6. Vozes
Desconhecidas
Depois de meia hora procurando pela Anna, por toda a
casa, chamando o seu nome pelos lugares mais improváveis de achá-la, Dennis
chegou a uma conclusão.
– Anna foi
levada.
– Hãn? –
Perguntou Pedrinho – Quem? Por quê!?
– Dennis, não
podemos ter certeza disso – argumentou Carolina – Ela tem que estar em algum
lugar.
– Já olhei em
toda parte e nem sinto o cheiro dela. – Falou Julie.
– Então –
Pedrinho começou – quer dizer que..
– A Anna, foi
mais uma vítima dos desaparecimentos da região... pelo menos é o que o Dennis
acha.
Todos levantaram murmúrios de preocupações.
Pedrinho:
"Como é que é?"
Julie: "O
que vamos fazer?"
Alice: "Ai
minha besti frendi!"
Junior:
"Vamos ficar acordados a madrugada inteira de novo?"
– Pessoal,
fiquem todos calmos, por favor – pediu Carolina. – Anna não pode ter sido
sequestrada.
– Carolina você
viu o que aconteceu! – Disse Dennis. – Luzes piscando, aparelhos
eletrônicos enlouquecendo, luzes estranhas lá fora, a voz da minha prima
gritando... Praticamente tudo na descrição do Fábio, na noite do desaparecimento
do pai dele!
Carolina detestava ter que discutir com
Dennis, mas para ela, ele estava se precipitando encerrando o caso daquela
forma, devido ao pânico que se arrastava lentamente em sua direção. Mas
Carolina tinha toda certeza de que não havia probabilidade de Anna ter sido
sequestrada, seja lá o que tenha acontecido com ela, não podia ter sido levada.
– Dennis, eu
mesma estava com a Anna, antes dela sumir, ninguém estava com ela além de min. Estávamos
todos lá no Cine, em frente à escada, ninguém passou por nós. Então, não tem
como alguém ter entrado aqui e a levado.
Dennis não disse mais nada, queria poder
falar, mas sabia que Carolina estava certa. Ele começou a andar pelo quarto,
tentando imaginar o que poderia ter acontecido.
– Eu só sei de
uma coisa: – falou Alice – não vou ficar parada sem fazer nada enquanto não achar
a minha amiga! – Pedrinho concordou.
– Como é que
vou me casar, com alguém que sumiu? Seja lá quem levou a minha Anna, vai
se vê comigo!
Carolina
começou a dar mais justificativa para todos manterem a razão em si, enquanto
isso Dennis viu objeto vermelho, próximo à porta que dava acesso a varanda.
Dennis se aproximou se agachou próximo a ele e quando viu o que era, teve
vontade de se desmanchar em lágrimas, mas não queria fazer isso, ali naquele
momento.
– Galera. –
chamou ele – Vejam isso.
Eles se aproximaram e viram Dennis segurar um
relógio Champion vermelho. O dispositivo R.N.G. de Anna.
– Deixe me ver.
– Carolina estendeu a mão, vestida com uma luva, pedindo para ver o relógio.
Pedrinho perguntou:
– Você sempre
anda com essas coisas de laboratório aí com você? – Dennis se voltou para seus
amigos e perguntou:
– Vocês fazem
ideia do que é isso? – Todos responderam juntos:
– O relógio da
Anna.
– Não! Quer
dizer, sim.
– Espera aí! –
falou Alice – Você tá dizendo que isso é ou não é da Anna menino?
– É claro que é
da Anna, Alice! O que eu estou querendo dizer, é que essa pode ser a pista que
a gente tanto procurou, pode nos levar aos sequestradores e pode nos ajudar a
descobrir o que aconteceu com todas as pessoas que estão desapareceram.
Nas laterais da
porta, na madeira do portal, Carolina notou marcas que nunca tinha reparado
antes. Quatro listras em posição horizontal, elas eram tremulas. Pareciam ter
sido feito por unhas, mas Carolina não podia saber se foram feitas por Anna.
