3. Os Mais Novos
Membros dos Feras Noturnas
Carolina abriu a
boca, mas não disse
nada. Finalmente, depois de um tempo, Dennis e Alice, perceberam que estavam
sendo observados. Alice olhou para Carolina constrangida, que os observava com
uma espécie de raiva e decepção, seus olhos estavam avermelhados e sua
respiração estava ofegante.
Quando Alice criou forças para pedir
desculpas, Carolina saiu com pressa de lá, chorando de cabeça baixa, afim de
que não chamasse muita atenção. Porém não
olhar para frente, lhe fez se esbarrando em alguém que entrava. Devia ser um
lutador MMA, ela pensou, pois tinha um peitoral de pedra, que fez Carolina cair
no chão aos se esbarrar.
– Olha por onde
anda garota! – Murmurou uma voz, vagamente familiar.
Carolina
enxugou as lágrimas e disse:
– Me desculpa,
eu... – Carolina olhou para o rosto dos rapas e um choque percorreu seu corpo.
Ele era alto, e assustadoramente musculoso,
usava um óculos escuros e camiseta sem manga. De trás dele surgiu uma garota de
pele bronzeada, cabelos castanhos e cacheados com uma franja, que quase tapavam
os olhos.
– Junior, não
seja grosseiro com a menininha! – Disse a Garota – Olá Carolina, quanto tempo?
Mesmo perplexa Carolina respondeu:
– Oi... Julie.
Fazia dois anos, que os Feras Noturnas, nunca
mais tiveram notícias de Julie e Junior, os capangas de Janderson que o
ajudaram a transformar a população humana em seres geneticamente modificados,
através de um fenômeno climático.
Assim como os feras, Julie e Junior também
eram mutantes. Julie tinha genes de gato em seu DNA, o que lhe dava uma grande
facilidade para escalar paredes, fazer saltos acrobáticos e seus sentidos eram
muito mais aguçados do que qualquer humano.
A mutação de Junior estava em seus hormônios.
Além de possuir uma força sobre-humana, ele tinha a habilidade de controlar o
volume de massa do seu corpo, e os níveis de sua força. Essa mutação acabou lhe
causando uma espécie de puberdade precoce, Junior ainda era um pré-adolescente,
mas seu corpo era formado como o de um homem adulto.
Quando reconheceram Julie e Junior; Dennis,
Anna, Pedrinho e Alice foram até eles, barrando-os na entrada e Dennis começou
com a interrogação.
– O que vocês
estão fazendo aqui? – Alice falou:
– Ora, ora, ora
se não são os capangas, do meu finado primo.
Julie suspirou.
– Olá pra vocês
também!
Carolina enxugou o rosto e rapidamente, se
levantou do chão. Alice continuou.
– Vocês andam
tão sumidos, pensando bem não vimos mais vocês desde a Chuva Mutante, por onde andaram? – Junior respondeu.
– Reconstruindo
nossas vidas. – Pedrinho falou:
– Ô negada,
vamos acabar logo como esse blá-blá-blá e abrir o jogo? O que, que cês querem
com aqui?
– Ou melhor –
disse Carolina – Qual é armação, criaram um clube gótico também?
Julie olhou para Anna com súplica.
– Anna, por
favor, diz para os seus amigos que não viemos aqui arrumar confusão? – Anna
falou:
– Gente tá tudo
bem, eu pedi pra eles virem.
Todos se voltaram para Anna e perguntaram:
– O quê?!
– Anna, meu
amor. – Murmurou Pedrinho – Estou decepcionado com você!
Por um instante Dennis esqueceu a existência
de Julie e Junior. Ele deu um passo em direção a Anna e perguntou:
– Você trouce
eles aqui? – Anna baixou os olhos e disse:
– Eles vieram
me pedindo ajuda... Dennis – Anna o olhou nos olhos –, por favor, escute o que
eles têm a dizer.
Dennis encarou Junior por um instante, e então
falou:
– Tá bom, mas
não vamos conversar aqui.
Dennis havia decidido que seria mais
apropriado, conversarem em um local mais reservado, e então todos foram para o
segundo andar. Enquanto subiam a escada, Dennis e Anna guiavam Junior e Julie,
enquanto Alice, Pedrinho e Carolina os seguiam por trás, caso eles tentassem
alguma coisa.
