quarta-feira, 31 de julho de 2013

Cap. 6

Um Vilão faz um Ato de Heroísmo


 - Tchau Seu Mendes, tchau Dona Mendes. Fui! – Dizia Alice saindo da casa de Carolina. Sheila curiosa perguntou:
- Conversou com a Carolina?
- Como ela está? – Perguntou Roberto.
- Conversei um pouco com ela sim e a Carolina está ótima, mas não se esqueçam de levarem ela a um shopping para comprar umas roupas, ela tá precisando! Tchauzinho. – Alice se foi. Logo em seguida Anna desceu as escadas apressada.
- Onde está Alice? – Perguntou Anna.
- Ela já foi. – Falou Sheila.
- Obrigada. – Anna foi andando apressadamente em direção à porta.
- Anna espera, falou com Carolina? – Perguntou Sheila.
- Ahm, sim. Ela está bem, eu fui uma ótima... Psicóloga, podem me pagar amanhã, se puderem. Até mais. – Anna se foi.
Pagar? – Repetiu Roberto. Quando Anna saiu da casa de Carolina, percebeu que já havia anoitecido, ela olhou em volta na rua e avistou Alice atravessando a rua, indo em direção a sua casa.
- Alice! – Gritou Anna. Alice parou de andar e ficou olhando de um lado para o outro, procurando quem havia gritado o seu nome, e então viu Anna correndo em sua direção.
- Alice!
- O que foi Anna? O que aconteceu? – Perguntou Alice.
- Eu é que pergunto! – Respondeu Anna. – Porque você foi pra casa da Carolina?
- Anna, eu já falei! Fui visitar minha amiga.
- É que, se me lembro bem, a Carolina não é uma das suas pessoas favoritas.
- Anna isso é um absurdo! A Carolina é especial pra min tanto quanto vocês. – Anna lançou um olhar sério para Alice. – Tá bom, tá bom, eu fui na sua casa e o David me contou que você estava aqui.
– Tá legal, mas o que deu em você, por que disse aquelas coisas pra Carolina? Ela tá sofrendo!
- Eu sei.
- Como assim, eu sei? Você sabia que ela era a fim do...?
- É claro que eu sabia, até um sego vê isso! – Respondeu Alice sorrindo.
- E mesmo assim, você... Espera aí, então foi esse motivo que você veio aqui? Como pôde?
- Ai Anna, parece até que eu cometi um crime! A única coisa que eu fiz foi falar pra Carolina de uma forma menos dolorosa, que o Dennis nunca será dela.
- Ah tá, menos dolorosa. E vem cá, você pensou em como a Carolina se sentiria? Não, você nunca pensa em ninguém além de você mesma!
- Como se eu me importasse com os sentimentos daquela pirralha.
- Alice no dia que você amar alguém, se é que isso vai acontecer, aí você vai sentir o que ela tá passando!
- Anna por mais que essa conversa esteja me irritando, eu não vou brigar com você. Quando isso tudo acabar o Dennis, será meu, acredite.
- Ok, mas um conselho. Sabe aquela sua máscara de gato preto? É melhor colocar ela, vai que você quebra a cara? É melhor tá protegida. – Anna deu as costas e se foi.
 Chegando em casa, Anna encontrou David na sala de estar assistindo televisão, na verdade ele não estava assistindo e sim passando os canais. Anna andou pesadamente até ele, se jogou no sofá e suspirou.
- Eu sei que é obvio, mas aconteceu algo de ruim? – Disse David, com os olhos na TV.
- Não, nada. É só a Alice. – Respondeu Anna.
- O que ela fez dessa vez?
- É que ela adora implicar com a Carolina. Queria saber o que tem na cabeça dela.
- Falando na Carolina, você conversou com ela?
- Sim.
- E o que ela tem?
- Não posso te contar, posso alterar acidentalmente a linha do tempo! – David e Anna riram. 
- Isso até me faz lembrar que eu queria te falar uma coisa. – Anna olhou para David. – Me desculpe.
- Se acha que me pedir desculpas, por não me falar muito sobre futuro, vai me fazer te contar, sobre a minha conversa com a Carolina está enganado! Me desculpe, mas é que é segredo.
- Não! Eu queria te pedir desculpas, por hoje de manhã, no quintal eu não devia ter falado do Dennis. Foi idiotice minha. - Dona Tereza veio da cozinha e perguntou:
- Anna viu o Xandre por aí? – Anna respondeu.
- Não mãe, eu acabei de chegar... – Anna juntou as sobrancelhas e se virou lentamente para David. - Você não trouce ele?
- Sim, ele estava lá na cozinha com a sua mãe.
- E estava mesmo. – Confirmou Tereza. – É que eu comprei uma ração diferente pra ele. A que eu comprava estava faltando. Ai eu queria saber se ele gosta, mas não o encontro em lugar algum. – Anna murmurou:
- Ah! Deve ter saído de novo. – Depois que Anna havia dito isso, David com os olhos vidrados na TV falou:
- Anna, ssssh! – Anna olhou para David, que imediatamente aumentava o volume. Era outro telejornal, a manchete na parte de baixo da tela dizia:

CRIANÇAS E ADOLESCENTES DESAPARECIDOS SOFRERAM MUTAÇÃO GENÉTICA?

