sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Cap. 5

5. Raio que Cai Duas Vezes no Mesmo Lugar

 Anna fez um sorriso travesso.
– Bom, é que, como os nossos planos para a noite de ontem foram interrompidos, então hoje quando eu acordei o Dennis, disse pra ele que você queria examiná-lo.
– E por acaso eu virei médica?!
– É sobre algo que você vai querer saber. Depois que o Dennis tinha deixado de usar o dispositivo R.N.G. ele acabou desenvolvendo coisas que ele não... tinha antes, tipo asas de morcego, por exemplo. Aí eu disse pra ele, que você, queria saber, o que mais da mutação dele havia se desenvolvido.
 Anna sorriu para Carolina, que a encarou com indignação.
– Não precisa agradecer – disse Anna – eu sou demais, eu sei.
 Carolina Murmurou:
– Anna, muito obrigada pelo que esta fazendo, mas eu não estou mais interessada no seu primo!
– O quê? Por quê?
– Eu sempre soube que a Alice tinha uma quedinha pelo Dennis, mas ela tinha que soltar o charme dela pra cima dele, justo ontem? Ela sabia o quanto eu o amava!
 Anna franziu a testa.
– Carolina, do que você tá falando? – Carolina suspirou:
– O Dennis está apaixonado pela Alice! Bom pelo menos, ele deve estar agora, depois do beijo que ela deu nele.
– Carolina, eu sei que o que a gente viu, merece uma boa explicação, mas a Alice jamais...
– Anna, por favor, não tente defender a Alice.
– Eu não estou defendo ela! Eu só...
– Alice é a sua melhor amiga, é claro que você vai defendê-la!
 Anna abriu a boca, mas não disse uma palavra. Sabia o quanto Carolina estava magoada e nada que dissesse iria melhorar a situação. Alice podia ter uma quedinha por Dennis, mas foi ele que a beijou.
– Mas tudo bem, vou para o Laboratório Noturno, aguardar o seu primo.
 Depois de murmurar com desprezo, Carolina se foi.
***
  Enquanto isso na cozinha, Dona Tereza havia acabado de preparar coxas de frango. João entrou na cozinha, estava cantarolando uma canção, enquanto ouvia música nos fones de ouvido, vendo ele Tereza o chamou.
– João. – Ele não ouviu.
 Ela pôs a badeja com as coxas em cima da pia e gritou:
– JOÃÃÃÃO!
 Ele viu os copos em cima da mesa tremerem e olhou assustado para sua mãe.
– Mãe, falou comigo?Disse ele retirando os fones
– É claro que eu falei menino, por acaso você viu aquele gato por aí?
Xandre? Não vi não, mãe.
– Então, vê se fica de olho, se ele aparecer.
– Ué, por quê?
– “Por quê, João?” Porque aquele gato é um ladrãozinho, é por isso! Quando estou cozinhando alguma coisa, ele fica esperando só o momento para eu dar as costas pra ele abocanhar. Aquele gato pode ser esperto, mas não vai conseguir pegar essas coxas de frango enquanto eu estiver aqui.
– Mãe – João pôs as mãos nos ombros dela –, o Xandre é só um gato, ele é irracional. Não pode ter inteligência pra roubar comida da senhora.
– Diz isso porque não viu o que ele fez quando deixei um bife descongelando na pia.
– Mãe já não basta essa sua paranoia de dizer que os meninos são os Feras Noturnas, agora o seu gato de estimação é um ladrão profissional? A senhora está parecendo uma louca.
 Dona Tereza apertou os lábios e disse:
– Você tem razão – ela voltou-se para a pia –, é que sabe João eu ando meio...
 Tereza viu o gato Xandre em cima da pia comendo as coxas de frango.
– SEU VIRA LATA!
 Ela pegou uma faca, mas João lhe agarrou.
– Mãe não!
 Xandre se assustou, ele pegou uma coxa e pulou da pia. Dona Tereza conseguiu se livrar de seu filho e atirou a faca, mas errou a pontaria. Depois ela jogou um prato que se estilhaçou ao cair no chão.
– Da próxima vez você não escapa!
  Meia hora depois, Dennis foi à casa da Alice, chegando lá encontrou Pedrinho guardando a porta do quatro dela, analisando algo em uma prancheta e acima da porta havia um pequeno letreiro, com luzes vermelhas de neon que diziam "NO AR".
