4. Surpresa
Peças de relógios estavam espalhadas pela bancada, onde
Carolina trabalhava em algum projeto.
– Ah. Boa Noite
feras. – Disse Carolina surpresa.
Na direção oposta, viram jaulas, camas com
amarras e medidores cardíacos (tanto a Julie, como o Junior, tinham más
lembranças daquele lado do laboratório).
Nos fundos, o velho computador e a máquina
transmutadora, que estava coberta com um lençol branco. Junior e Julie notaram
que lá também havia coisas novas, no meio do laboratório tinha uma mesa retangular,
provavelmente onde faziam reuniões, havia também um aparelho de som, luzes de
neon nas paredes e uma mini geladeira.
– Nunca pensei
que ia sentir falta daqui. – Declarou Julie.
– Esse
laboratório não mudou muito. – Disse Junior.
– Xandre? – Disse
Anna.
Ao avistar seu gato de estimação sair debaixo
de uma estante, Anna foi até ele.
– Mas o que você
tá fazendo aqui? – Perguntou Anna.
"Miau"
Respondeu o
gato. Anna o segurou nos braços e o encheu de carinho.
– Fala sério.
Como ele consegue entrar aqui? – Perguntou Pedrinho.
– Que estranho
– disse Carolina. – eu nem tinha reparado que ele estava aí.
– Já é a
terceira vez essa semana! – Falou Alice.
– Meu gatinho é
muito inteligente... e esperto! – Anna começou a beija-lo e logo depois começou
a cuspir os pelos em sua boca.
Quando o gato Xandre, notou a presença incomum
de Julie e Junior, Julie ficou fascinada com a forma como ele a olhava, era
diferente de qualquer gato que já encontrara. Com seus pequenos olhos azuis,
ele a observava como uma criança curiosa, transmitindo raciocínio como se
estivesse a analisando.
Julie se aproximou e passou a mão no pelo dele,
que ronronou inclinando a cabeça.
– Seu gato... –
disse Julie. – Ele realmente é especial.
Anna e Dennis notaram que Julie estava
intrigada com algo em Xandre, lembraram-se de que nem mesmo Alice se dava bem
com ele.
– Feras
sentem-se, por favor. – pediu Dennis – A algo que vocês precisam saber.
– Antes... – disse
Carolina que andava em direção a Julie e Junior, segurando uma pequena caixa de
papelão.
– Vocês vão
precisar disso. – Carolina estendeu a caixa para eles, dentro dela havia dois
relógios cinza, cada um pegou um. – Esses são seus dispositivos R.N.G. (Relógio
Neutralizador de Genes), vai ajudar a vocês controlarem a sua mutação, também
podem usar para se comunicarem uns com os outros.
Junior levantou a mão.
– Mostra as
horas? – Carolina sorriu.
– Não! Mostra a
previsão do tempo, é claro que... –
Carolina suspirou. – Sim, mostra as horas sim.
– Será que eu
posso perguntar... – disse Julie com cautela – por quê tem agulhinhas?
– Para
funcionar, precisa ter contato com seu organismo.
Julie e Junior sentaram-se na mesa, enquanto
colocavam os dispositivos.
– Feras – disse
Dennis – Tem algo de estranho que está acontecendo no estado do Ceará.
Desaparecimentos misteriosos estão acontecendo em toda parte.
– De novo? –
Perguntou Carolina.
– Sem dúvida, é
uma nova onda de desaparecimentos... a um tempo atrás, quando eu recrutava com
o Refugio dos Lobos, pessoas daqui do Ceará, estavam desaparecendo, mas não era
a gente que estava causando isso.
– E você não
faz ideia do que seja? – Perguntou Pedrinho.
– Não.
Investiguei sobre esses desaparecimentos durante todo o meu período de aulas,
mas não encontrei uma pista, nada!
Dennis ligou um aparelho projetor e o mapa do
estado do Ceará surgiu no telão.
