quarta-feira, 31 de julho de 2013

Cap. 1

Desentendimentos


 Todas as lâmpadas dos portes estouravam, na medida em que eram atingidas pelas ondas sonoras. Priscilla sentiu seus tímpanos, doerem a ponto de estourarem, mas ela teve forças o suficiente para golpear Dennis e antes que ele percebesse, Priscilla cravou sua espada no abdômen de Dennis. Anna que estava a alguns quilômetros, longe dos dois, não intendeu oque havia acontecido, mas logo compreendeu quando viu a ponta da espada de Priscilla sair vermelha de sangue pelas costas de Dennis.
- Não... NÃO! – Gritou Anna. Pedrinho e Alice sessaram a luta com os lobisomens que enfrentavam e foram até Anna, para ver oque havia acontecido. Priscilla retirou sua espada do corpo de Dennis, que não deu um pio, apenas caiu de joelhos no chão, com o rosto enrijecido e então Dennis pode ver o rosto de quem ele realmente estava duelando, a pessoa que estava manipulando seus pensamentos há um bom tempo, Priscilla.
 Quatro dias antes da morte do Garoto-Morcego...
 Em uma floresta gelada e escura, onde pinheiros cobertos de neve, eram açoitados por uma violenta nevasca e cobertos por uma escura neblina, encontrava-se Anna, Alice, Pedrinho, Carolina e o viajante do tempo, Davido argente Dente de Sabre. Depois de deixar a todos ciente de que uma guerra estava por vir, o viajante do tempo fizera os Feras Noturnas, se submeterem a treinamentos diários, em cenários dos mais variados climas.
- Quanto tempo, agente vai ter ficar aqui hein? – Resmungou Alice. - Estou congelando!
- Não está fazendo frio Alice, é psicológico. – Disse Carolina.
- Mas, eu estou sentindo frio!
- Estava demorando pra essa patricinha, reclamar de alguma coisa. – Murmurou Pedrinho.
- Pedrinho, seu balofo. Fique na sua! – Anna falou:
- Gente, vamos parar com a discussão? Estamos num treinamento, precisamos ficar atentos! – David que estava afrente, mais distante de todos se virou e disse:
- Anna tem razão pessoal, precisam ficar atentos em tudo.
- Ô Carolina? – Falou Alice.
- Que foi Alice? – Perguntou Carolina.
- Seu cabelo tá parecendo um ninho de rato.
- Como é que é?
- Que foi? O David, disse pra gente ficar atento em tudo! – Antes que outra discussão começasse, ouviu-se um rosnado estridente, vindo de algum lugar na floresta e no lado direito do grupo, os pinheiros começaram a ser empurrados de um lado para o outro, como se algo muito grande estivesse se aproximando, derrubando tudo que vinha pela frente.
 Todos deixaram de lado a discussão e ficaram atentos ao rosnado. E então de ante de todos, pinheiros foram derrubados ao chão e em meio à neblina uma figura gigante se levantou sobre duas pernas, a principio pensaram que era O Abominável Homem das Neves, mas então a criatura caiu sobre os membros da frente e fez o chão tremer com o seu rosnado, revelando a sua espécie. Era um enorme urso-polar. Anna, Alice, Pedrinho e Carolina, por morarem, nunca viram um urso polar antes, mas aquele era o maior de todos os ursos, e não era apenas um urso qualquer ele possuía, seis patas, três de cada lado do corpo e em sua cabeça havia quatro olhos. Não óculos e sim quatro esferas negras, fofas e selvagens. O animal olhou para eles e ferozmente avançou sobre os cinco.
- Carolina? – Gritou Anna. – O distraia enquanto nós atacamos! – Enquanto dizia isso, Anna colocava suas asas e sua calda de pontas duplas para fora de suas costas, lançando penas para todos os lados.
- D-distrair? – Perguntou Carolina gaguejando de medo. – Tudo bem. – Anna bateu as asas e levantou voo. Carolina correu em direção ao urso gigante, sacudindo os braços e gritou:
- Ei bola de pelos? Vem me pegar! – Porém o urso, por algum motivo não deu atenção à Carolina e avançou para seus amigos. Pedrinho e Alice correram em direção opostas. Carolina então fez uma serpente de água fluir de sua garrafa térmica que sempre carrega na cintura. Ela lançou a água no rosto do urso, que provavelmente não gostou nem um pouco, ele rosnou de raiva e passou a perseguir Carolina, que meteu o pé na taboa.
  As pernas de Carolina afundavam até os joelhos na neve, o que lhe dificultava a correr, mas como o urso-polar não tinha dificuldades em se locomover na neve em alguns segundos já estava prestes a abocanhar Carolina. Pedrinho eriçou seus espinhos e lançou milhares deles na lateral do corpo do animal, que imediatamente avançou em sua direção. Pedrinho tentou fugir, mas em pouco tempo, já estava prestes a ser devorado pelo urso-polar, Alice sacou suas espadas e foi em direção ao animal, pronta para degolá-lo. Mas David que observava tudo em baixo de uma árvore a impediu.
- Ah, Alice não! Sem espadas, use só as suas habilidades!
- Oque? – Perguntou Alice enfurecida.
- Sem espadas! –Concluiu David.
- Só pode ser piada! – Alice guardou suas espadas. E começou a correr de quatro e em um salto felino, Alice atacou o pescoço do urso, fazendo-o cair de barriga para cima. Anna, que pairava no ar gritou:
- Alice, se afaste! – Alice saiu de cima do urso. E então Anna lançou labaredas de fogo no animal, até que o gigantesco urso-polar parou de rosnar.
- Anna! – Murmurou Alice. - Por que você não deixou a criatura viva por mais um tempinho? Eu ainda queria pegar ele.
- Desculpe, mas eu amo tacar fogo nas coisas!
- Ui, adoro! – Pedrinho olhou para Carolina que estava escondida atrás de um pinheiro, assustada.
- Carolina pode sair, ele já tá morto! – David também saiu do seu posto de observação. Carolina cautelosa disse:
- Tem certeza? Ele não parece morto pra min! – Alice falou.
- Tá brincando? O urso virou churrasquinho! – Pedrinho disse:
- Também a Anna, sempre faz o clima esquentar. – Anna percebeu oque Pedrinho queria dizer, mas não falou nada, apenas lançou lhe um olhar sério e antes que dissesse qualquer coisa viu David, se aproximando e disse-lhe:
- E então David, gostou do que nós fizemos?
- Não. – E todos perguntaram em uma só voz: “Por quê?”.
- Por que se esse urso fosse um mutante, provavelmente não também teria raciocínios em seus atos, mas não deixaria de ser uma pessoa inocentes e eu não quero que vocês matem pessoas inocentes carbonizadas. – Alice falou.
 - Mas David, ele ia devorar agente! – Pedrinho:
- Se a Anna, não tivesse dado logo um fim nesse urso, agente ia levar muito tempo pra deter o bicho. – Anna:
 - Ou agente matava ele, ou ele matava agente. Se aproveitar do primeiro momento em que ele estava imobilizado, foi à coisa certa a fazer. Mesmo que ele fosse um animal muito fofo. – Carolina:
- É e se nós estamos treinando, para lutar contra um mutante selvagem e irracional, nós devíamos treinar com um, não com uma aberração gigante de seis patas! – Todos concordaram com Carolina e começaram a murmura. O viajante do tempo suspirou, apertou um botão em seu bracelete metálico, o levou aos lábios e disse: “Simulação encerrada”.
 Para tornar os treinamentos, o mais realista possível, David usava simuladores de tempo e espaço (Apetrechos que trouce consigo do futuro), se tratavam de pequenos pilares que ficavam nos quatro cantos do quintal da casa de Anna, projetando hologramas de cenários diferentes, criando falsos climas, ambientes e animais. Fones de ouvido e óculos de terceira dimensão ajudavam a tornar os treinamentos mais, realistas.
- Pessoal, estou aqui por que vim prepara-los para uma catástrofe, uma invasão de mutantes... – Alice falou:
- Achei que estivesse aqui, por que ia nos ajudar a trazer aquele parenteda Anna de volta.
- Isso também, mas... Um dia, eu não sei quando ou que horas, mas um dia mutantes irão tentar dominar o mundo e vocês precisam impedir isso, mas não quero que vocês matem pessoas, quero que vocês saibam detê-los sem ter que machuca-los. – Alice perguntou:
- E quem garante que, eles não vão nos machucar, meu anjo? – David não olhou nos olhos de Alice. Ele olhou para o céu, como se estivesse se lembrando de algo e falou:
- Há uma semana, atrás, quando um certo parente da Anna, tentou atacar vocês digo... Quando ele tentou matar vocês, isso não os impediu de se defenderem. É exatamente isso que eu quero que vocês façam, eu quero que... – Antes que David terminasse Anna o interrompeu gritando:
- Escuta aqui David! O que o Dennis, fez na semana passada... Ele não estava pensando direito, ele só fez aquilo porque mandaram fazer! - Alice começou a imitar a voz de uma apresentadora de TV.
- E agora começa, mais um dos ataques da Anna!
- Anna, se acalme. – Disse David.
- Não! – Gritou Anna, com a voz quase gemendo. – Por que não admite que estamos treinando, para matar o meu primo, hein? Admita! – E então uma senhora de cabelos ruivos, apareceu no quintal, preocupada.
- Anna, o que está acontecendo? – Era Dona Tereza, mãe de Anna.
- Ahm, nada. - Quando ela surgiu no quintal, David havia se escondido, eles não podiam deixar que Dona Tereza descobrisse que um viajante do tempo estava em sua casa.
- Eu ouvi você gritar! O que estão fazendo? – Alice respondeu lhe forçando um sorriso.
- Estávamos brincando e tivemos uma discussãozinha entre amigos. Mas tá tudo bem, já acabamos. – Dona Tereza estreitou os olhos.
- Hum sei, é Carolina, Pedrinho e Alice o almoço já está quase pronto entrem e se lavem pra almoçar. – Pedrinho falou:
- Ainda bem, eu já estava morrendo de fome!
- Ah! Não, não, não, não mãe eles já estavam de saída. Né gente? – Disse Anna. Alice e Carolina confirmaram, exceto Pedrinho, mas logo confirmou depois de receber uma cotovelada dupla de Carolina e Alice.
- Bom então vão logo pra casa, estão à manhã inteira aqui. – E então Tereza se foi. Carolina viu David, escondido no alto da árvore do quintal e gritou sussurrando ao mesmo tempo.
- David, pode sair ela já foi. - David saiu de seu esconderijo cauteloso e disse:
- Ufa, por pouco e ela me via!

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