Todos se sentaram na sala de estar, a mãe de
Anna e Junior estavam trabalhando no cinema, então não havia motivos pra
subirem.
– Então – Disse
Dennis – Será que podem nos dizer: O que trazem vocês aqui?
Junior respondeu:
– Ahm, as
pernas? – Julie revirou os olhos para Junior e disse:
– Junior, deixa
que eu falo, tá certo? – Julie se voltou para Dennis – Viemos aqui, a pedido de
Anna, na verdade...
– Sim –
Confirmou Anna – Eles vieram me pedindo ajuda, mas não iria tomar nenhuma
decisão sozinha e já que o chefe deles... não está mais entre nós, então achei
não teria nenhum mal nisso.
– E realmente
não ah mal nenhum! – Esclareceu Julie – Depois que o plano da Chuva
Mutante foi por água a baixo, deixamos as nossas vidas que tínhamos com o
Janderson e paramos de praticar o mal, decidimos mudar.
– Hum, já li
esse livro! – Disse Carolina. – Quer dizer, já vi esse filme.
Dennis falou:
– Ano passado,
uma amiga de vocês, a irmã do Junior, veio até nós dizendo as mesmas coisas que
vocês, só depois de muito tempo descobrimos que ela estava mentido...
– Depois de
muito tempo você descobriu que ela estava mentindo! – Falou Alice.
– Enfim –
Dennis voltou a falar –, ela disse que todos vocês haviam perdido os poderes...
bem, ela havia demostrado ainda ter bastante dos genes de lobo em seu DNA e
quanto a vocês?
– O que a gente
iria conseguir mentindo pra vocês? – Perguntou Julie – É claro ainda que somos
mutantes, uma vez que a fórmula Eau Mutant atinge o DNA de uma pessoa, a
mutação não sai, a menos que o individuo use o Purificador de Genes que
nós produzimos. – Junior falou:
– É, e depois,
a minha irmã sempre foi doidinha pelo babaca do Janderson!
– É isso aí –
Concordou Julie –, ela queria que a gente a ajudasse, a se vingar de vocês, mas
nós não quisemos.
– Tá legal – disse
Pedrinho –, vocês estão bonzinhos, já entendemos, mas o que vocês querem
com a gente? – Julie hesitou.
– Eu quero
pedir... – Ela olhou para Junior e baixou os olhos. – Queremos pedir permissão
para entrarmos para os Feras Noturnas.
Todos imediatamente murmuraram em discordância.
Alice: “Wuatis?”
Pedrinho: “Nem
pensar!”.
Anna: “Perdão?”
Caroline: “Sem
chance!”
– Pessoal! –
Disse Dennis repreendendo-os. – Podemos saber o motivo para quererem isso? –
Julie suspirou.
– Não é nada
fácil ser mutante e viver fingindo ser um humano. Vocês, mais do que qualquer
pessoa, devem entender como é isso!
– Ser um fera
noturna, também não é mais fácil. – Declarou Alice.
– A mãe da Anna
tem certeza de que somos os Feras Noturnas só porque somos cinco – dizia Dennis
–, e se as pessoas de repente começarem a ver mais dois integrantes no equipe,
as pessoas vão começar a acreditar nela!
Julie respondeu:
– Só queremos
entrar pra equipe e não fazer parte da turminha de vocês.
– Dennis –
Chamou Alice – Você não vai deixar eles, entrarem pra nossa equipe, vai?
Dennis não respondeu, ele pensou por um
instante e antes que dissesse algo, Julie disse:
– Se não
aceitam a min, aceitem pelo menos o Junior – Ela pôs mal no ombro dele – Ele
tem sofrido muito com os genes de morcego.
– Como assim...
genes de morcegos? – Perguntou Dennis.
– Na aeronave
lembra? – Perguntou Junior. – Na Chuva Mutante, nós estávamos lutando na
aeronave do Janderson e você me mordeu. Depois daquele dia, definitivamente, eu
não fui mais o mesmo. Eu me tornei... isso.
