Alice Deixa o Grupo.
- Eu não sei, apenas o sinto dentro de min. – Anna levantou uma mão e uma pequena chama brotou na palma de sua mão, a chama cresceu ficando do tamanho aproximado de uma tocha. Anna começou a rodopiar a mão fazendo com que o fogo aumentasse mais ainda, até que então acima de Anna havia um enorme tornado de fogo, todos ficaram contemplados observando as labaredas gigantescas rodopiando, que não parava de crescer, exceto Caroline que sabia que se as chamas continuassem a crescer poderia tocar nas copas das arvores, e causar um terrível incêndio no matagal.
- Tá bom Anna, pode parar. – Disse Carolina, porém Anna não escutou.
- Anna, já chega você vai causar um incêndio! – Disse Carolina outra vez, mas Anna não escutava, parecia estar hipnotizada pelo fogo, não parava de olhar para as chamas em sua mão e o tornado de fogo continuava a crescer. Carolina gritou:
- ANNA! – Dessa vez Anna finalmente voltou a si, mas quando ouviu Carolina gritar se assustou, fazendo com que o gigantesco furacão de fogo explodisse, todos correram para se proteger, mas Carolina era a única que estava mais próxima, sabendo que não dava mais tempo para correr, ela colocou os braços sobre o rosto. Por sorte, Carolina não estava tão perto para que o fogo lhe consumisse, as chamas alcançaram apenas os seus braços, queimando lhe. E o impulso da explosão lhe jogou para traz. Vendo o que aconteceu Anna correu imediatamente até Caroline e tentou ajudá-la:
- Carolina, por favor, me desculpe, eu não fiz por que quis! – Carolina não ficou irritada com Anna, mas a dor das queimaduras era demais para suportar.
- Não me toque! – Gritou Carolina, que correu matagal adentro indo em direção ao mar. Anna tentou correr atrás dela mais foi interrompida pelo seu primo e os outros.
- Deixa ela Anna, essa daí se acalma sozinha. –Falou Alice. Anna desesperada falou:
- Mas eu não fiz por que eu quis! – Depois de sair do matagal e passar discretamente por perto de algumas casas, Carolina havia conseguido chegar até o mar, que na verdade era uma parte do Rio Ceará, entre a praia e a ponte.
- Eu sou umaaberração. – Disse Anna para si mesma, sentada embaixo de uma árvore.
- O que disse? – Falou Dennis aproximando-se.
- Eu sou uma aberração, destruidora e incendiaria. – Disse Anna numa voz calma e tranquila.
- Anna não diga isso! Você tem asas, pode voar para onde quiser, sabe quantas crianças desejam isso? E olha só, você controla o fogo literalmente, uma coisa que nenhuma pessoa na face da terra conseguiu. Por que você acha que é uma aberração?
- Por que eu não só controlo o fogo, eu crio o produzo e não há nada de bom no fogo! Ele só foi feito para queimar e destruir, foi o que eu fiz com a pele da Carolina e provavelmente devo fazer coisa muito pior daqui pra frente.
-Então você acha que virou uma aberração? – Perguntou friamente Dennis.
- Acho.
- Se eu tiro esse troço aqui, do meu pulso, eu me torno uma das criaturas mais perigosas do mundo! – Disse Dennis numa voz rígida apontando para o dispositivo R.N.G. – Eu não posso mais andar no sol, sem ferir os meus olhos, não posso mais sair por ai sem machucar alguém, sem está com essa coisa no meu braço. Eu não posso mais ser normal como vocês Anna! Como acha que eu me sinto?
- Eu intendo. – Disse Anna.
- Eu só posso ser normal se estiver em meio à escuridão, Deus não vai aceitar uma criatura como eu no Céu.
- Bobagem Dennis! Tá você é uma criatura bem sombria, mas Deus nos ama, pelo o que somos, não por quem nós somos! Por que você não seria aceito no céu? Você é tão honesto, bondoso e puro.
