sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Cap. 1

1. Resgatando o Garoto-Morcego

"Na região sudeste do Brasil, no sul do Estado de Minas, existe uma cidadezinha chamada Varginha, ela tornou-se internacionalmente conhecida em 1996 pelos suposto aparecimentos de criaturas e naves alienígenas, em uma série de episódios que ficaram conhecidos como o 'Incidente de Varginha' A lenda mais conhecida da cidade é a de que um grupo de três garotas, numa certa noite, pegaram um atalho em um terreno baldio, passando por um matagal, quando avistaram um estranho ser agachado no canto de um muro.
 A princípio pensaram que poderia ser um mendigo, ou uma pessoa qualquer, mas quando ele olhou para elas, com seus enormes olhos vermelhos e redondos, elas perceberam imediatamente que não se tratava de uma pessoa. As garotas gritaram em desespero. O medo e a escuridão do matagal, as impediram de observarem a criatura com clareza, mas quando ele se levantou, puderam perceber que ele media aproximadamente 1,6 metros de altura. A Cabeça dele era grande e careca, onde havia três saliências parecidas com chifres, um no meio e nas laterais.
 A boca dele era pequena, sua pele era castanha escura e oleosa, em seu corpo podia-se ver veias salientes e vermelhas no rosto, ombro e braços, em suas mãos havia três dedos e em seus pés apenas dois. Ele emitiu som, semelhante ao zumbido de abelhas para as garotas, que saíram daquele lugar correndo e gritando desesperadamente. Na escuridão do matagal, não podiam saber, ao certo, se ele as estava seguindo, mas o medo que sentiam era grande demais para ter permanecerem lá.
As três amigas fizeram um boletim de ocorrência a policia, onde descreveram a criatura, que foi procurada por várias equipes de patrulha, mas a estranha criatura jamais foi encontrada...”
– Eu também me esconderia, se eu fosse tão feia assim! – Declarou Alice.
– Mas Alice, não se tratava de uma pessoa, era um alienígena. – Disse Anna que estava lendo para Alice e Pedrinho, sua redação que escrevera no computador.
– Essa é a história do E.T. de Varginha, que eu adaptei para uma redação, a minha professora nos mandou escrever, em formato de uma matéria de jornal, então... O que vocês acharam?
– Eu acho... – disse Pedrinho. – que você vai tirar um 10, meu amor! Mas você não podia ter escrito sobre um fato, mais... agradável?
– Como assim agradável? – Perguntou Anna.
– Tipo – respondeu Alice –, uma história que não faça ele perder o sono na hora de ir pra caminha!
 Alice soltou sua risada escandalosa, enquanto Pedrinho elaborava uma resposta.
– Cala a boca, sua chata! Isso não é verdade, eu só... só acho que a Anna vai se sair melhor, escrevendo algo menos sinistro.
– Tá legal. – Murmurou Anna.
 Alice que tentava conter as risadas disse:
– Anna, você sabe que não se deve ler histórias de terror para criancinhas, você sabe que o Pedrinho ainda faz xixi na cama!
Anna respondeu:
– Alice isso não tem graça. – Pedrinho se levantou e disse:
– E não tem mesmo, eu não tenho medo de E.T. nenhum! Porque eu sou muito é macho, tá ligada?
 Enquanto dizia isso, atrás de Pedrinho, a porta do quarto de Anna se abria.
– Alice eu tenho certeza que se você visse um alien na sua frente, iria correr pra debaixo da cama e ia gritar feito uma garotinha que você é, ao contrário de min, que sou muito corajoso!
 Pedrinho se dirigiu em direção à porta, e se deparou com João, o irmão de Anna fantasiado de astronauta; e Pedrinho que claramente havia ficado apavorado com a redação, quando viu João deu um gritinho fino e correu para debaixo da cama de Anna. Alice voltou a soltar sua risada escandalosa, mas ela riu tanto que quase caiu da cadeira. Anna não pôde conter e também começou a rir.