– Tudo que sei
é que os primeiros desaparecimentos começaram no município de Quixadá, logo
depois chegou a capital em Crateús, depois nas cidades de Crato, Tianguá,
Juazeiro do Norte, Iguatú, Sobral, Russas e agora chegou a Fortaleza.
– Eles seguem
algum padrão, pelo menos? – Perguntou Julie.
– Isso! – Disse
Anna como se também quisesse fazer a mesma pergunta. – O Refugio dos Lobos, por
exemplo, eles levavam apenas crianças e adolescentes, esses sequestradores não
seguem algum padrão desse tipo?
– Infelizmente
não – respondeu Dennis –, as vitimas dos desaparecimentos são crianças, jovens,
adultos, velhos, pessoas de todas as idades e de todas as classes sociais estão
sumindo.
– Tá e vem cá –
falou Alice –, ninguém nunca chegou a flagrar esses sequestros?
– Sim, mas esse
é o lado mais misterioso da história. Todas as pessoas que testemunharam os
sequestros ficaram... como eu posso eu dizer... eles não ficaram bem equilibrados
ou vivos, para contar a história.
– Como assim? –
Perguntou Carolina. – O que aconteceu com essas pessoas?
– Ninguém sabe
ao certo, alguns simplesmente enlouqueceram, outros cometeram suicídio e
outros... aconteceu as duas coisas.
– Foi isso que
aconteceu com o Rogério da Silva? – Perguntou Anna.
– Isso mesmo.
Ele presenciou o sequestro de sua esposa, ontem, aqui na cidade e acabou tendo
um surto. Hoje mais cedo ele tentou cometer suicídio, tentei conseguir algumas
informações dele, mas os humanos estragaram tudo, Rogério acabou se matando e o
Garoto-Morcego levou a culpa.
Os olhos de Alice brilharam.
– Ah, isso vai
da uma ótima matéria para o Alice-Babado-Forte.com!
– Hãn? –
Perguntou Dennis.
– É só o meu
vlog.
Julie perguntou:
– Mas esse
cara, disse alguma coisa sobre os sequestradores?
– Não... não
claramente, assim como todos as testemunhas que enlouqueceram, Rogério só se
referia aos sequestradores como "eles".
– Nossa – murmurou
Alice –, que esclarecedor!
– Dennis você
disse que o último sequestro foi ontem, não foi? – Perguntou Anna. – Talvez
ainda esteja na cidade, se sairmos agora para procurá-lo, talvez possamos
pegá-lo.
– Seria uma boa
tentativa Anna, mas creio que não. Como diz o ditado: um raio não cai duas
vezes no mesmo lugar. Sempre que um
desaparecimento é descoberto, o próximo acontece em outro lugar e nunca ocorreu
de ter dois sequestros na mesma cidade. Por isso, acho que não devemos procurar
no bairro Aldeota, quem levou a mulher do Rogério, já deve estar longe.
– Vou pesquisar
sobre as últimas notícias – sugeriu Carolina – ver do que os humanos sabem e
tentar encontrar alguma pista.
– Amanhã. –
Disse Dennis – Essa noite, vamos fazer ronda, nossa missão será: patrulhar a
cidade Fortaleza, por todos os lados, descobrir quem esta causando esses
desaparecimentos e detê-lo, antes que os sequestros se espalhem para os outros
estados.
– Ô chefe? –
Chamou Junior.
– Sim? – Disse
Dennis.
– Por quê a gente
tem que partir nessa missão a essa hora da noite? Não pode ser amanhã de manhã?
Todos levantaram murmúrios contra Junior, mas
logo sessaram com a voz de Dennis.
– Não, Junior!
Não podemos, segundo os relatos, os desaparecimentos ocorrem entre duas e três
horas da manhã.
– Tá, então pra
onde agente vai?
– Vamos nos separar
pela cidade. Pedrinho e Carolina, vocês vão ficar no Jato Noturno e vão
sobrevoar sobre todo o litoral da cidade, Alice e Junior vocês vão para a ponte
do Rio Ceará.
