8. Na Pedra do
E.T.
Carolina pôs sobre a mesa, folhas de jornais antigos. Ela
apresentou um, no qual na manchete dizia:
– "Medo
dentro de casa e nas ruas de Quixadá", ano de 1972. As mesmas coisas que
estavam acontecendo lá em Quixadá, naquela época, eram as mesmas que acontceram
aqui. Pessoas de todas as idades, sem ligação alguma, estavam simplesmente
sumindo. Sem deixar pistas.
– E o que isso tem
haver a nossa situação? – Perguntou Julie – Tipo, esse jornal é de anos atrás.
– Acontece que não
para por aí. – Carolina mostrou-lhes outro jornal. – Em 1982, essa notícia sai
nas manchetes: "Mais de 15 desaparecidos, em Quixadá nesse mês."
"Religiosos se perguntam: 'Será que é o arrebatamento? ' ". A noticia
se refere mais uma vez a Quixadá.
– Podia ser
qualquer outra coisa. – Sugeriu Alice.
Carolina leu outra manchete.
– "Mistériosa
'Onda de Desaparecimentos' volta a assombrar interior cearece." Esse é de
1992.
– Então – disse
Dennis –, o que você está querendo dizer, é que... hum, os sequestros
assombravam os moradores de Quixadá antigamente?
Junior perguntou:
– De que adianta
saber desses acontecimentos, se já se foram? – Carolina respondeu:
– Não se foram,
Junior. Apenas tiveram um intervalo.
Carolina leu a última manchete.
– "Sequestro
ou fenômeno? Pessoas desaparecem diariamente em Quixadá." Adivinhem de
quando é esse jornal? De três dias atrás. Ao que tudo iundica é que os
desapesarecimentos que o Dennis andou investigando já aconteciam em Quixadá a
anos, eles apenas paravam por alguns anos e depois voltavam a acontecer.
– Mas ô garota? –
Chamou Alice. – Como você sabe que o que estava levando as pessoas em Quixadá,
era o mesmo que estava levando as pessoas daqui?
– Poderia ser
outra coisa completamente diferente – disse Julie – e mesmo que não fosse, por
que viria a Fortaleza?
Carolina olhou para Dennis.
– Dennis, você não
disse que os desaparecimentos aconteciam de cidades em cidades, no estado do
Ceará, até chegarem aqui?
– Sim. – Confirmou
ele.
– Então você
lembra qual foi à primeira cidade em que esse fenômeno começou?
– Ah, a primeira cidade
foi o município de... – Dennis piscou atordoado – Quixadá.
– O que quer dizer
com isso? – Perguntou Dennis. – Que algum "mal" veio de Quixadá?
– É o que parece
Dennis. Eu não sei o que é, mas algo ou alguém que levava pessoas em Quixadá
resolveu viajar pelo nordeste do país.
Pedrinho cerrou os dentes.
– Então seja lá o
que levou a minha Anna, veio de lá!
– Ah, e... –
Carolina ia dizer algo, mas pareceu ter desistido.
– O que foi
Carolina? – Perguntou Dennis.
– Não é nada, é
só... não que eu acredite nessa história de E.T., mas se vocês não sabem,
Quixadá é uma das cidades em destaque que possui grandes números de relatos de
avistamentos de OVNIs no nosso país.
– Não brinca? –
Desdenhou Julie.
Pedrinho perguntou:
– Por que vocês tem
tanto problema em acreditar que são os alienígenas que estão por trás de tudo
que esta acontecendo? – Junior respondeu:
– Aham, por que
isso é mó doidice? – Alice falou.
– E porque se a
Anna tiver sido levada por E.Ts, não vamos ter a menor chance de conseguir
trazer ela de volta!
– Isso não é
verdade! – Gritou Dennis.
Depois que se recompôs e disse:
– Não importa o quê ou quem a tenha
levado. Vamos encontrá-la, custe o que custar. E se foi em Quixadá, o início de
tudo isso, para lá iremos então.