 Desde a Guerra Mutante, nas férias de verão, Pedrinho, agora, estava com 12 anos de idade e Alice, igualmente sua amiga, Anna, estavam com 14 anos e suas mechas loiras haviam se multiplicado, pois estavam por toda parte de sua cabeça, Alice estava completamente loira.
 João retirou o capacete e confuso falou:
– Eu ia perguntar pra vocês se gostaram da minha fantasia, mas acho que o Pedrinho não gosta de astronautas.
– É que sabe João – falou Alice – Pedrinho é um garoto muito corajoso, ele é muito macho.
 Alice voltou a rir. Antes que João perguntasse, o que estava acontecendo, Anna perguntou:
– João por que você tá vestido assim?
– Sabe a sessão de cinema, hoje à noite, na lanchonete? Pois é, hoje vamos exibir Apollo 18 e a mãe acha que, fazendo propaganda do filme, vai fazer ele se sair bem na bilheteria.
– E fazer propagando, inclui: se vestir como um personagem do filme?
– É isso aí.
– Mamãe e suas ideias. Ah, e... Pedrinho? Pode sair daí, tá?
 Pedrinho olhou em volta no quarto com cautela e disse:
– É, acho que é seguro sair.
 Anna ouviu alguém lhe chamar, enquanto subia a escada.
– Anna, você tá aí? – Anna reconheceu a voz, era Carolina.
– Oi Carolina, pode vir.
 Carolina entrou no quarto, estava usando um vestido azul, combinando com seu dispositivo R.N.G. – Um relógio Champion azul –, seus cabelos escuros estavam cacheados e uma fraca maquiagem iluminava seus olhos. Carolina usava sapatos, mas sem salto, pois a pobre garota tinha trauma do uso de salto alto, ela também havia crescido um pouco, pois completara 12 anos, desde as últimas férias.  João falou:
– E aí Carolina.
– Oi João. Oi pessoal. – Depois que todos a cumprimentaram, João disse:
– Puxa! Você tá linda.
– Obrigada, eu gostaria de dizer o mesmo, mas... – Ela olhou para a fantasia de astronauta dele e perguntou:
– Que roupa é essa?
 Anna respondeu.
– Você vai descobrir hoje à noite. Vai assistir ao filme?
– Um hum. – João falou:
– Pois é galerinha, a sessão começa daqui à uma hora, até mais.
Depois que João se foi, Carolina se aproximou de Anna, com certo entusiasmo e perguntou:
– E então, Anna... cadê o seu primo? – Antes que Anna respondesse, Alice falou.
– Ah, então foi por isso que a pirralha veio toda emperiquitada? – Carolina sorriu com timidez e enfim admitiu:
– Sim, foi por isso. – Anna perguntou.
– Ahm, que horas são? – Ela olhou em seu relógio vermelho e com espanto disse:
– Nossa já é seis e trinta! O Dennis disse que ia vir às cinco. – Pedrinho comentou:
– Que estranho. O Garoto-Morcego nunca se atrasou. – Carolina falou:
– Ah não! Droga, e se ele tiver conhecido uma garota mais bonita, e mais interessante do que eu e tiver namorando com ela agora? Deve ser por isso que ele ainda não chegou. Faz tanto tempo desde a última vez que ele esteve aqui.
 Anna riu.
– Carolina, calma, ele já vai chegar. O Dennis só tá um pouquinho atrasado. – Alice concordou.
– Eu não duvido de que ele tenha conhecido uma garota mais bonita e mais interessante do que você, mas não acho que isso seja o motivo da demora.
– Tive uma ideia. – Disse Anna. – Carolina você pode localizar qualquer dispositivo R.N.G. não pode?
– Claro, por quê?
– O que acha de irmos rastrear um?
 A alguns quilômetros da Barra do Ceará, na Aldeota, um homem tentava cometer suicídio. Ele estava no terraço de um prédio de dez andares, à quase três horas, e isso, foi o tempo suficiente para chamar a atenção de muitas pessoas. Na frente do prédio, carros da policia se encontrava estacionados, um helicóptero circulava a área, alguns homens montavam uma cama-elástica para o suicida e enquanto repórteres gravavam matérias para telejornais, dezenas de pessoas surgiam há todos os instantes para assistir a cena.
 Um dos policiais tentava conversar com o homem, falando através de um megafone, dizendo:
– Rogério da Silva, vamos tentar manter a calma... sua esposa será encontra, vai ficar tudo bem.
 Mas o homem estava transtornado, e muito nervoso para escutar a qualquer um, não importa o que o policial dissesse para ele, o suicida só respondia:
– Vão embora! Estão chamando a atenção deles... E eles vão vir me pegar e vocês também!
 O homem colocou um pé, no parapeito do prédio e em seguida, colocou o outro. As pessoas lá embaixo, na rua, começaram a gritar como se fossem elas que iriam morrer.
 O homem olhou para baixo, a cama elástica ainda estava sendo montada, depois ele fechou os olhos e sussurrou: “Sarah, eu te amo. Mas antes que o suicida fizesse impulso para se jogar, uma voz ao seu lado disse:
– Você não quer fazer isso.
 O rapaz olhou assustado para sua direita e quase que teve um infarto. Ao seu lado um garoto de preto, estava em pé, equilibrado no parapeito do prédio, ele usava tênis, calça jeans, um casaco preto e óculos de visão noturna.
– O que você tá fazendo aqui? – Perguntou o homem.
– Te ajudando a fazer a escolha certa...
– Espera, eu sei quem é você. – Disse o homem, com certo desgosto. – É o Garoto-Morcego não é? Dos Feras Noturnas.
– É isso mesmo, eu também sei quem você é... É Rogério da Silva, não é? Escute eu só quero te ajudar, o que aconteceu com a sua esposa também está acontecendo com outras pessoas, mas você precisa me dizer quem a levou.
 E então Rogério, de repente se acalmou, ele sorriu tranquilamente para o Garoto-Morcego e disse:
– Ninguém pode ajudá-la. Eles a levaram e estão muito, muito longe daqui.
Eles quem? – O homem não respondeu, mas continuou a falar.
– Eles estão vindo para cá... e não vai ter policia, ou Fera Noturna que possa detê-los.
– Sr. Rogério, por favor, me diga: de quem você tá falando?
– Logo saberá Garoto-morcego. – Uma lágrima rolou pelo rosto de Rogério e ele se jogou do prédio.
 Dennis quis resgatá-lo imediatamente, mas no mesmo instante em que ele iria atrás de Rogério um helicóptero apontou seu farol para o Garoto-Morcego, que por estar com óculos de visão noturna, seus olhos começaram a arder.
 O Garoto-Morcego emitiu um rosnado monstruoso, fazendo os pilotos do helicóptero se assustaram com seus dentes. Lá em baixo, os policiais comentaram entre si tentando entender o que havia acontecido.
– O aquele menino tá fazendo ali? – Perguntou um.
– Caramba, é o Garoto-Morcego! – Disse outro.
– O Garoto-Morcego, empurrou o cara do prédio!
O policial com o megafone, não sabia o que havia acontecido, mas mesmo assim tomou sua decisão.
– Garoto-Morcego, parado aí. Ponha as mãos na cabeça e não se mecha!
– Fala sério! – Murmurou Dennis.
 Ele desceu do parapeito e seguiu para uma porta que havia no terraço do prédio, ao dar as costas os pilotos do helicóptero perceberam que a roupa do Garoto-Morcego estava rasgada, nas suas costas, em sua jaqueta de couro havia duas fendas, mostrando sua pele. Devia ter acontecido em sua última briga, pensaram os homens. Dennis abriu a porta do terraço, e imediatamente desceu a escada, depois de descer dois lances de escada, ele encontrou o que esperava. Vindo em sua direção contrária, subindo as escadas vinha uma equipe de homens armados. Eles não hesitaram e apontaram as armas para Dennis, que arreganhou sua mandíbula em um ângulo de 180 graus e emitiu um rosnado fino e muito potente.
