14. Na Corte do
Rei Ezórius
– Está indo em direção aos outros.
Carolina pôs a mão
no ombro de Dennis.
– Espera. Talvez não vá devorá-los.
– O que?!
– Se meu conhecimento sobre grandes répteis estiverem
certos, a visão deles é baseada por movimentos.
– Então quer dizer que ele não os encherga?
– Exatamente, talvez ele só tenha sido atraído pelo fogo,
como Isáby havia advertido. Agora, só vamos torcer para que nenhum deles
acordem.
O Tiranossauro
Rex, foi diretamente para a clareira onde estavam acampados. O Dinossauro
farejou o chão e a cada um que estava dormindo, mas nenhum acordou, em seguida
ele observou a fogueira com curiosidade e tentou farejá-la, mas acabou
queimando o focinho. O T-Rex se esquivou e gruniu, fazendo Alice acordar. Ele
então, deu meia-volta e caminhou para outra direção, se afastando dali.
– Viu só? – Disse Carolina. – Ele só foi atraído pelo
fogo.
Alice se sentou, e
ao ver o enorme dinossauro começou a gritar extericamente, como uma cirene.
– Droga Alice! – Murmurou Dennis.
Os outros se
acordaram assustados, perguntando o que estava acontecendo. O Tiranossauro
olhou para trás e começou a andar em direção a Alice.
– Carolina, – disse Dennis – segura firme.
– Em quê?
Sem responder à
pegunta, Dennis agarrou Carolina e saltou da árvore. Alice continuava a gritar,
sentada e imóvel, quando o dinossauro estava a poucos metros dela, Dennis e
Carolina aterrisaram bem entre os dois. Os dentes caninos de Dennis cresceram,
ele ergueu as asas e se curvou sobre os joelhos e fez:
“Wuaaargh!”
A
fim de parecer o mais selvagem possível. O T-Rex arreganhou a mandíbula e
emitiu um rugido, muito mais alto, fazendo Dennis ficar de cabelo em pé.
– Nada mal. – Murmurou ele. – Corram!
Dennis bateu suas
asas e voo imediatamente. Carolina gritou:
– Vai me deixar aqui?
Carolina viu o
Tiranossauro Rex se aproximar e fugil. Isáby pegou um pedaço de madeira em
chamas, da fogueira e o usou como tocha. Todos se disperam, mas Isáby os
conduzil para o caminho, em direção a sua tribo, seguindo o rio. Mas o dinossauro
fez questão de perseguir Alice.
– O que você quer de min? – Gritou Alice. – Eu estou
feia!
A garota se
aproveitou de tudo na floresta, passando por lugares estreitos e entre cipós,
mas o T-Rex rasgava, derrubava ou saltava sobre tudo que estava em seu caminho.
– Será que a gente não pode dar uma paradinha? –
Perguntou Junior. – Queria bater uma foto com ele.
– Tu é doido, é? – Disse Pedrinho. – Ele vai nos devorar!
– Carolina – disse Julie –, achei que você tivesse dito
que tudo nesse planeta, fosse evoluído?
– Era o que eu pensava. – Respondeu Carolina.
Todos seguiam
Isáby Kestet, que seguia a trajetória do rio. Algum tempo depois, fugindo,
chegaram à um amontoado de rochas grandes, que bloqueavam o caminho. Os sete,
poderiam passar por entre elas, mas o Tiranossauro não. Isáby parou de correr e
Dennis aterriçou bem ao lado dela.
– O que está esperando? – Perguntou Dennis. – Vamos!
Isáby apontou para
as rochas.
– Leve-os para lá. – Ela olhou para o pedaço de madeira,
em chamas, em sua mão. – Eu distraio ele.
Julie, Pedrinho,
Alice, Junior e Carolina vieram correndo, atrás deles, o dinossauro. Dennis ordenou
que continuassem a correr pelo caminho entre as rochas, onde o T-Rex não podia
pegá-los e enquanto isso, Isáby chamava a anteção do réptil, com a madeira em
chamas.
– Ei, ei! – Gritou ela. – Olha eu aqui!
O Tiranossauro
fitou os olhos no pedaço de pau e Isáby começou a balançá-lo de um lado para o
outro.
– Veja o fogo, olhe o fogo, sinta o fogo. Você quer? Vai
pegar!
Isáby arremeçou a
madeira para longe e o T-Rex começou a caminhar para a mesma direção, até que
Alice gritou:
– Ô pessoal, a gente tem mesmo que ir por aquele caminho?
Odeio lugares apertados!
O dinossauro
deixou de lado, o graveto com fogo. Ele rugiu, com toda fúria e caminhou em
direção a Dennis, Isáby e Alice.
Isáby e Dennis
gritaram ao mesmo tempo.