Junior retirou seus óculos escuros e todos
puderam ver seus olhos, estavam monstruosamente vermelhos. Como duas bolhas de
sangue prestes a explodir.
Dennis perguntou:
– Como você
consegue sair de casa...
– Sem que a
minha cabeça exploda? – Sugeriu Junior. – Com muito esforço eu garanto.
– Fascinante –
suspirou Carolina – Dennis transmitiu a mutação do morcego, para Junior,
através de uma mordida. Como se fosse...
– Um vampiro! –
Falou Alice com certo entusiasmo.
– Um amigo nosso
do futuro – disse Anna – David, já nos falou algo sobre isso antes, ele disse,
que a mutação dos caninos, felinos, répteis e entre outras; são mutações com
maior facilidade de transmissão.
– E então? –
Disse Julie mudando de assunto. – Podemos entrar pra equipe?
– É o mínimo
que você pode fazer por min Dennis – disse Junior – Não só pela mordida, mas
também pela minha irmã.
– Ou pelo primo
da Alice – sugeriu Julie –, os pais dele têm sofrido bastante com o filho que
nunca voltou para casa.
– Falam isso
como se a culpa fosse nossa – falou Alice indignada. – e vocês sabem que não é!
– Tá bom
pessoal! – Disse Dennis – Vamos resolver isso com calma.
Naquele momento, Carolina ficou alarmada. Ela
já conhecia aquela história, por que já havia vivenciado aquilo. Priscilla
fingiu ser boazinha e carismática com Dennis, inclusive até prometeu proteção e
amigos a ele, mas logo depois, ela mostrou as garras, demostrando ser quem
realmente ela era e tentou matá-lo.
Carolina teve que usar todo seu poder, para
desfazer o plano de Priscilla e salvar a vida de Dennis. Agora havia
ressurgido, não só um inimigo dos velhos tempos, mas dois deles! E Carolina se
lembrava bem, o quando Dennis sofrera lutando com Junior, é claro que desde
aquela época, Dennis havia crescido e com sigo suas habilidades também
evoluíram, mas mesmo assim Carolina não deixava de temer o que Junior e Julie
podia fazer com Dennis.
Ele pensou por um instante e então falou:
– Feras... – Dennis
limpou a garganta – Reunião.
– Espera aí – falou
Alice –, não já estamos em uma reunião?
– Só com
os membros da equipe Alice.
Dennis falou da forma mais educada possível,
mas no mesmo instante, Alice captou a mensagem. Os cinco foram para a cozinha,
e após se certificarem de que não poderiam ouvir a conversa, começaram o
assunto.
– Então pessoal
– Disse Dennis –, o que vocês acham?
– Não vou
trabalhar ao lado da Julie – declarou Alice – Um-um, nem pensar! Mas o Junior, eu até deixo.
– Gente – falou
Anna – eles são mutantes e querem ajuda!
– Anna eu posso
pegar alguma coisa na sua geladeira? – Perguntou Pedrinho, que já espiava a
geladeira.
– Não!
– Eu posso? Valeu
amor.
– Pedrinho!
Carolina pôs a mão no ombro de Dennis.
– Dennis, olha
só... – Os olhos dele se voltaram para Carolina, ela sentia medo em
enfrenta-lo, mas precisava correr o risco. – Nada contra a Julie e o Junior,
mas por que você acha que devemos aceita-los na equipe?
Dennis respondeu:
– Deter o crime
e... as forças do mal, não é a nossa única obrigação como Feras
Noturnas. Somos os únicos mutantes na face da terra então, acho que acolher
mutantes que queiram a nossa ajuda, também é dever nosso e... eu devo isso ao
Junior, eu matei a irmã dele.
– Não, você não
a matou. – Corrigiu Carolina. – Ela mesma provocou a própria morte.
– Mas não teria
morrido se eu não tivesse tentado se vingar dela. Se a família do Junior, esta
sofrendo por causa da perda da Priscilla, a culpa é toda minha.
– Dennis... –
Carolina suspirou – Lembra da Isadora Barbosa? Anna derrotou ela na Guerra
Mutante; e imagino, que os pais, ou os responsáveis ainda devem estar
preocupado pelo sumiço dela, mas todos sabemos que o motivo para nenhum de nós
lamentar a morte dela, é porque é óbvio que a Isadora teria matado Anna se
tivesse a chance. Com a Priscilla é a mesma situação.
