sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Cap. 6

6. Vozes Desconhecidas

  Depois de meia hora procurando pela Anna, por toda a casa, chamando o seu nome pelos lugares mais improváveis de achá-la, Dennis chegou a uma conclusão.
­­– Anna foi levada.
– Hãn? – Perguntou Pedrinho – Quem? Por quê!?
– Dennis, não podemos ter certeza disso – argumentou Carolina – Ela tem que estar em algum lugar.
– Já olhei em toda parte e nem sinto o cheiro dela. – Falou Julie.
– Então – Pedrinho começou – quer dizer que..
– A Anna, foi mais uma vítima dos desaparecimentos da região... pelo menos é o que o Dennis acha.
 Todos levantaram murmúrios de preocupações.
Pedrinho: "Como é que é?"
Julie: "O que vamos fazer?"
Alice: "Ai minha besti frendi!"
Junior: "Vamos ficar acordados a madrugada inteira de novo?"
– Pessoal, fiquem todos calmos, por favor – pediu Carolina. – Anna não pode ter sido sequestrada.
– Carolina você viu o que aconteceu! – Disse Dennis. – Luzes piscando, aparelhos eletrônicos enlouquecendo, luzes estranhas lá fora, a voz da minha prima gritando... Praticamente tudo na descrição do Fábio, na noite do desaparecimento do pai dele!
 Carolina detestava ter que discutir com Dennis, mas para ela, ele estava se precipitando encerrando o caso daquela forma, devido ao pânico que se arrastava lentamente em sua direção. Mas Carolina tinha toda certeza de que não havia probabilidade de Anna ter sido sequestrada, seja lá o que tenha acontecido com ela, não podia ter sido levada.
– Dennis, eu mesma estava com a Anna, antes dela sumir, ninguém estava com ela além de min. Estávamos todos lá no Cine, em frente à escada, ninguém passou por nós. Então, não tem como alguém ter entrado aqui e a levado.
 Dennis não disse mais nada, queria poder falar, mas sabia que Carolina estava certa. Ele começou a andar pelo quarto, tentando imaginar o que poderia ter acontecido.
– Eu só sei de uma coisa: – falou Alice – não vou ficar parada sem fazer nada enquanto não achar a minha amiga! – Pedrinho concordou.
– Como é que vou me casar, com alguém que sumiu? Seja lá quem levou a minha Anna, vai se vê comigo!
Carolina começou a dar mais justificativa para todos manterem a razão em si, enquanto isso Dennis viu objeto vermelho, próximo à porta que dava acesso a varanda. Dennis se aproximou se agachou próximo a ele e quando viu o que era, teve vontade de se desmanchar em lágrimas, mas não queria fazer isso, ali naquele momento.
– Galera. – chamou ele – Vejam isso.
 Eles se aproximaram e viram Dennis segurar um relógio Champion vermelho. O dispositivo R.N.G. de Anna.
– Deixe me ver. – Carolina estendeu a mão, vestida com uma luva, pedindo para ver o relógio. Pedrinho perguntou:
– Você sempre anda com essas coisas de laboratório aí com você? – Dennis se voltou para seus amigos e perguntou:
– Vocês fazem ideia do que é isso? – Todos responderam juntos:
– O relógio da Anna.
– Não! Quer dizer, sim.
– Espera aí! – falou Alice – Você tá dizendo que isso é ou não é da Anna menino?
– É claro que é da Anna, Alice! O que eu estou querendo dizer, é que essa pode ser a pista que a gente tanto procurou, pode nos levar aos sequestradores e pode nos ajudar a descobrir o que aconteceu com todas as pessoas que estão desapareceram.
Nas laterais da porta, na madeira do portal, Carolina notou marcas que nunca tinha reparado antes. Quatro listras em posição horizontal, elas eram tremulas. Pareciam ter sido feito por unhas, mas Carolina não podia saber se foram feitas por Anna. Deveria estar ali há muito tempo, então Carolina decidiu não chamar a atenção de Dennis.
– Foi mal, Dennis. – falou Julie – Mas pra min isso é só um rastro da Anna, não de quem a levou. Como vamos poder descobrir tudo isso só com esse relógio?
– Tenho certeza que quem levou a minha prima, deixou seus rastros por esse relógio e por todo esse quarto. – Dennis olhou para Carolina, seus olhos castanho-mel brilhavam de esperança. – Pode dar uma olhada nesse relógio?
– Vou dedicar todas as horas do meu dia fazendo isso.
– E então? – Perguntou Junior. – O que vamos fazer pra encontrar ela?
