13. Um Encontro
com o T-Rex
– Eles
eram liderados pelo Lorde Rázarac. Ele e suas tropas, vieram ao nosso planeta
com a Nave Mãe, semeando a destruição, derrubando nossas árvores e matandos
muitos de nós...
– "Nave Mãe"? – Perguntou Julie.
– Nave Mãe! – Disse Pedrinho – É uma nave que transporta
"filhotes" (naves menores) para fins de estudo de solo ou de seres
nos planetas.
Todos observaram
Pedrinho em silêncio.
– Qual é galera, será que só eu, que leio HQs ou que
assiste filmes e séries de TV? – Dennis pediu:
– Ahm... Isáby continue, por favor.
– Se não me interomperem mais...?! Ah, sim, no dia que a
Nave Mãe chegou, invadiram o nosso planeta tão rápido, quanto chegaram, mas não
permitimos que isso acontecesse tão fácilmente. O meu pai, o rei Ezórius, fez
uma aliança de emergência com os outros povos e declarou guerra aos
arghatianos. Não vencemos. A minha mãe... – Os olhos de Isáby se encheram de
lágrimas –, morreu lutando, o meu pai ficou desesperado e viu, que nem com
todos os animalianos juntos era o suficiente para derrotar os arghatianos,
então, ordenou que o meu irmão, Oziel, fosse para outro planeta trazer eforços.
Eu insisti em ir no lugar dele, Oziel era o nosso melhor guerreiro, eu poderia
ter ido no lugar dele, mas o meu pai não me ouviu, meu irmão não merecia correr
aquele risco, todo mundo sabe o que acontece quando um de nós tenta sair de
Animália.
– Mas nós não sabemos. – Disse Julie.
– Hum, na verdade – Isáby falou –, eu também não sei
exatamente, nossos cientistas diziam que não somos capazes de sobreviver fora
de Animália, mas nunca consegui entender o motivo.
– Isáby, continua – pediu Pedrinho – O que foi que ouve
com o seu irmão?
– Oziel, entrou em uma sonda e se foi pelo espaço. – Contou
Isáby. – Nunca mais o vimos desde então.
Naquela mesma
noite, na Base do Lorde Razárc, os arghatianos prenderam o garoto feliniano em
uma mesa, ao lado de Anna, que lhe contou a mesma história de Isáby.
– Então – disse Anna –, seu verdadeiro nome é Oziel?
– Sim – ele confirmou –, Oziel Kestet.
– Mas por que na Terra você era só um gato e aqui, você é
um...?
– Feliniano. Nós que vivemos em Animália, sempre soubemos
que não era possível a nossa sobrevivência fora da atmosfera do planeta, por
isso nunca realizávamos explorações espaciais e quando eu cheguei ao planeta
Terra, acabei regredindo à minha forma primitiva, se tornando um quadrupede.
– Por quê? – Oziel murmurou:
– A atmosfera do planeta Terra é muito fraca e poluída. E
os níveis de radiação solar são muito elevados. – Anna sorriu.
– É, esse é o meu planeta! Então, quer dizer, que
oque você é, é a forma evoluída de um gato? Como os Homo Sapiens! – Oziel
perguntou:
– O quê?
– Lá na Terra, as pessoas acreditam que os seres humanos é
a evolução dos primatas, os macacos.
– Faz sentido.
– Mas é rídiculo! – Murmurou Anna.
Na floresta, Isáby
continuva a contar aos feras, o que havia acontecido.
– Depois que venceram a guerra, os arghatianos tomaram
nossas armas, máquinas, técnologias e a maioria do nosso povo foram levados por
Rázarac, que os mantém como escravos em seu covil. – Carolina perguntou:
– Então, vocês nem sempre foram... Índios?
– Não – Isáby riu – Sempre vivemos na floresta, então,
não faz diferença. Mas agora, somos
obrigados a vivermos escondidos por aqui, meu pai tentou invadir o covil dos
arghatianos diversas vezes, mas, só francaçamos. Mas passando-se um ano – Isáby
sorriu –, o grande espiríto dos céus, deu a um dos nossos anciões uma
profecia! – Alice perguntou:
– Quem é o grande espiríto dos céus?
– Dominus, aquele que criou o universo e a tudo que nele
habita.
– Que engraçado – disse Dennis –, no nosso planeta, esse
espiríto tem outro nome. – Isáby prosseguiu.
– A profecia dizia, que cinco terráqueos deceriam do céu
em um pássaro de metal e trariam a paz e a liberdade a Animália. – O sorriso de
Isáby vacilou – Mas alguns de nós perdeu a fé nessa profecia, depois do que
ouvimos falar por aí.