– ALICE! – Ela perguntou inocente:
– Eu falei alguma cois...?
– Vamos! – gritou Dennis.
Os três se meteram
entre as rochas e começaram a correr. Por estar escuro, se esbarraram em
algumas curvas, e quando estavam saíndo do labirinto de pedras, escorregaram em
musgo e rolaram morro à baixo.
Ouviram os rugidos
do Tiranossauro ficando pra trás. Quando chegaram ao fim do morro, os três
caíram em baixo da menor árvore que já haviam encontrado naquele planeta, uma
árvore com cerca dez metros de altura, com vários cipós pendendo de seus
galhos. Dennis, Isáby, Alice e Carolina caíram sobre alguém grande e duro como
uma rocha.
– Obrigada, por ter amortecido a queda Juninho! –
Falou Alice.
– De nada. – Gemeu Junior.
Julie, Pedrinho e
Carolina o ajudaram a se levantarem. Isáby cerrou os olhos para Dennis.
– O que foi que eu disse sobre, acender uma fogueira? –
Perguntou ela.
– O que foi que você
disse sobre, ficar acordada à noite toda? – Retrucou Carolina.
Isáby franziu a
teste, tocou o queixo e murmurou uma palavra, em seu idioma.
– Ah, não importa. Pelo menos, estamos mais perto da
minha tribo.
– Mas ainda estamos no meio da noite, e eu quero dormir!
– Murmurou Junior.
– Tenho certeza que dormir é a menor das nossas
preocupações, Junior. – disse Carolina. – Isáby, quantas espécies de répteis
pré-históricos do período Jurássico e entre outros, vivem nesse planeta?
A garota feliniana
piscou, fazendo cara de paisagem, sem compreender o que havia lhe perguntado.
– Dinossauros! – murmurou Carolina. – Quantos deles vivem
aqui?
– Ah! – Isáby compreendeu. – Não são muitos, mas ah
bastante daqueles que os terráqueos ainda não conhecem.
Dennis perguntou:
– Mas em Animália, as plantas e os animais são tão
evoluídos, por que ainda existem dinossauros aqui?
Isáby deu uma
risadinha de gato.
– É a benção do grande Espírito dos Céus, ele traz
prosperidade a tudo que é plantado em nossa terra e trouce a evolução da nossa
espécie, mas para os que são desordeiros e arrogantes, como aquele que vocês
acabaram de ver, permanecem sendo primitivos.
Carolina
considerou que, o que Isáby havia contado, era apenas uma crença, mas para
Carolina, é cláro que havia uma explicação cientifica para existencia de
dinossauros e para tudo que vive naquele planeta.
– Então quer dizer – perguntava Pedrinho –, que certos
animais não são evoluídos e outros, são até demais? – Isáby respondeu
sorridente:
– Isso mesmo. – Junior perguntou:
– Como aquela árvore que está prestes a devorar a Julie?
Com o polegar,
Junior apontou para Julie, à sua direita, ela estava sendo erguida por um cipó,
que estava enrolado em seu pescoço. Os feras tentaram ajudá-la, mas a garota
foi puxada rápidamente em direção a copa da árvore, ao mesmo tempo, outros
cipós atacaram.
– Cipós selvagens! – Alertou Isáby.
Dennis e Isáby,
por serem mais rápidos, conseguiam se esquivar, mas outros não tiveram a mesma
sorte. Junior lutou bravamente, contra os cipós, que mais pareciam serpentes ou
tentáculos de um animal marinho. Ele rasgava e arrebentava, todos que se
enroscavam em seus braços, mas uma duzia de cipós se enrolaram em seu corpo de
uma só vez, lhe transformando em uma múmia verde e o levou para o alto, um cipó
se enrolou em volta de Alice, que começou a gritar extericamente. Carolina viu
que seus amigos estavam em desvantagem, contra os cipós selvagens, eles eram
rápidos, atacavam em todas as direções e eram muitos.
Carolina e
Pedrinho tentaram correr. Carolina conseguiu, mas uma dupla de cipós se
enrolaram nas pernas de Pedrinho, que começaram a arrastá-lo pelo chão, ele era
muito pesado, por isso não podiam levantá-lo. Carolina tentou ajudá-lo, ela
agarrou as mãos dele e impediu que ele fosse levado, mas outros cipós apreceram
e coseguiram levár Pedrinho para os galhos.
Carolina caiu
sentada no chão e ao ver outros cipós selvagens, vindo em sua direção, voltou a
correr, mas quando se deu de conta, seus pés não corriam mais sobre o chão, um
tentáculo grosso e verde, havia se enrolado em seu corpo e a levava para o alto
da árvore, assim como os outros. Carolina desconciderou a situação de perigo
por estar um pouco longe do chão, quando viu uma fenda enorme, uma boca rosada,
cheia de dentes em forma de espinhos, se abrir no tronco da árvore e algo lhe
dizia, que era para lá que iriam se não saíssem logo dali.