Deveria estar ali há muito tempo, então Carolina decidiu não chamar a atenção
de Dennis.
– Foi mal,
Dennis. – falou Julie – Mas pra min isso é só um rastro da Anna, não de quem a
levou. Como vamos poder descobrir tudo isso só com esse relógio?
– Tenho certeza
que quem levou a minha prima, deixou seus rastros por esse relógio e por todo
esse quarto. – Dennis olhou para Carolina, seus olhos castanho-mel brilhavam de
esperança. – Pode dar uma olhada nesse relógio?
– Vou dedicar
todas as horas do meu dia fazendo isso.
– E então? –
Perguntou Junior. – O que vamos fazer pra encontrar ela?
Antes que Dennis dissesse Carolina falou:
– Bem, acho que
o melhor que podemos fazer é cuidar da mãe e do irmão da Anna, contando pra
eles sobre o desaparecimento dela.
– Como é que é
pirralha? – Perguntou Alice.
– Carolina
enlouqueceu? – perguntou Dennis. – A mãe dela, vai acionar a policia e amanhã
de manhã, a rua vai estar cheia de viaturas, sem falar na imprensa e as pessoas
fazendo investigação aqui, na casa e pode até ocorrer dos meus países
apareceram para me tirar daqui.
A ideia de o
Dennis ir embora, assim, tão cedo, fez Carolina gelar, mas não podia deixar
seus sentimentos serem maiores do que a sua razão.
– Dennis,
precisamos fazer isso – disse ela –, o único jeito de podermos descobrir alguma
coisa, é ter a ajuda de profissionais investigando por nós e além do mais, não
podemos esconder isso da família dela.
– A Anna era superocupada
com o cinema – falou Julie – Se a gente der as caras lá em baixo, a mãe dela vai
perguntar pela filha assim que nos ver.
Pedrinho perguntou:
– Se repórteres
e jornalistas aparecerem, a gente não vai correr risco de ser exposto com
câmera lá na rua?
– Não, pessoal
– disse Dennis – Carolina tem razão, mais uma vez, não temos como esconder o
desaparecimento de Anna da família dela e nunca iremos descobrir alguma coisa, sem
a ajuda de investigadores.
– Mas talvez a gente
descubra algo mais do que os humanos – disse Carolina – afinal, nós temos uma
pista e eles não.
– Mesmo assim –
continuou Dennis –, não vai ser nada fácil pra min contar pra minha tia o que
aconteceu com a Anna.
Dennis foi para o Cine, o filme já estava
começando, João havia fechado a bilheteria e agora estava vendo pipoca,
enquanto Dona Tereza tirava uma “folga” bebendo um copo d’água.
– Tia – chamou
Dennis. – é a Anna.
– Cadê aquela
criatura?
– Ela
desapareceu.
Dona Tereza cuspiu todo o conteúdo do que
estava bebendo no rosto de Dennis.
O que aconteceu em seguida foi exatamente como
Dennis havia previsto exceto pelo fato de a rua ficar, cheia de viaturas e
jornalistas. Dennis e seus amigos, contaram para João e sua mãe, que Anna havia
desaparecido dentro de casa, sem deixar rastros. Porém deixaram de fora, o fato
de terem encontrado o relógio dela. Dona Tereza e seu filho entraram em
desespero, cancelaram o filme, ligaram para a polícia e fizeram uma ocorrência,
porém Dona Tereza culpou o Dennis, pelo sumiço de sua filha. Em seguida, Dennis
pediu aos seus amigos que se "hospedassem" na casa de sua tia, para
facilitar as investigações e assim fizeram, João e Dona Tereza entenderam como
um gesto de consolo à família.
Dennis, Carolina, Pedrinho e Julie estavam
todos reunidos com suas bagagens, à espera de Alice.
– Gente,
cheguei! – Anunciou Alice.
