sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Cap. 8

8. Na Pedra do E.T.

 Carolina pôs sobre a mesa, folhas de jornais antigos. Ela apresentou um, no qual na manchete dizia:
– "Medo dentro de casa e nas ruas de Quixadá", ano de 1972. As mesmas coisas que estavam acontecendo lá em Quixadá, naquela época, eram as mesmas que acontceram aqui. Pessoas de todas as idades, sem ligação alguma, estavam simplesmente sumindo. Sem deixar pistas.
– E o que isso tem haver a nossa situação? – Perguntou Julie – Tipo, esse jornal é de anos atrás.
– Acontece que não para por aí. – Carolina mostrou-lhes outro jornal. – Em 1982, essa notícia sai nas manchetes: "Mais de 15 desaparecidos, em Quixadá nesse mês." "Religiosos se perguntam: 'Será que é o arrebatamento? ' ". A noticia se refere mais uma vez a Quixadá.
– Podia ser qualquer outra coisa. – Sugeriu Alice.
 Carolina leu outra manchete.
– "Mistériosa 'Onda de Desaparecimentos' volta a assombrar interior cearece." Esse é de 1992.
– Então – disse Dennis –, o que você está querendo dizer, é que... hum, os sequestros assombravam os moradores de Quixadá antigamente?
 Junior perguntou:
– De que adianta saber desses acontecimentos, se já se foram? – Carolina respondeu:
– Não se foram, Junior. Apenas tiveram um intervalo.
 Carolina leu a última manchete.
– "Sequestro ou fenômeno? Pessoas desaparecem diariamente em Quixadá." Adivinhem de quando é esse jornal? De três dias atrás. Ao que tudo iundica é que os desapesarecimentos que o Dennis andou investigando já aconteciam em Quixadá a anos, eles apenas paravam por alguns anos e depois voltavam a acontecer.
– Mas ô garota? – Chamou Alice. – Como você sabe que o que estava levando as pessoas em Quixadá, era o mesmo que estava levando as pessoas daqui?
– Poderia ser outra coisa completamente diferente – disse Julie – e mesmo que não fosse, por que viria a Fortaleza?
 Carolina olhou para Dennis.
– Dennis, você não disse que os desaparecimentos aconteciam de cidades em cidades, no estado do Ceará, até chegarem aqui?
– Sim. – Confirmou ele.
– Então você lembra qual foi à primeira cidade em que esse fenômeno começou?
– Ah, a primeira cidade foi o município de... – Dennis piscou atordoado – Quixadá.
– O que quer dizer com isso? – Perguntou Dennis. – Que algum "mal" veio de Quixadá?
– É o que parece Dennis. Eu não sei o que é, mas algo ou alguém que levava pessoas em Quixadá resolveu viajar pelo nordeste do país.
 Pedrinho cerrou os dentes.
– Então seja lá o que levou a minha Anna, veio de lá!
– Ah, e... – Carolina ia dizer algo, mas pareceu ter desistido.
– O que foi Carolina? – Perguntou Dennis.
– Não é nada, é só... não que eu acredite nessa história de E.T., mas se vocês não sabem, Quixadá é uma das cidades em destaque que possui grandes números de relatos de avistamentos de OVNIs no nosso país.
– Não brinca? – Desdenhou Julie.
 Pedrinho perguntou:
– Por que vocês tem tanto problema em acreditar que são os alienígenas que estão por trás de tudo que esta acontecendo? – Junior respondeu:
– Aham, por que isso é mó doidice? – Alice falou.
– E porque se a Anna tiver sido levada por E.Ts, não vamos ter a menor chance de conseguir trazer ela de volta!
– Isso não é verdade! – Gritou Dennis.
 Depois que se recompôs e disse:
 – Não importa o quê ou quem a tenha levado. Vamos encontrá-la, custe o que custar. E se foi em Quixadá, o início de tudo isso, para lá iremos então.