– Dennis – disse Isáby –, não podemos deixar que ela os
engula!
– Então o que faremos?! – Retrucou ele.
Julie se manteve
calma, e consentrada e usou suas garras para rasgar o cipó em torno de seu
pescoço e despencou no ar, mas por ser uma gata, caiu em pé sem dano algum,
Junior berrou um grito e arrebentou todos os cipós que enrolava o seu corpo.
Alice se remexeu desesperada, mais do que o normal e gritou.
– Essa não!
Preocupada,
Carolina perguntou:
– Alice o que foi?
– O meu nariz tá coçando e eu não consigo coçar!
Depois de ter dito
isso, um cipó se esfregou no rosto de Alice, que se sentiu mais aliviada.
– Ah – suspirou Alice –, obrigada plantinha.
E então, Alice foi
arremeçada para dentro da boca da árvore.
– ALICE! – Dennis entrou em desespero.
Todos não
acreditaram no que viram. A boca vertical da árvore, se fechou em volta do
corpo de Alice, que desapareceu em uma mordida. Isáby começou a atirar flechas
no tronco da árvore, mas isso só atraiu a atenção de mais cipós.
Carolina foi
dominada pelo medo. Ela não conseguia fazer nada (lutar, pensar ou gritar),
apenas observava a fenda rosada, cheia de espinhos, pronta para lhe engolir. O
cipó que sustentava Carolina, deu impulso, Dennis bateu suas asas e saltou do
chão, mas foi tarde de mais. Carolina foi arremçada para dentro da boca da
árvore. Dennis pousou em um galho sem reação, até que Isáby o trouce de volta.
– Dennis! – Gritava ela. – Vá ajudar o outro garoto. Nós
distraímos ela!
Isáby, Julie e
Junior correram para a frente da árvore e começaram a gritar: "Ei, ei,
aqui! Vem pegar a gente!"
Dennis voou para
Pedrinho, que ainda permanecia pendurado de ponta-cabeça.
– Pedrinho, tá tudo bem, eu vou te tirar daqui. –
Pedrinho falou com uma estranha expressão no rosto:
– Tudo bem Dennis, eu tô legal. Eu gosto da sensação de
ter todo o sangue do meu corpo, na minha cabeça.
Carolina caiu por
um tunel estreito e úmido. "Ótimo, estou viva. Agora a minha morte, será
lenta e dolorosa." Pensou ela, mas, por mais que a sua vontade fosse de
entrar em pânico e em uma profunda depressão, seus sentidos áquaticos estavam
disparados. Carolina foi parar em um pequeno tanque de água – mas era grossa e
pegajosa, parecia lama –, ela caiu por cima de algo duro, ouviu a água
borbulhar, um som semelhante ao de uma pessoa gargarejando e um gritinho fino
sendo abafado.
– Alice!
Ela se deu de conta
que estava sentada em cima de sua amiga. Mesmo sem conseguir enchergar direito,
Carolina imediatamente a retirou de baixo d'água e Alice começou a tossir.
– Você tá bem? – Perguntou Carolina.
– Eu nunca estive pior! – Choramingou Alice. – O que
vamos fazer?
Alice abriu o seu
dispostivo R.N.G., a luz fraca do aparelho foi o suficiente para consiguirem
enchergar o rosto uma da outra.
– Alice espera, eu sinto alguma coisa... como se tivesse
água à nossa volta.
– Se não percebeu amiga, tem água à nossa volta!
– Lamento lhe informar, mas isso não é água, sãos
os restos dos animais que essa coisa usou para se alimentar.
Mesmo Alice
gritando de nojo, Carolina fechou os olhos e se consentrou em seus sentidos aquáticos.
Então, lembrou-se de algo que aprendeu em Ciências: As árvores absorvem a àgua
do solo, através das raizes. Carolina sentiu a àgua, nas raizes, subindo pelo
tronco e, indo direto para as folhas e cipós. E passou a ter todos os sentidos
da árvore, as plantas aereas que crescem em seu caule e, os bixos que moram em
seus galho e inclusive, Isáby lhe atirando flechas, Julie arranhando os cipós
com suas garras, Junior arrebetando cipós, Pedrinho pendurado pelas pernas e
alguém tentando lhe soltar, que deveria ser Dennis.
– Alice – Carolina abriu os olhos –, nós vamos sair
daqui.
Carolina lhe
estendeu as mãos, Alice não argumentou nada e Carolina usou a água no corpo da
árvore, para manipulá-la.