– Até que em
fim! – Murmurou Pedrinho – Demorou.
– Não é fácil
escolher roupas quando se está morta de preocupação pela sua amiga
desaparecida!
– Obrigado por
terem vindo, pessoal – disse Dennis ao se levantar – Odeio ter que encher vocês
de tantos favores, mas nesse momento estou precisando da ajuda de vocês, mais
do que nunca.
– Relaxa,
Dennis – Julie fez um sorriso tranquilizador –, gostamos da Anna tanto quanto
você, iremos fazer de tudo para trazê-la de volta.
Dennis sorriu, agradecido.
– Muito
obrigado, mesmo. Então... Boa noite para vocês.
Carolina reparou nas roupas de Dennis, estava
usando seu "uniforme" de Garoto-Morcego, então concluiu que ele
estava de partida.
– Você vai
sair? – Perguntou ela.
– Não vou
conseguir dormir enquanto eu não vasculhar essa cidade a procura da Anna ou de
algum sinal desses sequestradores. – Junior perguntou:
– E você não
quer que a gente vá junto?
– Não. Agora eu
quero que descansem, preciso que estejam bem dispostos amanhã, não sei que
faremos amanhã, mas... irei pensar em alguma coisa.
Ouvindo isso e vendo o quanto Dennis estava
abatido pelo sequestro de sua prima, Junior sentiu vontade de abrir mão de uma
boa noite de sono para ajudar Dennis, mas depois que sentiu seus olhos pesarem,
mudou de ideia imediatamente.
– Também estou
de saída – disse Carolina. – vou ao Laboratório Noturno, quero analisar cada
detalhe do dispositivo R.N.G. da Anna, os sequestradores tem que ter deixando alguma
digital naquele relógio e quero descobrir o mais rápido possível.
Dennis e Carolina partiram para realizarem
suas tarefas. Foi difícil, para Carolina pedir ajuda de Alice de quem sentia
tanta raiva, mas com a ajuda da amiga, entrou em sua residência e teve acesso
ao laboratório. Chegando lá, Carolina fez tudo que havia aprendido em vídeos de
tutoriais no YouTube, ou assistindo ao CSI: Investigação Criminal.
Ela cobriu o relógio com pó e o escanceou em luz negra. Carolina acreditava nas
palavras de Dennis: aquele relógio poderia ser a pista que tanto procuravam,
poderia levá-los aos sequestradores e ajudá-los a descobrir o que estava
acontecendo com as pessoas do estado do Ceará.
Porém, ela não conseguia enxergar nada disso
com aquele relógio. Como se aquele dispositivo pudesse não ser a resposta para
tudo, mas a primeira peça de um enorme quebra-cabeça. Carolina se aprofundou
mais ainda em seus pensamentos. Por que aquele relógio estava ali, afinal de
contas? Quem ou o que estava raptando todas aquelas pessoas, não deixava
nenhuma pista. Então, cometeram um erro ou Anna queria deixar uma pista para
seus amigos? Mesmo assim, ainda não tinha como ter certeza. Então Carolina
lembrou-se do que mais Dennis havia dito.
Tenho certeza que quem levou a minha prima,
deixou seus rastros por esse relógio e por todo esse quarto.
Será? Perguntou-se ela, então pensou:
– A primeira
peça de um enorme quebra-cabeça... é claro!
Carolina não fazia ideia do que havia
descoberto, mas abriu o dispositivo R.N.G. e viu que havia uma chamada feita
por Anna, antes de ser levada.
Dennis se sentia aliviado, pois pela primeira
vez estava sozinho e livre para expressar tudo que sentia em segredo desde que
chegou à Barra do Ceará. Enquanto voava sobre a cidade de Fortaleza, ainda não
conseguia deixar de se sentir arrependido e culpado, por tudo que fez contra
sua prima, sua família e seus amigos, enquanto havia se unido a Priscilla e seu
clã de lobisomens, o Refugio dos Lobos, também se sentia mal, por ter algo de
errado com sua mente, só pelo fato de ser um mutante, já fazia dele um anormal.