No mesmo instante, Alice abriu um enorme
sorriso e emitiu um som semelhante ao de um rato.
– Eu e o
Junior, sozinhos, sobre o luar, sozinhos, na ponte? A-DO-RO!
– Alice? –
Disse Dennis – Vocês vão estar patrulhando, quero que fiquem de olho em quem
entra e quem sai por aquela ponte, qualquer coisa que acharem suspeito, podem
abordar, vocês me entenderam? – Alice respondeu:
– Sim, sim,
claro! – Junior bocejou e disse:
– Sim, senhor.
– Ótimo, Anna e
Julie vocês vão para a BR-116.
– Mas e você? –
Perguntou Carolina.
– Vou patrulhar
na zona sul da cidade.
– Você não vai
sozinho – disse Anna –, vou com você.
– Anna tá tudo
bem, eu posso...
– Não! Eu quero
ir com você.
– Eu também! –
Carolina deixou escapar.
Todos se voltaram para ela, que forçou um
sorriso e disse:
– Quer dizer,
Pedrinho vamos logo ligar o jato? – Julie disse:
– Dennis, deixa
a Anna ir com você, eu dou conta. – Dennis perguntou:
– Não se
importa em ir sozinha? – Julie sorriu.
– Claro que
não, contanto que nós dois façamos uma dupla na próxima missão.
Julie de repente sentiu alguém cutucar com força
no seu ombro, ela olhou para a sua direita e se assustou com o olhar flamejante
de Carolina.
– Você já sabe
usar o seu dispositivo R.N.G.? – Perguntou Carolina.
– Ahm, vou
aprender. – Disse Julie com certo medo na voz.
– Muito bem – disse
Dennis –, nos reencontramos aqui às quatro horas. Feras Noturnas, vamos partir.
Todos fizeram conforme, Dennis havia mandado,
Carolina e Pedrinho partiram no Jato Noturno, Junior e Alice foram para a ponte
do Rio Ceará, Julie foi a BR-116 e Dennis e Anna foram em direção a região sul
da cidade.
O voo entre primos, foi divertido. Aquela
noite, era a primeira vez em que Dennis e Anna voaram juntos de forma
tranquila, na última vez em que Fênix e o Garoto-Morcego voaram juntos, foi uma
espécie de brincadeira de pega-pega e não foi nada amigável. Os dois
conheceram vários lugares da cidade, que não tiveram a oportunidade de conhecer
durante suas missões.
Depois de uma pequena corrida aérea, Dennis e
Anna, aterrissaram na cobertura de um prédio.
– Minhas asas,
estão mortas! – Disse Anna. – Mas valeu a pena, eu ganhei de você.
– Não ganhou
nada – protestou Dennis –, foi empate.
– O quê? Eu te
deixei na mão... quer dizer, na asa, quer dizer... ah, você entendeu, eu ganhei
de você! – Dennis murmurou:
– Ah, Anna você
é tão infantil! Não vivemos aqui pra brincar lembra? Estamos de patrulha.
– Hum, lembro.
– Anna olhou para o horizonte e em um tom dramático prosseguiu – Principalmente
por que, está noite será lembrada como a noite em que o Garoto-Morcego perdeu
numa corrida para uma garota, a Fênix!
Anna começou a rir e Dennis também.
– Da pra me dizer,
por que você insistiu tanto em vir comigo?
– Hum, eu
queria um tempo pra conversar com você.
Dennis e Anna observaram em silêncio o
movimento da cidade por instante, até que Dennis disse:
– Imagino que
você deva estar tão intrigada quanto eu. – Anna franziu a testa.
– Hãn?
– É que a gente
nunca viu nada desse tipo, pessoas desaparecendo por aí sem explicação e
outras, enlouquecendo e se matando, é bizarro! – Anna declarou.
– Dennis não
era sobre isso que eu queria falar.
– Ah não?