– Pedrinho, Alice tá aí? – Perguntou Dennis.
– Tá sim, mas está ocupada agora. – Respondeu ele, apontando para o letreiro de neon "NO AR".
– E ela tá ocupada, fazendo o quê?
– Gravando mais uma edição do seu programa Alice-babado-forte.com! – Disse ele erguendo as mãos como um apresentador de TV forçando um sorriso – Foi mau parceiro, mas você não vai poder entrar.
– É mesmo? Só que eu tenho que fazer algo importante lá no Laboratório Noturno! – disse Dennis também imitou um apresentador.
 Ele agarrou o ombro de Pedrinho e o levantou, tirando o garoto do caminho.
– Sai da minha frente! – Murmurou Dennis.
 Ele abriu a porta do quarto e viu Alice sentada em sua cama de óculos escuros, chapéu e um cachecol rosa, em volta de seu pescoço, falando para uma webcam.
–... Então, gatinhos e gatinhas da titia, recapitulando: Nunca saia na rua usando meia com chinelo, isso é ó do borogodó! – E então Alice notou a presença de Dennis. – Dennis! O que faz aqui?
– Carolina quer me examinar no Laboratório... – Dennis olhou para a câmera ligada no computador. – Quis dizer, escritório.
– Ah, aquela nervosinha nojenta? Tá te esperando no Laboratório... – Alice lembrou-se também da webcam. – Quis dizer, no... na... naquele lugar lá.
– Ok, obrigado.
 É claro que Carolina ainda se interessava por Dennis, mas estava tão chateada por ter visto ele se beijando com Alice, que não conseguia esquecer cena dos dois juntos de sua mente. Devido à frustração, acabou quebrando, sem querer, a lâmina de um microscópio enquanto trocava.
– Mas que porcaria!
 Dennis que havia acabado de sair do elevador, perguntou:
– Carolina, tudo bem?
 Carolina virou-se e ficou sem reação quando o viu, mas conseguiu dizer:
– Mas é claro – disse ela forçando um sorriso. – Tudo ótimo, tudo... Legal!
 Dennis sorriu.
– Agora entendi por que a Alice te chamou de nervosinha.
– Pois é, vocês gostam tanto um do outro não é? O que mais ela fala sobre min?
 Dennis sentiu o clima tenso no ar e decidiu que devia ir logo ao que interessa.
– Hum, então... Anna me disse que você queria me examinar, há algo de errado comigo?
 Carolina se tranquilizou um pouco.
– Dennis – ela virou-se para uma bandeja que estava por perto e começou a por luvas nas mãos –, não é nada que deva se preocupar, é que quando você passou começou a usar o seu dispositivo R.N.G. uma parte dos genes de morcego havia sido bloqueada.
– Sei, foi o que me permitiu parecer uma pessoal normal.
– Isso. Quando você deixou de usar o dispositivo, os genes de morcego foram liberados, o que acabou lhe causando mais mutações.
– Então, é por isso que eu tenho asas de morcego agora. – Concluiu Dennis.
– Exatamente, por isso que a Anna pediu, quer dizer, eu pedi para examinar você, quero te fazer um check-up e saber o que mais você desenvolveu. Sente-se.
 Dennis sentou-se em uma maca, que havia por perto. Carolina se voltou para a bandeja ao lado, e quando virou-se para Dennis, estava com uma seringa na mão. Porém o que Dennis viu, foi um instrumento de tortura.
– Ah, o que você vai fazer com essa... i-injeção?
– Para olhar o seu material genético, eu vou precisar de uma amostra de sangue.
– Por quê? M-m-mas e as inofensivas amostras de saliva?
 E então, um pensamento veio a mente de Carolina que a fez sorrir.
– Dennis você... tem medo de injeção?
– Agulhas! Na verdade, não é medo, apenas não gosto. – Carolina riu.
– Tá bom. Agora, coloca pra fora, por favor.
– Hãn? – Dennis fez uma careta.
– Quer dizer, as asas, faz elas saírem... se mostrar... faz aquilo que você e a Anna fazem!
– Ah entendi.
– E também retire o dispositivo R.N.G.
