quarta-feira, 31 de julho de 2013

Cap. 14

A Guerra Mutante


 Enquanto isso em Fortaleza, as horas pareciam demorar, mais do que o normal, para Anna. Mesmo depois de acordada, Anna não queria se levantar. Alice, Pedrinho e Carolina entraram no quarto para falarem com ela. Era um desafio para Carolina, pois a vontade que ela tinha era de estar a 100 metros de distancia de Alice.
- Como você se sente amiga? – Perguntou Alice.
- Como você acha? – Murmurou Anna. – Péssima!
- Amor não fique assim! – Disse Pedrinho. – Sua mãe fez um café da manhã, delicioso, mas não tem graça nenhuma comer sem você por perto. – Anna revirou os olhos. Carolina falou:
- Pedrinho? Você comeu três pães cheios de manteiga, a metade do pote de biscoitos e quatro fatias de bolo!
- E daí? – Pedrinho olhou para Anna. - Sem a Anna, por lá, não pareceu que eu comi nenhuma migalha! – Anna disse:
- Gente? Eu preciso ficar um pouco sozinha, tá? – Alice falou.
- Isso tudo é culpa minha, desculpa amiga.
- Desculpar oque?
- Se eu não tivesse lhe dado à ideia de “dar a inciativa”, nada disso teria acontecido.
- Não, a culpa é minha. Como eu pude ser tão burra? Eu sabia que um cara da idade do David, jamais gostaria de min e... Ele me prometeu que não ia me abandonar.
 Ouvindo aquilo, Carolina percebeu que finalmente alguém sentia oque ela sentia, em relação a Dennis. Ela se apaixonara por um garoto, quatro anos mais velho que ela, que nunca lhe amou e que a abandou. Ela adoraria ter dito, frases consoladoras como: “Eu sei como é”, ou como:“Vai passar”  ou “Vai ficar tudo bem, não fique assim”. Mas Carolina acabou dizendo algo maior como:
- Tenho certeza, que ele fez aquilo por uma razão muito importante. – Anna deu uma risada fraca. Pedrinho concordou.
- É e foi por algo importante mesmo!
- Tipo oque garoto? – Perguntou Alice.
- Como David, é do futuro ele devia saber que eu e a Anna, nos casaríamos, então fez oque é certo e saiu do meu caminho. – Alice e Carolina riram bastante, depois de ouvirem oque Pedrinho disse até mesmo Anna, que estava num estado depressivo, não conteve as risadas.
- Oque foi? Do que vocês estão rindo? – Perguntava Pedrinho.
- As tropas militares, já chegaram à cidade. – Disse Carolina.
- Isso explica o barulho de helicópteros, passando por aqui a manhã inteira? – Perguntou Anna.
 – Sim. Camburões, policiais, viaturas, homens armados, com escudos e armaduras estão em quase todas as ruas. – Alice concordou.
- É mesmo, me da até medo de sair na rua!
- Minha mãe mandou foi eu ficar por aqui. – Disse Pedrinho.
- O exercito do Refugio dos Lobos, devem estar bem perto daqui. Podem chegar a qualquer instante.  – Falou Carolina.
- Ahm, tudo bem. – Disse Anna. – Vou me levantar daqui a pouco, tá certo?
- Certo. – Assentiram todos de um por um e saíram do quarto.
 Algum tempo depois, na cozinha, Dona Tereza preparava um frango assado, mas quando terminou o colocou em uma bandeja em cima da mesa, quando virou as costas, o gato Xandre pulou na mesa e antes que ele fosse ao encontro do frango, Tereza o viu e explodiu de raiva.
- Seu vira lata! Sai daí gato, sai! – Ela começou a bater no gato com um pano de prato, Xandre entrou em pânico, mas roubou uma chocha do frango e fugiu. Carolina que entrava na cozinha junto com Alice e Pedrinho, perguntou:
- Dona Tereza oque ouve?
- E gente, a véia pirou! – Falou Alice, baixinho.
- Aconteceu alguma coisa com a comida? – Perguntou Pedrinho em desespero.
- Foi, aquela bola de pelos da Anna, levou um pedaço do meu frango! – Tereza começou a falar sozinha. - Ah gato safado. Um dia eu te pego, um dia eu pego! – Alice, Pedrinho e Carolina saíram de mansinho enquanto Tereza resmungava sozinha.
  Ao entardecer Pedrinho foi para a casa de Alice, ao Laboratório Noturno, com seu uniforme cinza de Espinho-Branco, Anna havia chamado todos os Feras Noturnas, com o entardecer do dia, seria melhor se todos estivessem preparados. Mas ao chegar à casa de Alice, a porta do quarto dela estava trancado.
- Alice abre essa porta! – Dizia Pedrinho, enquanto esmurrava a porta.
- Espera! Estamos quase prontas. – Respondeu Alice de dentro do quarto.
Prontas? Prontas pra quê? - E Pedrinho voltou a bater na porta. Até que então a porta do quarto se abriu e Pedrinho viu Alice, Carolina e Anna.
 Elas estavam vestidas com seus uniformes de Feras Noturnas, Anna vestida de vermelho, Carolina de azul e Alice parecendo uma estrela do Pop teen, de calça jeans e camiseta rosa, mas quando Pedrinho olhou para o rosto delas deu um pulo pra trás, com um susto. Gritando:
- Crê Deus Pai! – Alice, Anna e Carolina estavam com maquiagens pesadas no rosto, como se fossem roqueiras punks ou artistas de circo, cada uma com suas cores. Anna estava com o cabelo preso para trás, com algumas de suas penas marrons presas nele.
– Meninas? Até onde eu sei o carnaval já passou e o dia das bruxas ainda não chegou, então, que diabo é isso? – Alice murmurou:
- Aí ô balofo, será que você não intende nada de beleza? – Pedrinho respondeu:
- Olha, eu intendo, mas eu não sei oque essa bruxaria aí tem haver com “beleza”.