 Na manhã seguinte, decolaram com o Jato Noturno rumo a Quixadá. Em poucos minutos já estavam sobrevoando sobre uma paisagem rica em vegetação do tipo caatinga, com cactos e outras plantas baixas e espinhosas; E inselbergs, que são formações rochosas que dominavam boa parte do município.
 Ao sobrevoarem o local, Junior avistou uma formação rochosa próxima a um açude, que lembrava uma ave.
– Pessoal olhem só aquela pedra! – Disse ele apontando pela janela do jato. – Que engraçada, parece uma galinha.
– Esse é um dos principais pontos turísticos de Quixadá – disse Carolina – A Pedra da Galinha Choca.
 Pedrinho começou a rir.
Pedra da Galinha? Por quê? É uma homenagem pra Alice?
 Dennis riu. E Alice respondeu:
– Olha aqui, seu poço de gordura, se você não percebu eu sou uma pantera não uma galinha! Ou será que eu tenho que passar a unha na tua cara pra perceber? – Carolina disse:
– Ela é chamada de Pedra da Galinha Choca por causa do formato Pedrinho. – E cochichou: – Não porque é uma tonta!
 Depois que aterrissaram o jato em um bom local, perceberam uma notável diferença no clima de Quixadá.
Julie: "E eu achando que Fortaleza, é que era quente... mas isso aqui é estágio pro Inferno!".
Carolina: "Ai meu Deus, que calor!".
Pedrinho: "Dennis, essa sua pele branca tá refletindo o sol na minha cara! Eu vou ficar cego.".
Dennis: "Aguenta aí... daqui a pouco vou estar mais preto do que carvão!".
 Enquanto atravessavam uma Avenida, Alice berrou:
– ALGUÉM, POR FAVOR, ME TIRA DESSE SOL! Esse suor vai fazer a minha máquiagem derreter.
 Passando próximo a uma vaga churrascaria, Pedrinho sentou-se em uma mesa na calçada.
– Ah, vamos dar uma paradinha por aqui, por favor. – Disse ele ofegante. – Não aguentou mais andar debaixo desse Sol quente!
 Carolinja comentou:
– Ahm... técnicamente o Sol nunca foi frio, ele...
– Eu já sei Carolina! – Rosnou Pedrinho.
 Dennis falou:
– Tudo bem pessoal, vamos ficar aqui por alguns minutos, comprar alguma coisa pra beber e aproveitar para conseguir informações.
 Todos se sentaram a mesa, exceto Alice que ficou de pé, dando uma olhada a sua volta, avaliando o local.
– É, essa churrascaria da pro gasto – disse ela – Pedrinho, tá com a câmera?
– Tô.
 Quando viu Alice retirar um microfone de sua bolsa, Julie perguntou:
– Você não vai mesmo gravar o seu programa aqui, vai?
– É claro que vou. – Dennis falou:
– Alice, eu sei que estamos à toa numa churrascaria, mas não estamos à toa aqui, em Quixadá. – Alice fez uma careta.
– Hãn?
– Estamos disfaçados, isso aqui ainda é uma missão dos Feras Noturnas.
– Exatamente, querido. E esse é o meu disfarce... e esses assuntos sobre E.Ts, OVNIs sempre chamam a atenção das pessoas, gravar uma edição do meu programa aqui, em Quixadá pode ajudar o Alice-babado-forte.com a ter muitas vizualizações.
– Tudo bem – disse Dennis –, contando que você tome cuidado com o que for falar.
– Ah, não seja rídiculo Dennis! Eu só precio de alguém que tenha testemunhado a aparição de um OVNI, não alguém que nos mostre fotografias e documentos, mas sim alguém que seja a prova viva de que aliens existem!
 Um jovem e belo garoto que andava próximo a mesa foi até eles e disse:
– Bom dia, o que vão querer?
 Ele era moreno, alto, magro e musculoso, e é cláro que Alice aprovou tudo isso.
– Ai você pode ajudar, sim, meu amor... e muito!
O garoto sorriu timidamente e olhou pro chão.
