sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Cap. 11

11. Isáby Kestet

 Ninguém conseguia decidir o que era mais pertubador: Ser atacados por uma terrível aranha gigante ou dar de cara com uma serpente enorme, dentro de um rio.
– Junior, atrás de você! – Gritou Julie.
 Junior girou imediatamente e viu uma cobra se levantar, ficando da mesma altura que ele, mas o resto de seu corpo se estendia em volta de todos que estavam dentro do rio. Ela sibilou para Junior, que ficou imóvel. Em um movimento rápido e agilidoso, a serpente se enrolou em torno do corpo dele, mas para o azar da cobra, ela havia escolhido o garoto com musculos de aço para atacar. Ela o apertou com toda força, mas Junior nem se quer se machucou, ele abriu os braços, se libertando da cobra.
 A serpente arreganhou a mandíbula e abocanhou Junior, mas com as duas mãos ele segurou a boca dela, impendindo de ser engolido.
 Quando Carolina pensou em ir ajudá-lo, alguém agarrou seu braço.
– Carolina, atravesse o rio e fique longe da margem. – disse Dennis.
– Por quê? – Exigiu Carolina.
– É muito perigoso. Vá!
 Antes que Carolina pudesse começar uma discurssão, Dennis deu as costas e voltou para a margem. Com as duas mãos, Dennis pegou uma pedra bem grande e pesada e voou para o rio.
 Pedrinho apontou as mãos em direção à cobra e disse:
– Garotas, saiam da frente. Não quero espetar o bumbum de vocês.
 Pedrinho lançou uma saraivada de espinhos na serpente. Os espinhos não penetraram em sua pele escamosa, mas chamou a atenção dela, que desistiu de tentar devorar Junior. A cobra o dispensou e avançou para Pedrinho.
 Alice gritou:
– Pedrinho, corre... quer dizer, nade!
– Sai logo do rio! – disse Julie.
 Pedrinho tentou correr, mas se já tentou fazer isso dentro de um rio, sabe que não é fácil. Os seus sapatos, pareciam pesar como chumbo dentro d'água e seu traje ensopado, não estava mais leve, lhe deixava mais lento e desajeitado, dando toda à vantagem para a serpente quem em alguns segundos já estava bem atrás de Pedrinho. A cobra se levantou no rio e quando se preparou para atacá-lo, Dennis jogou a pedra na cabeça da serpente. Ela não morreu, mas recuou imediatamente.
 Pedrinho olhou pra cima e viu Dennis pairando à alguns metros acima dele, lhe estendendo a mão.
– Cara – disse Pedrinho –, você é o meu anjo da guarda. Só que com asas bem sinistras.
 Todos sairam do rio, Dennis levou Pedrinho para margem onde todos ficaram perplexos fitando o rio.
– Junior – chamou Dennis –, tá tudo bem com você?
– Tá! Eu tô bem. – Respondeu ele, ao encolher de volta ao seu tamanho normal.
– Fala sério – murmurou Julie –, mal chegamos a esse planeta e quase fomos mortos.
 Carolina comentou:
– Primeiro, foi uma aranha gigante e depois uma Sucuri com mais de 14 metros. O que falta aparecer agora?
 Logo depois de perguntar. Ouviram um rugido de alguma fera selvagem, vindo de algum lugar na floresta, assustando um bando de pássaros, de uma árvore próxima. Não conseguiam saber ao certo que tipo de animal estava rugindo, mas com certeza era algo grande, feroz e do tipo que preferiam manter distância.
 Alice disse entridentes:
– Cala... a boca... Carolina!
 Os problemas, práticamente, caíram do céu. Os Feras Noturnas conseguiram ficar, pelo menos, 30 minutos sem serem atacados por alguma criatura nativa, depois que se distanciaram daquele rio, porém a maioria deles estavam começando a perder a razão.
 Como Pedrinho, que continuava a alegar que de vez em quando que estavam sendo seguidos e/ou vigiados, ou como Dennis, que acreditava que iria se dar de cara com Anna em qualquer lugar, ficava o tempo todo subindo em pedras, árvores e lugares altos para avistá-la, ou apenas sobrevoava pela floresta e voltava para os seus amigos com uma insana determinação ou como Julie, que achava que estava prestes a morrer, por terem encontrado uma sanguessuga em suas costas, ou como Junior, que não parava de reclamar de fome e sede ou Alice, que estava prestes a ter um ataque de pânico, ela queria desesperadamente algo para cuidar de sua beleza.
 A única que não estava entrando em desespero, pâncio ou loucura era Carolina, ela ficava cada vez mais maravilhada com aquele planeta. Em cada lugar que andava, encontrava especies totalmente desconhecidas de plantas ou avistava de longe, algum animal extinto ou superevoluído. Plantas que em seu planeta eram minusculas, naquele planeta eram híbridas ou gigantescas. Como congumelos e flores. Mas havia algo que girava em torno da mente de Carolina.
 Desde que chegaram naquele planeta, Carolina havia notado algo em seus amigos e nela mesma. Estavam apresentando habilidades, que antes, não tinham capacidades para realizar, como quando Carolina conseguiu arremeçar a aranha do rio, sem nem ao menos ter feito muito esforço, ou como Dennis foi tão rápido, o suficiente para pegar Pedrinho em pleno ar enquanto despencava, no modo como Alice e Julie havia se tornando tão agilidosas ou Junior, que mesmo com sua força sobre-humana, conseguiu derrubar uma árvore gigante, que deveria pesar toneladas. Carolina sabia que o ar puro daquele planeta havia deixando, não só a ela, mas também a todos revigorados, mas havia algo ali que estava irradiando energia e ela sabia que não era só aquilo que os fortalecia, mas também o que enchia aquele planeta de vida e magnetude.
 Certa vez, passaram por perto de umas flores com tons de rosa, semelhantes à Orquídias. As plantas tinham cerca de um metro de altura e suas flores eram inclinadas para o chão.
 Quando Alice às viu, gritou:
– Que flores lindas!
 Alice foi para baixo da flor, ficou de ponta de pé, empinou o nariz para sentir o perfume e então, as petalas se fecharam em volta do corpo de Alice, deixando apenas suas pernas para fora.
– Esse planeta é incrivel! – Disse Carolina. – Tudo que conhecemos no nosso planeta, aqui, é cem vezes maior ou mais desenvolvido.
– Então por que não mora aqui? – Murmurou Junior. – Dennis, não boa, agente devia subir naquela árvore, concertar o Jato Noturno e dar um geito de sair daqui!
– Tem razão. – Concordou Pedrinho – Tem alguem atrás da gente, um E.T. ou toda a nação intergalática, devem estar nos obsevando e estam esperando a gente coxilar, para nos capturarem e fazerem de nós mais um na prateleira deles!
– Que se dane! – Murmurou Julie. – Um dia, todos nós iremos morrer.
– Não era disso que eu estava falando – disse Junior – não temos água e nem comida, se não formos devorandos por algum animal, vamos morrer logo aqui.
– Nossa! – Carolina debochou – Então de repente, seu cerébro se tornou útil para alguma coisa?
 Dennis pousou no chão, bem na frente de Junior.
– Não vamos a lugar algum sem antes ter encontrado a Fênix. Primeiro vamos achá-la, então só depois, a gente se preocupa em como vamos sair daqui.
 Junior cerrou os punhos e se afastou.
 A flor gigante cospiu Alice que caiu sem fôlego, mas conseguiu levantar-se, cambaleando de um lado para o outro.
– Olhem aqui... – balbuciou ela – Faz mais de quatro horas, que eu não estou usando maquiagem, ou que eu tenha me olhado em um espelho, meu cabelo deve estar pior do que o da Marge Simpson e eu devo estar a cara da Amy Winehouse com ressaca...
– Tem razão – concordou Pedrinho –, você está.
–... e sem falar que a minha melhor amiga foi raptada, então será que, por favor, dá pra pararem de brigar por picuinhas?!
– Alice, está certa – disse Julie – enquanto discutimos, Anna deve estar sofrendo ou... já deve estar em "paz".
– Vamos conseguir salvá-la – falou Carolina – e todos os outros que foram abduzidos. Não importa o que aconteça.
 Carolina sorriu para Dennis, que também sorriu de volta.
– Mas até lá – disse Junior –, como vamos sobreviver? Aqui, os problemas parecem cair do céu!
 Junior se escorou em uma árvore, mas bateu as costas com tanta força que toda a árvore estremeceu e de repente, algo grande como um carro, caiu da árvore, a príncipio penssaram ser uma fruta, mas era recessecada demais e em poucos segundos descobriram que não era uma fruta, pois dela começarm a sair vespas do tamanho de pombos. Primeiro começaram a sair dezenas, logo em seguida centenas e quando se deram de conta havia uma enchame de vespas, criando uma nuvem densa, que mais e mais se espandia.
– Vamos sair daqui! – Aconselhou Dennis.
 E mais uma vez, os Feras Nortunas tiveram que correr para salvarem suas vidas. As vespas, furiosas, os seguiam a todo o vapor, com seus ferrões apontandos para cada um deles. Duas delas pousaram nas costas de Junior, ferroando-o, mas não o machucaram. Ele agarrou as duas vespas, uma esmagou com a mão e outra, usou para arremeçar em outra vespa que pairava sobre a cabeça de Alice.
– Dennis – Carolina o chamou –, não deviamos voltar para o rio e mergulhar?
– Acho que dar meia volta, não é boa ideia agora. – Respondeu ele.
 Julie em seu estado depressivo e sua baixa autoestima decidiu parar de correr. Ela parou e gritou para os seus amigos.
– Galera, parem de fugir da morte! Não percebem que esse é o nosso destino?
– Gente, mas essa garota tá péssima! – Comentou Carolina.
 Atrás de Julie, o nevoeiro de vespas se aprossimava. Dennis expôs suas asas e em um piscar de olhos, havia aterriçado ao lado de Julie. Ele a agarrou e a levou voando.
– Continuem a correr!
 Alguns minutos depois, Pedrinho começou a notar que as vespas estavam ficando para trás.
– Pessoal, tá tudo bem. – Disse ele. – Acho que já podemos parar de...
 E então, Pedrinho viu mais uma vez um vulto de um ser humanoide, correndo pelos galhos das árvores, mas havia algo familiar nele, Pedrinho achava tê-lo visto correndo de quatro, como Alie e Julie costumam fazer.
– Equeçam, continuem à correr! – Gritou ele.
 Os outros não entenderam o que estava havendo com Pedrinho, até verem a imagem de uma garota indígena, com uma coroa de flores, arco e uma aljava de flexas e vestida com penas coloridas, se balançando em um cipó e gritando "lálálálá", como se fosse uma metralhadora. A garota se balançou da esquerda para a direita gritando, mas se esborrachou em uma árvore e caiu inconsciente no chão.
 Os feras ficaram, paralisados e confusos, tentando entender o que acabaram de ver. Mas o som do enxame de vespas, se aproximando atrás deles, lhes chamou a atenção. Todos se voltaram para trás e viram milhares de vespas de ante deles, o pânico e o medo tomou conta. Ainda havia muito espaço para fugir, mas lugar nenhum para se esconder ou despista-las, estavam muito perto, mesmo se fossem correr, iriam ser pegos. Uma vespa voou diretamente ao rosto de Carolina, mas quando estava a alguns centímetros do rosto da garota, foi atingida por uma faca e em um piscar de olhos, o inceto estava cravado em uma árvore, preso a uma faca.
 Então, a garota indígena se pôs na frente dos Feras Noturnas e todos poderam ver que ela não era uma garota, ela era, sim uma garota, mas não era humana. O seu cabelo ela negro e liso, com uma franja perfeitamente alinhada – corte de cabelo típico das indias amazonicas –, mas em sua cabeça havia duas orelhas, pontudas e salientes, todo o seu corpo era listrado e coberto por pelos alaranjandos. Atrás dela, uma calda inquieta, balançava de um lado para o outro. Ela tinha um focinhonão, no lugar de um nariz e seus olhos, eram verdes, grandes e felinos.
– Venham comigo, se quiserem viver. – Disse ela em português, com um sotaque semelhante ao de Portugal e italiano.
 A india se algachou no chão e começou a correr de quatro para a esqueda. Sem hesitar os feras a seguiram, mesmo com o enxame de vespas logo atrás deles. Eles deram uma curva completa, em torno das vespas e em alguns minutos, avistaram o rio a alguns quilomêtros. A menina-gato deu um salto de cerca de três metros e em milésimos de segundos, retirou uma flexa de sua aljava, posicionou-a em seu arco, rodopiou para trás e disparou a flexa. Assim que o projetiu acertou uma vespa, explodiu, criando uma nuvem de fumaça, que se espalhou no ar, entorpecendo todas as vespas, mas mau nenhum fez aos Feras Noturnas, que apenas sentiram um cheiro doce e forte de desinfetante.
 Dennis aterroçou com Julie. Os Feras Noturnas ficaram imprecionados com aquela garota, mas ainda assim, ela era uma estranha, então manteram a guarda. Exceto Pedrinho, que começou a disparar:
– Cara, aquilo foi maneiro! Você foi, tipo assim, demais! Principalmente, o geito que você deu aquele salto mortal e disparou aquela flexa de gás inceticida, matando aquelas vespas...
 A garota contraiu as pupilas, fitou os olhos em Pedrinho e fez um xiado de gato raivoso. Ela deu um salto em direção à ele e apontou as garras para o rosto de Pedrinho.
– Tenha respeito, eu não mato! – Disse ela entridentes.
– Ah, tudo bem, foi mal! – Respondeu Pedrinho gaguejando. – Você não machuca os animais, eu entendi.
 A garota suavisou o semblante.
– Eu apenas, fiz elas sentirem um pouco de sono.
 A india mostrou os incentos no chão, com tontura, tentando voar sem sucesso.
– Mas quem é você? – Perguntou Carolina.
– Eu? – Perguntou a garota – Meu nome é Isáby Kestet.

Nenhum comentário:

Postar um comentário