- Pela primeira vez os Feras Noturnas, irão lutar contra algo grande.Deveríamos estar com a aparência adequada para esse tipo de ocasião, certo? – Carolina falou:
- Sem querer ofender, certas pessoas, mas os Feras Noturnas vai para uma missão, de salvar o mundo da dominação dos mutantes, não para um concurso de beleza. – Anna concordou:
- Carolina tem razão amiga, mas, por outro lado, essa maquiagem vai ser ótima para esconder nossas identidades secretas, se aparecer algum repórter enquanto estivermos lá na ponte, vamos estar seguros.
- Viram só? – Falou Alice. – Maquiagens Alice, ajudando a proteger as identidades secretas e deixando as garotas dos Feras Noturnas um arraso! – Carolina perguntou:
- Já não deveríamos estar no Laboratório Noturno? – Anna respondeu.
- Ah, é mesmo! Vamos galera. – Pedrinho entrou no quarto e com pressa, abriu o armário de Alice com as suas impressões digitais e foi para o laboratório.
- Alice, seus pais estão fora? – Perguntou Anna.
- Sim, eles só voltam à noite.
- Ok. – Alice entrou no armário. – Carolina perguntou:
- E aí Anna, está preparada?
- É só mais uma missão para a Fênix, é claro que estou preparada.
- Não era disso que eu estava falando... Está pronta para fazer oque é certo, caso precise? – Anna pensou por um momento e respondeu:
- Sim, estou preparada. – E as duas entram no armário e foram para o laboratório.
 Enquanto isso no município de Caucaia, o Refugio dos Lobos e seu exercito de mutantes já se aproximavam da cidade, atravessando o município. Priscilla e seus mutantes corriam pela estrada, com exceção de Isadora que voava com suas asas de vespa. Os mutantes não atacaram ninguém em Caucaia, mas as pessoas paravam o transito com medo de saírem dos carros, enquanto os perdestes corriam assustados, o exercito já se estendera para mais 50 crianças e adolescentes mutantes.
 Já em Fortaleza, a ponte que ligava a cidade ao município, a Ponte do Rio Ceará, já estava interditada e bloqueada pelas tropas enviadas pelo governo. Viaturas bloqueavam o início da ponte, carros fortes chegavam a todo instante trazendo soldados do exercito, com suas armas de sedativos, alguns usavam escudos e cassetetes, até mesmo no céu havia segurança, dois helicóptero rondavam a área a procura dos primeiros mutantes.
 Quando o sol se pôs e a escuridão da noite chegou, os helicópteros acenderam seus faróis, uma lua cheia surgiu no céu iluminando toda a ponte, tão forte quanto o sol e foi nesse momento em que os mutantes chegaram. Do outro lado da ponte, atrás das cabines vazias de pedágio, o exercito de jovens mutantes apareceram gritando, rugindo e uivando. Nesse momento os soldados começaram a cruzar a ponte, os mutantes pularam as barras das cabines e foram ao encontro dos soldados, Priscilla, Mateus, Isadora e os outros integrantes do Refugio dos Lobos saltaram para a laje, que cobria as cabines, para assistir o trabalho do exercito. Como David havia dito os mutantes realmente atacavam por instintos, sem o menor raciocínio, mas alguns chegaram a pensar em algo. Alguns usaram garrafas com álcool e incendiaram algumas viaturas. Mas para o azar de Priscilla seus mutantes não tiveram muito desempenho, quando os soldados interceptaram os mutantes, os militares abriram “fogo” disparando dardos tranquilizantes nos mutantes.
 Os sedativos eram poderosos, ao acertarem um garoto, eles imediatamente caiam no chão, desacordado, os militares derrubaram toda a linha da frente dos mutantes com seus dardos tranquilizantes, depois de acertarem os inimigos, os soldados avançavam sobre o exercito dos mutantes enquanto equipes recolhiam os corpos dos mutantes caídos no chão e os transportavam imediatamente para a cidade. Os soldados faziam um trabalho muito bem organizado, não sofriam nenhum tipo de dificuldades, tanto que o número do exercito de Priscilla começou a baixar, passando de cinquenta jovens, quarente e em seguida vinte.
 Priscilla rosnou furiosa, depois olhou para os três garotos de seu bando, Roberto, Carlos e Marcelo e gritou:
- Acabem com aqueles policiais!
 Os três garotos saltaram da laje e se transformaram em lobisomens, deixando farrapos de suas roupas e suas túnicas negras para trás. Os lobisomens atacaram os soldados militares, com toda a fúria, quebrando os pescoços de vários homens, alguns tiveram até os membros arrancados. Os militares tentaram de tudo, mas nada parecia capaz de impedir os lobisomens, nem mesmo os sedativos. Muitos soldados morreram e o exercito dos mutantes começaram a ganhar força, Priscilla teve certeza que iriam vencer.
 Um dos helicópteros se aproximou das cabines de pedágio apontando os faróis para Priscilla, Mateus e Isadora. A porta lateral do helicóptero estava aberta, onde se projetava um homem com uma arma de dardos tranquilizantes, que mirava nos três.
- Isadora – Chamou Priscilla. – Apaga essa luz, por favor? – Isadora sorriu.
- Sim senhora.
 E garota levantou voo e laçou três ferrões, na parte de baixo no helicóptero que começou a soltar fumaça e perder altitude e depois caiu no rio explodindo. Priscilla, Isadora e Mateus sorriram, como se algo realmente engraçado tivesse acontecido.

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