 Dennis retirou seu relógio, sua camisa e expôs suas enormes asas de morcego, num piscar de olhos, ele passou a ter olhos vermelhos, sua pele ficou mais branca do que o normal, quase cinzenta como um cadáver e suas orelhas ficaram pontudas, Dennis parecia uma fera pronta para atacar, porém Carolina não tinha medo.
 Depois de tanto tempo que ela havia se apaixonado, perdidamente pelo primo de sua vizinha, Carolina nunca havia parado para imaginar, como deveria ser a estrutura física de Dennis, mas naquele momento vendo seu peito despido, ela não pode deixar de admirá-lo.
– Carolina? – Perguntou Dennis fazendo-a se acordar de seu transe.
– Ah sim. – Carolina passou a mão nos lábios, pra se certificar de que não estava babando. – Vamos ao exame.
 Carolina ainda estava irritada por causa do beijo de Dennis e Alice, mas ali, naquele momento, sozinha no Laboratório Noturno com o amor da sua vida era difícil ainda ter ressentimentos. Carolina pousou a sua mão sobre o peito de Dennis e sentiu o musculo em sua mão, era diferente de tudo que já havia visto, ou melhor, sentido.
– Carolina? – Dennis a acordou mais uma vez de seu transe. – Achei que você tinha pedido para olhar as minhas asas.
– Pois é. Isso mesmo. Claro. É que, é que... Faz parte do exame, preciso ver se a ausência do dispositivo R.N.G. mudou algo na sua forma humana.
 E então Carolina começou a tatear todo corpo de Dennis, como se o estivesse revistando, o mandou abrir a boca, analisou sua garganta, seus dentes, puxou sua pálpebra inferior, examinou seus olhos e ouvidos, tudo para garantir a ele do que estava fazendo. E por fim coletou amostras.
 Ao anoitecer, no Cine Tapete Vermelho estava estreando Apollo 18, apesar de não ser um filme atual, o cinema estavam bem cheio. Donas Tereza e Anna estavam bastante sobrecarregadas, preparando e vendendo combos de pipoca, João se atrapalhava muito vendendo ingresso com sua fantasia de astronauta.
– Anna, acabou o copo descartável. – Disse Dona Tereza. – Preciso que você pegue mais.
– Mas eu já peguei o último pacote no depósito – disse Anna –, e agora?
– Deve ter mais pacotes na cozinha lá em cima, vai lá.
 Anna fez o que a sua mãe disse, ela subiu as escadas e ao chegar à sala de estar viu seu primo Dennis assistindo a uma matéria de jornal. As imagens na TV mostravam um homem no parapeito de um prédio. O jornalista dizia:
"Ao que parece mais uma pessoa no estado do Ceará, Rogério da Silva de 37 anos, cometeu suicídio, mas segundo aos pilotos do helicóptero da emissora, Rogério estava tentando se salvar do Garoto-Morcego, dos Feras Noturnas..."
 Nas imagens seguintes, mostravam Dennis, rugindo para o helicóptero, frustrado com a luz em seu rosto.
''...o líder da equipe de mutantes heróis de Fortaleza, chocou a todos com essa notícia e segundos relatos, ele também teria atacado forças militares naquela mesma noite em um prédio. Depois desses incidentes, pessoas em todo o país tem se perguntado se o Garoto-Morcego e os Feras Noturnas, realmente estão do nosso lado."
– Da pra acreditar? – Perguntou Dennis. – Depois de tudo que fizemos... Agora que os Feras Noturnas estavam sendo reconhecidos como heróis e agora que eu estava finalmente, conseguindo melhorar a reputação do Garoto-Morcego, as pessoas acham que nós somos maus.
– Quer saber? – Anna tomou o controle remoto das mãos de Dennis e desligou a TV. – Não dê ouvidos ao que as pessoas dizem, você voltou a ser do bem, nós ajudamos a prender bandidos, isso é o que importa.
 Ele olhou para Anna, reparando em como ela estava vestida, usando o uniforme do cinema, com uma saia social, blazer vermelho e seu cabelo preso em um coque.
– Esta bonita.
– Obrigada, como foi no Laboratório com a Carolina?
 Dennis fez uma careta.
– Anna, já te contei que eu odeio agulhas?
– Agulhas? – Ao silêncio, com a TV desligada, Anna ouviu a voz da Alice, vindo de seu quarto. – Alice tá aqui?
– Quando cheguei, ela já estava aqui, pensei que você soubesse.