Do lado de fora,
Isáby, Julie e Junior lutavam bravamente contra os cipós selvagens e Dennis
teve que usar as presas para soltar as pernas de Pedrinho. Ele comerçou a
morder os cipós, que finalmente se romperam e largaram Pedrinho, mas foi levado
para o chão em segurança. De repente, uma enorme raiz emergiu da terra e, como
uma mão gigante, agarrou os cinco de uma só vez. A boca da árvore se arreganhou
o suficiente para engolir um carro.
Quando Dennis,
Julie, Pedrinho, Isáby e Junior começaram a serem levados em direção à boca,
seis homens indígenas, surgiram montados em animais que pareciam cavalos, mas
logo perceberam que não eram cavalos, ou melhor, não eram seis indígenas. Três
deles, eram criaturas que Carolina reconhecia em livros de história. Da cintura
para cima eram como humanos, mas da cintura para baixo, eram cavalos e em seus
lombos montavam guerreiros felinianos.
Os guerreiros
felinianos armaram seus arcos com flechas em chamas, ao atirarem, explodiam
como bombas caseiras na copa da árvore. Impedindo Isáby e os Feras Noturnas de
serem devorados, mas logo perceberam que não eram as flechas explosivas que lhe
salvaram. A árvore estava tremendo, suas folhas caiam, seus cipós estavam
enlouquecidos, se contorcendo. Os que estavam presos na raiz foram arremeçados
e a àrvore, emitiu um som semelhante ao de um arroto potênte e vomitou Alice e
Carolina. A árvore fechou a boca e ficou quieta, como todas as outras.
– Alice, Carolina – disse Dennis –, vocês estão bem?
Alice respondeu:
– O que você acha?!
– Estamos bem, Dennis. – Garantiu Carolina.
Os guerreiros
felinianos os abordaram gritando algo em seu idioma, os cercaram e apontaram
suas flechas. Dennis, Carolina, Junior, Alice, Pedrinho e Julie, ficaram de pé
e levantaram as mãos.
– Eu não acredito – disse Carolina –, são centauros!
Pedrinho
perguntou:
– Dinossauros?
– Não, centauros! Da mitologia grega.
– Ok. – Disse Dennis. – Agora, mais nada me surpreende
nesse planeta!
Antes que fizessem
ou dissessem alguma coisa, Isáby interveio e explicou aos guerreiros, quem eles
eram. Ninguém entendia o que eles falavam, mas o guerreiro do meio, que era um
homem gato preto, arregalou seus olhos amarelos e olhou para os feras com
espanto e então, os três felinianos sairam dos "centauros" e se
ajoelharam de ante dos Feras Noturnos, os homens cavalos curvaram seus dorsos
humanos em reverência e juntos disseram uma palavra em seu idioma.
– Isáby o que disse a eles? – Perguntou Dennis.
– Expliquei pra eles que não ah perigo, que vocês são
nossos heróis.
– E o que eles disseram? – Perguntou Julie.
– Pediram perdão, pelo mal geito que receberam vocês. –
Alice falou:
– Ah, então vão ter que fazer mais do que isso! Apontaram
uma flecha pra minha cara. Tô chateada. Eu não perdoo.
Poderiam achar que
dividir uma sela de cavalo, para três passageiros, seria lotação, mas os
centauros eram enormes. Isáby contou-lhes que os guerreiros, os levariam para a
tribo e então, enquanto Isáby os seguia se balançando em cipós, os feras se
diviram em duplas. Junior e Julie dividiram uma sela, Pedrinho e Alice, outra e
por coincidência Carolina dividiu uma sela com Dennis. "Santa
coincidência!", pensou Carolina. Mais tarde, Isáby lhes explicou, que os
homens cavalos ou centauros, como Carolina os chamava, eram chamados de
ungulianos.
Durante toda a
viagem, Junior cochilava e acordava várias vezes e Alice reclamava o tempo
todo, ordenado aos guerreiros felinianos que lhes soltassem, pois acreditava
que estavam lhe levando como prisioneiros. Alice ainda permanecia ressentida com
os animalios. Os ungulianos subiram o rio, como Isáby havia informado, após
algumas horas, galopando pela escuridão da floresta, o rio começou a ficar mais
estreito e mais raso e então, avistaram uma cachoeira que caia do alto de um
penhasco.
– Chegamos. – Anúnciou Isáby.
– Não estou vendo nenhuma tribo indígena por aí. – Disse
Carolina.
– Lembra quando eu disse, que nós passamos a viver
escondidos na floresta?
– Lembro.
– Pois é, eu acho que não fui muito clara. Nós vivemos bastante
escondidos na floresta.
Os ungulianos os
levaram de uma a um, para trás da choeira, onde havia uma caverna. Entraram lá
e logo perceberam que ela era bem maior do que parecia.