- E por que uma garota tão linda, meiga e inofensiva como você seria uma aberração? – O rosto deprimido de Anna sumiu imediatamente com um sorriso.
- Tá legal, você produz fogo, mas o fogo também é usado para o bem, não é mesmo? – Anna e Dennis se abraçaram, Dennis cochichou. - Não é certo uma garota como você odiar a si mesma. Nós te amamos Anna.
- Isso inclui a min também! – Disse Pedrinho, que surgiu e beijou a mão de Anna. – Anna meu anjo de fogo, eu te amo do jeito que você é. – Alice gritou:
- Ai, que nojo, o balofo do Pedro tá beijando a sua mão! – Dennis falou:
- Converse com a Carolina Anna, ela vai te dizer a mesma coisa.
- Que o Pedrinho é um balofo?
- Não! Que você não é uma aberração. - Carolina se sentou na margem do Rio Ceará e começou a lavar as queimaduras, a água, ardia muito sobre os ferimentos, mesmo assim Carolina continuava a lava-los. Quando parou, estendeu a mão sobre a água e dela saiu um tentáculo de água, que se enrolou em seu braço, sobre as queimaduras e de uma hora pra outra começaram a se regenerar. Anna vinha correndo em direção de Carolina, para conversar com ela, mas se distraiu ao ver a água cicatrizando os ferimentos nos braços e nas mãos de Carolina.
- Como é que você consegue fazer isso? – Perguntou Anna curiosa.
- Parece que além de eu conseguir manipular a água, também posso usar os seus nutrientes ao meu favor. – Respondeu Carolina impressionada. Outro tentáculo surgiu da água e curou o outro braço.
- Carolina isso é incrível você cura qualquer ferida, poderia salvar muitas pessoas!
- Apenas, qual quer ferida Anna, não sei se poderia salvar alguém da morte.
- Carolina, me desculpa por ter queimado as suas mãos e os seus braços. Você sabe como eu sou desastrada!
- Tudo bem Anna eu sei que foi só um acidente. – Carolina e Anna se abraçaram.
- Ou você deveria dizer: Foi mais um acidente? – Anna e Carolina começaram a rir.
Já estava chegando o meio-dia quando todos deixaram o matagal e foram até a Lanchonete Srta. Tereza comentando sobre os seus poderes uns dos outros. Quando chegaram lá, a lanchonete ainda não estava aberta e então os cincos sentaram-se em uma mesa para tomar um suco. Anna trouce para Alice um enorme Cheeseburger, para tentar saciar o seu apetite por carne, mas Alice não estava interessada no Cheeseburger por inteiro, e com as próprias mãos retirou a carne e a devorou. Todos ficaram boquiabertos olhando para ela.
- Que é? Eu tô com fome!
- Sabe pessoal? Eu andei pensando. – Dizia Anna. - Agora que somos mutantes, não podemos simplesmente sair por ai dizendo quem nós somos, por que... Além de mutantes, nós somos espiões e se agente precisar usar os nossos poderes na frente de alguém, vamos precisar de identidades secretas. Vamos precisar de codinomes intendem? – Carolina disse:
- É uma boa ideia! – Alice falou.
- Ah, eu quero ser chamada de Pantera-Rosa. – Anna Disse.
- Eu quero ser chamada de...
- A Garota-Quente, ou A Apimentada ou A Sedutora Garota-Ardente...? – Falou Pedrinho.
- Fênix! – Gritou Anna, encarando Pedrinho. - A ave que renasce das cinzas. E você Carolina?
- Aquática.
- Um nome, que ninguém intende ou sabe o que significa... É perfeito para uma nerd! – Falou Alice.
- E você Pedrinho, qual codinome que você escolheu? – Perguntou Anna.
- Eu não sei, Porco-espinho é tão constrangedor.
- Que tal bujão de gás? – Comentou Alice.
- E que tal, Piriguete da Favela pra você hein Alice?
- Piriguete da Favela é a tua...
