Escrava do Silêncio
O dia entardeceu e os amigos de Anna, já haviam ido embora. Certa hora a campainha havia tocado mais uma vez naquele dia, Anna foi anteder a porta e encontrou Priscilla, Mateus e os seus amigos. O Refúgio dos Lobos.
- Olá, posso ajuda-los? – Disse Anna carinhosamente.
- Onde está o seu primo? – Falou Priscilla friamente. Antes que Anna respondesse, Dennis vinha descendo a escada com o seu capuz preto.
- Estou bem aqui. – Priscilla e os outros abriram logo um sorriso quando o viram.
- Estávamos a sua espera meu irmão! – Disse Mateus.
- Obrigado, agora vamos logo da o fora daqui!
- Divirtam-se! – Gritou Anna. Dennis junto de Priscilla, Mateus e os outros, se foram. Assim que todos já haviam ido embora, Anna correu para o quarto de Dennis. Chegando lá, foi à procura de seu caderno de desenhos, ela olhou em todos os lugares, nas gavetas, no guarda-roupa e até bateu nas paredes procurando algum esconderijo. Anna chegou até procurar no teto, onde encontrou marcas de unhas, deduzindo que Dennis andou dormindo de cabeça para baixo. Quando Anna sentou-se na cama para pensar em quais outros lugares que Dennis esconderia o seu caderno de desenhos, foi ai que Anna viu a ponta do caderno embaixo do travesseiro, Anna o pegou imediatamente e o abriu, não ficou muito impressionada ao ver os desenhos típicos que o Dennis faria árvores, montanhas, animais e etc. Mas quando Anna chegou aos últimos desenhos ficou de queixo caído, havia um desenho de um garoto deitado na rua, com a perna e o braço quebrado, provavelmente Renan depois de ter caído de sua varanda. O desenho do garoto estava em um ponto de vista aéreo, Anna não teve duvidas que, seu primo foi o culpado pelo acidente de seu amigo e que essa foi à imagem que Dennis viu depois de derrubar Renan de sua varanda, nas folhas seguintes os desenhos que encontrou lhe deixou mais apavorada ainda, nas próximas páginas estava o desenho de si mesma, de Alice, de Pedrinho, de Carolina, de João e de Tereza todos mortos. Anna entrou em pânico, largou o caderno e saiu do quarto de Dennis. Na casa de Priscilla, Mateus, Dennis e os outros quatro integrantes, estavam reunidos na sala de jantar, sentados em uma enorme mesa retangular. Priscilla dizia:
- Queridos irmãos, andei pensando e tomei uma atitude, que também, pode tornar a vida de vocês bem melhor.
- Que atitude? – Perguntou Mateus.
- Muitas pessoas acabam destruindo as suas vidas e o seu futuro, por que vivem com a cabeça no passado, mas agora descobri que para termos um bom futuro devemos esquecer tudo o que passamos e o que fizemos no nosso passado. – Dennis perguntou:
- Como assim, o que nós devemos esquecer especificamente? – Priscilla olhou pra o dispositivo R.N.G. em seu braço e disse:
- Por exemplo, isso no seu braço.
- O que, que tem?
- Não terá um bom futuro, na sua vida ou conosco se ainda conviver com esse pedaço do seu passado. – Dennis protestou.
- Mas Priscilla, você sabe por que eu preciso dele, ele faz parte de min e eu não posso andar por ai livremente sem esse dispositivo!
- E por acaso você tem medo de mostrar para as pessoas e para o mundo o que você é?
- Não, mas...
- Então Dennis, você não vai terá, um futuro feliz com agente e nem com você mesmo. Você não consegue se livrar do seu passado!
- Pensei que gostasse de min do jeito que eu sou... Mas já percebi que não. – Dennis se levantou. – Com licença, não quero interferir no futuro de vocês!
- Espera! – gritou Priscilla em pânico. – Dennis talvez, tenha certas coisas do passado que precisamos conviver conosco não é mesmo? - Disse Priscilla com um enorme sorriso no rosto.
- Priscilla, eu não posso me livrar dessa parte do meu passado, eu preciso dela.
- Tá tudo bem, tudo bem, eu entendo, mas não precisa ir embora tá meu lindo? – Mateus se levantou e foi até o ouvido de Priscilla e cochichou:
- Priscilla, eu posso conversar com você um minuto? – Priscilla respondeu que sim com a cabeça para Mateus e disse a todos.
- Esperem aqui, guerreiros das trevas estou indo conversar a sós com o nosso irmão. – Dennis voltou a se sentar. No corredor Mateus dizia:
- Priscilla, você precisa ser mais cuidadosa!
- Eu sei! – Respondeu Priscilla frustrada. - Eu não sabia que ele dependia tanto daquele dispositivo.