– Não. A
decisão que você fez, colocando Julie e Junior na equipe, não tá sendo nada
fácil para nós aceitarmos.
– Mas Anna, não
era você que estava apoiando eles?
– Em ajudá-los
com a mutação. E não estou reclamando, eu gosto deles.
– Então do que
tá falando?
– Tá na sua
cara, Dennis, que você não tá gostando de nada disso, você também não os quer
na equipe, mas tá fingindo que não se importa.
Dennis revirou os olhos.
– Ei, você não
é obrigado agradar ninguém tá?
– Anna eu não tenho
problema nenhum com a Julie ou Junior, pelo contrário, eu gosto deles na
equipe, nós, Feras Noturnas deixamos de ser cinco para sete! Eu só não quero
que eles tragam confusão. O Pedrinho, a Carolina e a Alice não se dão bem com
eles e eu não quero inimizades.
– Entendo,
também não quero mais inimigos. – Dennis olhou para Anna.
– Se não quer
inimigos, por quê você tá procurando tanto aquele garoto do Refugio dos Lobos?
– Anna inclinou a cabeça.
– Quem?
– Mateus
Aguiar. Desculpa é que eu vi um foto dele no seu computador.
Naquele momento, Anna anotou em uma agenda
mental que assim que chegasse em casa, iria colocar um senha em seus arquivos.
– Ah. É que...
– Anna tossiu – ele é um dos mutantes que pertenceu ao exercito do Refugio dos
Lobos que ainda não foi encontrado vivo ou morto e os pais dele, lá em São
Paulo, ainda devem estar sofrendo com a falta do filho, então para o bem dele,
da sociedade e dos pais dele, seria bom que ele fosse encontrado.
– Ah tá, mas você
se esqueceu de mencionar de que ele tentou me matar...
– Dennis? –
Anna lhe chamou a atenção – Assim como você, ele estava sendo enganado.
– E Anna é provável
de que ele esteja morto, você também viu quando Priscilla o apunhalou.
– Mas se está
morto, por que nem um vestígio de seu corpo foi encontrado, além de um rastro
de sangue que levava em direção para um matagal?
Dennis abriu a boca, mas não teve resposta.
– Tudo bem, já
entendi, mas você já parou pra pensar se encontrar aquele lobisomem vai ser uma
coisa boa ou ruim?
Anna olhou para baixo e lembrou-se da época em
que lutava pelo seu primo, mesmo ele tendo declarado guerra contra ela e com
todos a sua volta lhe dizendo que ele não iria voltar. Os olhos de Anna se
encheram de lágrimas, Anna não conseguia entender porque ajudar Mateus Aguiar
era tão importante pra ela.
– E quanto ao psicólogo?
– Perguntou Anna, ainda de cabeça baixa percebeu que Dennis demorava a
responder. – Tudo bem?
– Sinceramente,
eu não sei dizer ao certo. – Respondeu ele em um tom sombrio.
– O que ouve?
– Depois das
últimas férias, mesmo me sentindo bem, pedi aos meus pais que levassem a um psicólogo,
como prometi. A Dra. Cristine é bem legal, contei tudo sobre min pra ela... é
claro que não contei sobre a parte de eu ser um fera noturna e que sou o
Garoto-Morcego. – Anna perguntou:
– Bom, mas e o
que ela disse sobre...?
– A psicose?
Ela, não acreditou que houvesse algo de errado comigo, mas depois que eu falei
sobre tudo que eu via, ouvia e fazia, a doutora ficou muito receosa e indicou a
minha mãe, que me levasse para fazer uns exames com um psiquiatra... Dra.
Cristine acredita que eu possa estar iniciando uma esquizofrenia. – Anna
arregalou os olhos.
– O quê? Uma
esquizofrenia? Mas como você... você não pode... você tem idade pra ter essa
doença?
– Muita gente
acha que só se manifesta na faze adulta, mas também pode aparecer na adolescência.
– Dennis você
não acha que essa sua psicóloga não estava sendo um pouco precipitada com isso?