- Alice, por favor? – Interrompeu Anna.
- Ah! Já sei, Espinho-branco. E você Dennis qual vai escolher?
- Que coincidência!
-Legal! Espera aí o que?
- É que eu acabei de me lembrar de um desenho que eu fiz.
- Um desenho? – Perguntou Alice.
- Antes das férias, depois que a Anna me apresentou vocês pelo e-mail eu fiz um desenho de cada um de nos, sem ofensas, mas eu faço isso pra me refletir sobre o que eu penso das pessoas e a minha posição diante delas.
- Isso é maneiro! – Disse Pedrinho.
- Mas e onde é que tá esse desenho? – Perguntou Anna.
- Bom eu ia amostrar pra vocês, mas eu perdi, mas não sei aonde.
- E como você desenhou agente? – Perguntou Alice
- Eu desenhei vocês exatamente como os animais, que foram introduzidos em seus DNA, e foi que isso me deixou surpreso.
- Espera um pouco ai, Dennis, você tá dizendo que nós estamos nos transformando nas “criaturas” que você desenhou? – Perguntou Anna.
- Exceto a Carolina, eu a desenhei como um golfinho azul. Eu sei que é estranho, mas não passa de coincidência! – Alice lamentou:
- Ah, mas se não fosse coincidência, Dennis você bem que podia ter me desenhado como uma Pop-star assim eu me transformava em uma! – De repente o celular de Carolina começou a tocar e imediatamente o retirou de sua mochila. Quando viu o número de quem estava chamando, sua expressão rapidamente ficou séria.
- É do laboratório de análise! – Disse Carolina vibrando de nervosismo.
- Alô? – Falou Carolina forçando uma voz bem adulta ao telefone. – Sim sou eu mesma. – E então o rosto de Carolina ficou bem serio, deixando a todos bastante curiosos.
- Você tem... Você tem certeza disso? – Perguntou Carolina. – Tá, obrigada tenha um bom dia. – Carolina imediatamente desligou o celular.
- Carolina, fala o que foi? – Perguntou Pedrinho.
- Os resultados... Os testes... Deram positivos! – Dizia Carolina chocada.
- Do que você esta falando? – Perguntou Dennis.
- Os exames feitos nas amostras de saliva que eu peguei da gente, mostraram que estão geneticamente modificados! Eu sei que é óbvio, mas nós oficialmente, somos mutantes.
- Carolina e porque você tinha duvida disso? – Perguntou Alice.
- O que eu estou querendo dizer é: Gente a nossa natureza foi alterada, nós não somos mais humanos! Simplesmente mudaram o nosso ser, e isso é uma coisa, que cientistas de anos e anos de carreira conseguiriam e mesmo que conseguissem seria um crime! – Anna falou:
- Alguém que conseguiria fazer uma experiência dessas, com certeza não foram, só o Janderson e os amigos dele. – Dennis disse:
- Mas eles foram às únicas pessoas que nós encontramos quando entramos e saímos daquele laboratório.
- É verdade! – Gritou Pedrinho.
- Então pessoal será que nós podemos voltar naquele assunto?
- Qual Dennis? – Perguntou Carolina.
- Sobre o que aconteceu com agente no laboratório do Janderson. O que aconteceu mesmo naquele lugar, antes da gente ter saído? E por que nós não nos lembramos de nada?
- Mas já não está claro? – Perguntou Anna. - Nós invadimos a casa do Janderson, encontramos a passagem secreta do laboratório no guarda-roupa e entramos, Janderson e os amigos dele pareceram e nos doparam com alguma coisa e quando acordamos fugimos e destruímos o laboratório.
- Não Anna, isso é o que agente acha que aconteceu. Tenho certeza que aconteceram outras coisas naquela noite. Só não conseguimos nos lembrar!
- Tipo o que? – Perguntou Alice.