- Até quando vamos ter que fingir que gostamos dele?
- Relaxe, não vai ser por tanto tempo, só até eu conseguir fazer os Feras Noturnas irem parar no fundo do posso. Depois eu penso o que fazer com ele.
- Tá mais, mudando de assunto. Que história é essa de chamar ele delindo? – Priscilla revirou os olhos e respondeu:
- Por que ele é! – Mateus puxou o braço de Priscilla e disse.
- E o que eu sou pra você?
- Mateus! Você só está aqui por que é só mais uma peça no meu tabuleiro, então se coloque no seu lugar, tá? – Já havia anoitecido quando a reunião do Refugio dos Lobos acabara e quando Dennis havia chegado, em casa, logo depois de chegar Dennis foi tomar banho e mais uma vez ficou pensativo devido ao que Priscilla disse sobre “largar o passado”. Dennis, nem tomando banho estava, ele apenas deixou o chuveiro ligado e ficou agachado de cabeça baixa no canto do banheiro perto do jorro de água, que despencava do chuveiro. Dennis levantou a cabeça e olhou para o seu dispositivo R.N.G. e mesmo indeciso o tirou de seu braço, não demorou mais de alguns segundos quando Dennis começou a sentir fortes dores nas costas, como se a sua pele estivesse sendo rasgada. Ele não pensou duas vezes, pegou o seu relógio e colocou de volta em seu braço e a dor passou instantaneamente. Depois de ter se acalmado levantou-se e foi até o espelho quando se deu de ombros se espantou ao ver dois enormes hematomas em suas costas. Na região dos ossos das Escápulas. Enquanto isso Anna estava decidida a entregar seu primo, ela não tinha duvidas de que foi ele, o culpado pelo acidente de Renan, e os desenhos de sua família e seus amigos mortos, eram demais para Anna deixar pra lá. Descendo a escada esbarrou-se em João, que percebendo que Anna estava aflita perguntou:
- Oi Anna, tá tudo bem?
- Não, não está... É o Dennis! – João começou a se preocupar.
- O que foi o que aconteceu?
- João você sabe que há uns dias atrás o Dennis começou a ficar meio diferente, não é? – João respondeu:
- Sim eu percebi claro! Mas o que foi que ouve?
- João o Dennis é o culpado pelo acidente do Renan, foi ele que o jogou do parapeito! – João ficou pasmo.
- Como você sabe que foi ele?
- Escuta quando o Dennis conheceu o Renan, eles não se deram muito bem, o Renan começou a insultar o Dennis e ele ficou muito arrasado, quando foi no outro dia que foi o dia que ficamos sabendo do acidente, o Dennis estava feliz sem motivo algum e quando nós fomos ao hospital, o Renan e o Dennis, estavam se comportando de um jeito estranho.
- Ok, e...?
- O Renan não queria contar pra min, como foi que ele se acidentou e o Dennis estava fazendo hora pra ver o Renan! Eu acho que ele estava lhe evitando.
- Mas Anna como você acha que o Dennis jogou o Renan daquela varanda, como foi que o Dennis saiu daqui no meio da noite e entrou na casa dele, sem acordar a família e jogar o garoto da varanda? Por que, pra ele ter feito isso o Dennis teria que ter alguma habilidade especial pra fazer isso não é mesmo? – Anna imediatamente lembrou-se dos poderes de morcego de Dennis, era provavelmente o único meio para Dennis, ter conseguido, mas Anna percebeu que se contasse sobre os poderes de Dennis teria que falar sobre os seus e os de seus amigos.
- Eu... Eu, não sei João, eu não sei como ele poderia ter conseguido. – Respondeu Anna cabisbaixa.
- Anna, me escute – João levantou o dedo indicador e começou a dizer. -nunca acuse uma pessoa sem provas, intendeu maninha?
- Intendi João.
- Você sabe que o Dennis nunca faria uma coisa dessas, ele ficaria muito ofendido se soubesse de uma acusação dessas e Anna sinceramente depois que o Dennis começou andar com aquela garota, que mora subindo a rua, a... Priscilla, ele começou a se tornar uma pessoa melhor. Tudo bem que ele virou um gótico, mas fora isso, eu não vejo ele triste, não vejo mais ele com aquela cara de cansado que ele fica quando chega em, casa como você e os outros – Anna nunca havia notado antes, mas por mais que as missões dos Feras Noturnas fossem divertidas, o habito de estarem sempre dispostos a noite lhes deixavam exaustos durante o dia.
- E ele até começou a se intender com a mãe! – Depois que João disse isso, Anna imediatamente lembrou-se do desenho de sua mãe morta, ela também estava na “lista do Dennis”.