  Anna foi até lá e ao abrir a porta, encontrou Alice gravando mais uma matéria de seu programa online. Pedrinho estava filmando, enquanto Alice estava em frente ao guarda-roupa de Anna, que estava com as portas abertas, enquanto Alice mostrava uma peça de roupa.
 Era a camisola laranja de Anna, que tinha o desenho de um pato.
– Pois é minha gente, eu sei que é difícil de acreditar, mas existe uma pessoa nessa terra que usa isso pra dormir! Se o bicho-papão existisse, ele faria o favor de comprar um pijama decente pra uma pessoa dessas.
 Anna se pôs na frente de Alice e com um sorriso forçado disse:
– Agradecemos por acessar o Alice-babado-forte.com, mas estamos saindo do ar por... algumas horas.
 Agarrou a câmera e tomou-a das mãos de Pedrinho.
– Docinho o que você tá fazendo? – Perguntou ele.
– Alice, eu posso saber o que vocês estão fazendo no meu quarto? – Alice respondeu:
– Estou gravando pro meu vlog... ou melhor, estava até você aparecer e mandar o programa pros "comerciais".
– Acho muito legal você estar indo bem com o seu programa, mas isso aqui já é demais! Vocês não podem entrar no meu quarto e ficar mostrando as minhas roupas na internet. – Pedrinho falou:
– Mas é claro que podemos, a gente estava fazendo isso agora pouco. – Alice concordou.
– É isso aí. – Anna revirou os olhos e suspirou.
– O que eu tô dizendo, é que se quiserem falar sobre min, minhas roupas ou a minha imagem tem que falar comigo primeiro. Agora por favor, saiam daqui.
 Alice ficou ressentida e disse:
– Pode deixar que não vamos mais voltar aqui! – Alice tomou a câmera das mãos de Anna, ela apontou a câmera para seu rosto e sorrindo disse: – E esse foi mais um Alice-babado-forte.com, no próximo programa iremos falar sobre a diferença entre cuecas box e as calcinhas da Anna.
 Anna explodiu de raiva.
– Agora chega, Alice desligue essa câmera!
– Anna? – Chamou Carolina, ao entrar no quarto. – Está tudo bem?
 Dessa vez, Carolina estava sem maquiagem, seu cabelo caia no rosto, ela não estava tão "emperiquitada" como dissera a Alice uma vez. Naquela noite Carolina estava usando suas roupas “nerd” de costume, sandália comum, sem saltos, saia xadrez e blusa comprida.
– Tá tudo ótimo, Carolina. – Respondeu Anna.
– Carolina amiga! – Gritou Alice – Ué, você estava tão diva, o que aconteceu com as suas roupas?
 Carolina respirou fundo, dirigiu um olhar frio para Alice e respondeu:
– No dia que eu lhe dever satisfação sobre a minha vida, eu te respondo.
– Podem sair do meu quarto, por favor? – Disse Anna –, mas você não Carolina. Fica.
 Depois que se foram, Anna fechou a porta do quarto e encarou Carolina.
– O que foi? – Perguntou Carolina.
 Anna suspirou.
– Carolina, não precisava falar com a Alice daquele jeito.
– Me desculpe Anna – murmurou Carolina –, não sei deixar tudo de lado e forçar sorrisos, como você.
– Como foi no laboratório com o Dennis? – Um leve sorriso se formou no rosto de Carolina.
– Ele me falou algo, sobre agulhas – disse Anna –, que história é essa?
– Precisava de mais do que amostras de saliva e fios de cabelo para checar o DNA dele.
– E como ele está?
– Ainda não fiz a analise, é que, o Dennis já esta com o dispositivo R.N.G. de volta, então é óbvio que qualquer mutação que ele tenha desenvolvido durante a ausência do dispositivo deve ter sido anulada.
– Bom então, o que vocês ficaram fazendo durante a tarde toda? – Carolina sorriu com timidez.
– Ah, Anna foi perfeito! Quer dizer, nós apenas conversamos, enquanto eu coletava amostras. – Anna inclinou a cabeça.
– Achei que não estava mais interessada pelo meu primo.
– Não conseguiria nem que eu quisesse! E parece que ele não esta apaixonado pela Alice.
– Ele nunca esteve Carolina!
– É, agora eu sei! – Carolina parou de sorrir – Me sinto tão idiota. Agi feito uma idiota.