 Antes que Dennis dissesse Carolina falou:
– Bem, acho que o melhor que podemos fazer é cuidar da mãe e do irmão da Anna, contando pra eles sobre o desaparecimento dela.
– Como é que é pirralha? – Perguntou Alice.
– Carolina enlouqueceu? – perguntou Dennis. – A mãe dela, vai acionar a policia e amanhã de manhã, a rua vai estar cheia de viaturas, sem falar na imprensa e as pessoas fazendo investigação aqui, na casa e pode até ocorrer dos meus países apareceram para me tirar daqui.
A ideia de o Dennis ir embora, assim, tão cedo, fez Carolina gelar, mas não podia deixar seus sentimentos serem maiores do que a sua razão.
– Dennis, precisamos fazer isso – disse ela –, o único jeito de podermos descobrir alguma coisa, é ter a ajuda de profissionais investigando por nós e além do mais, não podemos esconder isso da família dela.
– A Anna era superocupada com o cinema – falou Julie – Se a gente der as caras lá em baixo, a mãe dela vai perguntar pela filha assim que nos ver.
 Pedrinho perguntou:
– Se repórteres e jornalistas aparecerem, a gente não vai correr risco de ser exposto com câmera lá na rua?
– Não, pessoal – disse Dennis – Carolina tem razão, mais uma vez, não temos como esconder o desaparecimento de Anna da família dela e nunca iremos descobrir alguma coisa, sem a ajuda de investigadores.
– Mas talvez a gente descubra algo mais do que os humanos – disse Carolina – afinal, nós temos uma pista e eles não.
– Mesmo assim – continuou Dennis –, não vai ser nada fácil pra min contar pra minha tia o que aconteceu com a Anna.
 Dennis foi para o Cine, o filme já estava começando, João havia fechado a bilheteria e agora estava vendo pipoca, enquanto Dona Tereza tirava uma “folga” bebendo um copo d’água.
– Tia – chamou Dennis. – é a Anna.
– Cadê aquela criatura?
– Ela desapareceu.
 Dona Tereza cuspiu todo o conteúdo do que estava bebendo no rosto de Dennis.
 O que aconteceu em seguida foi exatamente como Dennis havia previsto exceto pelo fato de a rua ficar, cheia de viaturas e jornalistas. Dennis e seus amigos, contaram para João e sua mãe, que Anna havia desaparecido dentro de casa, sem deixar rastros. Porém deixaram de fora, o fato de terem encontrado o relógio dela. Dona Tereza e seu filho entraram em desespero, cancelaram o filme, ligaram para a polícia e fizeram uma ocorrência, porém Dona Tereza culpou o Dennis, pelo sumiço de sua filha. Em seguida, Dennis pediu aos seus amigos que se "hospedassem" na casa de sua tia, para facilitar as investigações e assim fizeram, João e Dona Tereza entenderam como um gesto de consolo à família.
 Dennis, Carolina, Pedrinho e Julie estavam todos reunidos com suas bagagens, à espera de Alice.
– Gente, cheguei! – Anunciou Alice.
– Até que em fim! – Murmurou Pedrinho – Demorou.
– Não é fácil escolher roupas quando se está morta de preocupação pela sua amiga desaparecida!
– Obrigado por terem vindo, pessoal – disse Dennis ao se levantar – Odeio ter que encher vocês de tantos favores, mas nesse momento estou precisando da ajuda de vocês, mais do que nunca.
– Relaxa, Dennis – Julie fez um sorriso tranquilizador –, gostamos da Anna tanto quanto você, iremos fazer de tudo para trazê-la de volta.
 Dennis sorriu, agradecido.
– Muito obrigado, mesmo. Então... Boa noite para vocês.
 Carolina reparou nas roupas de Dennis, estava usando seu "uniforme" de Garoto-Morcego, então concluiu que ele estava de partida.
– Você vai sair? – Perguntou ela.
– Não vou conseguir dormir enquanto eu não vasculhar essa cidade a procura da Anna ou de algum sinal desses sequestradores. – Junior perguntou:
– E você não quer que a gente vá junto?
– Não. Agora eu quero que descansem, preciso que estejam bem dispostos amanhã, não sei que faremos amanhã, mas... irei pensar em alguma coisa.
 Ouvindo isso e vendo o quanto Dennis estava abatido pelo sequestro de sua prima, Junior sentiu vontade de abrir mão de uma boa noite de sono para ajudar Dennis, mas depois que sentiu seus olhos pesarem, mudou de ideia imediatamente.