Na manhã seguinte, decolaram com o Jato
Noturno rumo a Quixadá. Em poucos minutos já estavam sobrevoando sobre uma
paisagem rica em vegetação do tipo caatinga, com cactos e outras plantas baixas
e espinhosas; E inselbergs, que são formações rochosas que dominavam boa parte
do município.
Ao sobrevoarem o local, Junior avistou uma
formação rochosa próxima a um açude, que lembrava uma ave.
– Pessoal olhem só
aquela pedra! – Disse ele apontando pela janela do jato. – Que engraçada, parece
uma galinha.
– Esse é um dos
principais pontos turísticos de Quixadá – disse Carolina – A Pedra da Galinha
Choca.
Pedrinho começou a rir.
– Pedra da
Galinha? Por quê? É uma homenagem pra Alice?
Dennis riu. E Alice respondeu:
– Olha aqui, seu
poço de gordura, se você não percebu eu sou uma pantera não uma galinha!
Ou será que eu tenho que passar a unha na tua cara pra perceber? – Carolina
disse:
– Ela é chamada de
Pedra da Galinha Choca por causa do formato Pedrinho. – E cochichou: – Não
porque é uma tonta!
Depois que aterrissaram o jato em um bom
local, perceberam uma notável diferença no clima de Quixadá.
Julie: "E eu
achando que Fortaleza, é que era quente... mas isso aqui é estágio pro
Inferno!".
Carolina: "Ai
meu Deus, que calor!".
Pedrinho: "Dennis,
essa sua pele branca tá refletindo o sol na minha cara! Eu vou ficar
cego.".
Dennis:
"Aguenta aí... daqui a pouco vou estar mais preto do que carvão!".
Enquanto atravessavam uma Avenida, Alice
berrou:
– ALGUÉM, POR
FAVOR, ME TIRA DESSE SOL! Esse suor vai fazer a minha máquiagem derreter.
Passando próximo a uma vaga churrascaria,
Pedrinho sentou-se em uma mesa na calçada.
– Ah, vamos dar
uma paradinha por aqui, por favor. – Disse ele ofegante. – Não aguentou mais
andar debaixo desse Sol quente!
Carolinja comentou:
– Ahm... técnicamente
o Sol nunca foi frio, ele...
– Eu já sei
Carolina! – Rosnou Pedrinho.
Dennis falou:
– Tudo bem
pessoal, vamos ficar aqui por alguns minutos, comprar alguma coisa pra beber e
aproveitar para conseguir informações.
Todos se sentaram a mesa, exceto Alice que
ficou de pé, dando uma olhada a sua volta, avaliando o local.
– É, essa
churrascaria da pro gasto – disse ela – Pedrinho, tá com a câmera?
– Tô.
Quando viu Alice retirar um microfone de sua
bolsa, Julie perguntou:
– Você não vai
mesmo gravar o seu programa aqui, vai?
– É claro que vou.
– Dennis falou:
– Alice, eu sei
que estamos à toa numa churrascaria, mas não estamos à toa aqui, em Quixadá. –
Alice fez uma careta.
– Hãn?
– Estamos disfaçados, isso aqui ainda é uma missão
dos Feras Noturnas.
– Exatamente,
querido. E esse é o meu disfarce... e esses assuntos sobre E.Ts, OVNIs
sempre chamam a atenção das pessoas, gravar uma edição do meu programa aqui, em
Quixadá pode ajudar o Alice-babado-forte.com a ter muitas vizualizações.
– Tudo bem – disse
Dennis –, contando que você tome cuidado com o que for falar.
– Ah, não seja
rídiculo Dennis! Eu só precio de alguém que tenha testemunhado a aparição de um
OVNI, não alguém que nos mostre fotografias e documentos, mas sim alguém que
seja a prova viva de que aliens existem!
Um jovem e belo garoto que andava próximo a
mesa foi até eles e disse:
– Bom dia, o que
vão querer?
Ele era moreno, alto, magro e musculoso, e é
cláro que Alice aprovou tudo isso.
– Ai você pode
ajudar, sim, meu amor... e muito!
O garoto sorriu
timidamente e olhou pro chão.