 As lâmpadas e janelas estouraram na sequencia em que as ondas sonoras do sonar se espalhavam pelo corredor. Os policiais caíram ao chão, tapando os ouvidos e gritando de dor. Dennis se voltou para a janela que havia atrás dele e se jogou, quebrando a vidraça, ele caiu na sacada de outro prédio que, estava apenas a dois metros abaixo. Dennis continuou a fugir e no mesmo instante os homens surgiram na janela, cambaleando, mesmo com os ouvidos sagrando, abriram fogo contra o Garoto-Morcego, que corria pelo terraço com as balas ricocheteando aos seus pés. Os policias também pularam para o terraço do prédio e continuaram a persegui-lo.
 Quando finalmente o encurralaram, o Garoto-Morcego estava no parapeito, a beira do prédio e os policiais o cercaram apontando as armas para ele. Dennis levantou os braços e os homens pensaram que ele iria por as mãos na cabeça e se render, mas em vez disso o menino se jogou de costas do edifício.
 Os homens ficaram espantados com o que fez, eles imediatamente foram ao parapeito do prédio ver o que havia acontecido com o garoto, mas foram surpreendidos com um vulto que subiu em direção ao céu, quando perceberam o que era, não conseguiram acreditar. Nas costas do Garoto-Morcego, saindo pelas fendas em suas roupas, havia asas de... Morcego!
 Dennis fugia voando pela cidade, e vitorioso riu.
– Há! Humanos, pensam que podem pegar o Garoto-Morcego!
 E então a luz do farol, de um helicóptero cobriu o corpo dele.
– Mas o que...? – Murmurou Dennis.
 Ele olhou para trás e viu dois helicópteros o seguindo e abaixo, nas ruas a sua esquerda e na sua direita, fileiras de viaturas também o seguiam, e então, quando Dennis olhou para frente se deu de cara com um prédio. O Garoto-Morcego se esborrachou na parede do edifício. Os helicópteros o perderam de vista, mas seguiram o procurando. Dennis caiu em um beco em cima de sacos de lixo.
– Ai! – Gemeu Dennis. – Isso vai doer amanhã.
 Uma forte luz cobriu o corpo de Dennis, ele retirou os óculos e viu que não era um helicóptero e sim a sua aeronave favorita, o Jato Noturno. A aeronave negra planava silenciosamente acima dele, uma comporta abaixo dela se abriu. Dennis levantou voo e foi direto para lá, ao entrar encontrou sua prima e seus amigos.
– Dennis! – Anna o abraçou forte. – Saudades de você!
– Oi Anna, também estava com saudades. – Respondeu Dennis.
– E aí parceiro! – Falou Pedrinho, apertando sua mão e os dois se bateram com um ombro.
– E aí Pedrinho, tudo beleza? – Perguntou Dennis.
! – Respondeu ele num gemido.
– Então Anna, como é que vão as... – De repente ele foi surpreendido por um grito histérico de Alice.
– Ai, eu não acredito! Gato é você? – Alice abraço Dennis e o beijou nos dois lados de seu rosto.
– Não sei quem é esse “gato” de que você tá falando, mas... É sou eu mesmo e... Alice? – Dennis olhou para o cabelo loiro dela.
– Você tá loiríssima! Espera, deixe-me adivinhar, está querendo multiplicar a sua sorte? – Alice olhou para as suas madeixas loiras e sorriu.
– É, pra quê ter apenas duas mechas, se o todo o meu cabelo pode ser meu amuleto da sorte?
– Pois é.
 Deixando seu posto de pilotagem, depois de colocar o jato no modo “pilo automático”, Carolina veio cumprimentar seu líder.
– Olá, Garoto-Morcego. – Disse ela da forma mais fina possível.
 E então Dennis olhou para Carolina e ela instantaneamente se derreteu com seu sorriso caloroso.
– Olá Aquática. – Disse ele.
 Dennis olhou para o vestido de Carolina, ela não queria parecer uma boba sem jeito na frente dele, como sempre ficava, então imediatamente planejou algo inteligente para responder ao elogio, mas na verdade Dennis lhe disse algo que não esperava.
– Hum, desculpa ser indiscreto, mas, por que você está vestida assim?


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