– Como o quê? – Perguntou Pedrinho.
– Não sabemos se é verdade, mas dizem que uns avianos se
arriscaram voar sobre o covil dos arghatianos e disseram terem visto, um jovem
terráqueo, um humano do sexo masculino, no covil arghatiano.
– Mas isso é lógicamente, impossível. – Disse Carolina. –
Estamos há anos luz do planeta Terra, como humanos poderia chegar até aqui?
– Não sabemos – disse Isáby –, mas disseram que esse
humano, não seria só apenas um aliado dos arghatianos, disseram que ele estava
dando ordens ao Lorde Rázarc! Tentei tirar minhas próprias conclusões, mas o
meu pai não quer que eu chegue nem perto daquele covil.
– Se esse humano ajudar os aghartianos a dominarem a
Terra – disse Pedrinho – Esse com certeza vai ser um terráqueo traidor.
Julie falou:
– Tá legal, tá legal. Olha, de tudo eu que já vi e ouvi
nesse planeta, isso, não faz o menor sentido! Como um meres humano, conseguiria
ter autoridade sobre uma raça de seres alienígenas? – Isáby disse:
– Nós não sabemos, é apenas um boato. Mas isso não
importa, porque vocês estão mesmo aqui! Os terráqueos da profecia.
– E você acha que somos nós? – Junior Perguntou.
– Ahm, claro... Eu não sei, nem sei se a profecia está
mesmo certa. A profecia dizia que viriam cinco humanos e vocês são seis, quer
dizer sete. E vocês não "cairam do céu" em um pássaro gigante, era
apenas um jato militar, modelo SR-77.
– Mesmo com essa profecia, estando certa ou não – disse
Dennis –, nós vamos ajudá-los.
Isáby enchugou os
olhos.
– Muito bem, como a jovem sabia, Carolina, havia dito,
vocês precisam descançar. Se quiserem sobreviver o dia de amanhã.
– Bom, então – dizia Julie –, vamos dormir aqui mesmo?
Pedrinho
respondeu:
– A menos que você esteja vendo algum hotel nessa
floresta, o jeito é dormir aqui.
– Ai, eu não sei, não! – Murmurou Alice. – E se alguma
fera selvagem aparecer e nos devorar enquanto dormimos? Eu não quero ser
devorada... Pelo menos, não feia e desarrumada desse jeito.
– Durmam. – Ordenou Dennis. – Você também Isáby, deve
estar cançada, eu fico acordado aqui de vigia.
– Não! Eu insisto – discordou Isáby –, são vocês que vão
trazer a salvação a Animália, não eu. Vou ficar acordada a noite toda!
***
No cóvil do Lorde
Rázarac, Anna dizia:
– Oziel, eu sempre soube que você era especial, desde o dia
que eu te vi naquele morro. Você era inteligente demais para um gato qualquer,
quando o Dennis colocou fogo na cozinha da lanchonete, você estava dormindo
embaixo de um armario, e nem se queimou e de algum geito, você conseguia entrar
no Laboratório Noturno. – Oziel sorriu.
– Obrigado Anna, por ter me adotado. Ter me levado para
sua casa e ter me dado abrigo, foi a melhor coisa que me aconteceu em anos.
– Na verdade, foi você que veio até min lembra?
Carolina estava
facinada com tudo que havia descoberto e com tudo que estava acontecendo. No
começo, estava apenas, investigando uma série de desaparecimentos, em seguida,
o desaparecimento de uma amiga e agora, está indo ajudar a libertar uma nação
alienígena e prestes a enfrentar um possível confronto.
Ela se via, mais
uma vez, diante de um quebra-cabeça. Seres felinos viajando pelo espaço, um
ditador prepotente que está conquistando planetas, um terráqueo ditando ordens
a seres alienígenas e arghatianos procurando um gato especifíco na Terra.
Carolina sabia que aquilo tudo eram boatos, teorias e acontecimentos sem
explicação, mas algo lhe dizia que tudo estava interligado. Que tudo aquilo
fazia parte de uma longa história, que estava sendo vista fora de ordem.
Esses pensamentos
estavam lhe tirando o sono. Carolina rolava de um lado para o outro na grama
macia. A fogueira a sua frente, lhe fazia se sentir aquecida e confortável, o
cheiro das flores e a brisa suave daquela floresta lhe davam sonolência, mas
seu cerébro não queria relaxar. Carolina ouviu Alice, que estava deitada ao seu
lado murmurar alguma coisa.