– Ah, coitado do
garoto! – Murmurou Carolina.
– Já participou de
algum programa na sua vida? – Perguntava Alice.
Antes que respondesse, Dennis perguntou:
– Quanto custa a
àgua?
– Àgua, aqui, é de
graça. Hum, é... vocês são turistas? – Dennis respondeu:
– Sim...
– Estamos em uma
aula de campo – interrompeu Julie – e decidimos dar uma voltinha pela cidade.
– E estão
procurando alguém que viu um OVNI?
Todos ficaram em silêncio.
– Me desculpe, é
que eu não pude deixar de ouvir a conversa de vocês sobre alienígenas e OVNIs.
Dennis se levantou e com um olhar sério
interrogou:
– Foi só isso que
você ouviu, não foi?
O garoto arregalou os olhos e respondeu:
– A-ah foi tudo que
ouvi, eu juro! Eu só achei que vocês gostariam de conhecer a Dona Maria
Gertrudes.
– Quem é essa? –
Perguntou Junior.
– Não é o nome de
uma Santa? – Perguntou Pedrinho.
– É uma velha
senhora, que mora numa cabana na Pedra do E.T. ...
Alice o interrompeu dizendo:
– Pedra da
Galinha, Pedra do E.T. essa cidade tem pedra de tudo, mas uma pedra da Alice
que é bom, nada né?
– O que é a Pedra
do E.T.? – Perguntou Dennis.
– Pedra do E.T.
uma rocha enorme que parece a cabeça de um E.T. de lado, acreditam que lá é uma
espécie de porto extraterrestre. Todo ano, ufólogos veem aqui, só pra ver essa
pedra.
– E a Dona Maria
Gertrudes? – Perguntou Julie.
– As pessoas não
gostam muito de falar dela. Dizem que ela é louca, nunca sai de casa, apenas
para comprar comida e gatos.
– Gatos? – Indagou
Pedrinho.
– E o que ela tem
haver com aliens e OVNIs? – Perguntou Alice.
– Eu não sei
exatamente o que aconteceu com ela. Todo mundo diz algo diferente sobre a Maria
Gertrudes, mas parece que depois que o marido dela foi encontrado morto na
Pedra do E.T. ela ficou louca e passou a morar lá. Ela acredita que o marido
dela foi morto por alienígenas.
– Qual é o seu
nome? – Perguntou Dennis.
– Ahm, José. –
Alice perguntou:
– José, já te
contaram que você é mais quente do que Quixadá?
– Alice! –
Murmurou Dennis.
– O que é?
– Será que você
pode nos levar a essa Pedra do E.T., José?
– Hum, termino meu
serviço daqui a pouco.
Carolina não encontrou semelhança alguma
entre, a Pedra do E.T. com a cabeça de um E.T. Depois que se hidrataram, os feras
foram guiados por José, por um longa trilha. O Sol escaldante, o ar humido e
abafado e o caminho pedregoso, trazia incomodo e faziam a caminhada parecer
cada vez mais interminável.
Por fim, avistaram uma grande rocha, com um
interessante formato triangular/oval.
– Chegamos –
anúnciou José –, essa é a Pedra do E.T.
– Essa? –
Perguntou Carolina – Pra min, isso não parece a cabeça de um E.T.
– Garota – disse
Pedrinho –, você tem problemas.
– E onde está a
cabanda da Dona Maria Gertrudes? – Perguntou Dennis.
– Fica logo atrás.
Deram uma volta, em torno de pedra e no pé do
morro, viram uma casa bem pequena. Seu teto era baixo, as paredes eram pintadas
de branco, mas a tintura já estava velha e debotada. As janelas estavam
fechadas e a porta da frente era dividida ao meio.
Em frente a casa, um gato se banhava, quando
viu os estranhos se aproximando, correu assustado, no mesmo instante
acharam ter ouvido vocês bebês chorando. Dois gatos brigavam no telhado.
– Será que ela tá
em casa? – Perguntou Junior.
– Vamos torcer que
sim. – Disse Dennis.