Você tá ótimo!
– Eu sei Anna,
mas aí seria o quê? A palavra de um garoto perturbado contra a de uma
profissional?
– Pelo que eu
sei a esquizofrenia não tem cura não é? Apenas tratamento.
Dennis balançou a cabeça confirmando.
– Sabe Anna, eu
sempre soube que eu não era normal. Na escola eu nunca fui mau aluno, mas
também nunca fui bom, nunca tive muitos amigos, sempre fui desinteressante para
as garotas, gostava de fazer desenhos bizarros... nunca me importei em ser
diferente, até que alguém me disse que eu realmente era diferente... –
Dennis olhou para Anna – Que eu tenho um problema.
– Dennis, eu
sinto muito. Mas eu acho que você não devia esquentar com isso. Olha só pra
você! É um excelente desenhista, já salvou o mundo duas vezes, se tornou o
líder dos Feras Noturnas, é um herói, até mexeu com o coração de alguém. – Dennis
franziu a testa.
– O quê?
“E caramba, falei demais!” Pensou Anna.
– A questão é
que, é só um exame não é? Com certeza só querem o melhor pra você. Dennis você
é um garoto incrível e nunca vai deixar de ser.
Dennis fez um sorriso torto.
– Obrigado Anna.
– Dennis a abraçou – Você é que é incrível.
– E também sou
mais rápida – acrescentou ela –, não se esqueça disso.
***
Naquela mesma noite, na Barra do Ceará. Entre
os moradores da Rua de Anna, havia um senhor de 65 anos de idade conhecido como
Seu Geraldo. Ele estava voltando de um evento religioso, dirigindo seu carro,
àquela hora da noite, ouvindo "O Melhor do Brega" em seu rádio, Seu
Rogerio era o único sinal de vida naquela rua. Ele estacionou o veículo em
frente a sua casa e saiu do carro para abrir o portão de sua garagem.
Quando chegou a sua calçada, Seu Geraldo ouviu
um miado, ele olhou em volta e no telhado da casa vizinha, à direita, viu um
gato siamês aflito miando para ele. Era seu gato de estimação, Zezinho.
– Ô meu Zé, tá
fazendo o que aí? – Perguntou Geraldo.
– Miau! –
Respondeu o gato.
Seu Geraldo se aproximou do gato e estendeu os
braços para ele.
– Venha cá,
vem. Desce daí!
O felino estudou o espaço e se jogou nos
braços do senhor, que cambaleou um pouco, mas conseguiu se manter em pé. De
repente, a música no rádio de seu carro, parou de tocar e começou a emitir, um
som semelhante a um assovio, como e estivesse em interferência. Uma rajada de
vento percorreu pela rua, sacudindo a copa das árvores, Seu Geraldo olhou para
o céu, que estava sem nuvens ou se quer sinal de chuva.
As luzes de todos os postes da rua começaram a
piscar, Geraldo não conseguia entender o que estava acontecendo e então, viu um
estranho objeto pairando no céu, como não havia luar naquela noite, ele não
pode distinguir o que era. Mas pode ver que era grande e silencioso. A família
dele que ainda estava acordada a sua espera, ouviu gritos de pânico de Seu
Geraldo, Fábio o mais velho dos três filhos correu imediatamente para a porta
de casa, quando viu um clarão do lado de fora, tão forte como um relampejo.
A esposa de seu Geraldo e seus outros filhos,
também ouviram seus gritos e também foram ver o que estava acontecendo, mas do
lado de fora de casa não encontraram nada além de um carro ligado com a porta
aberta, tocando ''O Melhor do Brega" no rádio.
Ao Amanhecer, Anna foi ao quarto de Dennis
para acordá-lo. Anna sentou em sua cama e o acordou.
– Dennis? – Chamava Anna.
– Hãn? Anna que horas são?
– São dez para as nove, da manhã eu...
– Ah, Anna o que você quer a essa hora da manhã? – Dennis se virou para
o outro lado.