– Alice, está acordada? – Carolina sussurrou.
– Eu tô acordada! – Murmurou Alice dormindo. – Estou
acordada professora...
Carolina se
sentou. Isáby estava sentando aos pés de uma árvore, apoitada em seu arco,
dormindo e rocando alto.
– Vou ficar acordada a noite toda. – Disse
Carolina imitando Isáby.
Carolina conteve o
riso. Julie, Pedrinho, Alice e Junior estavam dormindo como pedras, em volta da
fogueira, Carolina ficou frustrada por não conseguir dormir também e então,
reparou na ausência de Dennis. Ela olhou em volta e não o viu em lugar algum.
Carolina olhou para cima e murmurou para si mesma: "Mas é cláro!
Morcegos não dormem no chão." No alto de um galho, de uma árvore,
Dennis estava pendurado de cabeça para baixo, mas estava acordado, olhando para
o horizonte.
Dennis estava
pensando em Anna. Ele ainda sentia remorso pelos seus atos que havia realizado,
enquanto deixara de ser um fera noturna. As coisas que desejava fazer, as
coisas fez, as coisas que disse aos seus amigos e aos seus famíliares, ainda
lhe oprimiam em sua mente. Fazendo-lhe pensar que era indigno de ser amado,
respeitado ou perdoado. Queria muito poder recompensar sua prima, indo lhe
salvar, mas o fato de não ter certeza se ela ainda estava viva lhe trazia
desespero e esse era um sentimento que Dennis se recusar a se entregar. Dennis
ouviu alguém atrás dele.
– Também não consegue dormir?
Ele girou
imediatamente para trás e viu Carolina subir em um galho.
– Carolina? – Murmurou ele assustado.
– Desculpa, eu te assustei? – Perguntou Carolina.
– Não! – Dennis se sentou no galho ao lado dela – Cláro
que não. Por quê não está dormindo?
– Estou agitada demais pra dormir.
– E o que você está fazendo aqui em cima?
Carolina de repente
se sentiu indesejada.
– Hum, eu vi que você estava acordado, então eu vim aqui
falar com você, mas se quer ficar sozinho, eu entendo.
– Não, não é isso! É que... você subiu até aqui, só para
conversar comigo?
– Ahm, sim. – Dennis encarou ela.
– Estamos a mais de quatro metros do chão.
Carolina olhou
para baixo e viu o quanto era alto o lugar em que estava. Imeditamente, uma
sensação gelida percorreu o seu estômago, sua pele começou a soar e suas mãos
se agarraram ao galho em que estava sentada com toda a força.
– Nossa! – Disse ela sorrindo, para esconder o medo. – Eu
nem percebi.
– Carolina você está bem? Você ficou pálida de repente.
– Estou ótima! – Dennis riu.
Carolina queria
esquecer o máximo, a altura em que estavam, pois sabia que se entrgasse ao medo,
começaria a gritar estericamente, iria se desequelibrar e iria cair para uma
morte subita, Dennis poderia lhe resgatar, mas logo em seguida iria levar uma
bronca dele e Carolina não queria passar por esse vexame. Então, decidiu se
consentrar naquilo que lhe fez escalar a árvore. Carolina respirou fundo e
fixou os olhos em Dennis. Em sua pele branca, parecia ser feita de marfim, seus
olhos castanhos dourados, brilhavam a luz do luar, seu cabelo despenteado,
esvoaçava ao vento e seu sorriso lhe trouce calma.
– Pois bem – começou ela – Por quê você não está
dormindo? Sem sono?
– É a mutação do morcego, lembra? À noite, meus sentidos
ficam aguçados então, eu perco o sono.
– Ah claro. Deve ser ruim, não? Dividir o dia-a-dia com
habitos de um morcego e de um humano ao mesmo tempo.
– Tem o seu lado bom. Eu nunca havia prestado atenção na
noite, sempre dormia sedo, aí quando eu me tornei "Garoto-Morcego"
passei a ver mais a Lua do que o Sol. – Dennis olhou para o céu. – Ela é tão
bonita.
– Como você. – Sussurou Carolina.
– O que disse? – Carolina olhou alarmada para Dennis.
– Hãn? Digo... Você deve estar muito feliz, por que aqui
tem três luas!
Dennis riu.
– É mesmo, não é? Tem razão.
Carolina suspirou.
– Eu, também estava pensando – acrescentou Dennis – no
nosso planeta. Devemos ter entrado para a lista dos desaparecidos.