– Também estou de saída – disse Carolina. – vou ao Laboratório Noturno, quero analisar cada detalhe do dispositivo R.N.G. da Anna, os sequestradores tem que ter deixando alguma digital naquele relógio e quero descobrir o mais rápido possível.
 Dennis e Carolina partiram para realizarem suas tarefas. Foi difícil, para Carolina pedir ajuda de Alice de quem sentia tanta raiva, mas com a ajuda da amiga, entrou em sua residência e teve acesso ao laboratório. Chegando lá, Carolina fez tudo que havia aprendido em vídeos de tutoriais no YouTube, ou assistindo ao CSI: Investigação Criminal. Ela cobriu o relógio com pó e o escanceou em luz negra. Carolina acreditava nas palavras de Dennis: aquele relógio poderia ser a pista que tanto procuravam, poderia levá-los aos sequestradores e ajudá-los a descobrir o que estava acontecendo com as pessoas do estado do Ceará.
 Porém, ela não conseguia enxergar nada disso com aquele relógio. Como se aquele dispositivo pudesse não ser a resposta para tudo, mas a primeira peça de um enorme quebra-cabeça. Carolina se aprofundou mais ainda em seus pensamentos. Por que aquele relógio estava ali, afinal de contas? Quem ou o que estava raptando todas aquelas pessoas, não deixava nenhuma pista. Então, cometeram um erro ou Anna queria deixar uma pista para seus amigos? Mesmo assim, ainda não tinha como ter certeza. Então Carolina lembrou-se do que mais Dennis havia dito.
 Tenho certeza que quem levou a minha prima, deixou seus rastros por esse relógio e por todo esse quarto.
 Será? Perguntou-se ela, então pensou:
– A primeira peça de um enorme quebra-cabeça... é claro!
 Carolina não fazia ideia do que havia descoberto, mas abriu o dispositivo R.N.G. e viu que havia uma chamada feita por Anna, antes de ser levada.
  Dennis se sentia aliviado, pois pela primeira vez estava sozinho e livre para expressar tudo que sentia em segredo desde que chegou à Barra do Ceará. Enquanto voava sobre a cidade de Fortaleza, ainda não conseguia deixar de se sentir arrependido e culpado, por tudo que fez contra sua prima, sua família e seus amigos, enquanto havia se unido a Priscilla e seu clã de lobisomens, o Refugio dos Lobos, também se sentia mal, por ter algo de errado com sua mente, só pelo fato de ser um mutante, já fazia dele um anormal. Dennis acreditava que nunca havia conseguido ser normal, mas depois de um tempo, deixou de se importar em não ser normal, até que um dia alguém lhe disse que ele realmente não era normal, que havia algo de errado com ele.
 Mas de tudo que lhe entristecia, a pior coisa, era Anna, sua prima que tanto acreditava nele, que sempre lhe dava animo quando se sentia fraco e que nunca havia deixado de amá-lo, mesmo depois de tentar matá-la. Agora, estava desaparecida e Dennis não podia e não sabia o que fazer para ajudá-la. Ele se entregou a angústia e começou a chorar, mas não queria se esborrachar em um prédio, mais uma vez, então aterrissou na cobertura de um edifício. Dennis se apoiou na amurada do prédio e olhou para a cidade, o fluxo de carros nas avenidas, os humanos com seus hábitos noturnos, em bares, restaurantes e boates. Naquele momento, Dennis implorou por um sinal de sua prima ou de algo que o levasse a ela, nem que fosse qualquer coisa, mas queria um sinal, uma chance.
 Ele estava contente por ter encontrado o dispositivo R.N.G. da Fênix, mas não estava com paciência para migalhas, queria uma trilha que o levasse direto para sua prima.
– Anna... – disse Dennis olhando para o horizonte – onde você está?
– Nós vamos encontrá-la. – disse uma voz feminina, atrás dele.
 Dennis virou-se com um pulo e viu Julie de ante dele.
– Ah, foi mal. – desculpou-se ela. – Você queria ficar sozinho...
– Não! Tudo bem é só... – Dennis enxugou o rosto discretamente. – o que faz aqui?
 Julie foi para o lado de Dennis, se apoiou na amurada do prédio e olhou para o horizonte e o respondeu com um tom de angústia.
– Graças a Anna, eu me tornei membro dos Feras Noturnas, eu praticamente devo isso a ela.
– Entendo. Então, está gostando de ser uma fera noturna? – Julie olhou para Dennis sorrindo.
– Muito! Eu adoro a adrenalina de sair escondida, e fazer sei lá o que por aí. Quer dizer, eu fazia um monte de loucuras, com o Junior e os outros nos velhos tempos, mas... tipo: não eram coisas que se orgulho em ter feito. A noite é incrível. – Disse ela olhando para o céu.
– É sim. – Concordou Dennis.
– Dennis, eu posso te fazer uma pergunta? – Julie voltou os olhos para a cidade. – Uma pergunta pessoal?
– Pode.
– Você namora com a Alice? – Dennis franziu a testa.
– O quê? Não! Por quê?
– É que ontem à noite, lá no cinema, vocês estavam...
 Dennis então lembrou-se da noite anterior, pouco antes de Julie e Junior terem reaparecido. Devido ao desaparecimento de Anna, ele achava não iria sorrir tão cedo, mas naquele momento não rir foi impossível.
– Ah! Não, não, não estamos namorando. Aquilo foi só um beijo... entre amigos.
Se é que amigos se beijam, pensou ele.
– Tá legal e quanto à Carolina – Julie voltou a perguntar. –, vocês já namoraram?
– Com certeza não, mas por quê?
– Sei lá, é que ela pareceu ter ficado bem chateada quando viu vocês se beijarem.
– Mas por que ela ficaria? – Julie deu de ombros.
– Eu não sei. Dennis eu não queria, ficar bancando a curiosa. – Julie soltou uma risada fraca. – é que você era cercado por três garotas, poderosamente perigosas e eu não queria ter nenhuma delas no meu pé.
 Dennis sorriu.
– Sei – disse ele depois de captar a mensagem. – Julie, agora, será que eu posso fazer uma pergunta?
– Claro.
– Ano passado, a Priscilla queria se vingar de nós, porque ela achava que a gente tinha matado o Janderson naquele avião, mas nós não fizemos isso
– E então...?
– Se não foram vocês que deixou ele pra morrer, então quem foi?
 Julie não respondeu. Devia ser a escuridão da noite, mas Dennis não conseguiu identificar a expressão no rosto dela, seu olhar era semelhante ao de alguém que havia acabado de lembrar-se de um momento difícil ou de alguém que estava preste a ser desmascarado.
– Julie? – disse Dennis esperando uma resposta.
 Quando Julie, já estava se preparando para falar, seus dispositivos R.N.G.s emitiram sons de "bip". Dennis atendeu e antes que dissesse algo à voz de Carolina soou através deles.
Gente! Reunião no quarto da Anna, agora!
 Dennis e Julie voltaram imediatamente para casa, Dennis entrou em seu quarto e encontrou Pedrinho e Junior aparentemente de pijamas, pareciam ainda estarem acordando.
– Carolina está aqui? – Perguntou Dennis.
– Está no quarto da Anna com as garotas. – Respondeu Junior.
– Também recebeu a chamada dela? – Perguntou Pedrinho.
 Os três foram para o quarto da Anna, e lá encontram Carolina com Julie e Alice.
– Ô pirralha será que dá pra dizer o que você tinha de tão urgente pra nos contar? – Exigiu Alice. – Eu estava no meu sono de beleza!
 Carolina falou:
– Acho que posso ter encontrado as respostas para as nossas perguntas.
 Dennis ficou tenso.
– Não me diga que você sabe aonde a Anna possa estar? – Carolina suspirou com infelicidade.
– Não Dennis, eu infelizmente, não sei. Também não sei, quem a levou, mas agora sei o que aconteceu enquanto ela estava sozinha aqui, nesse quarto.  Carolina retirou o dispositivo R.N.G. da Fênix do bolso.
– Eu examinei o relógio no Laboratório Noturno e para a minha surpresa as únicas digitais que eu encontrei, pertencia a Anna. Foi aí que eu percebi que o Dennis tinha toda razão. – Dennis inclinou a cabeça.
– Eu tinha razão? Quer dizer, é claro que tinha! Mas sobre o que mesmo?
– Quando disse que quem levou a sua prima, havia deixado seus rastros por esse relógio e por todo esse quarto, o dispositivo da Anna, me fez entender tudo. – Julie disse:
– Mas achei que tivesse dito que no relógio só tinha as digitais da Anna.
 Pedrinho murmurou:
– Ô Carolina será que você pode deixar o seu relatório nerd pra depois e dizer de uma vez por todas quem foi que foi levou a minha futura mulher?
– Eu já disse que não sei o que... quem levou a Anna, mas com certeza não era daqui. Falava uma língua diferente, outro idioma. Não era grego, latim, alemão... não era nenhuma língua que eu já havia ouvido antes.
 Alice perguntou:
– Você tá dizendo que a minha melhor amiga foi raptada por gringos?