A caverna tinha
espaço suficiente, para guardar uma dúzia de helicópteros e ainda havia túneis
e compatimentos, que se espalhavam por vários quilômetros abaixo da floresta,
como um grande formigueiro. O ambiente era iluminado por braseiros e tochas e
nas paredes, haviam desenhos feitos com tinta fluorescente mostrando florestas,
imagens de corpos celestes e de animalios vivendo livres e felizes. Uma técninca
antidepressiva, concluiu Carolina. Por toda parte, telões de LED e projetores
holográficos, transmitiam todos os canais de TV do planeta Terra. Lá, se
encontravam várias espécies de animalios, como Isáby havia dito antes, lá havia
famílias e famílias de humanoides felinos, caninos, ungulianos, avianos e
outros que se aproximavam com curiosidade para conhecer seus heróis.
Quando chegaram ao
pátio principal, um homem com rosto de leão, cercado por três animalios, os
fitava com seriedade, segurando um cajado de madeira. Seu pelo era dourado
acizentado, sua juba, barba e bigodes era ruivos, mas possuiam alguns fios
brancos. Com ele estava um soldado feliniano, um caniano e um outro com asas e
rosto de falcão. A forma como seguiam, davam ao homem com rosto de leão uma
aparência de poder e autoridade.
– Aquele deve ser o seu pai, não é? – Concluiu Dennis.
– Quiz dizer, o Cacique? – Sugeriu Julie.
– Sim. – Respondeu Isáby sorrindo. – É o rei Ezórius.
Isáby correu em
direção ao seu pai, com empolgação. Assim que chegou diante dele, foi
comprimentada por um monte de broncas, por ter saído sozinha e sem permissão na
floresta. E então, Izáby explicou ao seu pai, quem havia encontrado e contou
tudo que havia acontecido drante o dia. O homem leão olhou para Carolina e
Dennis com admiração, mas quando o unguliano com Julie e Junior apareceu, seu
olhar se tornou de preocupação. Os feras estavam tensos, mas Isáby sorriu para
eles e os chamou.
– Terráqueos – disse Isáby –, quero que conheçam o meu
pai. O rei Ezórius.
Dennis, Julie,
Pedrinho, Isáby e Junior olharam entre si e então, decidiram se ajoelharem.
Assim como Isáby, o rei Ezórius, falou em português, mas o sotaque animalio,
que era semelhante ao de Portugal e italiano, eram mais nitidos e o portugês
mais distorcido.
– Terraqueos humanos, levantem-se. – Disse Ezórius em um
tom suave, nada esperado para alguém que tenha um rosto de leão.
Dennis, Julie,
Pedrinho, Isáby e Junior obedeceram.
– Sejam bem-vindos à reistência de Animália.
– Rei Ezórius – disse Dennis –, Isáby nos falou sobre o
senhor, sobre o seu povo e sobre os arghatianos.
O rei sorriu.
– A mesma, também me contou sobre vocês e sobre sua
prima, Dennis.
– Então, sabe que estamos dispostos a enfrentar os
arghatianos para libertar o seu povo, se, nos ajudarem a salvar minha prima e
todos os terraqueos.
– Com certeza. – Garantiu Ezórius. – Agora suponho que
decidamos mais alguma coisa, somente amanhã de manhã. Viajaram à noite toda até
aqui, devem estar exaustos.
– Ah, pode crê! – Disparou Junior.
E então, o
unguliano que trazia Pedrinho e Alice apareceu, Alice estava descontralada e a
ponto de decapitar o feliniano e o unguliano.
– Me perdoe o atrazo, majestade – Disse o unguliano.
– Essa terraquea está fora de controle. – Disse o
feliniano.
Alice gritou:
– Eu vou meter a porrada em todo mundo, se esses bando de
Tapebas, não deixarem eu e os meus amigos sairem daqui agora! – Carolina
murmurou:
– Alice, calma, tá tudo bem! – Dennis explicou.
– Os Tapebas são amigos! Não vão nos machucar.
Alice reparou em
todos que lhe encaravam, em volta, inclusive o rei Ezórius que lhe olhava
assustado.
– Ahm... Eles são amigos? – Perguntou ela.
– Sim! – Respondeu Junior.
– Hum, não vão nos machucar?
– Não! – Respondeu Pedrinho.
Alice forçou um
sorriso.
– Que legal, adoro!
Ela olhou para o
rei Ezórius e disse:
– E aí coroa tudo bom?
Isáby os levou
para dormitórios individuais, onde passaram o resto da noite. Junior ficou
muito contente, com a cama redonda feita com cochão de penas. Alice adorou a
iluminação de seu quarto, não havia tochas, nem brazeiros, somente vagalumes e
tintas fluorencetes que decoravam as paredes.