Alice comentou:
– Acho que essa
senhora, não é o tipo de pessoa que curti ir a um shopping. Só acho.
– É sério? –
Perguntou Junior.
– Ok. Pedrinho,
pode ligar a câmera. – Ordenou Alice.
Que ajustou o pentiado retocou a máquiagem e
tomou um gole de água, tudo isso em 10 segundos.
– Gravando! –
Anúnciou Pedrinho.
– Olá, garota de
bom gosto! Está começando mais um Alice-babado-forte.com...
José sussurrou no ouvido de Dennis:
– Ela é
apresentadora?
– Ahm, é... é... –
Dennis pôs o dedo nos lábios. – Shhh.
– ...e o sol de rachar de Quixadá, rachou
minha curiosidade e me trouce até aqui, junto com os meus amigos Feras...
Pedrinho apontou a câmera para os outros,
depois voltou a focar em Alice.
– Ahm... meus
amigos da fé. – Corrigiu Alice fazendo o sinal da cruz. – Você acredita em
extraterrestres e discos voadores? Viemos até Quixadá, porque descobrimos que
nessa casinha, aqui, mora uma senhora que acredita que seu marido foi morto por
seres de outro planeta! Se isso é verdade, vamos decobrir.
José se aproximou da porta, que estava com a
parte superior aberta e começou a bater palmas e chamar:
– Maria Gertrudes?
Alguém em casa? – Ninguém respondeu.
Alice se voltou para Pedrinho e disse:
– Pedrinho dá um close
no bumbum desse garoto, é incrível!
– Fala sério,
garota! – Murmurou Pedrinho,
– Dona Maria? –
José voltou a chamar.
– Alguém aí? –
Perguntou Dennis e ninguém respondeu.
Julie chamou:
– A senhora pode
nos emprestar uma xícara de açucar?
Pedrinho gritou:
– Dona Maria Gertrudes,
saia da casa com as mãos para cima! Você está completamente cercada!
Todos se voltaram para Pedrinho.
– Eu só queria ver
se funcionava. – Explicou ele.
– Ei, acho que é
ela, ali. – Disse Dennis.
Pedrinho apontou a câmera para dentro da casa,
e viu na sala de estar, uma senhora sentada em uma cadeira de balanço de frente
para uma TV ligada.
– É ela mesma. –
Confirmou José.
– Será que ela
pode nos ouvir? – Perguntou Carolina.
E de repente um susto, um gato pulou pela
porta da entrada fazendo Alice berrar.
– Odeio gatos. –
Murmurou ela.
– Ei! – Protestou
Julie.
– Ah – Alice
sorriu –, desculpa amiga.
Os garotos voltaram a chamar pela Dona Maria
Gertrudes, mas nada dela ouvir. Ela nem se quer se mechia em sua cadeira de
balanço, Dennis começou a desconfiar, quando percebeu que ela não estava
assistindo TV, pois estava de cabeça baixa.
– Não estou
gostando disso. – disse Dennis.
– Ela tá muito quieta.
– concordou José.
– Vamos entrar. –
Anúnciou Dennis.
– É isso aí
galera! – Falou Pedrinho – Vamo invadir.
Dennis abriu a porta e todos começaram a
entrar, exceto Alice.
– Gente? Isso não
é certo. A gente pode ir em cana por isso.
– Alice entra
logo! – Sussurou Dennis.
Alice entrou na casa e se juntou aos outros,
choramingando.
– Eu sou bonita
demais pra ser presa! – Pedrinho perguntou:
– Quem te disse
isso? – Alice deu um tapa nas costas dele.
Quando chegaram à sala, encontrarm cerca de
cinco gatos dormindo pelo local.
Dona Maria Gertrudes estava sentada na cadeira
de balanço imóvel, de cabeça baixa, seus longos cabelos brancos estavam presos
em um rabo de cavalo, mas uma parte dele estava solta caido sobre o rosto,
dificultando de ver se estava com os olhos abertos ou fehcados.
– Dona Maria? –
Chamou Dennis.
– Galera acho que
a velha bateu as botas. – Falou Julie.