– Acho que não eram gringos Alice. Seja lá quem esteve aqui, arrastou ela pra fora desse quarto e não estava sozinho.
– "Eles" – disse Dennis. – é assim, que as testemunhas o chamam.
– Mas a Anna fez algo que as testemunhas ou as vitimas não fizeram, ela lutou.
– Como sabe disso? – Perguntou Julie.
– Já olharam pro teto?
 E imediatamente todos ergueram as cabeças e viram manchas negras no teto branco.
– Anna usou fogo, unhas e dentes, literalmente pra se defender. – Carolina foi até a porta do quarto que dava acesso a varanda. – Examinei o local onde o Dennis havia encontrado o dispositivo R.N.G. e encontrei marcas de arranhões nas laterais da porta que da em direção à varanda, que deve ter sido por a levaram. – Dennis falou:
– Carolina, ainda não entendi a importância do relógio, se só havia digitais da Anna neles, como te ajudou a descobrir tudo isso?
– Porque Dennis, eu pensei que o relógio fosse uma peça desse quebra cabeça, mas então descobrir que ele estava mais pra um manual do quebra cabeça e foi a Anna que deu esse manual pra gente, o dispositivo R.N.G. não foi arrancado dela, ela mesma o deixou aqui. – Julie compreendeu.
– Por isso só havia digitais dela no relógio, é claro!
– E o motivo para ela tê-lo deixado aqui, é porque ela queria que a gente visse quem eles eram, ou melhor, ouvisse quem eles eram.
– Ok – falou Alice. – agora pode simplificar?
– No Laboratório Noturno, eu abri o dispositivo e vi que tinha uma gravação de uma chamada que ela foi feita pela última vez. – Perinho perguntou:
– Espera aí, quer dizer que as nossas chamadas são gravadas?
– Apenas quando não são efetuadas. Enfim, a gravação estava péssima, havia muito chiados... ruídos, como se estivesse em interferência, o que é estranho pois isso nunca aconteceu antes. Ouvi a gravação várias vezes e... não consegui deixar de ficar apavorada quando escutei.
– Podemos ouvir? – Perguntou Dennis.
 Carolina retirou do bolso, um pen drive e o conectou ao computador de Anna. Ela abriu a gravação no Windows Media Player e ao abri-lo ouviram apenas um ruído bastante incomodo, mas mesmo assim Carolina colocou as caixas de som no volume máximo.

06:42 p.m.
Voz da Fênix (Anna Beatriz):
– [ruído] Todos os agentes compareçam ao terceiro andar, alerta de invasão, galera tem pessoas não identificadas na minha casa!
06:43 p.m.
[Barulho de passos pesados e respiração ofegante]
06:45 p.m.
– Pessoal, venham rápido, tenho possíveis invasores aqui! [suspiro] Alguém na escuta?
06:50 p.m.
– Tá legal, vou fazer isso eu mesma! [Barulho de porta sendo arrombada]Feras Noturnas! Rendam-se...! Ah meu Deus!
06:50 p.m.
O ruído cessou. As vozes eram abafadas e eletrônicas, como se as pessoas ali dentro estivessem usando rádios da policia para se comunicarem.
Vozes desconhecidas.
1° voz:
Emque vêco. (Quem é você?)
2° voz:
Vede ers a ãtrifian od feliniano! (Deve ser a anfitriã do feliniano)
06:52 p.m.
Voz da Fênix (Anna Beatriz):
– Quem... O que são vocês?
06:53 p.m.
 Um som semelhante ao de um enorme motor tomou lugar do ruído.
1° voz:
Smova lavále! (Vamos levá-la)
06:54 p.m.
Voz da Fênix (Anna Beatriz):
– Não, fiquem longe de min! [som de flamejo] Me larguem! Socorro! Socorro!
06:55 p.m.
2° Voz:
Quefi taequi terráquea! (Fique quieta terráquea)
06:56 p.m.
Voz da Fênix (Anna Beatriz):
– [choro] Não, por favor, não! [gritos] AAAH!!! Dennis, Carolina, Alice, mãe! [choro] Alguém me ajuda, por favor! Socorro!
06:57 p.m.
1° voz:
– [gritos da Anna] Mecipees namahu daratucap nhumne alsin od feliniano. (Espécie humana capturada, nenhum sinal do feliniano)
06:58 p.m.
2° voz:
– [gritos da Anna] Amssim darrance dontavol apa tralcen (Missão encerrada. Voltando para a central).
06:59 p.m.
 [Gritos de Anna sumindo ao fundo]
  Às 07:00 p.m. ouviram o som de motor afastar-se e o ruído voltar.

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