sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Cap. 13

13. Um Encontro com o T-Rex

 – Eles eram liderados pelo Lorde Rázarac. Ele e suas tropas, vieram ao nosso planeta com a Nave Mãe, semeando a destruição, derrubando nossas árvores e matandos muitos de nós...
– "Nave Mãe"? – Perguntou Julie.
– Nave Mãe! – Disse Pedrinho – É uma nave que transporta "filhotes" (naves menores) para fins de estudo de solo ou de seres nos planetas.
 Todos observaram Pedrinho em silêncio.
– Qual é galera, será que só eu, que leio HQs ou que assiste filmes e séries de TV? – Dennis pediu:
– Ahm... Isáby continue, por favor.
– Se não me interomperem mais...?! Ah, sim, no dia que a Nave Mãe chegou, invadiram o nosso planeta tão rápido, quanto chegaram, mas não permitimos que isso acontecesse tão fácilmente. O meu pai, o rei Ezórius, fez uma aliança de emergência com os outros povos e declarou guerra aos arghatianos. Não vencemos. A minha mãe... – Os olhos de Isáby se encheram de lágrimas –, morreu lutando, o meu pai ficou desesperado e viu, que nem com todos os animalianos juntos era o suficiente para derrotar os arghatianos, então, ordenou que o meu irmão, Oziel, fosse para outro planeta trazer eforços. Eu insisti em ir no lugar dele, Oziel era o nosso melhor guerreiro, eu poderia ter ido no lugar dele, mas o meu pai não me ouviu, meu irmão não merecia correr aquele risco, todo mundo sabe o que acontece quando um de nós tenta sair de Animália.
– Mas nós não sabemos. – Disse Julie.
– Hum, na verdade – Isáby falou –, eu também não sei exatamente, nossos cientistas diziam que não somos capazes de sobreviver fora de Animália, mas nunca consegui entender o motivo.
– Isáby, continua – pediu Pedrinho – O que foi que ouve com o seu irmão?
– Oziel, entrou em uma sonda e se foi pelo espaço. – Contou Isáby. – Nunca mais o vimos desde então.

  Naquela mesma noite, na Base do Lorde Razárc, os arghatianos prenderam o garoto feliniano em uma mesa, ao lado de Anna, que lhe contou a mesma história de Isáby.
– Então – disse Anna –, seu verdadeiro nome é Oziel?
– Sim – ele confirmou –, Oziel Kestet.
– Mas por que na Terra você era só um gato e aqui, você é um...?
– Feliniano. Nós que vivemos em Animália, sempre soubemos que não era possível a nossa sobrevivência fora da atmosfera do planeta, por isso nunca realizávamos explorações espaciais e quando eu cheguei ao planeta Terra, acabei regredindo à minha forma primitiva, se tornando um quadrupede.
– Por quê? – Oziel murmurou:
– A atmosfera do planeta Terra é muito fraca e poluída. E os níveis de radiação solar são muito elevados. – Anna sorriu.
– É, esse é o meu planeta! Então, quer dizer, que oque você é, é a forma evoluída de um gato? Como os Homo Sapiens! – Oziel perguntou:
– O quê?
– Lá na Terra, as pessoas acreditam que os seres humanos é a evolução dos primatas, os macacos.
– Faz sentido.
– Mas é rídiculo! – Murmurou Anna.

 Na floresta, Isáby continuva a contar aos feras, o que havia acontecido.
– Depois que venceram a guerra, os arghatianos tomaram nossas armas, máquinas, técnologias e a maioria do nosso povo foram levados por Rázarac, que os mantém como escravos em seu covil. – Carolina perguntou:
– Então, vocês nem sempre foram... Índios?
– Não – Isáby riu – Sempre vivemos na floresta, então, não faz diferença.  Mas agora, somos obrigados a vivermos escondidos por aqui, meu pai tentou invadir o covil dos arghatianos diversas vezes, mas, só francaçamos. Mas passando-se um ano – Isáby sorriu –, o grande espiríto dos céus, deu a um dos nossos anciões uma profecia! – Alice perguntou:
– Quem é o grande espiríto dos céus?
– Dominus, aquele que criou o universo e a tudo que nele habita.
– Que engraçado – disse Dennis –, no nosso planeta, esse espiríto tem outro nome. – Isáby prosseguiu.
– A profecia dizia, que cinco terráqueos deceriam do céu em um pássaro de metal e trariam a paz e a liberdade a Animália. – O sorriso de Isáby vacilou – Mas alguns de nós perdeu a fé nessa profecia, depois do que ouvimos falar por aí.
– Como o quê? – Perguntou Pedrinho.
– Não sabemos se é verdade, mas dizem que uns avianos se arriscaram voar sobre o covil dos arghatianos e disseram terem visto, um jovem terráqueo, um humano do sexo masculino, no covil arghatiano.
– Mas isso é lógicamente, impossível. – Disse Carolina. – Estamos há anos luz do planeta Terra, como humanos poderia chegar até aqui?
– Não sabemos – disse Isáby –, mas disseram que esse humano, não seria só apenas um aliado dos arghatianos, disseram que ele estava dando ordens ao Lorde Rázarc! Tentei tirar minhas próprias conclusões, mas o meu pai não quer que eu chegue nem perto daquele covil.
– Se esse humano ajudar os aghartianos a dominarem a Terra – disse Pedrinho – Esse com certeza vai ser um terráqueo traidor.
 Julie falou:
– Tá legal, tá legal. Olha, de tudo eu que já vi e ouvi nesse planeta, isso, não faz o menor sentido! Como um meres humano, conseguiria ter autoridade sobre uma raça de seres alienígenas? – Isáby disse:
– Nós não sabemos, é apenas um boato. Mas isso não importa, porque vocês estão mesmo aqui! Os terráqueos da profecia.
– E você acha que somos nós? – Junior Perguntou.
– Ahm, claro... Eu não sei, nem sei se a profecia está mesmo certa. A profecia dizia que viriam cinco humanos e vocês são seis, quer dizer sete. E vocês não "cairam do céu" em um pássaro gigante, era apenas um jato militar, modelo SR-77.
– Mesmo com essa profecia, estando certa ou não – disse Dennis –, nós vamos ajudá-los.
 Isáby enchugou os olhos.
– Muito bem, como a jovem sabia, Carolina, havia dito, vocês precisam descançar. Se quiserem sobreviver o dia de amanhã.
– Bom, então – dizia Julie –, vamos dormir aqui mesmo?
 Pedrinho respondeu:
– A menos que você esteja vendo algum hotel nessa floresta, o jeito é dormir aqui.
– Ai, eu não sei, não! – Murmurou Alice. – E se alguma fera selvagem aparecer e nos devorar enquanto dormimos? Eu não quero ser devorada... Pelo menos, não feia e desarrumada desse jeito.
– Durmam. – Ordenou Dennis. – Você também Isáby, deve estar cançada, eu fico acordado aqui de vigia.
– Não! Eu insisto – discordou Isáby –, são vocês que vão trazer a salvação a Animália, não eu. Vou ficar acordada a noite toda!
***
 No cóvil do Lorde Rázarac, Anna dizia:
– Oziel, eu sempre soube que você era especial, desde o dia que eu te vi naquele morro. Você era inteligente demais para um gato qualquer, quando o Dennis colocou fogo na cozinha da lanchonete, você estava dormindo embaixo de um armario, e nem se queimou e de algum geito, você conseguia entrar no Laboratório Noturno. – Oziel sorriu.
– Obrigado Anna, por ter me adotado. Ter me levado para sua casa e ter me dado abrigo, foi a melhor coisa que me aconteceu em anos.
– Na verdade, foi você que veio até min lembra?

 Carolina estava facinada com tudo que havia descoberto e com tudo que estava acontecendo. No começo, estava apenas, investigando uma série de desaparecimentos, em seguida, o desaparecimento de uma amiga e agora, está indo ajudar a libertar uma nação alienígena e prestes a enfrentar um possível confronto.
 Ela se via, mais uma vez, diante de um quebra-cabeça. Seres felinos viajando pelo espaço, um ditador prepotente que está conquistando planetas, um terráqueo ditando ordens a seres alienígenas e arghatianos procurando um gato especifíco na Terra. Carolina sabia que aquilo tudo eram boatos, teorias e acontecimentos sem explicação, mas algo lhe dizia que tudo estava interligado. Que tudo aquilo fazia parte de uma longa história, que estava sendo vista fora de ordem.
 Esses pensamentos estavam lhe tirando o sono. Carolina rolava de um lado para o outro na grama macia. A fogueira a sua frente, lhe fazia se sentir aquecida e confortável, o cheiro das flores e a brisa suave daquela floresta lhe davam sonolência, mas seu cerébro não queria relaxar. Carolina ouviu Alice, que estava deitada ao seu lado murmurar alguma coisa.
– Alice, está acordada? – Carolina sussurrou.
– Eu tô acordada! – Murmurou Alice dormindo. – Estou acordada professora...
 Carolina se sentou. Isáby estava sentando aos pés de uma árvore, apoitada em seu arco, dormindo e rocando alto.
Vou ficar acordada a noite toda. – Disse Carolina imitando Isáby.
 Carolina conteve o riso. Julie, Pedrinho, Alice e Junior estavam dormindo como pedras, em volta da fogueira, Carolina ficou frustrada por não conseguir dormir também e então, reparou na ausência de Dennis. Ela olhou em volta e não o viu em lugar algum. Carolina olhou para cima e murmurou para si mesma: "Mas é cláro! Morcegos não dormem no chão." No alto de um galho, de uma árvore, Dennis estava pendurado de cabeça para baixo, mas estava acordado, olhando para o horizonte.
 Dennis estava pensando em Anna. Ele ainda sentia remorso pelos seus atos que havia realizado, enquanto deixara de ser um fera noturna. As coisas que desejava fazer, as coisas fez, as coisas que disse aos seus amigos e aos seus famíliares, ainda lhe oprimiam em sua mente. Fazendo-lhe pensar que era indigno de ser amado, respeitado ou perdoado. Queria muito poder recompensar sua prima, indo lhe salvar, mas o fato de não ter certeza se ela ainda estava viva lhe trazia desespero e esse era um sentimento que Dennis se recusar a se entregar. Dennis ouviu alguém atrás dele.
– Também não consegue dormir?
 Ele girou imediatamente para trás e viu Carolina subir em um galho.
– Carolina? – Murmurou ele assustado.
– Desculpa, eu te assustei? – Perguntou Carolina.
– Não! – Dennis se sentou no galho ao lado dela – Cláro que não. Por quê não está dormindo?
– Estou agitada demais pra dormir.
– E o que você está fazendo aqui em cima?
 Carolina de repente se sentiu indesejada.
– Hum, eu vi que você estava acordado, então eu vim aqui falar com você, mas se quer ficar sozinho, eu entendo.
– Não, não é isso! É que... você subiu até aqui, só para conversar comigo?
– Ahm, sim. – Dennis encarou ela.
– Estamos a mais de quatro metros do chão.
 Carolina olhou para baixo e viu o quanto era alto o lugar em que estava. Imeditamente, uma sensação gelida percorreu o seu estômago, sua pele começou a soar e suas mãos se agarraram ao galho em que estava sentada com toda a força.
– Nossa! – Disse ela sorrindo, para esconder o medo. – Eu nem percebi.
– Carolina você está bem? Você ficou pálida de repente.
– Estou ótima! – Dennis riu.
 Carolina queria esquecer o máximo, a altura em que estavam, pois sabia que se entrgasse ao medo, começaria a gritar estericamente, iria se desequelibrar e iria cair para uma morte subita, Dennis poderia lhe resgatar, mas logo em seguida iria levar uma bronca dele e Carolina não queria passar por esse vexame. Então, decidiu se consentrar naquilo que lhe fez escalar a árvore. Carolina respirou fundo e fixou os olhos em Dennis. Em sua pele branca, parecia ser feita de marfim, seus olhos castanhos dourados, brilhavam a luz do luar, seu cabelo despenteado, esvoaçava ao vento e seu sorriso lhe trouce calma.
– Pois bem – começou ela – Por quê você não está dormindo? Sem sono?
– É a mutação do morcego, lembra? À noite, meus sentidos ficam aguçados então, eu perco o sono.
– Ah claro. Deve ser ruim, não? Dividir o dia-a-dia com habitos de um morcego e de um humano ao mesmo tempo.
– Tem o seu lado bom. Eu nunca havia prestado atenção na noite, sempre dormia sedo, aí quando eu me tornei "Garoto-Morcego" passei a ver mais a Lua do que o Sol. – Dennis olhou para o céu. – Ela é tão bonita.
– Como você. – Sussurou Carolina.
– O que disse? – Carolina olhou alarmada para Dennis.
– Hãn? Digo... Você deve estar muito feliz, por que aqui tem três luas!
 Dennis riu.
– É mesmo, não é? Tem razão.
Carolina suspirou.
– Eu, também estava pensando – acrescentou Dennis – no nosso planeta. Devemos ter entrado para a lista dos desaparecidos.
– Verdade, eu havia me esquecido completamente de casa depois que chegamos aqui. Deve estar a maior confusão lá na Barra do Ceará, todos devem estar desesperados nos procurando.
 Falando nisso, há anos luz dali, no planeta Terra. Dona Tereza estava relaxando, em uma tarde, na varanda de sua casa, enquanto tomava uma xícara de chá, quando João apareceu desesperado.
– Mãe, mãe, mãe!
 Dona Tereza cospiu todo chá que estava bebendo.
– O que é menino?! Quase que tu me mata do coração!
– A senhora não vai acreditar, o Dennis sumiu! Eu fui na casa da Alice, do Pedrinho e da Carolina, mas os pais deles também não os encontram! Eu até procurei a Julie e o tal do Junior, mas ninguém sabe onde eles estão.
 A mãe dele revirou os olhos.
– E você só percebeu isso agora?
– A senhora já sabia?
– Um hum.
– E não tá preocupada com isso? Por quê?
– João, meu filho querido. – Dona Tereza se levantou. – Quando a Anna desapareceu, eu fiquei bastante preocupada, é claro. Mas quando se dei de conta que a Alice, o Pedrinho e a Carolina também havia sumido tudo fez sentido. Então perdi completamente as minhas preocupações.
– Eu não entendi. Do quê a senhora tá falando?
– Argh! Acorda João, eles são os Feras Noturnas!
 João pôs a mão na testa.
– Ah, mãe isso de novo não!
– Não querido, presta atenção. Sempre que o Dennis, a Anna, a Alice, o Pedrinho e a Carolina estão juntos, coisas estranhas acontecem, e eles somem, algum tempo depois eles aparecem do nada e de repente, surge alguma notícia dos Feras Noturnas na TV.
– Mas os Feras Noturnas são cinco, não sete, por quê a Julie e o Junior também sumiria?
– Porque talvez, eles sejam novos iniciados!
 João encarou a sua mãe por um minuto e disse:
– Eu vou fazer um boletim de ocorrência... e vou ligar para um terapeuta.
 João se retirou e insana, Dona Tereza disse:
– Não será necessário, meu filho, acredite em min. Logo, logo as crianças vão aparecer e misteriosamente os Feras Noturnas também!
 Ela deu uma gargalhada e gritou para as pessoas na rua.
– EU NÃO ESTOU FICANDO LOUCA!
***
– Quer saber – disse Dennis para Carolina –, eu acho que não. As pessoas nunca prestavam atenção na gente, acho que ninguém deve ter sentido nossa falta.
– Vai saber.
 Dennis olhou para Carolina, sorrindo como quem está esperando ouvir um segredo. Carolina o olhou confusa, Dennis olhou para o horizonte e perguntou:
– Eu sei que a história que a Isáby nos contou fez todo sentido pra você. Diz aí: – Dennis voltou os olhos para Carolina. – O que você sabe?
– Eu fiquei surpresa quando ouvi a Isáby contar que o povo dela, são chamados de felinianos...
– Pois é, por quê?
– Porque aquela palavra me era famíliar, então eu me lembrei que a última vez que eu havia ouvido essa palavra, foi na gravação do dispositivo R.N.G. da Anna.
– Então – disse Dennis –, os arghatianos estão procurando um feliniano no nosso planeta?
– Ao que tudo indica...
– Mas eles não percebem que tem uma diferença muito grande entre um gato terráqueo e um feliniano?
– Me pergunto a mesma coisa. Mas a questão que mais me preocupa é: Se os arghatianos visitam o nosso planeta há vários anos, o que estão esperando para começarem uma invasão, como fizeram em Animália?
– A menos que eles acreditem na profecia e tenham medo de nós, devem estar esperando por um momento certo.
– E Dennis, você lembra daquele disco voador que aquele arghatiano usou para levar o Xandre, não lembra?
– Lembro sim. Estava enterrando no campo de areia.
– Deveria estar enterrado ali, a milhares de anos, imagina o que mais eles podem ter escondido no nosso planeta? Se tiverem armas naquele solo, poderiam vencer em um ataque fácilmente.
– Espero que eles acreditem na profecia e tenham muito medo de nós. E o terráqueo traidor?
– Quem? – Carolina piscou.
– O humano que estaria envolvido com os arghatianos. Acredita nisso? Quem você acha que deve ser?
– Alguém que em sã conciência seria capaz de odiar a humanidade a ponto de querer destrui-la? Já conheci alguns, mas sobre a identidade do individuo, não faço ideia de quem seja.
– Espero que isso seja apenas um mal entendido.
– Ah, Dennis? Sem querer bancar a incrédula. Sobre Animália: Você acha mesmo que somos capazes de enfrentar uma frota alienígena, um ditador muito poderoso e trazer a liberdade a esse planeta?
– Não temos escolha. – Murmurou Dennis. – Eles estão com a Anna, com o Xandre, os animálianos escravizados e todos os humanos que foram abduzidos. Precisamos salvá-los e se tentarem nos subjugar, irei matar quantos eu conseguir.
 Carolina sentiu um arrepio na espinha, mas não era por causa do medo de altura. Dennis um dia já foi um animal frio e sanguinário, Carolina não sabia o quanto desse animal ainda vivia nele, mas para a sua sorte, esse animal frio e sanguinário está do seu lado.
– Dennis, me desculpe.
– O que?
– Me desculpe, por ter só criando dificuldades, ao invés de achar meios de encontrar a Anna quando a gente ainda estava na Terra.
– Tá tudo bem, Carolina.
– Eu via o quanto você estava preocupado e abatido por causa do sumiço da Anna e enquanto eu poderia estar investigando algum meio de ajudar a minha amiga, eu estava se fazendo de Sra. Sabe Tudo...
– Carolina, está tudo bem! – Insistiu Dennis. – Você ajudou muito, análisando o relógio da Anna. Também ajudou, ou tentou me ajudar, me examinando no Laboratório Noturno e também, uma vez quando me livrou da morte, sem eu nem ter merecido.
 Carolina sorriu timidamente.
– Carolina, eu tenho tanto pra te recompensar. – Disse Dennis.
– Você já me recompensa.
 Carolina e Dennis sorriram um para o outro, ouve um momento de silêncio. Carolina percebeu que ele a estava lhe olhando de uma forma diferente. Ele sorria para ela de uma forma diferente. Ela então, voltou a soar e sentir aquela mesma sensação gelida percorrer o seu estômago, sua mãos ficaram rigidas, novamente, sobre o galho da árvore. Por um instante, Carolina achou que algo inesperado e espetácular iria acontecer, e então, Dennis olhou rápidamente para trás e perguntou:
– Você ouviu isso? – Atônita, Carolina perguntou de volta.
– Ouvir o quê?
– De novo! – Dennis voltou a olhar para trás. – Escutou isso?
 Carolina ficou um minuto em silêncio, mas não ouviu nada além do som da floresta.
– Não estou escutando nada.
 Dennis ficou calado e em alerta.
– Dennis – Carolina suspirou –, eu não consigo escutar vibrações sonoras, tão bem, como você, então...
E de repente, Carolina ouviu um estrondo ao longe: “Bum!”.
– Espera, eu ouvi! – E de novo, ouviu o barulho em sequencia, como se fossem passos. – Parece, que alguma coisa grande e pesada...
–... Está vindo em nossa direção. – Completou Dennis, em um tom sombrio.
Carolina ficou nervosa.
– Como assim, em nossa direção?
 Antes que Dennis respondesse, ouviram o estrondo, estava a cada vez mais perto e mais perto.
“Bum!” ouviram de novo. Dessa vez, todas as plantas em volta tremeram, quando ouviram mais uma vez, as folhas da árvore em que estavam, começaram a cair.
– Estou ouvindo... – sussurrou Dennis. – Estou ouvindo seus batimentos cardíacos, ele está se aproximando.
 Dennis pôs sua mão sobre a de Carolina, como se soubesse o perigo que estava por vir.
– Consegue distinguir que é? – Perguntou ela.
– Não, mas é algo que está vindo naquela direção.
 Dennis apontou para a direção noroeste de onde estavam, Carolina viu a cilhueta de um animal bipede e tão grande que empurrava as árvores por perto, por onde andava.
– O que é aquilo?
 De repente, ouviram um som semelhante ao de uma buzina de trem, mas era grave e feroz. Carolina e Dennis ainda não sabia o que era aquilo, mas sabiam que aquele som havia saído de uma garganta. Viram a cilueta escura se aproximar, cada vez mais e os dois ficaram em silêncio. E então, viram o que só costumavam ver em livros de ciências, um réptil com cerca de 6 metros de altura, andando sobre duas patas.
– Não pode ser! – Carolina suspirou.
– Aquilo é um... Tiranossauro Rex? – Murmurou Dennis.
– Mas eles estão extintos!
– Não nesse planeta.

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