– Verdade, eu havia me esquecido completamente de casa
depois que chegamos aqui. Deve estar a maior confusão lá na Barra do Ceará,
todos devem estar desesperados nos procurando.
Falando nisso, há
anos luz dali, no planeta Terra. Dona Tereza estava relaxando, em uma tarde, na
varanda de sua casa, enquanto tomava uma xícara de chá, quando João apareceu
desesperado.
– Mãe, mãe, mãe!
Dona Tereza cospiu
todo chá que estava bebendo.
– O que é menino?! Quase que tu me mata do coração!
– A senhora não vai acreditar, o Dennis sumiu! Eu fui na
casa da Alice, do Pedrinho e da Carolina, mas os pais deles também não os
encontram! Eu até procurei a Julie e o tal do Junior, mas ninguém sabe onde eles
estão.
A mãe dele revirou
os olhos.
– E você só percebeu isso agora?
– A senhora já sabia?
– Um hum.
– E não tá preocupada com isso? Por quê?
– João, meu filho querido. – Dona Tereza se levantou. –
Quando a Anna desapareceu, eu fiquei bastante preocupada, é claro. Mas quando
se dei de conta que a Alice, o Pedrinho e a Carolina também havia sumido tudo
fez sentido. Então perdi completamente as minhas preocupações.
– Eu não entendi. Do quê a senhora tá falando?
– Argh! Acorda João, eles são os Feras Noturnas!
João pôs a mão na
testa.
– Ah, mãe isso de novo não!
– Não querido, presta atenção. Sempre que o Dennis, a
Anna, a Alice, o Pedrinho e a Carolina estão juntos, coisas estranhas
acontecem, e eles somem, algum tempo depois eles aparecem do nada e de repente,
surge alguma notícia dos Feras Noturnas na TV.
– Mas os Feras Noturnas são cinco, não sete, por quê a
Julie e o Junior também sumiria?
– Porque talvez, eles sejam novos iniciados!
João encarou a sua
mãe por um minuto e disse:
– Eu vou fazer um boletim de ocorrência... e vou ligar
para um terapeuta.
João se retirou e
insana, Dona Tereza disse:
– Não será necessário, meu filho, acredite em min. Logo,
logo as crianças vão aparecer e misteriosamente os Feras Noturnas também!
Ela deu uma
gargalhada e gritou para as pessoas na rua.
– EU NÃO ESTOU FICANDO LOUCA!
***
– Quer saber – disse Dennis para Carolina –, eu acho que
não. As pessoas nunca prestavam atenção na gente, acho que ninguém deve ter
sentido nossa falta.
– Vai saber.
Dennis olhou para
Carolina, sorrindo como quem está esperando ouvir um segredo. Carolina o olhou
confusa, Dennis olhou para o horizonte e perguntou:
– Eu sei que a história que a Isáby nos contou fez todo
sentido pra você. Diz aí: – Dennis voltou os olhos para Carolina. – O que você
sabe?
– Eu fiquei surpresa quando ouvi a Isáby contar que o
povo dela, são chamados de felinianos...
– Pois é, por quê?
– Porque aquela palavra me era famíliar, então eu me
lembrei que a última vez que eu havia ouvido essa palavra, foi na gravação do
dispositivo R.N.G. da Anna.
– Então – disse Dennis –, os arghatianos estão procurando
um feliniano no nosso planeta?
– Ao que tudo indica...
– Mas eles não percebem que tem uma diferença muito
grande entre um gato terráqueo e um feliniano?
– Me pergunto a mesma coisa. Mas a questão que mais me
preocupa é: Se os arghatianos visitam o nosso planeta há vários anos, o que
estão esperando para começarem uma invasão, como fizeram em Animália?
– A menos que eles acreditem na profecia e tenham medo de
nós, devem estar esperando por um momento certo.
– E Dennis, você lembra daquele disco voador que aquele
arghatiano usou para levar o Xandre, não lembra?
– Lembro sim. Estava enterrando no campo de areia.
– Deveria estar enterrado ali, a milhares de anos,
imagina o que mais eles podem ter escondido no nosso planeta? Se tiverem armas
naquele solo, poderiam vencer em um ataque fácilmente.
– Espero que eles acreditem na profecia e tenham muito
medo de nós. E o terráqueo traidor?
– Quem? – Carolina piscou.
– O humano que estaria envolvido com os arghatianos.
Acredita nisso? Quem você acha que deve ser?
– Alguém que em sã conciência seria capaz de odiar a
humanidade a ponto de querer destrui-la? Já conheci alguns, mas sobre a
identidade do individuo, não faço ideia de quem seja.
– Espero que isso seja apenas um mal entendido.
– Ah, Dennis? Sem querer bancar a incrédula. Sobre
Animália: Você acha mesmo que somos capazes de enfrentar uma frota alienígena,
um ditador muito poderoso e trazer a liberdade a esse planeta?
– Não temos escolha. – Murmurou Dennis. – Eles estão com
a Anna, com o Xandre, os animálianos escravizados e todos os humanos que foram
abduzidos. Precisamos salvá-los e se tentarem nos subjugar, irei matar quantos
eu conseguir.
Carolina sentiu um
arrepio na espinha, mas não era por causa do medo de altura. Dennis um dia já
foi um animal frio e sanguinário, Carolina não sabia o quanto desse animal
ainda vivia nele, mas para a sua sorte, esse animal frio e sanguinário está do
seu lado.
– Dennis, me desculpe.
– O que?
– Me desculpe, por ter só criando dificuldades, ao invés
de achar meios de encontrar a Anna quando a gente ainda estava na Terra.
– Tá tudo bem, Carolina.
– Eu via o quanto você estava preocupado e abatido por
causa do sumiço da Anna e enquanto eu poderia estar investigando algum meio de
ajudar a minha amiga, eu estava se fazendo de Sra. Sabe Tudo...
– Carolina, está tudo bem! – Insistiu Dennis. – Você
ajudou muito, análisando o relógio da Anna. Também ajudou, ou tentou me ajudar,
me examinando no Laboratório Noturno e também, uma vez quando me livrou da
morte, sem eu nem ter merecido.
Carolina sorriu
timidamente.
– Carolina, eu tenho tanto pra te recompensar. – Disse
Dennis.
– Você já me recompensa.
Carolina e Dennis
sorriram um para o outro, ouve um momento de silêncio. Carolina percebeu que
ele a estava lhe olhando de uma forma diferente. Ele sorria para ela de uma
forma diferente. Ela então, voltou a soar e sentir aquela mesma sensação gelida
percorrer o seu estômago, sua mãos ficaram rigidas, novamente, sobre o galho da
árvore. Por um instante, Carolina achou que algo inesperado e espetácular iria
acontecer, e então, Dennis olhou rápidamente para trás e perguntou:
– Você ouviu isso? – Atônita, Carolina perguntou de
volta.
– Ouvir o quê?
– De novo! – Dennis voltou a olhar para trás. – Escutou
isso?
Carolina ficou um
minuto em silêncio, mas não ouviu nada além do som da floresta.
– Não estou escutando nada.
Dennis ficou
calado e em alerta.
– Dennis – Carolina suspirou –, eu não consigo escutar
vibrações sonoras, tão bem, como você, então...
E de repente, Carolina ouviu um estrondo ao longe: “Bum!”.
– Espera, eu ouvi! – E de novo, ouviu o barulho em
sequencia, como se fossem passos. – Parece, que alguma coisa grande e pesada...
–... Está vindo em nossa direção. – Completou Dennis, em
um tom sombrio.
Carolina ficou nervosa.
– Como assim, em nossa direção?
Antes que Dennis
respondesse, ouviram o estrondo, estava a cada vez mais perto e mais perto.
“Bum!” ouviram
de novo. Dessa vez, todas as plantas em volta tremeram, quando ouviram mais uma
vez, as folhas da árvore em que estavam, começaram a cair.
– Estou ouvindo... – sussurrou Dennis. – Estou ouvindo
seus batimentos cardíacos, ele está se aproximando.
Dennis pôs sua mão
sobre a de Carolina, como se soubesse o perigo que estava por vir.
– Consegue distinguir que é? – Perguntou ela.
– Não, mas é algo que está vindo naquela direção.
Dennis apontou
para a direção noroeste de onde estavam, Carolina viu a cilhueta de um animal
bipede e tão grande que empurrava as árvores por perto, por onde andava.
– O que é aquilo?
De repente,
ouviram um som semelhante ao de uma buzina de trem, mas era grave e feroz.
Carolina e Dennis ainda não sabia o que era aquilo, mas sabiam que aquele som
havia saído de uma garganta. Viram a cilueta escura se aproximar, cada vez mais
e os dois ficaram em silêncio. E então, viram o que só costumavam ver em livros
de ciências, um réptil com cerca de 6 metros de altura, andando sobre duas
patas.
– Não pode ser! – Carolina suspirou.
– Aquilo é um... Tiranossauro Rex? – Murmurou Dennis.
– Mas eles estão extintos!
– Não
nesse planeta.
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