– Dennis me escuta, tem algo que você vai querer saber.
–O que foi? – Perguntou Dennis
ainda dormindo.
– Mais uma pessoa desapareceu ontem à noite. – Dennis olhou para Anna
imediatamente.
– Aonde aconteceu?
– Aqui na cidade... – Dennis sentou-se com um pulo.
– O quê?
– Foi um vizinho nosso.
– Então quer dizer, que...
– Os sequestradores... – completou Anna – ainda estão por aqui.
Assim que as autoridades foram informadas
sobre o desaparecimento de Seu Geraldo, a cidade toda voltou à atenção para a
Barra do Ceará. Policiais interditaram toda a área em volta do carro e da
calçada de Seu Geraldo, investigadores examinavam todo o local como se o corpo
do senhor de 65 anos tivesse sido reduzidos a milhares de grãos de pó. Dennis
ainda não conseguia acreditar que o fato de o segundo desaparecimento ter
acontecido na mesmo cidade, talvez o sumiço de Seu Geraldo, poderia ter uma
causa diferente, achava ele, mas Dennis tinha toda a certeza que quem havia
levado Geraldo, foi o mesmo que levou todos os outros desaparecidos do
nordeste.
Enquanto Dennis organizava uma reunião de
emergência com Junior, Carolina e Julie, Anna tentava poder falar com o filho
mais velho de Geraldo, pois ele era um velho conhecido seu e estava na
tentativa de conseguir informações com ele. Jornalistas também aproveitavam a
situação para gravar matérias, entrevistando toda a família da vítima. Um deles
que falava com Fábio, o filho mais velho de Geraldo.
– Porque acha
que levariam o seu pai? – Perguntava a jornalista.
– Eu não sei –
respondeu Fábio aflito –, não faço ideia porque levariam o meu pai, ele era tão
bom com todo mundo, não tinha inimigos... não que eu saiba. Não sei o que está
acontecendo nessa cidade, mas as pessoas deviam ficar mais... atentas.
– Obrigada.
Assim que o cinegrafista desligou a câmera,
Pedrinho apareceu com uma câmera filmadora, focando no rosto do garoto, junto
com um microfone rosa de brinquedo que Alice apontou para a boca de Fábio.
– Olá, bom dia.
Uma palavra para o Alice-babado-forte.com? Fábio é verdade que o termino
do seu namoro, teve haver com a garota nova do bairro?
Fábio franziu a
testa.
– O quê?
E então Anna, veio e agarrou Alice pelo
pescoço.
– Tudo bem
Alice, sem perguntas, por hoje é só.
– Mais o que? –
Anna voltou a dizer.
– Pedrinho
desligue a câmera, por favor. Sinto muito pelo seu pai Fábio.
– Pedrinho se
você desligar essa câmera, eu mato você! – Alice sorriu para a câmera filmadora
e disse: – Pois é gatinhos da titia, esse foi Alice-babado-forte.com de
hoje, beijinhos até a próxima.
Enquanto isso na reunião, todos conversavam na
sala do cinema. Dennis andava de um lado para o outro, ainda analisando os
fatos. Junior não prestava muito atenção no que diziam, ele estava exausto
devido a missão na noite anterior, ele ficava bocejando e cochilando o tempo
todo, Carolina segurava em seu colo, o gato Xandre, apreensiva.
– Como isso
pôde acontecer bem debaixo no nosso nariz? – Dizia Dennis. – Patrulhamos por
toda a cidade de Fortaleza!
Julie murmurou:
– Menos a Barra
do Ceará. – Dennis continuou a falar.
– Não consigo
acreditar. – Carolina falou:
– Dennis, não
havia nada que a gente pudesse ter feito. Seja lá quem esteja fazendo isso, age
sem deixar rastros e só ataca nos lugares mais imprevisíveis.
Naquele instante, Anna, Pedrinho e Alice
entraram no cinema. Com ansiedade Dennis perguntou:
– E então?