– Ah, coitado do garoto! – Murmurou Carolina.
– Já participou de algum programa na sua vida? – Perguntava Alice.
 Antes que respondesse, Dennis perguntou:
– Quanto custa a àgua?
– Àgua, aqui, é de graça. Hum, é... vocês são turistas? – Dennis respondeu:
– Sim...
– Estamos em uma aula de campo – interrompeu Julie – e decidimos dar uma voltinha pela cidade.
– E estão procurando alguém que viu um OVNI?
 Todos ficaram em silêncio.
– Me desculpe, é que eu não pude deixar de ouvir a conversa de vocês sobre alienígenas e OVNIs.
 Dennis se levantou e com um olhar sério interrogou:
– Foi só isso que você ouviu, não foi?
 O garoto arregalou os olhos e respondeu:
– A-ah foi tudo que ouvi, eu juro! Eu só achei que vocês gostariam de conhecer a Dona Maria Gertrudes.
– Quem é essa? – Perguntou Junior.
– Não é o nome de uma Santa? – Perguntou Pedrinho.
– É uma velha senhora, que mora numa cabana na Pedra do E.T. ...
 Alice o interrompeu dizendo:
– Pedra da Galinha, Pedra do E.T. essa cidade tem pedra de tudo, mas uma pedra da Alice que é bom, nada né?
– O que é a Pedra do E.T.? – Perguntou Dennis.
– Pedra do E.T. uma rocha enorme que parece a cabeça de um E.T. de lado, acreditam que lá é uma espécie de porto extraterrestre. Todo ano, ufólogos veem aqui, só pra ver essa pedra.
– E a Dona Maria Gertrudes? – Perguntou Julie.
– As pessoas não gostam muito de falar dela. Dizem que ela é louca, nunca sai de casa, apenas para comprar comida e gatos.
– Gatos? – Indagou Pedrinho.
– E o que ela tem haver com aliens e OVNIs? – Perguntou Alice.
– Eu não sei exatamente o que aconteceu com ela. Todo mundo diz algo diferente sobre a Maria Gertrudes, mas parece que depois que o marido dela foi encontrado morto na Pedra do E.T. ela ficou louca e passou a morar lá. Ela acredita que o marido dela foi morto por alienígenas.
– Qual é o seu nome? – Perguntou Dennis.
– Ahm, José. – Alice perguntou:
– José, já te contaram que você é mais quente do que Quixadá?
– Alice! – Murmurou Dennis.
– O que é?
– Será que você pode nos levar a essa Pedra do E.T., José?
– Hum, termino meu serviço daqui a pouco.
 Carolina não encontrou semelhança alguma entre, a Pedra do E.T. com a cabeça de um E.T. Depois que se hidrataram, os feras foram guiados por José, por um longa trilha. O Sol escaldante, o ar humido e abafado e o caminho pedregoso, trazia incomodo e faziam a caminhada parecer cada vez mais interminável.
 Por fim, avistaram uma grande rocha, com um interessante formato triangular/oval.
– Chegamos – anúnciou José –, essa é a Pedra do E.T.
– Essa? – Perguntou Carolina – Pra min, isso não parece a cabeça de um E.T.
– Garota – disse Pedrinho –, você tem problemas.
– E onde está a cabanda da Dona Maria Gertrudes? – Perguntou Dennis.
– Fica logo atrás.
 Deram uma volta, em torno de pedra e no pé do morro, viram uma casa bem pequena. Seu teto era baixo, as paredes eram pintadas de branco, mas a tintura já estava velha e debotada. As janelas estavam fechadas e a porta da frente era dividida ao meio.
 Em frente a casa, um gato se banhava, quando viu os estranhos se aproximando, correu assustado, no mesmo instante acharam ter ouvido vocês bebês chorando. Dois gatos brigavam no telhado.
– Será que ela tá em casa? – Perguntou Junior.
– Vamos torcer que sim. – Disse Dennis.
