatamente para ver o que havia ocorrido, seus amigos que também se preocuparam, foram com ela. Depois de “nadar” pela multidão de pessoas, Anna encontrou sua mãe chorando desesperada na porta traseira da ambulância, com os vizinhos em volta lhe consolando.
- Mãe? Mãe o que aconteceu? – Perguntou Anna preocupada. Quando Dona Tereza encontrou folego para falar, alguns enfermeiros que vinham atrás de Anna, pediram licença para passarem com uma maca. E então o peso do mundo caiu sobre os ombros de Anna, quando viu quem os enfermeiros levavam na maca.
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