– Tudo bem
Carolina – disse Dennis –, mas e a mutação do Junior, eu já passei pelo o que
ele está passando, devemos ajudá-lo pelo menos, as coisas também não devem
estar nada fáceis para a Julie.
Na sala de estar Junior e Julie, esperavam
pacientes pelos feras, até todos eles voltarem da reunião na cozinha.
– Pessoal – anunciou
Dennis –, tomei uma decisão. Por tanto, espero que respeitem e saibam aceitar,
independente do que seja.
Junior e Julie o observavam atentamente.
– Julie, Junior
– prosseguiu Dennis – Sejam bem-vindos aos Feras Noturnas.
Junior, Julie e
Anna comemoravam, enquanto Alice, Pedrinho e Carolina ficavam de braços
cruzados.
– Inventem logo
uma história para os pais de vocês – dizia Dennis – sobre onde vão passar a
noite. Digam que vão dormir na casa de um amigo, ou que vão dormir cedo,
qualquer coisa. Hoje à noite, vamos ao Laboratório Noturno. Possivelmente
teremos uma missão hoje.
– Yes!
Uma missão! – Comemorou Junior.
– Ahm,
"Laboratório Noturno"? – Perguntou Julie. – Está falando do
laboratório do Janderson?
– Isso mesmo,
mas a entrada agora fica no apartamento da Alice. Tem algo importante que eu
quero dizer pra vocês... Julie e Junior podem ir se quiserem.
Julie e Junior
ficaram agradecidos. Dennis implorou a Deus, para que realmente tenha feito uma
escolha certa, Anna ficou muito contente, com os novos membros da equipe, já
Alice não gostara nem um pouco, ela não ia com a cara de Julie, Pedrinho era
outro que não fazia um esforço para fingir ser legal, quando Junior passava por
ele, Pedrinho cerrava os punhos instantaneamente e Carolina, não conseguia
aceitar a participação de Junior e Julie na equipe, mas mesmo assim não deixava
de apoiar Dennis.
Naquela noite, todos assistiram Titanic,
Pedrinho dava permissão a Anna para lhe abraçar quando sentisse nos
momentos de tensão, mas era Pedrinho que há agarrava o tempo todo e de vez em
quando, ele soltava uns gritinhos, mas sempre dizia que era a Alice.
Ao anoitecer, os sete foram para o apartamento
da Alice, ao Laboratório Noturno, Carolina foi primeiro para trabalhar nos
novos dispositivos.
– Meu pai
viajou a negócios, então não precisamos nos preocupar com ele – Dizia Alice –,
mas a minha acha que eu estou doente, e que eu já fui dormir, então façam
silêncio. – Junior chamou:
– Ô chefe?
– Sim? – Disse
Dennis
– A gente não
podia fazer essa reunião amanhã de manhã? São 11hs da noite.
Dennis deu uma
risada.
– Ah meu
querido, Feras Noturnas só agem à noite... isso não é obvio?
Pedrinho disse:
– Mas se por
acaso tá com soninho, acho que devia dar o fora!
Alice abriu a porta de seu quarto.
–
Espinho-Branco, deixe o novato em paz! – Anna o repreendeu.
Pedrinho se voltou para a Anna, fazendo um
sorrisinho angelical.
– Como quiser
amor.
Dennis pôs a palma na porta do armário de
Alice e um raio laser leu as suas digitais, as portas do armário se abriram
automaticamente, as roupas penduras, que havia lá dentro, se afastaram e as
portas duplas do elevador se abriram.
Depois de um decida vagarosa no elevador, as
portas voltaram a se abrir e Junior e Julie se depararam com o laboratório. –
Agora, propriedade dos Feras Noturnas. – Um amplo espaço retangular, no canto
direito da sala, havia uma bancada com, fetos de várias espécies de animais em
potes de vidro em conserva, tubos de ensaio, microscópio, onde costumavam fazer
experiências, mas aparentemente parecia ter se transformado em uma “mini
oficina”.
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