Alice comentou:
– Acho que essa senhora, não é o tipo de pessoa que curti ir a um shopping. Só acho.
– É sério? – Perguntou Junior.
– Ok. Pedrinho, pode ligar a câmera. – Ordenou Alice.
 Que ajustou o pentiado retocou a máquiagem e tomou um gole de água, tudo isso em 10 segundos.
– Gravando! – Anúnciou Pedrinho.
– Olá, garota de bom gosto! Está começando mais um Alice-babado-forte.com...
 José sussurrou no ouvido de Dennis:
– Ela é apresentadora?
– Ahm, é... é... – Dennis pôs o dedo nos lábios. – Shhh.
 – ...e o sol de rachar de Quixadá, rachou minha curiosidade e me trouce até aqui, junto com os meus amigos Feras...
 Pedrinho apontou a câmera para os outros, depois voltou a focar em Alice.
– Ahm... meus amigos da fé. – Corrigiu Alice fazendo o sinal da cruz. – Você acredita em extraterrestres e discos voadores? Viemos até Quixadá, porque descobrimos que nessa casinha, aqui, mora uma senhora que acredita que seu marido foi morto por seres de outro planeta! Se isso é verdade, vamos decobrir.
 José se aproximou da porta, que estava com a parte superior aberta e começou a bater palmas e chamar:
– Maria Gertrudes? Alguém em casa? – Ninguém respondeu.
 Alice se voltou para Pedrinho e disse:
– Pedrinho dá um close no bumbum desse garoto, é incrível!
– Fala sério, garota! – Murmurou Pedrinho,
– Dona Maria? – José voltou a chamar.
– Alguém aí? – Perguntou Dennis e ninguém respondeu.
 Julie chamou:
– A senhora pode nos emprestar uma xícara de açucar?
 Pedrinho gritou:
– Dona Maria Gertrudes, saia da casa com as mãos para cima! Você está completamente cercada!
 Todos se voltaram para Pedrinho.
– Eu só queria ver se funcionava. – Explicou ele.
– Ei, acho que é ela, ali. – Disse Dennis.
 Pedrinho apontou a câmera para dentro da casa, e viu na sala de estar, uma senhora sentada em uma cadeira de balanço de frente para uma TV ligada.
– É ela mesma. – Confirmou José.
– Será que ela pode nos ouvir? – Perguntou Carolina.
 E de repente um susto, um gato pulou pela porta da entrada fazendo Alice berrar.
– Odeio gatos. – Murmurou ela.
– Ei! – Protestou Julie.
– Ah – Alice sorriu –, desculpa amiga.
 Os garotos voltaram a chamar pela Dona Maria Gertrudes, mas nada dela ouvir. Ela nem se quer se mechia em sua cadeira de balanço, Dennis começou a desconfiar, quando percebeu que ela não estava assistindo TV, pois estava de cabeça baixa.
– Não estou gostando disso. – disse Dennis.
– Ela tá muito quieta. – concordou José.
– Vamos entrar. – Anúnciou Dennis.
– É isso aí galera! – Falou Pedrinho – Vamo invadir.
 Dennis abriu a porta e todos começaram a entrar, exceto Alice.
– Gente? Isso não é certo. A gente pode ir em cana por isso.
– Alice entra logo! – Sussurou Dennis.
 Alice entrou na casa e se juntou aos outros, choramingando.
– Eu sou bonita demais pra ser presa! – Pedrinho perguntou:
– Quem te disse isso? – Alice deu um tapa nas costas dele.
 Quando chegaram à sala, encontrarm cerca de cinco gatos dormindo pelo local.
 Dona Maria Gertrudes estava sentada na cadeira de balanço imóvel, de cabeça baixa, seus longos cabelos brancos estavam presos em um rabo de cavalo, mas uma parte dele estava solta caido sobre o rosto, dificultando de ver se estava com os olhos abertos ou fehcados.
– Dona Maria? – Chamou Dennis.
– Galera acho que a velha bateu as botas. – Falou Julie.