Naquela noite, no
cóvil do Lorde Rázarac. Oziel estava preoupado com Anna, fazia algumas horas
que ela estava muito quieta e calada, seu olhar estava vazio e distante.
– No que você está pensando? – Perguntou Oziel.
– Nos meus amigos... no meu primo. – Respondeu Anna. –
Devem estar me procurando por min, lá na Terra. Eles nunca vão me encontrar
nesse planeta.
– Não fica assim. – Anna fechou os olhos. – Vou tirar a
gente daqui.
– Como? Essas coisas presas nos nossos pulços, não nos
deixam sair.
– São imobilizantes nervosos. – Explicou oziel.
– O quê?
– É uma arma antiga que nós, animalios, usavamos para
prender criminosos perigosos. Elas absorvem a nossa força vital, por isso que
você não consegue produzir fogo.
– E também é por isso, que elas são duras demais, para
serem simples gelatinas. – Concluiu Anna.
– Como você prentede tirar a gente daqui? – Perguntou
ela.
– Eu tenho um plano. – Respondeu Ozil.
***
Ao amanhecer o rei Ezórius, deixou os Feras Noturnas dormirem até algumas
horas pela manhã, mas todos acabaram acordando por si só. Carolina acordou
atordoada, se perguntando onde estava e aos poucos foi se lembrando. A luz do
sol entrava na caverna através de túneis no tento que iam direto à superficie.
Quando chegou ao
pátio principal, Alice, Junior, Julie e Pedrinho estavam sentandos em uma mesa
enorme tomando "café da manhã". Carolina percebeu de imediato, a
ausência de Dennis. Deviam estar à espera dele. Antes que ela decidisse
procurá-lo, Isáby surgiu do seu lado dizendo:
– Bom dia Carolina! Dormiu bem? – Carolina sorriu.
– Ahm... Sim, cláro.
– Se quiser comer alguma coisa, acho melhor ir logo.
Aquele seu amigo, o Pedrinho, devora tudo vê pela frente! – Carolina disparou:
– Cadê o Dennis?
– Hum, ainda está dormindo. Venha. Vamos até ele.
Isáby pareceu ter
lido sua mente. Carolina fingiu não estar interessada em querer vê-lo, mas
Isáby insistiu que lhe fizesse companhia. Enquanto andavam pelo labirinto de
túneis, Isáby, com pouca timidez falou:
– Carolina, será que eu posso perguntar... o que você
esta sentindo?
– Hum, sonolência, por que eu acabei de acordar e... um
pouco de fome.
– Não! Não é isso, é em relação ao Dennis.
Carolina sentiu
vontade de sair correndo.
– Eu tenho observado vocês. Sempre que o Dennis fala com
você ou quando esta perto dele, você fica diferente. Escuto seu pulso acelerar,
você produz um cheiro estranho e fica com uma expressão, que eu não vejo os
outros fazerem. É algum tipo de doença?
– Não... Talvez. – Carolina repirou fundo. – Isáby você
sabe o que é amor?
– Ahm não, mas o nome não me é estranho... é de comer?
– Não Isáby.
– Ah, me lembrei! Eu já ouvi falarem sobre isso na televisão.
É uma prática dos terraqueos.
– Isso mesmo. Bom, é algo que não sei explicar e algo que
nunca estudei em um livro de Biologia.
– Como é?
– É um sentimento que vai além da atração física. Um
desejo de que querer vê o bem do próximo, uma vontade de querer ajudá-lo, de
estar com ele como se nada mais no mundo importasse. Já faz algum tempo que
sinto isso por ele... sinceramente, eu nem sei exatmente o que sinto. Eu já
tentei esquecê-lo, mas não importa o que eu faça eu acho que nunca vou
conseguir.
– Que prática linda e estranha. – Isáby sorriu
– É assim que os terraqueos constituem família, pelo
menos a maioria... As pessoas procuram alguém que gostam e aí, se juntam e tem
filhos.
– Aqui em Animália, só nos juntamos, apenas, com aqueles
que são da nossa mesma raça ou espécie.
– Isáby, você consegue ler as nossas expressões, ouvir
nossos batimentos cadíacos e sentir nossos níveis de feromônios, não é?
– Sabia que você é a única terraquea que eu tenho
dificuldade em entender o que diz?
– Você pode me dizer se o Dennis sente o mesmo por min,
tipo: Ele fica do mesmo geito que eu, quando está perto de min? – Isáby
repondeu:
– Sim...
– É sério?
Carolina não
conseguia ouvir, seus próprios, batimentos cadíacos, mas sabia que naquele
momento seu coração estava a mil por hora. Ela nunca havia ficado tão feliz, ao
saber de uma noticia antes.
– Na verdade – Isáby falou –, mais ou menos.
– O quê? Como assim Isáby, o que você quer dizer com
"mais ou menos"?
– Não queria desanimar você. O coração dele também bate
mais forte quando está perto de você, mas ele não transmite emoção como você.
– Então quer dizer...?
– Quer dizer, que talvez ele não sinta o mesmo por você.
A alegria que
Carolina sentia, estourou como um balão em seu peito e deixou um vázio.
– Se isso pode te ajudar, acho que o único geito de você
matar essa dúvida é indo falar com ele, assim como eu fiz com você.
Isáby apontou para
um túnel que dava em direção ao dormitório de Dennis.
– Será que eu posso ficar um minuto sozinha com ele? –
Perguntou Carolina.
– Meu pai quer falar com vocês, com todos vocês.
– Tudo bem, vou logo acordar ele.
Isáby se foi e
Carolina seguiu em direção ao quarto de Dennis, ao chegar à entrada, encontrou
um traje pressurizado jogado no chão. Carolina o pegou e apenas sentindo o
cheiro, teve certeza que era o de Dennis. Onde deveria ter desenhos com tinta
fluorescente, nas paredes do quarto, havia marcas de dedos, como se Dennis
tivesse arrancado a tinda das paredes com as próprias unhas, mas Carolina
prefirio não prestar atenção nisso. No meio do quarto, em uma cama redonda o
Garoto-Morcego dormia como um humano normal.
Somente em vê-lo,
o desanimo de Carolina foi tomado pela alegria novamente. Ela sentou-se ao lado
da cama dele e com as pontas dos dedos afastou os cabelos de sua testa.
Enquanto admirava seu rosto pálido e adormecido, Carolina perguntou:
–Por quê eu gosto tanto de você?
Carolina tentou beijar
seu rosto, mas quando estava a poucos sentimetros de seu rosto, os olhos dele
se abriram.
– O que você tá fazendo? – Perguntou ele.
Carolina se
levantou.
– Ah. É que... Bom, você estava falando enquanto dormia,
então eu quis chegar mais perto pra ouvir o que você dizia...
Dennis ficou pasmo
depois de ouvir que falava enquanto dormia.
– O rei Ezórius quer falar com a gente.
Dennis e Carolina
foram ao pátio principal, se juntaram à Isáby e os outros. Depois de se
alimentarem, Dennis falou:
– Isáby, quando chegamos eu não pude deixar de notar: seu
pai te deu um baita de um carão.
– É, foi sim. – Isáby gruniu frustrada. – Ele tomou o meu
arco, as minhas flechas e me proibiu de sair na floresta sem permissão... de
novo! Meu pai diz que é perigoso. – Alice falou:
– Que rídiculo! – Isáby aprovou.
– Concordo! Que mal tem em sair na floresta?
– Na verdade, eu quis dizer que é rídiculo alguém querer
sair por aí naquela floresta. Ela é cheia de incetos, mosquitos e a lama suja
as minhas botas!
Isáby cerrou os
olhos para Alice.
– Se viagens pela floresta são proibidas – disse Dennis –,
por que aqueles guerreiros nos encontraram?
– Exatamente por isso: Eles são guerreiros. Trabalham pro
meu pai, então, eles sempre têm permissão para sairem por aí. – Pedrinho
perguntou:
– Mas você não é a “princesa guerreira” daqui? – Isáby
fez uma risadinha de gato.
– Não. Só princesa. – Julie disse:
– Você é tão boa com armas, por que não se torna a
guerrera do rei?
Isáby olhou para
as frutas na mesa.
– Bem, por que os outros me acham desastrada, frágil e maluca.
Acho que eu sou...
– Diferente. – Completou Dennis.
Isáby o olhou
surpresa.
– Isso mesmo. Para se tornar um soldado feliniano, é
preciso passar por uma série de testes. Na maioria eu passei, mas ainda assim,
fui regeitada. Meu pai me disse que a floresta, batalhas e perigos, não fazem
parte da vida de um feliniano fêmea e jovem como eu. – Dennis perguntou:
– Mas isso não te impede de sair na floresta e de usar
arco e flechas. Por quê?
Isáby sorriu para
Dennis.
– Porque, ninguém pode nos dizer o que podemos ou não
fazer, Dennis. Não sei como as coisas são em seu planeta, mas eu acho que todos
temos o direito de ser livres para lutar e batalhar por aquilo queremos
alcançar, por aquilo que gostamos de fazer. E se você não é normal, e se você é
diferente? E daí em ser diferente? Pra quê, querer ser como todo mundo quando
você pode ser você mesmo? O fato de ser diferente é algo que te torna especial.