Dennis acreditava que nunca havia conseguido ser normal, mas depois de um
tempo, deixou de se importar em não ser normal, até que um dia alguém lhe disse
que ele realmente não era normal, que havia algo de errado com ele.
Mas de tudo que lhe entristecia, a pior coisa,
era Anna, sua prima que tanto acreditava nele, que sempre lhe dava animo quando
se sentia fraco e que nunca havia deixado de amá-lo, mesmo depois de tentar
matá-la. Agora, estava desaparecida e Dennis não podia e não sabia o que
fazer para ajudá-la. Ele se entregou a angústia e começou a chorar, mas não
queria se esborrachar em um prédio, mais uma vez, então aterrissou na cobertura
de um edifício. Dennis se apoiou na amurada do prédio e olhou para a cidade, o
fluxo de carros nas avenidas, os humanos com seus hábitos noturnos, em bares,
restaurantes e boates. Naquele momento, Dennis implorou por um sinal de sua prima
ou de algo que o levasse a ela, nem que fosse qualquer coisa, mas queria um
sinal, uma chance.
Ele estava contente por ter encontrado o
dispositivo R.N.G. da Fênix, mas não estava com paciência para migalhas,
queria uma trilha que o levasse direto para sua prima.
– Anna... – disse
Dennis olhando para o horizonte – onde você está?
– Nós vamos
encontrá-la. – disse uma voz feminina, atrás dele.
Dennis virou-se com um pulo e viu Julie de
ante dele.
– Ah, foi mal.
– desculpou-se ela. – Você queria ficar sozinho...
– Não! Tudo bem
é só... – Dennis enxugou o rosto discretamente. – o que faz aqui?
Julie foi para o lado de Dennis, se apoiou na
amurada do prédio e olhou para o horizonte e o respondeu com um tom de
angústia.
– Graças a
Anna, eu me tornei membro dos Feras Noturnas, eu praticamente devo isso a ela.
– Entendo.
Então, está gostando de ser uma fera noturna? – Julie olhou para Dennis
sorrindo.
– Muito! Eu
adoro a adrenalina de sair escondida, e fazer sei lá o que por aí. Quer dizer,
eu fazia um monte de loucuras, com o Junior e os outros nos velhos tempos,
mas... tipo: não eram coisas que se orgulho em ter feito. A noite é incrível. –
Disse ela olhando para o céu.
– É sim. –
Concordou Dennis.
– Dennis, eu
posso te fazer uma pergunta? – Julie voltou os olhos para a cidade. – Uma
pergunta pessoal?
– Pode.
– Você namora
com a Alice? – Dennis franziu a testa.
– O quê? Não!
Por quê?
– É que ontem à
noite, lá no cinema, vocês estavam...
Dennis então lembrou-se da noite anterior,
pouco antes de Julie e Junior terem reaparecido. Devido ao desaparecimento de
Anna, ele achava não iria sorrir tão cedo, mas naquele momento não rir foi
impossível.
– Ah! Não, não,
não estamos namorando. Aquilo foi só um beijo... entre amigos.
Se é que amigos
se beijam, pensou ele.
– Tá legal e
quanto à Carolina – Julie voltou a perguntar. –, vocês já namoraram?
– Com certeza
não, mas por quê?
– Sei lá, é que
ela pareceu ter ficado bem chateada quando viu vocês se beijarem.
– Mas por que
ela ficaria? – Julie deu de ombros.
– Eu não sei.
Dennis eu não queria, ficar bancando a curiosa. – Julie soltou uma risada
fraca. – é que você era cercado por três garotas, poderosamente perigosas e eu
não queria ter nenhuma delas no meu pé.
Dennis sorriu.
– Sei – disse
ele depois de captar a mensagem. – Julie, agora, será que eu posso fazer uma pergunta?
– Claro.