 Dennis voltou a chamar.
– Maria Gertrudes?
 Ele pôs a mão no ombro dela, e de repente, Dona Maria Gertrudes agarrou o braço dele, se levantou e soltou um grito estridente: "Ya!!!"
 Em um golpe de Judô, ela jogou Dennis no chão, como se ele fosse um boneco de pano. Os outros recuaram assustados. Mas foram impedidos, os gatos que estavam dormindo se levantaram, eriçando os pelos das costas e emitindo sons de ameaça.
– Quem são vocês? O que fazem na minha casa?
 Perguntava Dona Gertrudes erguendo os punhos.
– Calma, minha senhora. Calma! – Dizia Alice. – Meu nome é Alice e você está participando do Alice-babado-forte.com!
– O quê? – Indagou a senhora. – Fale mais alto menina, não consigo te ouvir!
 Alice gritou:
– A senhora está participando do Alice-babado-forte.com!
 Dona Gertrudes lhe lançou um olhar confuso.
– O programa online. – Falou Alice.
 Mas Dona Gertrudes não fazia ideia do que ela estava falando.
– Da internet...
– Eu não tenho esse negócio aí, na minha casa. – Explicou a senhora.
– Que horrível. – disse Julie sensibilizada.
 Ao ver Dennis se levantar do chão, Carolina perguntou:
– Dennis, você está bem?
– Sim, claro. Eu to legal. – Respondeu ele, enquanto mancava saindo de perto de Dona Gertrudes.
– O que trouce jovens como vocês, até aqui? – Junior respondeu:
– Ahm, foi esse garoto aí. – Junior apontou para José.
– Junior, não... – disse Julie enquanto abaixava a mão dele – Nós ouvimos falar que a senhora já teve contato com E.Ts, então viemos aqui. – Alice Confirmou:
– Isso mesmo. Segundo nossas fontes – Alice piscoupara José –, depois que seu marido foi encontrado morto na Pedra do E.T., a senhora passou a morar aqui. Você pode nos falar um pouco sobre isso?
 Alice apontou seu microfone rosa para Dona Gertrudes.
– Ah, mas é claro. Sentem-se.
– Ô Dona Gertrudes? – Chamou Carolina. – Será que a senhora podia...?
 Ela apontou para os gatos que ainda avançavam para eles. Dona Maria gritou:
– Bixanos, quietos!
– Pra quê criar cães, quando se tem um exercito de gatos? – Disse Julie orgulhosa.
 Todos se sentaram nos sofás, enquanto Dona Maria Gertrudes sentava-se em sua caeira de balanço. Pedrinho continuava a filmá-la e Alice continuava apontontando seu microfone para ela, era de brinquedo, mas para Alice não tinha importância.
– No dia que aconteceu o ocorrido, tentetei informar a todos na cidade – dizia Dona Gertrudes –, mas eles acharam que eu era uma doida varrida, dá pra acreditar?
– Não, claro que não! – Respondeu Pedrinho – Não é a primeira senhora que conhecemos que coleciona gatos.
– Dona Maria – disse José –, o que aconteceu com seu marido, por que a senhora acha que foram alienígenas que o mataram?
– Eu me lembro como se fosse ontem. – Disse Gertrudes com um olhar vázio. – Anos atrás, eu era casada com um homem chamado Francisco Ariel, ele era o homem mais bonito da cidade. Eu era apaixonada por ele desde a primeira vez que eu o vi, ele era um parente distante de uma amiga... planejamos construir uma casa em algum lugar, bem reservado em Quixadá, eu estava louca com a ideia de ter filhos, mas Francisco só adiava as coisas, como sempre! – Dona Gertrudes sorriu. – Certo dia, ele trouce pra min um belo gatinho branco, Filipe, foi como o chamamos. Como vocês devem saber, gatos tem espírito de liberdade, eu não esperava ter Filipe por perto por muito tempo, mas ele apenas durou até aquela noite. Quando a noite caiu, eu estava sozinha em casa e pedi que o Francisco viesse me fazer companhia, ele havia saido na cidade, depois que ele tinha chegado fui à cozinha preparar algo para nós jantar...
– Ai que fome! – Murmurou Pedrinho.
–... Eu me lembro bem de ver Francisco, pela última vez, na sala de estar, sentado no sofá, com Filipe em seu colo. Quando fui à cozinha algo estranho aconteceu, ouve uma queda de energia, eu acho, as luzes se apagram, ouvi Francisco gritar e Filipe miar, vi também, um clarão vindo da sala, mas quando cheguei lá os dois haviam somido. Eu não soube o que fazer, se entrava em desespero, se chamava alguém, se gritava... foi quando meu pai veio me ver e eu contei pra ele o que aconteceu. Acho que meu pai não acreditou em min, mas ele não me ignorou. Ele me ouviu, não disse nada e me levou imeditatamente a uma delegacia. Prestamos queixa, mas os policiais não disseram nada que me alcamasse, na época uma mistériosa onda de desaparecimentos havia voltado a Quixadá, Francisco Ariel, era apenas mais um nome na lista dos desaparecidos.
– Ô Dona Gertrudes? – Chamou Carolina. – O que a senhora fez depois?
– A vontade que eu tinha era de desistir. Largar tudo e morrer. O bem mais precioso da minha vida, havia sido tomado de min. Não conseguia mais encontrar algum motivo para viver, até que um dia, eu me cansei. Cansei de não poder fazer nada, das pessoas me dizendo que eu devia seguir em frente e que ele não ia mais voltar. Eu passei a investigar os casos dos desaparecimentos na cidade, não consegui encontrar alguma resposta, mas ao mesmo tempo, sentia mais vontade de procurar. Quando já estava perdendo as minhas forças, enchi uma mochila com água, roupas e suprimentos e parti em busca do meu marido. Procurei por toda parte em Quixadá, andando pela trilha, percebi que o céu já estava escurecendo, então decidi procurar algum lugar pra min passar à noite, então eu encontrei uma pedra enorme, que hoje chamam de a Pedra do E.T., subi nela e decidi ficar lá, tinha uma boa vista da cidade. Foi uma noite estranha, tive vários pesadelos com Francisco e mesmo com o céu nublado, a noite estava quente e então eu acordei com uma claridade sobre min, achei que fosse um avião, mas se movia com muita velocidade. Ele soltou um flash de luz e arremeçou alguma coisa lá embaixo no morro, onde estamos agora. Eu não conseguia ver direito, minha visão estava embaçada, mas mesmo assim dessi o morro e vi algo que não pude acreditar. Encontrei Francisco, vivo, completamente sem roupas deitado sobre uma estranha, possa de gosma. "Gatos" ele sussurrou pra min. "Gatos... Precisa ter gatos." E eu perguntei: "O quê? Do que você tá falando?" Ele agarrou minha mão e disse: "Eles me levaram, porquem achavam que eu estava com alguém que eles estão procurando." Eu falei que não estava endendo, pedi para explicar melhor e ele me disse: "Eles me mandaram de volta, pra te avisar. É só você ter gatos, em casa! Só assim eles vão parar de levar as pessoas da nossa cidade, você precisa ter gatos. Promenta pra min prometa." Eu prometi, não conseguia compreender o que ele estava me dizendo, mas prometi. Ele não ficou vivo por mais tempo, como Francisco havia me dito, eles só o mandaram de volta pra me avisar.
– Dona Maria – disse Dennis – Quando a senhora diz: "eles", a senhora esta se referindo aos...
– E.Ts – disparou ela –, extraterrestres, alienígenas, homenzinhos verdes... seres de outro planeta. Eles procuram alguém ou alguma coisa há anos em nossa cidade, por isso havia desaparecimentos, mas nunca descobri o que queriam. Como eu havia prometido a Francisco, comprei um Siamês e no dia seguinte, eles apareceram e o levaram, me levaram junto também. Mas logo depois me trouceram de volta. Era desgastante viver assim, mas pelo menos eles deixaram de levar as pessoas de Quixadá.