As palavras de
Isáby ecoaram na mente de Dennis e se fixaram em seu cerebro. Alice apontou
para um projetor holográfico e gritou:
– Ai, tá passando o Grammy awards!
Alice correu para
assistir e a Julie lhe seguiu. Junior viu uma luta de MMA passar em um
televisor e convidou Pedrinho para assistir.
– Isáby – disse Carolina –, uma coisa que eu também notei
quando chegamos, foi o olhar do seu pai para Julie e Junior.
– Você notou, não é? Pois é, eu também.
– Por um momento, ele pareceu assustado. Sabe por que ele
fez isso?
A voz de alguém,
atrás deles disse:
– Com um bom motivo, acredite.
Dennis e Carolina
torceram os pescoços como corujas e viram o rei Ezórius atrás deles. Dennis
disse:
– Rei Ezórius? – Carolina pulou
– Coroa? Quer dizer, majestade.
– Jovens Terraqueos, minhas filha por acaso, contou-lhes
exatamente tudo sobre a aprofecia?
O rei Ezórius
pediu que o acompanhassem por túneis que os levaram a níveis inferirores,
abaixo da caverna. Por algum tempo, o Rei Ezórius, Isáby, Dennis e Carolina
desceram em túneis escuros e úmidos, apenas guiando-se com luzes de tochas.
Carolina chegou a achar que iriam parar no centro da terra – de Animália –,
quando um sentimento de claustrofobia começou a lhe atormentar, viu desenhos
feitos com tintas fluorescentes preencherem o túnel pouco a pouco. Os desenhos
pareciam contar a história dos animalios, deduziu Carolina.
Enquanto os
guiavam, o Rei Ezórius dizia:
– Há muitos anos atrás, quando estavamos sofrendo com o
ataque dos arghatianos e as tiranias do Lorde Rázarac, o povo de Animália, encontrou
forças para prosseguir com a profecia dos heróis de Animáilia. A noticia de que
cinco terraqueos trariam de volta, a paz e a liberdade, à Animália nos deu
esperança.
– Isaby nos contou – disse Dennis –, mas parece que ouve
um erro na profecia. Não somos cinco, somos sete, mas... um dos nossos, minha
prima, foi abduzido por um arghatiano.
– Está falando da jovem fêmea, cujo tem asas de aviano e
é capaz de dominar o elemento fogo? – Dennis arregalou os olhos.
– Conhece a Fênix? Como sabe sobre ela?
Ezórius lhe mostrou
um desenho que estava atrás de Dennis. Eram silhuetas de cinco humanos, dois
garotos e três garotos. No lado direito, havia uma garota pequena, pintada de
azul, ao seu lado, uma garota maior, pintada de rosa. Na ponta de seus braços
haviam estremidades finas voltadas para cima, como se estivesse segurando
espadas nas mãos, no meio do desenho, havia um garoto, com asas, pintado de
roxo. Ao lado dele, no lado esquerdo do desenho, havia um menino pintado com
tinta prateada, ele era baixinho e robusto, fizeram Dennis e Carolina se lembrarem
de bastante de Pedrinho e a ùltima silhueta, era de uma garota, com asas de
ave, pintada de vermelho.
Os cinco estavam
em baixo de um pássaro, reluzente de metal, que deicia das nuvens.
– Esses somos nós. – Observou Dennis.
– Se a Julie e o Junior, também estão em Animália –
perguntou Carolina –, por que eles não fazem parte da profecia?
– E se a minha prima faz parte da profecia – perguntou
Dennis –, por que ela foi levada, ao invés de estar aqui com a gente?
– Foi como eu disse – respondeu Isáby –, a profecia deve
estar errada.
– O Espírito do Céu nunca erra, nunca! – Protestou
Ezórius – A presença de Julie e Junior me preocupa, pois acho que algo terrível
está para acontecer. Alguem interferiu no destino, alguém esta tramando algo
ruim, por isso esta havendo toda essa desordem na profecia.
– Lorde Rázarc? – Sugeriu Isáby.
Dennis falou:
– Estamos com a Julie e o Junior, porque a Anna teve piedade
deles e nos ensinou a perdoá-los e até agora, eles estão conosco. E assim como
a gente, estão dispostos a salvar a Anna e enfrentar os arghatianos, eles
também estão destinados a ajudarem esse planeta.
– Eu entendo meu caro. Eu apenas acredito que está
havendo um desequelíbrio, a menos que Julie e Junior sejam farçantes, receio
que algo de ruim irá acontecer com eles. Tenho certeza, que vocês são heróis
aonde vivem. Humanos puros de coração, você, sua prima e seus amigos, por isso
foram destinados a salvarem este planeta, mas apenas vocês, ninguém
mais.
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