Descobriram alguma coisa?
– Descobrimos
que a história do desaparecimento do Seu Geraldo, bate com todos os outros
casos que você nos contou. – Respondeu Alice.
– É isso mesmo
– concordou Pedrinho–, sem sentido, sem explicação, mó loucura.
– Mas
conseguiram alguma informação? – Dennis voltou a perguntar.
– Temos boas e
más noticias – dizia Anna –, a boa é que ninguém acabou enlouquecendo, e se
matando e a má noticia é que não temos nenhuma testemunha.
– Eu não
entendi o que a boa noticia, tinha de bom. – Disse Junior.
Anna, Pedrinho e Alice contaram para os seus
amigos tudo que os familiares de Seu Geraldo falaram nas entrevistas, todos os
detalhes da noite anterior. Carolina foi até o portão do cinema e olhou com
certa frustração para os repórteres, investigadores e as pessoas curiosas que
se aproximavam.
– O pior é que
com todas essas pessoas amontoadas na rua, podem destruir qualquer pista que o
sequestrador deixou. – Alice falou:
– Parece que o bafão
foi tão grande, que até o gato da família foi levado.
Anna sentiu um calafrio percorrer seu corpo e
tomou Xandre dos braços de Carolina.
– Nós temos
que deter quem esta fazendo isso!
– Mas o que,
que a gente faz? – Julie perguntou a Dennis – Não temos um rastro desses caras,
vamos fazer patrulha de novo?
– Não, por
favor! – Choramingou Junior – Não me façam ficar acordada a noite toda mais uma
vez!
Dennis suspirou e voltou os olhos para Junior.
– Por mais que
eu queira que todos nós, saiamos agora atrás desses sequestradores, não acho
que seja uma boa ideia fazer isso.
– Legal! –
Comemorou Junior.
– E depois, o
desaparecimento seguinte sempre acontece em uma cidade diferente, isso que
aconteceu aqui, foi só uma raridade.
– Um raio
nunca cai duas vezes no mesmo lugar, foi o que você disse e olha o que
aconteceu. – Falou Pedrinho.
– Eu sei, mas
nós não encontramos nenhuma pista dos sequestradores na noite de ontem, é pouco
provável que a gente encontre alguma coisa hoje!
– É, e eu não
vou poder sair essa noite – disse Anna –, meu irmão ficou com o meu turno ontem
à noite, hoje vou ter que ficar aqui no cinema.
– Então, já que
não vamos sair essa noite, vou investigar sobre esses desaparecimentos. – Disse
Carolina.
– Isso. –
Aprovou Dennis. – Vamos investigar, tentar descobrir alguma coisa. Não vamos
ficar parados. Feras Noturnas, dispensados.
Junior e Julie se foram.
– Pedrinho,
pegue a câmera – falou Alice – O Alice-babado-forte.com precisa de mais
babados.
– Mas agora? –
Resmungou Pedrinho – Eu tô com fome.
– Pedrinho seu
balofo, comilão! Bora logo, se não eu corto seu salário.
Pedrinho se entusiasmou.
– Eu vou ganhar
um salário?
Alice e Pedrinho também se foram.
– Carolina – chamou
Dennis –, eu passo lá no Laboratório Noturno, daqui a pouco, tá legal?
Carolina franziu a testa.
– Como assim
você...?
De repente Anna pôs o braço em volta do ombro
de Carolina e disse:
– Pois é
Carolina, lembra que você disse que ia examinar o Dennis?
– Hãn? – E
então Anna piscou um olho para Carolina.
– Ah, claro que
eu lembro! – Ela mentiu – Desculpa, tinha me esquecido. Vai lá que horas?
– Hum, daqui a
meia hora pode ser? – Perguntou Dennis.
– Pode.
– Valeu.
Dennis subiu a escada e assim que se foi,
Carolina se voltou para Anna com um olhar fulminante.
– O que foi que
você armou pra min agora?
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