Dennis voltou a chamar.
– Maria Gertrudes?
Ele pôs a mão no ombro dela, e de repente,
Dona Maria Gertrudes agarrou o braço dele, se levantou e soltou um grito
estridente: "Ya!!!"
Em um golpe de Judô, ela jogou Dennis no chão,
como se ele fosse um boneco de pano. Os outros recuaram assustados. Mas foram
impedidos, os gatos que estavam dormindo se levantaram, eriçando os pelos das
costas e emitindo sons de ameaça.
– Quem são vocês?
O que fazem na minha casa?
Perguntava Dona Gertrudes erguendo os punhos.
– Calma, minha
senhora. Calma! – Dizia Alice. – Meu nome é Alice e você está participando do Alice-babado-forte.com!
– O quê? – Indagou
a senhora. – Fale mais alto menina, não consigo te ouvir!
Alice gritou:
– A senhora está
participando do Alice-babado-forte.com!
Dona Gertrudes lhe lançou um olhar confuso.
– O programa
online. – Falou Alice.
Mas Dona Gertrudes não fazia ideia do que ela
estava falando.
– Da internet...
– Eu não tenho esse
negócio aí, na minha casa. – Explicou a senhora.
– Que horrível. –
disse Julie sensibilizada.
Ao ver Dennis se levantar do chão, Carolina
perguntou:
– Dennis, você
está bem?
– Sim, claro. Eu
to legal. – Respondeu ele, enquanto mancava saindo de perto de Dona Gertrudes.
– O que trouce
jovens como vocês, até aqui? – Junior respondeu:
– Ahm, foi esse
garoto aí. – Junior apontou para José.
– Junior, não... –
disse Julie enquanto abaixava a mão dele – Nós ouvimos falar que a senhora já
teve contato com E.Ts, então viemos aqui. – Alice Confirmou:
– Isso mesmo.
Segundo nossas fontes – Alice piscoupara José –, depois que seu marido
foi encontrado morto na Pedra do E.T., a senhora passou a morar aqui. Você pode
nos falar um pouco sobre isso?
Alice apontou seu microfone rosa para Dona
Gertrudes.
– Ah, mas é claro.
Sentem-se.
– Ô Dona
Gertrudes? – Chamou Carolina. – Será que a senhora podia...?
Ela apontou para os gatos que ainda avançavam
para eles. Dona Maria gritou:
– Bixanos,
quietos!
– Pra quê criar
cães, quando se tem um exercito de gatos? – Disse Julie orgulhosa.
Todos se sentaram nos sofás, enquanto Dona
Maria Gertrudes sentava-se em sua caeira de balanço. Pedrinho continuava a
filmá-la e Alice continuava apontontando seu microfone para ela, era de
brinquedo, mas para Alice não tinha importância.
– No dia que
aconteceu o ocorrido, tentetei informar a todos na cidade – dizia Dona
Gertrudes –, mas eles acharam que eu era uma doida varrida, dá pra acreditar?
– Não, claro que
não! – Respondeu Pedrinho – Não é a primeira senhora que conhecemos que
coleciona gatos.
– Dona Maria –
disse José –, o que aconteceu com seu marido, por que a senhora acha que foram
alienígenas que o mataram?
– Eu me lembro
como se fosse ontem. – Disse Gertrudes com um olhar vázio. – Anos atrás, eu era
casada com um homem chamado Francisco Ariel, ele era o homem mais bonito da
cidade. Eu era apaixonada por ele desde a primeira vez que eu o vi, ele era um
parente distante de uma amiga... planejamos construir uma casa em algum lugar,
bem reservado em Quixadá, eu estava louca com a ideia de ter filhos, mas
Francisco só adiava as coisas, como sempre! – Dona Gertrudes sorriu. – Certo
dia, ele trouce pra min um belo gatinho branco, Filipe, foi como o chamamos.
Como vocês devem saber, gatos tem espírito de liberdade, eu não esperava ter
Filipe por perto por muito tempo, mas ele apenas durou até aquela noite. Quando
a noite caiu, eu estava sozinha em casa e pedi que o Francisco viesse me fazer
companhia, ele havia saido na cidade, depois que ele tinha chegado fui à
cozinha preparar algo para nós jantar...
– Ai que fome! –
Murmurou Pedrinho.
–... Eu me lembro
bem de ver Francisco, pela última vez, na sala de estar, sentado no sofá, com
Filipe em seu colo. Quando fui à cozinha algo estranho aconteceu, ouve uma
queda de energia, eu acho, as luzes se apagram, ouvi Francisco gritar e Filipe
miar, vi também, um clarão vindo da sala, mas quando cheguei lá os dois haviam
somido. Eu não soube o que fazer, se entrava em desespero, se chamava alguém,
se gritava... foi quando meu pai veio me ver e eu contei pra ele o que
aconteceu. Acho que meu pai não acreditou em min, mas ele não me ignorou. Ele
me ouviu, não disse nada e me levou imeditatamente a uma delegacia. Prestamos
queixa, mas os policiais não disseram nada que me alcamasse, na época uma
mistériosa onda de desaparecimentos havia voltado a Quixadá, Francisco Ariel,
era apenas mais um nome na lista dos desaparecidos.
– Ô Dona
Gertrudes? – Chamou Carolina. – O que a senhora fez depois?
– A vontade que eu
tinha era de desistir. Largar tudo e morrer. O bem mais precioso da minha vida,
havia sido tomado de min. Não conseguia mais encontrar algum motivo para viver,
até que um dia, eu me cansei. Cansei de não poder fazer nada, das pessoas me
dizendo que eu devia seguir em frente e que ele não ia mais voltar. Eu passei a
investigar os casos dos desaparecimentos na cidade, não consegui encontrar
alguma resposta, mas ao mesmo tempo, sentia mais vontade de procurar. Quando já
estava perdendo as minhas forças, enchi uma mochila com água, roupas e
suprimentos e parti em busca do meu marido. Procurei por toda parte em Quixadá,
andando pela trilha, percebi que o céu já estava escurecendo, então decidi
procurar algum lugar pra min passar à noite, então eu encontrei uma pedra
enorme, que hoje chamam de a Pedra do E.T., subi nela e decidi ficar lá, tinha
uma boa vista da cidade. Foi uma noite estranha, tive vários pesadelos com
Francisco e mesmo com o céu nublado, a noite estava quente e então eu acordei
com uma claridade sobre min, achei que fosse um avião, mas se movia com muita
velocidade. Ele soltou um flash de luz e arremeçou alguma coisa lá embaixo no morro,
onde estamos agora. Eu não conseguia ver direito, minha visão estava embaçada,
mas mesmo assim dessi o morro e vi algo que não pude acreditar. Encontrei
Francisco, vivo, completamente sem roupas deitado sobre uma estranha, possa de
gosma. "Gatos" ele sussurrou pra min. "Gatos... Precisa ter
gatos." E eu perguntei: "O quê? Do que você tá falando?" Ele
agarrou minha mão e disse: "Eles me levaram, porquem achavam que eu estava
com alguém que eles estão procurando." Eu falei que não estava endendo,
pedi para explicar melhor e ele me disse: "Eles me mandaram de volta, pra
te avisar. É só você ter gatos, em casa! Só assim eles vão parar de levar as
pessoas da nossa cidade, você precisa ter gatos. Promenta pra min prometa."
Eu prometi, não conseguia compreender o que ele estava me dizendo, mas prometi.
Ele não ficou vivo por mais tempo, como Francisco havia me dito, eles só o
mandaram de volta pra me avisar.
– Dona Maria –
disse Dennis – Quando a senhora diz: "eles", a senhora esta se
referindo aos...
– E.Ts – disparou
ela –, extraterrestres, alienígenas, homenzinhos verdes... seres de outro planeta.
Eles procuram alguém ou alguma coisa há anos em nossa cidade, por isso havia
desaparecimentos, mas nunca descobri o que queriam. Como eu havia prometido a
Francisco, comprei um Siamês e no dia seguinte, eles apareceram e o levaram, me
levaram junto também. Mas logo depois me trouceram de volta. Era desgastante
viver assim, mas pelo menos eles deixaram de levar as pessoas de Quixadá.
– Por que gatos? –
Perguntou Julie.
– Eu não sei minha
querida, acho que eles são atraídos por gatos, eu não sei. Mas eu acredito que
tem haver com o que procuram. Nos últimos anos, por algum motivo, deixaram de
me levar, acho que se cansaram de procurar.
– Ou foram
procurar em outro lugar. – Disse Dennis.
– E o que a
senhora fez depois? – Perguntou Alice. – Depois que encontrou Francisco.
– Eu procurei
ajuda, mas quando o encontraram já estava morto. Contei às autoridades tudo que
vi e tudo que Francisco me disse, ninguém acreditou em min, apenas alguns, mas
foram chamados de loucos, assim como eu. Muitos me perguntaram por que eu não procurei
outra pessoa, mas eu não podia, eu tinha uma missão a cumprir e dediquei a
minha vida a isso. – Carolina falou:
– Não imagino como
deve ter sido pra senhora, superar. – Dona Gertrudes sorriu.
– Eu sei que
parece uma história triste, mas eu não vivo com tristeza em meu coração. Aquilo
que parecia impossível pra min, aconteceu. Francisco voltou pra min, todos me
diziam que ele não iria voltar, mas ele voltou. Mesmo estando com apenas,
alguns minutos de vida, eu pude tocá-lo mais um vez, ouvir a sua voz mais uma
vez, ver o seu belo rosto mais uma vez... – uma lágrima escorreu em seu rosto.
– Mandei construirem essa casa aqui, em um lugar bem reservado em Quixadá, como
Francisco queria e consegui impedir que mais pessoas na cidade fossem abduzidas.
Não importa o que a gente decida fazer com a nossa vida, acabamos sempre
realizando a missão que nascemos para cumprir.
Depois que se despediram de Dona Maria
Gertrudes, o céu estava coberto por nuvens. Dennis chamou seus amigos e
perguntou:
– E aí pessoal o
que vocês acham? – Junior respondeu:
– Cara, a Dona
Gertrudes foi uma heróina! – Julie disse:
– Eu acredito, em
E.Ts agora. Depois que de ouvir tudo que aquela velhinha nos contou, agora vejo
sentido nas coisas.
– Eu também
acredito agora. – Declarou Junior.
– Tá legal, gente
– disse Carolina – Mesmo que tudo que a Maria Gertudes seja verdade, o que
levaria um antigo fenômeno de Quixadá para todas as cidades e municípios da
região? – Pedrinho respondeu:
– Hum, tipo assim,
vai ver os E.Ts perceberam que Quixadá não é a única cidade do Brasil.
– O que mais me
deixa curioso – disse Dennis – é essa relação entre os gatos e os aliens.
Pessem bem, o Seu Geraldo lá
da rua desapareceu junto com o gato da família, Rogério da Sílva, o cara que
tentei impedir de se suicidar disse que a esposa foi levada junto com o gato
deles.
– Anna tinha um
gato – disse Carolina –, o Xandre, e não levaram.
– Vai ver, porque
ele devia estar no Laboratório Noturno, pra onde agora ele sempre vai.
Carolina odiava ter que discordar de Dennis,
mas aquilo não fazia o menor sentido pra ela.
– Dennis – disse
Carolina –, acha mesmo que seres extraterrestres viajam anos luz para o nosso
planeta, só para levarem gatos?
– Hum... – Dennis
ia falar algo, mas desistiu. – Tem razão, não faz sentido. Vamos embora... –
Dennis olhou de um lado pro outro. – Cadê a Alice?
Todos olharam em volta e viram Alice, escorada
na casa de Dona Gertrudes conversando com José. Dennis e Junior foram até lá,
cada um levantou Alice pelo braço e tiraram ela de lá. E ela protestou.
– O que estão
faznedo? Me larguem! – Dennis disse:
– Muito obrigado
pela ajuda José. – Alice gritou:
– Me liga!
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