– Ano passado,
a Priscilla queria se vingar de nós, porque ela achava que a gente tinha matado
o Janderson naquele avião, mas nós não fizemos isso
– E então...?
– Se não foram
vocês que deixou ele pra morrer, então quem foi?
Julie não respondeu. Devia ser a escuridão da
noite, mas Dennis não conseguiu identificar a expressão no rosto dela, seu
olhar era semelhante ao de alguém que havia acabado de lembrar-se de um momento
difícil ou de alguém que estava preste a ser desmascarado.
– Julie? –
disse Dennis esperando uma resposta.
Quando Julie, já estava se preparando para
falar, seus dispositivos R.N.G.s emitiram sons de "bip". Dennis
atendeu e antes que dissesse algo à voz de Carolina soou através deles.
– Gente! Reunião no quarto da Anna, agora!
Dennis e Julie voltaram imediatamente para
casa, Dennis entrou em seu quarto e encontrou Pedrinho e Junior aparentemente
de pijamas, pareciam ainda estarem acordando.
– Carolina está
aqui? – Perguntou Dennis.
– Está no
quarto da Anna com as garotas. – Respondeu Junior.
– Também
recebeu a chamada dela? – Perguntou Pedrinho.
Os três foram para o quarto da Anna, e lá
encontram Carolina com Julie e Alice.
– Ô pirralha
será que dá pra dizer o que você tinha de tão urgente pra nos contar? – Exigiu
Alice. – Eu estava no meu sono de beleza!
Carolina falou:
– Acho que
posso ter encontrado as respostas para as nossas perguntas.
Dennis ficou tenso.
– Não me diga
que você sabe aonde a Anna possa estar? – Carolina suspirou com infelicidade.
– Não Dennis,
eu infelizmente, não sei. Também não sei, quem a levou, mas agora sei o que
aconteceu enquanto ela estava sozinha aqui, nesse quarto. Carolina retirou o dispositivo R.N.G. da Fênix
do bolso.
– Eu examinei o
relógio no Laboratório Noturno e para a minha surpresa as únicas digitais que
eu encontrei, pertencia a Anna. Foi aí que eu percebi que o Dennis tinha toda
razão. – Dennis inclinou a cabeça.
– Eu tinha
razão? Quer dizer, é claro que tinha! Mas sobre o que mesmo?
– Quando disse
que quem levou a sua prima, havia deixado seus rastros por esse relógio e por
todo esse quarto, o dispositivo da Anna, me fez entender tudo. – Julie disse:
– Mas achei que
tivesse dito que no relógio só tinha as digitais da Anna.
Pedrinho murmurou:
– Ô Carolina
será que você pode deixar o seu relatório nerd pra depois e dizer de uma vez
por todas quem foi que foi levou a minha futura mulher?
– Eu já disse
que não sei o que... quem levou a Anna, mas com certeza não era daqui.
Falava uma língua diferente, outro idioma. Não era grego, latim, alemão... não
era nenhuma língua que eu já havia ouvido antes.
Alice perguntou:
– Você tá
dizendo que a minha melhor amiga foi raptada por gringos?
– Acho que não
eram gringos Alice. Seja lá quem esteve aqui, arrastou ela pra fora desse
quarto e não estava sozinho.
–
"Eles" – disse Dennis. – é assim, que as testemunhas o chamam.
– Mas a Anna
fez algo que as testemunhas ou as vitimas não fizeram, ela lutou.
– Como sabe
disso? – Perguntou Julie.
– Já olharam
pro teto?
E imediatamente todos ergueram as cabeças e
viram manchas negras no teto branco.
– Anna usou
fogo, unhas e dentes, literalmente pra se defender. – Carolina foi até a porta
do quarto que dava acesso a varanda. – Examinei o local onde o Dennis havia
encontrado o dispositivo R.N.G. e encontrei marcas de arranhões nas laterais da
porta que da em direção à varanda, que deve ter sido por a levaram. – Dennis
falou:
– Carolina,
ainda não entendi a importância do relógio, se só havia digitais da Anna neles,
como te ajudou a descobrir tudo isso?