O Repórter ancora do jornal falava om um tom de voz incrédulo: “Nesta manhã de segunda-feira, mais duas cidades, foram atacada pelo que a população chama de ‘mutantes’. Os vândalos que antes, estavam aterrorizando a grande São Paulo, atacaram hoje a cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais e em Salvador, na Bahia. Dois jovens dos vândalos foram identificados, um é uma garota de 13 anos chamada Isadora Barbosa,” – E na Televisão surgiu a foto de uma garota, com pele branca, olhos azuis e com os cabelos pretos em um corte Chanel. – “ela foi identificada por uma câmera de vigilância, durante um roubo a um banco em Belo Horizonte.” – A foto da garota despareceu, e em seu lugar surgiu às filmagens de uma câmera, que mostravam um bando de jovens semelhantes aos que David mostrou para Anna e os outros no Laboratório Noturno, mas dessa vez o bando parecia ter aumentado. – “Isadora é uma dos jovens desaparecidos de São Paulo, o que eu deixou a família e os investigadores do desaparecimento da garota, muito surpresos. E levou os Paulistas e a todos acreditarem que as crianças e os adolescentes desaparecidos estejam, aliados com os mutantes. Outro jovem identificado é um garoto de 10 anos chamado Rafael Pereira,” - Outra foto surgiu na tela, era a foto de um garotinho de pele morena, cabelos escuros e olhos castanhos e inocentes. – “a policia o capturou em um restaurante, em um ataque de vandalismo, na cidade de Salvador. O garoto identificado, também é um dos jovens paulistas desaparecido. Por estar muito agressivo e violento, quando Rafael foi capturado, ele teve que ser sedado, mas não foi entregue a família, ele foi levado para o Laboratório de Análise Clinica do Estado da Bahia, os exames de DNA mostraram que Rafael possui o mesmo material genético de um leão. O garoto ainda permanece, sendo analisado em estudos no laboratório. E os cidadãos do nordeste, devem ficar atentos.” – Depois disso o Telejornal, foi para os comerciais.
- Meu Pai eterno! – Disse Tereza preocupada. – Como se já não fosse o bastante esses sequestradores, ficarem roubando crianças. Agora tem que transformar elas em bichos também! – Tereza voltou para a cozinha. David falou:
- Os jovens que agente viu chegarem ao acampamento do Refugio dos Lobos, eles foram trazidos de Salvador e de Belo Horizonte!
- Se eu não estivesse completamente chocada agora. – Dizia Anna. – Eu diria que eles estão fazendo uma turnê pelo país. – David com ar sombrio falou:
- Não estão não. – David olhou para Anna. - Estão vindo pra cá.
 Carolina em seu quarto, já havia parado de chorar. Estava deitada em sua cama, com os pensamentos rodopiando em sua mente. Ela então se levantou e foi para a varanda (lugar onde ela costuma ir para melhorar os ânimos). A varanda ficava do lado de trás e sua casa, com vista para uma centena de outras casas. Carolina se apoiou na amurada, suspirou e baixou a cabeça. Ela então foi surpreendida, com um som tristonho, o miado de um gato, Carolina olhou em volta e viu pendurado em um fino galho de árvore, da casa do vizinho a direta, um gato branco no qual, reconheceu no mesmo instante.
- Xandre? Eu não acredito! – Sussurrou Carolina, fingindo estar furiosa. - O que você está fazendo aí?
Miau! – Respondeu Xandre, implorando por socorro, que por algum motivo Carolina conseguiu compreender.
- Calma vou tirar você daí em um minuto, só num sei como. – Xandre não estava tão longe de Carolina, a árvore da casa de seu vizinho, era bem grande e alguns galhos, tomavam uma pequena parte do quintal de Carolina.
 Ela então planejou subir na amurada da varanda, procurar se equilibrar ao máximo e tentar pegar Xandre. E Carolina fez conforme seu plano, ela ficou em pé na amurada da varanda, quando olhou para baixo percebeu que o chão do quintal havia ficado mais distante, logicamente a sua altura tinha aumentado, por tanto a tentativa do equilíbrio se tornou a coisa mais difícil para ela naquele momento. Carolina foi andando de lado bem lentamente, sem tirar os pés da amurada.
- Calma Xandre. Estou indo te salvar, não se mecha. – Dizia Carolina, tentando acalma-lo.
 Chegando ao canto, da varanda, Carolina apoiou seu corpo na parede e esticou o braço, para tentar pegar o gato. Mas ela foi impedida por alguns centímetros. Carolina olhou para baixo mais uma vez, e um nervosismo muito grande percorreu seu corpo, ela então fechou os olhos e inclinou seu corpo. Quando a mão dela já estava bem próxima do galho onde Xandre se equilibrava.
 E então a mente felina de Xandre, teve uma ideia involuntária. Ele pulou no braço de Carolina, arranhando a garota com as suas unhas, Xandre andou até o ombro dela e saltou. Quando o gato fez impulso com as patas de trás para saltar, ele acabou empurrando Carolina nas costas, que caiu de sua varanda. Faltando alguns segundos para cair no chão, Carolina fechou os olhos e algo lhe empurrou para a esquerda, quando ela abriu os olhos, se deu de conta que estava voando, abraçada com uma pessoa, braços fortes lhe seguravam nas partes superiores e inferiores de suas costas. Ao notar um som de asas, gigantes, batendo imediatamente acreditou que sua amiga Anna, tivesse lhe salvado.
- Ah, Anna obrigada! Eu nem acredito que... - Então Carolina viu o rosto da pessoa que lhe segurava que no mesmo instante, lhe fez perder o raciocínio. Era Dennis, que havia lhe salvado a vida. Depois de uma volta completa, em volta da casa de Carolina, Dennis a deixou no quintal, no mesmo local onde Carolina teria passado dessa para melhor.
- Ah o-o-obrigada, Dennis. – Ele assentiu e sem dizer uma palavra, ou demostrar algum sentimento, Dennis se virou, bateu asas e levantou voo. Depois que o Garoto-Morcego sumiu de vista no céu, Carolina voltou a si e disse:
- Xandre, você bem que podia vir no meu quintal mais vezes.

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