- Olhem vocês não acham que o Janderson está escondendo algo além do laboratório? Nossos poderes são provas de que ele está aprontando alguma coisa, para o que ou para alguém eu não sei, mas ele está. Por que com certeza ele não deve fazer experiências genéticas, como forma de castigar intrusos!
- Dennis eu acho que você está exagerando. – Falou Alice.
- Alice, não foi você que disse que o seu primo andava se comportando de um jeito estranho?
- Ele é estranho, meu lindo e sempre foi!
- O que eu estou querendo dizer é que ele deve estar tramando algo como... Como derrubar as Torres Gêmeas, você lembra?
- Estou intendo, o que você tá querendo dizer. – Disse Carolina.
- Existe um intervalo nas nossas lembranças da noite em que invadimos o laboratório. Só nos lembramos de: Ter invadido a casa do Janderson as 7:00hs da noite, encontramos o laboratório secreto dele e entramos...
- Confere. – Disse Anna.
- Entramos no laboratório, ai depois. Borrão na memoria. Não nos lembramos de mais nada. Apenas de acordar em macas, lutar com Janderson e os seus comparsas, destruir o laboratório dele e depois fugir.
- É foi isso mesmo. – Concordou Anna.
- Me lembro de que quando acordamos Janderson e os amigos dele comentarem, algo sobre, nós termos sobrevivido uma simulação e... E que nós não participamos de uma chuva mutante eu acho. E que nós não vamos obedecer às ordens dele. – Comentou Carolina.
- É eu também me lembro disso! – Concordou Alice.
- É pessoal o Dennis tem razão, alguma coisa foi feita com agente. – Disse Pedrinho.
– Eu não sei vocês, mais eu quero descobrir. – Falou Dennis.
- Também queremos saber Dennis. – Disse Anna. - Mas como vamos fazer isso?
- Indo até ele e conversando civilizadamente. – Alice berrou:
- Aaaaaaaah ah-ah-ah! Isso foi piada né? – Perguntou Alice.
- E por que seria?
- Por que isso é loucura! Já invadimos a casa dele, depois destruímos o laboratório secreto do Janderson e você ainda quer ir até ele na maior cara de pau e perguntar o que ele fez com agente?
- E você tem ideia melhor?
- Ahm não. Mais fala serio! Viramos mutantes quando invadimos a casa dele, o que você acha que pode acontecer com agente se formos até o Janderson e confrontarmos ele?
- Alice, porque você tem tanto medo no Janderson? – Perguntou Anna.
- Eu não tenho medo dele, ele não é nada pra min!
- Então por que você sempre aponta algum problema quando agente quer agir? Sempre que pensamos em um plano que nos ajude em algo útil, você sempre diz alguma coisa para nos impedir.
- Se evitar uma confusão é interromper planos para você. Então você está certa!
- E quem tá falando de interrupções aqui Alice?
- Alice só querendo desvendar um mistério. – Disse Dennis.
- Ah, cala a boca! Você é um garoto que veio de um bairro chique, você não sabe nada sobre as pessoas daqui!
- Então, você não vai pra próxima missão? – Perguntou Anna.
- Não! E pra canto nenhuma também. – Alice se levantou.
- Pra onde você vai?
- Vou pra casa, tô indo embora. Anna se você diz tanto que é minha amiga, porque você nunca fica do meu lado?
- Eu sempre estive do seu lado, acontece que você sempre quer que eu faça o que você quer, mais quando eu te peço alguma coisa, a resposta sempre é “não”. Eu não sei mais o que você significa sua amizade pra min.
– Beleza. – Murmurou Alice que se dirigiu até o portão da Lanchonete.
- Alice, por favor, fica? – Implorou Dennis.
- Não Dennis! Eu só interrompo não é? - Alice saiu indignada, mas voltou e disse:
- E sobre a “investigação”, podem me esquecer, eu não ajudo mais vocês! - Alice então finalmente saiu, ouve um minuto de silêncio até que Dennis disse:
- Bem, podemos criar um plano para a missão dessa noite?
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