- João, por favor, pelo menos deixa o Dennis longe da mamãe! – João exclamou:
- O quê, por quê?
- Por favor, é que eu estou com um mau pressentimento!
- Anna, eu não quero mais ouvir você falando sobre isso, você me intendeu? Tenha mais respeito como Dennis. – Anna calou-se e subiu para o seu quarto. Anna murmurou:
- Se ele, pelo menos soubesse a verdade, seria tudo mais fácil!
Depois de se dar de conta que, não a jeito de entregar seu primo, Anna ligou para Alice, lhe contando sobre tudo que aconteceu. Anna desesperadamente falava com Alice no telefone:
- Alice eu sei o que eu vi! Era o desenho de min, de você, da Carolina, do Pedrinho, do Renan, do João e da minha mãe, todos mortos!
- Tá eu já entendi! – Murmurou Alice.
- O que eu faço Alice? Foi ele que causou o acidente do Renan!
- Anna se acalma, vai por min, vai ser melhor assim, mas agora se acalme! Então me fala o que foi que você fez depois?
- Eu sei que foi burrice da minha parte, mas eu falei pro meu irmão. – Alice explodiu no telefone.
- Você o quê, garota!?
- Relaxe depois eu percebi que, se eu entregasse o Dennis, ia ter que entregar agente, então eu não disse mais nada.
- Você não disse nada sobre as nossas identidades secretas não foi?
- Não claro que não! Eu só falei feito uma doida que, foi o Dennis que jogou o Renan da varanda, e é claro que o meu irmão, não acreditou em min, quem acreditaria?
- Ele não acreditou nem nos desenhos?
- O quê?
- Nos desenhos do Dennis, qual foi à reação dele?
- Ahm, eu não mostrei os desenhos pra ele.
- Ah minha filha! Como é que você quer que alguém acredite em você, se você não tem a prova do crime?
- Mas ô Alice, eu já falei que se eu entregar o Dennis, vou ter que entregar agente!
- Talvez não seja preciso, mostrar os desenhos pra alguém.
- Como assim?
- Sempre que eu quero manipular a minha irmã mais velha, eu pego algum tipo de coisa que prove que ela fez alguma coisa errada e faço ela me obedecer...
- Então, você quer que eu pegue o caderno do Dennis e faça ele se entregar?
- Faça o que você quiser! Afinal aquele caderno deve ser muito importante pra ele, não é mesmo?
- O que me deixa mais preocupada é que ele ficou mais próximo da minha mãe agora, ela vai dar aulas de culinária pra ele amanhã e ela também está em uns dos desenhos dele!
- Então, faça o que eu te disse, antes que o desenho dela... Se “realize”.
- Tudo bem, tchau Alice.
- Beijo amiga! – Anna então voltou ao trabalho de espiã de última hora, ela desligou o celular, saiu da varanda, que era onde estava conversando com Alice e foi até o quarto de Dennis, que sem saber, ele estava em casa. Chegando lá, Anna encontrou a porta do quarto, meio aberta, que lhe deixou com muitas duvidas: “Ah não! Tem alguém no quarto?”, “Mas quem é que tá ai? O Dennis é que não é!” e “Será que eu deixei a porta aberta, quando sai?” Mesmo sem entrar, Anna empurrou com a mão a porta que estava meio aberta, para ver se encontrava alguém no quarto, antes que a porta ficasse totalmente aberta, alguma coisa preta, passou pelo quarto, como um vulto, com grande velocidade fazendo o chão tremer. Anna gritou de susto e foi para o lado da porta e se escorou na parede, ela tentou se acalmar e raciocinar, o que ela havia acabado de ver, mas estava muito confusa e assustada. Ela voltou a olhar para o quarto e foi colocando o rosto pouco a pouco, no canto da porta, para ver o que estava lá dentro, quando pensou que não tinha nada, o vulto passou outra vez mais rápido e mais forte, fazendo o vento zumbi. Era Dennis, com sua supervelocidade andando pelo quarto, depois de gritar mais uma vez e voltar a se escorar na parede, Anna viu a sombra do vulto se materializar na forma de uma pessoa, projetada no chão, foi ai que ela descobriu que era seu primo o tempo todo, ela não voltou a olhar, apenas ficou observando a sombra, Dennis bateu a porta do quarto, o barulho assustou Anna, mais uma vez que correu para o seu quarto. Anna sabendo que, Dennis estava em casa, desistiu tentar pegar o caderno de desenhos, mas naquela noite. Anna recebeu um chamado de Carolina, pedindo para convocar Alice e Pedrinho, uma quadrilha estava mantendo nove pessoas como reféns em uma loja e os Feras Noturnas, precisavam dar um jeito. No dia seguinte, Dennis estava recebendo as aulas de culinária da sua tia.
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