– Caramba! – Anna arregalou os olhos e pôs a mão na cabeça.
– O que foi? – Perguntou Carolina alarmada.
– É que eu esqueci que tinha pegar copos descartáveis, pra minha mãe! Carolina me escuta. – Anna segurou as mãos de Carolina e disse: – Vai lá pro Cine, assiste Apollo 18 com o pessoal, procure ser mais educada com a Alice e procura ficar pertinho do Dennis, tá legal? – Carolina sorriu.
– Tá bom.
– Sem estresse por hoje.
 Carolina deixou o quarto de Anna e desceu para o cine. Quando descia a escada, viu seus amigos (incluindo Julie e Junior) reunidos, ao pé da escada, conversando entre si, em meio a eles, Dennis reparou em Carolina e quando a viu, ele sorriu. Parecia estar lhe esperando, imaginou Carolina.
 Enquanto isso, Anna revirava sua cozinha, mas não encontrava nada, quando finalmente encontrou ouviu um barulho, esperando ainda encontrar alguém, Anna foi para a sala de estar, mas quando chegou lá não havia ninguém, quando decidiu descer ouviu vozes, do andar de cima.
 Ela foi ao terceiro andar, subiu a escada com cautela e viu que a porta de seu quarto estava meio aberta.
 Sem pensar duas vezes, Anna gritou:
– Alice eu mandei você sair do meu quarto!
 Anna se calou quando percebeu uma luz verde dentro de seu quarto, e também percebeu que as vozes não eram de Alice ou Pedrinho. Na verdade, Anna não entendia nada do que diziam, as vozes eram abafadas e eletrônicas, como se as pessoas ali dentro estivessem usando rádios da policia para se comunicarem entre si.
 Anna se escorou na parede ao lado da porta de seu quarto rapidamente e ligou seu dispositivo R.N.G. e fez o seguinte chamado:
– Todos os agentes compareçam ao terceiro andar, alerta de invasão, galera tem pessoas não identificadas na minha casa!
 Porém, ninguém respondeu. Seu dispositivo emitiu um estranho assovio, devia estar com interferência, pensou Anna, mas aquilo nunca havia acontecido. Ela cutucou o dispositivo R.N.G., mas não mudou nada.
 Anna ouviu sons de passos, em direção à porta, quem estava lá dentro de seu quarto devia ter lhe escutado e então, através da porta meio aberta, Anna pôde ver a sombra do individuo na parede, devia estar distorcida por causa da estranha luz, o homem parecia ter mais de 2 metros de altura e sua cabeça tinha um formato estranho, era desproporcionalmente grande, como se usasse algum capacete, ele parou de andar, ficou alguns segundos quieto, Anna se esforçou ao máximo para fazer silêncio, até que ele se foi. Ela voltou ao seu dispositivo R.N.G. e disse:
– Pessoal, venham rápido, tenho possíveis invasores aqui! – Ninguém respondeu somente o estranho assovio soava pelo dispositivo. – Alguém na escuta?
 Anna continuou sem resposta. Ela voltou a espiar o seu quarto, os invasores pareciam estar indo embora.
– Tá legal – murmurou Anna –, vou fazer isso eu mesma!
 Anna avançou para seu quarto, chutou a porta, fez as suas mãos entrarem em combustão e os abordou dizendo:
– Feras Noturnas! Rendam-se!
 Enquanto isso no Cine Tapete Vermelho. Dona Tereza perguntava por sua filha, ela foi até o grupinho de amigos e perguntou:   
– Ei moleques! Algum de vocês, viram a Anna por aí?
– Ela estava lá em cima. – Respondeu Carolina.
 De repente, ouviram-se um forte estrondo, todo o cinema tremeu, as pessoas ficaram desesperadas, as luzes começaram a piscar, as máquinas de pipoca e refrigerantes entouraram, aquilo não era nada de estranho comparado com o que Dennis, Carolina, Pedrinho e Alice já viram, mas quando ouviram gritos estridentes de Anna, não perderam tempo e correram para ajuda-la.
 Eles dispararam pelas escadas, através das janelas, viram um clarão do lado de fora, como um relâmpago com um tom de verde. Eles viram que a porta do quarto de Anna estava aberta, mas quando entraram, não havia absolutamente ninguém.

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