– Por que gatos? – Perguntou Julie.
– Eu não sei minha querida, acho que eles são atraídos por gatos, eu não sei. Mas eu acredito que tem haver com o que procuram. Nos últimos anos, por algum motivo, deixaram de me levar, acho que se cansaram de procurar.
– Ou foram procurar em outro lugar. – Disse Dennis.
– E o que a senhora fez depois? – Perguntou Alice. – Depois que encontrou Francisco.
– Eu procurei ajuda, mas quando o encontraram já estava morto. Contei às autoridades tudo que vi e tudo que Francisco me disse, ninguém acreditou em min, apenas alguns, mas foram chamados de loucos, assim como eu. Muitos me perguntaram por que eu não procurei outra pessoa, mas eu não podia, eu tinha uma missão a cumprir e dediquei a minha vida a isso. – Carolina falou:
– Não imagino como deve ter sido pra senhora, superar. – Dona Gertrudes sorriu.
– Eu sei que parece uma história triste, mas eu não vivo com tristeza em meu coração. Aquilo que parecia impossível pra min, aconteceu. Francisco voltou pra min, todos me diziam que ele não iria voltar, mas ele voltou. Mesmo estando com apenas, alguns minutos de vida, eu pude tocá-lo mais um vez, ouvir a sua voz mais uma vez, ver o seu belo rosto mais uma vez... – uma lágrima escorreu em seu rosto. – Mandei construirem essa casa aqui, em um lugar bem reservado em Quixadá, como Francisco queria e consegui impedir que mais pessoas na cidade fossem abduzidas. Não importa o que a gente decida fazer com a nossa vida, acabamos sempre realizando a missão que nascemos para cumprir.
 Depois que se despediram de Dona Maria Gertrudes, o céu estava coberto por nuvens. Dennis chamou seus amigos e perguntou:
– E aí pessoal o que vocês acham? – Junior respondeu:
– Cara, a Dona Gertrudes foi uma heróina! – Julie disse:
– Eu acredito, em E.Ts agora. Depois que de ouvir tudo que aquela velhinha nos contou, agora vejo sentido nas coisas.
– Eu também acredito agora. – Declarou Junior.
– Tá legal, gente – disse Carolina – Mesmo que tudo que a Maria Gertudes seja verdade, o que levaria um antigo fenômeno de Quixadá para todas as cidades e municípios da região? – Pedrinho respondeu:
– Hum, tipo assim, vai ver os E.Ts perceberam que Quixadá não é a única cidade do Brasil.
– O que mais me deixa curioso – disse Dennis – é essa relação entre os gatos e os aliens. Pessem bem, o Seu Geraldo lá da rua desapareceu junto com o gato da família, Rogério da Sílva, o cara que tentei impedir de se suicidar disse que a esposa foi levada junto com o gato deles.
– Anna tinha um gato – disse Carolina –, o Xandre, e não levaram.
– Vai ver, porque ele devia estar no Laboratório Noturno, pra onde agora ele sempre vai.
 Carolina odiava ter que discordar de Dennis, mas aquilo não fazia o menor sentido pra ela.
– Dennis – disse Carolina –, acha mesmo que seres extraterrestres viajam anos luz para o nosso planeta, só para levarem gatos?
– Hum... – Dennis ia falar algo, mas desistiu. – Tem razão, não faz sentido. Vamos embora... – Dennis olhou de um lado pro outro. – Cadê a Alice?
 Todos olharam em volta e viram Alice, escorada na casa de Dona Gertrudes conversando com José. Dennis e Junior foram até lá, cada um levantou Alice pelo braço e tiraram ela de lá. E ela protestou.
– O que estão faznedo? Me larguem! – Dennis disse:
– Muito obrigado pela ajuda José. – Alice gritou:
– Me liga! 

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