– Porque
Dennis, eu pensei que o relógio fosse uma peça desse quebra cabeça, mas então
descobrir que ele estava mais pra um manual do quebra cabeça e foi a Anna que deu
esse manual pra gente, o dispositivo R.N.G. não foi arrancado dela, ela mesma o
deixou aqui. – Julie compreendeu.
– Por isso só havia
digitais dela no relógio, é claro!
– E o motivo
para ela tê-lo deixado aqui, é porque ela queria que a gente visse quem eles
eram, ou melhor, ouvisse quem eles
eram.
– Ok – falou
Alice. – agora pode simplificar?
– No
Laboratório Noturno, eu abri o dispositivo e vi que tinha uma gravação de uma
chamada que ela foi feita pela última vez. – Perinho perguntou:
– Espera aí, quer
dizer que as nossas chamadas são gravadas?
– Apenas quando
não são efetuadas. Enfim, a gravação estava péssima, havia muito chiados... ruídos,
como se estivesse em interferência, o que é estranho pois isso nunca aconteceu
antes. Ouvi a gravação várias vezes e... não consegui deixar de ficar apavorada
quando escutei.
– Podemos
ouvir? – Perguntou Dennis.
Carolina retirou do bolso, um pen drive e o
conectou ao computador de Anna. Ela abriu a gravação no Windows Media Player e
ao abri-lo ouviram apenas um ruído bastante incomodo, mas mesmo assim Carolina
colocou as caixas de som no volume máximo.
06:42 p.m.
Voz da Fênix
(Anna Beatriz):
– [ruído]
Todos os agentes compareçam ao terceiro andar, alerta de invasão, galera tem
pessoas não identificadas na minha casa!
06:43 p.m.
[Barulho de passos pesados e respiração ofegante]
06:45 p.m.
– Pessoal, venham rápido, tenho possíveis invasores aqui! [suspiro]
Alguém na escuta?
06:50 p.m.
– Tá legal, vou fazer isso eu mesma! [Barulho de porta sendo
arrombada]Feras Noturnas! Rendam-se...! Ah meu Deus!
06:50 p.m.
O ruído cessou.
As vozes eram abafadas e eletrônicas, como se as pessoas ali dentro estivessem
usando rádios da policia para se comunicarem.
Vozes
desconhecidas.
1° voz:
– Emque vêco. (Quem é você?)
2° voz:
– Vede ers a ãtrifian od feliniano!
(Deve ser a anfitriã do feliniano)
06:52 p.m.
Voz da Fênix
(Anna Beatriz):
– Quem... O que são vocês?
06:53 p.m.
Um som semelhante ao de um enorme motor tomou
lugar do ruído.
1° voz:
– Smova lavále! (Vamos levá-la)
06:54 p.m.
Voz da Fênix
(Anna Beatriz):
– Não, fiquem longe de min! [som de flamejo] Me larguem! Socorro!
Socorro!
06:55 p.m.
2° Voz:
– Quefi taequi terráquea!
(Fique quieta terráquea)
06:56 p.m.
Voz da Fênix
(Anna Beatriz):
– [choro] Não, por favor, não! [gritos] AAAH!!! Dennis,
Carolina, Alice, mãe! [choro] Alguém me ajuda, por favor! Socorro!
06:57 p.m.
1° voz:
– [gritos da Anna] Mecipees
namahu daratucap nhumne alsin od feliniano. (Espécie humana capturada,
nenhum sinal do feliniano)
06:58 p.m.
2° voz:
– [gritos da Anna] Amssim
darrance dontavol apa tralcen (Missão encerrada. Voltando para a central).
06:59 p.m.
[Gritos de Anna sumindo ao
fundo]
Às 07:00 p.m. ouviram o som de motor
afastar-se e o ruído voltar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário