1. Resgatando o Garoto-Morcego
"Na região
sudeste do Brasil, no sul do Estado de Minas, existe uma cidadezinha chamada
Varginha, ela tornou-se internacionalmente conhecida em 1996 pelos suposto
aparecimentos de criaturas e naves alienígenas, em uma série de episódios que
ficaram conhecidos como o 'Incidente de Varginha' A lenda mais conhecida da
cidade é a de que um grupo de três garotas, numa certa noite, pegaram um atalho
em um terreno baldio, passando por um matagal, quando avistaram um estranho ser
agachado no canto de um muro.
A princípio pensaram que poderia ser um
mendigo, ou uma pessoa qualquer, mas quando ele olhou para elas, com seus
enormes olhos vermelhos e redondos, elas perceberam imediatamente que não se
tratava de uma pessoa. As garotas gritaram em desespero. O medo e a escuridão
do matagal, as impediram de observarem a criatura com clareza, mas quando ele
se levantou, puderam perceber que ele media aproximadamente 1,6 metros de
altura. A Cabeça dele era grande e careca, onde havia três saliências parecidas
com chifres, um no meio e nas laterais.
A boca dele era pequena, sua pele era castanha
escura e oleosa, em seu corpo podia-se ver veias salientes e vermelhas no
rosto, ombro e braços, em suas mãos havia três dedos e em seus pés apenas dois.
Ele emitiu som, semelhante ao zumbido de abelhas para as garotas, que saíram
daquele lugar correndo e gritando desesperadamente. Na escuridão do matagal,
não podiam saber, ao certo, se ele as estava seguindo, mas o medo que sentiam
era grande demais para ter permanecerem lá.
As três amigas fizeram um
boletim de ocorrência a policia, onde descreveram a criatura, que foi procurada
por várias equipes de patrulha, mas a estranha criatura jamais foi
encontrada...”
– Eu também me esconderia, se eu fosse tão feia assim!
– Declarou Alice.
– Mas Alice, não se tratava de uma pessoa, era um
alienígena. – Disse Anna que estava lendo para Alice e Pedrinho, sua redação
que escrevera no computador.
– Essa é a história do E.T. de Varginha, que eu
adaptei para uma redação, a minha professora nos mandou escrever, em formato de
uma matéria de jornal, então... O que vocês acharam?
– Eu acho... – disse Pedrinho. – que você vai tirar um
10, meu amor! Mas você não podia ter escrito sobre um fato, mais... agradável?
– Como assim agradável? – Perguntou Anna.
– Tipo – respondeu Alice –, uma história que não faça
ele perder o sono na hora de ir pra caminha!
Alice soltou
sua risada escandalosa, enquanto Pedrinho elaborava uma resposta.
– Cala a boca, sua chata! Isso não é verdade, eu só...
só acho que a Anna vai se sair melhor, escrevendo algo menos sinistro.
– Tá legal. – Murmurou Anna.
Alice que
tentava conter as risadas disse:
– Anna, você sabe que não se deve ler histórias de
terror para criancinhas, você sabe que o Pedrinho ainda faz xixi na
cama!
Anna respondeu:
– Alice isso não tem graça. – Pedrinho se levantou e
disse:
– E não tem mesmo, eu não tenho medo de E.T. nenhum!
Porque eu sou muito é macho, tá ligada?
Enquanto dizia
isso, atrás de Pedrinho, a porta do quarto de Anna se abria.
– Alice eu tenho certeza que se você visse um alien na sua frente, iria correr pra
debaixo da cama e ia gritar feito uma garotinha que você é, ao contrário de
min, que sou muito corajoso!
Pedrinho se dirigiu
em direção à porta, e se deparou com João, o irmão de Anna fantasiado de
astronauta; e Pedrinho que claramente havia ficado apavorado com a redação,
quando viu João deu um gritinho fino e correu para debaixo da cama de Anna.
Alice voltou a soltar sua risada escandalosa, mas ela riu tanto que quase caiu
da cadeira. Anna não pôde conter e também começou a rir.
Desde a Guerra
Mutante, nas férias de verão, Pedrinho, agora, estava com 12 anos de idade e
Alice, igualmente sua amiga, Anna, estavam com 14 anos e suas mechas loiras
haviam se multiplicado, pois estavam por toda parte de sua cabeça, Alice estava
completamente loira.
João retirou o
capacete e confuso falou:
– Eu ia perguntar pra vocês se gostaram da minha
fantasia, mas acho que o Pedrinho não gosta de astronautas.
– É que sabe João – falou Alice – Pedrinho é um garoto
muito corajoso, ele é muito macho.
Alice voltou a
rir. Antes que João perguntasse, o que estava acontecendo, Anna perguntou:
– João por que você tá vestido assim?
– Sabe a sessão de cinema, hoje à noite, na
lanchonete? Pois é, hoje vamos exibir Apollo 18 e a mãe acha que,
fazendo propaganda do filme, vai fazer ele se sair bem na bilheteria.
– E fazer propagando, inclui: se vestir como um
personagem do filme?
– É isso aí.
– Mamãe e suas ideias. Ah, e... Pedrinho? Pode sair
daí, tá?
Pedrinho olhou
em volta no quarto com cautela e disse:
– É, acho que é seguro sair.
Anna ouviu
alguém lhe chamar, enquanto subia a escada.
– Anna, você tá aí? – Anna reconheceu a voz, era
Carolina.
– Oi Carolina, pode vir.
Carolina entrou
no quarto, estava usando um vestido azul, combinando com seu dispositivo R.N.G.
– Um relógio Champion azul –, seus cabelos escuros estavam cacheados e uma
fraca maquiagem iluminava seus olhos. Carolina usava sapatos, mas sem salto,
pois a pobre garota tinha trauma do uso de salto alto, ela também havia
crescido um pouco, pois completara 12 anos, desde as últimas férias. João falou:
– E aí Carolina.
– Oi João. Oi pessoal. – Depois que todos a
cumprimentaram, João disse:
– Puxa! Você tá linda.
– Obrigada, eu gostaria de dizer o mesmo, mas... – Ela
olhou para a fantasia de astronauta dele e perguntou:
– Que roupa é essa?
Anna respondeu.
– Você vai descobrir hoje à noite. Vai assistir ao
filme?
– Um hum. – João falou:
– Pois é galerinha, a sessão começa daqui à uma hora,
até mais.
Depois que João se foi, Carolina se aproximou de Anna,
com certo entusiasmo e perguntou:
– E então, Anna... cadê o seu primo? – Antes que Anna
respondesse, Alice falou.
– Ah, então foi por isso que a pirralha veio toda emperiquitada?
– Carolina sorriu com timidez e enfim admitiu:
– Sim, foi por isso. – Anna perguntou.
– Ahm, que horas são? – Ela olhou em seu relógio
vermelho e com espanto disse:
– Nossa já é seis e trinta! O Dennis disse que ia vir
às cinco. – Pedrinho comentou:
– Que estranho. O Garoto-Morcego nunca se atrasou. –
Carolina falou:
– Ah não! Droga, e se ele tiver conhecido uma garota
mais bonita, e mais interessante do que eu e tiver namorando com ela agora?
Deve ser por isso que ele ainda não chegou. Faz tanto tempo desde a última vez
que ele esteve aqui.
Anna riu.
– Carolina, calma, ele já vai chegar. O Dennis só tá
um pouquinho atrasado. – Alice concordou.
– Eu não duvido de que ele tenha conhecido uma garota
mais bonita e mais interessante do que você, mas não acho que isso seja o motivo
da demora.
– Tive uma ideia. – Disse Anna. – Carolina você pode
localizar qualquer dispositivo R.N.G. não pode?
– Claro, por quê?
– O que acha de irmos rastrear um?
A alguns
quilômetros da Barra do Ceará, na Aldeota, um homem tentava cometer suicídio.
Ele estava no terraço de um prédio de dez andares, à quase três horas, e isso,
foi o tempo suficiente para chamar a atenção de muitas pessoas. Na frente do
prédio, carros da policia se encontrava estacionados, um helicóptero circulava
a área, alguns homens montavam uma cama-elástica para o suicida e enquanto
repórteres gravavam matérias para telejornais, dezenas de pessoas surgiam há
todos os instantes para assistir a cena.
Um dos
policiais tentava conversar com o homem, falando através de um megafone,
dizendo:
– Rogério da Silva, vamos tentar manter a calma... sua
esposa será encontra, vai ficar tudo bem.
Mas o homem
estava transtornado, e muito nervoso para escutar a qualquer um, não importa o
que o policial dissesse para ele, o suicida só respondia:
– Vão embora! Estão chamando a atenção deles... E eles
vão vir me pegar e vocês também!
O homem colocou
um pé, no parapeito do prédio e em seguida, colocou o outro. As pessoas lá
embaixo, na rua, começaram a gritar como se fossem elas que iriam morrer.
O homem olhou
para baixo, a cama elástica ainda estava sendo montada, depois ele fechou os
olhos e sussurrou: “Sarah, eu te amo”. Mas antes que o suicida fizesse impulso para se jogar,
uma voz ao seu lado disse:
– Você não quer fazer isso.
O rapaz olhou assustado
para sua direita e quase que teve um infarto. Ao seu lado um garoto de preto,
estava em pé, equilibrado no parapeito do prédio, ele usava tênis, calça jeans,
um casaco preto e óculos de visão noturna.
– O que você tá fazendo aqui? – Perguntou o homem.
– Te ajudando a fazer a escolha certa...
– Espera, eu sei quem é você. – Disse o homem, com
certo desgosto. – É o Garoto-Morcego não é? Dos Feras Noturnas.
– É isso mesmo, eu também sei quem você é... É Rogério
da Silva, não é? Escute eu só quero te ajudar, o que aconteceu com a sua esposa
também está acontecendo com outras pessoas, mas você precisa me dizer quem a
levou.
E então
Rogério, de repente se acalmou, ele sorriu tranquilamente para o Garoto-Morcego
e disse:
– Ninguém pode ajudá-la. Eles a levaram e estão muito,
muito longe daqui.
– Eles quem? – O homem não respondeu, mas
continuou a falar.
– Eles estão vindo para cá... e não vai ter policia,
ou Fera Noturna que possa detê-los.
– Sr. Rogério, por favor, me diga: de quem você tá
falando?
– Logo saberá Garoto-morcego. – Uma lágrima rolou pelo
rosto de Rogério e ele se jogou do prédio.
Dennis quis
resgatá-lo imediatamente, mas no mesmo instante em que ele iria atrás de
Rogério um helicóptero apontou seu farol para o Garoto-Morcego, que por estar
com óculos de visão noturna, seus olhos começaram a arder.
O
Garoto-Morcego emitiu um rosnado monstruoso, fazendo os pilotos do helicóptero
se assustaram com seus dentes. Lá em baixo, os policiais comentaram entre si
tentando entender o que havia acontecido.
– O aquele menino tá fazendo ali? – Perguntou um.
– Caramba, é o Garoto-Morcego! – Disse outro.
– O Garoto-Morcego, empurrou o cara do prédio!
O policial com o megafone, não sabia o que havia
acontecido, mas mesmo assim tomou sua decisão.
– Garoto-Morcego, parado aí. Ponha as mãos na cabeça e
não se mecha!
– Fala sério! – Murmurou Dennis.
Ele desceu do
parapeito e seguiu para uma porta que havia no terraço do prédio, ao dar as
costas os pilotos do helicóptero perceberam que a roupa do Garoto-Morcego
estava rasgada, nas suas costas, em sua jaqueta de couro havia duas fendas,
mostrando sua pele. Devia ter
acontecido em sua última briga, pensaram os homens. Dennis abriu
a porta do terraço, e imediatamente desceu a escada, depois de descer dois
lances de escada, ele encontrou o que esperava. Vindo em sua direção contrária,
subindo as escadas vinha uma equipe de homens armados. Eles não hesitaram e
apontaram as armas para Dennis, que arreganhou sua mandíbula em um ângulo de
180 graus e emitiu um rosnado fino e muito potente.
As lâmpadas e
janelas estouraram na sequencia em que as ondas sonoras do sonar se espalhavam
pelo corredor. Os policiais caíram ao chão, tapando os ouvidos e gritando de
dor. Dennis se voltou para a janela que havia atrás dele e se jogou, quebrando
a vidraça, ele caiu na sacada de outro prédio que, estava apenas a dois metros
abaixo. Dennis continuou a fugir e no mesmo instante os homens surgiram na
janela, cambaleando, mesmo com os ouvidos sagrando, abriram fogo contra o Garoto-Morcego,
que corria pelo terraço com as balas ricocheteando aos seus pés. Os policias
também pularam para o terraço do prédio e continuaram a persegui-lo.
Quando
finalmente o encurralaram, o Garoto-Morcego estava no parapeito, a beira do prédio
e os policiais o cercaram apontando as armas para ele. Dennis levantou os
braços e os homens pensaram que ele iria por as mãos na cabeça e se render, mas
em vez disso o menino se jogou de costas do edifício.
Os homens
ficaram espantados com o que fez, eles imediatamente foram ao parapeito do
prédio ver o que havia acontecido com o garoto, mas foram surpreendidos com um
vulto que subiu em direção ao céu, quando perceberam o que era, não conseguiram
acreditar. Nas costas do Garoto-Morcego, saindo pelas fendas em suas roupas,
havia asas de... Morcego!
Dennis fugia
voando pela cidade, e vitorioso riu.
– Há! Humanos, pensam que podem pegar o Garoto-Morcego!
E então a luz
do farol, de um helicóptero cobriu o corpo dele.
– Mas o que...? – Murmurou Dennis.
Ele olhou para
trás e viu dois helicópteros o seguindo e abaixo, nas ruas a sua esquerda e na
sua direita, fileiras de viaturas também o seguiam, e então, quando Dennis
olhou para frente se deu de cara com um prédio. O Garoto-Morcego se esborrachou
na parede do edifício. Os helicópteros o perderam de vista, mas seguiram o
procurando. Dennis caiu em um beco em cima de sacos de lixo.
– Ai! – Gemeu Dennis. – Isso vai doer amanhã.
Uma forte luz
cobriu o corpo de Dennis, ele retirou os óculos e viu que não era um helicóptero
e sim a sua aeronave favorita, o Jato Noturno. A aeronave negra planava
silenciosamente acima dele, uma comporta abaixo dela se abriu. Dennis levantou
voo e foi direto para lá, ao entrar encontrou sua prima e seus amigos.
– Dennis! – Anna o abraçou forte. – Saudades de você!
– Oi Anna,
também estava com saudades. – Respondeu Dennis.
– E aí
parceiro! – Falou Pedrinho, apertando sua mão e os dois se bateram com um
ombro.
– E aí
Pedrinho, tudo beleza? – Perguntou Dennis.
– Só! –
Respondeu ele num gemido.
– Então Anna,
como é que vão as... – De repente ele foi surpreendido por um grito histérico
de Alice.
– Ai, eu não
acredito! Gato é você? – Alice abraço Dennis e o beijou nos dois lados de seu
rosto.
– Não sei quem
é esse “gato” de que você tá falando, mas... É sou eu mesmo e... Alice? –
Dennis olhou para o cabelo loiro dela.
– Você tá
loiríssima! Espera, deixe-me adivinhar, está querendo multiplicar a sua sorte?
– Alice olhou para as suas madeixas loiras e sorriu.
– É, pra quê
ter apenas duas mechas, se o todo o meu cabelo pode ser meu amuleto da sorte?
– Pois é.
Deixando seu posto de pilotagem, depois de
colocar o jato no modo “pilo automático”, Carolina veio cumprimentar seu líder.
– Olá,
Garoto-Morcego. – Disse ela da forma mais fina possível.
E então Dennis olhou para Carolina e ela
instantaneamente se derreteu com seu sorriso caloroso.
– Olá Aquática.
– Disse ele.
Dennis olhou para o vestido de Carolina, ela
não queria parecer uma boba sem jeito na frente dele, como sempre ficava, então
imediatamente planejou algo inteligente para responder ao elogio, mas na
verdade Dennis lhe disse algo que não esperava.
– Hum, desculpa
ser indiscreto, mas, por que você está vestida assim?
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