sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Cap. 12

12. Gatos Intergaláticos

– Isaac o quê? – Perguntou Junior.
– Isáby Kestet – corrigiu ela – esse é o meu nome!
– E isso é nome de gente? – Disparou Alice.
 Isáby inclinou a cabeça, confusa. Alice deu uma risadinha.
– Ah, desculpa! Eu me esqueci, você não é gente. – Isáby perguntou:
– O que ela quis dizer com...?
– O que a minha amiga quis dizer – interroumpeu Dennis, – foi: muito obrigado por ter nos livrado das vespas.
 Isáby fez um movimento com a cabeça, que Dennis entendeu como um gesto de honra.
– Você fala a nossa língua. – Observou Carolina. – O... seu povo, fala o nosso idioma?
– Não. Nós aprendemos todas as línguas terraqueas e muito mais, através da televisão.
– Ah, aqui tem sinal de TV? – Perguntou Julie. – Que bom, porque eu quero ver o final da minha novela.
– Isáby – disse Pedrinho –, diz pra eles que eu não estava louco, que eu estava certo! Diz pra eles que era você que estava nos seguindo.
 Isáby pareceu ter ficado sem jeito.
– Então, é verdade? – Perguntou Dennis. – Você estava nos seguindo?
– Ahm, sim. Estou vigiando vocês desde que caíram aqui no planeta, naquela grande pássaro de metal. Faz tanto tempo que esperamos por vocês, eu achava que nunca viriam. Quando os vi, não consegui acreditar, então decidi tirar minhas próprias conclusões, só pra ter certeza. Fiquei muito irritada quando vi vocês machucarem os meus amigos, mas tudo bem, eu não tenho dúvida de que são mesmo vocês!
Espera um pouco aí, gatinha curumim! – Falou Alice. – Espera aí. Você sabia que a gente ia chegar? Como assim?
– Por causa da profecia – Respondeu ela.
– Mas que profecia? – Perguntou Dennis.
 Isáby deu uma gargalhada.
– Ai, é uma longa história. Mas tudo bem, eu explico tudo enquanto levo vocês até o meu pai.
– Seu pai? – Perguntou Junior. – E quem é o seu pai?
– Hum, ninguém menos do que o rei Ezórius. O rei de Animália.
– Não quis dizer Nárnia? – Perguntou Pedrinho.
– Aquele mundo mágico em que quatro crianças humanas descobrem através de um guarda-roupa? Não. É Animália. E se estão com dúvidas sobre onde nós estamos não se preocupem, vocês não estão tão longe de casa. Estamos na galáxia, que os terráqueos chamam de Via Láctea. – Alice falou:
– Pra min, isso era marca de leite.
– Isáby – chamou Dennis –, sobre aquela profecia, o que ela dizia sobre nós?
– Exatamente tudo que aconteceu. A profecia diz que vocês chegariam ao nosso planeta, em um gigantesco pássaro de metal e que nos libertaria dos Aghartianos...
– Mas hein? – Indagou Pedrinho.
–..., mas pelo visto a profecia estava errada, pois ela dizia que apenas cinco terráqueos viriam em um pássaro de metal para nos salvar, e vocês são seis.
 Os feras trocaram olhares entre si.
– Hum, Isáby – disse Dennis – na verdade essa profecia estava errada mesmo e nós não somos seis, somos sete. Eu tenho uma prima, Anna, e ela foi sequestra por alguém do seu planeta...
– Hãn? – Isáby arrregalou os olhos.
– Hum, quer dizer... raptada. Ahm, não, digo... levada. Ela foi levada, por alguém daqui e não foi só ela, muitos habitantes da Terra têm sido abduzidos e acreditamos que eles são trazidos pra cá e o motivo para estarmos aqui, é porque estavamos tentando salvá-los.
– Ah...
 Isáby olhou para o vázio, como se tivesse descoberto algo triste.
– A sua prima foi raptada por alguém que vive nesse lugar, sim, mas não por alguém desse planeta. – Dennis entreitou os olhos.
– Como? Ah, não importa. Será que o seu pai, o rei Ezórius, vai aceitar em nos ajudar a encontrar a nossa prima e os outros terráqueos?
 Isáby abriu um sorriso.
– Se vai? Faz anos que o meu pai espera pelos terráqueos, que viriam para nos salvar e nos libertar dos Aghartianos, é cláro que vai aceitar fazer esse favor por vocês.
– Ótimo – disse Julie –, e então, onde mora o seu pai?
 Isáby apontou para o horizonte.
– A minha tribo, fica naquela direção, subindo o rio, mas vamos só amanhã de manhã. Vamos passar à noite aqui.
– Por que temos que esperar até amanhã? – Disparou Dennis.
– Porque, já está entardecendo e à noite é perigoso.
– Dennis.
 Carolina pôs a mão no ombro dele e falou o mais suave possível
– Precisamos descançar. Se quisermos estar preparados para enfrentar alguma fera selavagem amanhã, precisamos estar bem dispostos, amanhã de manhã.
– Ok. – Murmurou ele – Feras Noturnas, reunião.
 Depois do anúncio, Dennis, Carolina, Pedrinho, Alice, Junior e Julie se reservaram um pouco distante de Isáby Kestet e debateram.
– O que vocês acham? – Perguntou Dennis – Nos juntamos a essa gata humanoide india e ao seu, estranho povo ou vamos logo atrás da Anna e acabamos logo com isso?
– Só um instante. – Pediu Junior – Vocês acreditam nela?
– Bem – respondeu Carolina –, ela nos salvou das vespas e demostrou querer o nosso bem, nos aconselhando em acampar, acho que podemos confiar nela.
– Eu confio nela – disse Julie –, apesar de ela parecer que não bate muito bem.
– Ela é um alien! – Resmungou Junior – Com certeza, o povo dela é responsável pelo desaparecimento da Anna e dos outros em nosso planeta.
– É mesmo – concordou Pedrinho – e a vaga de "menina gata" já está cheia demais nesse grupo.
– Eu achei ela uma desmiolada! – Falou Alice.
 Todos olharam para Isáby que estava dançando e cantarolando. Depois de rodopiar algumas vezes, a garota, caiu tonta no chão.
– Ahm, Ok – disse Dennis – Se ela quizesse fazer algum mal à nós, é óbvio, que já teria feito e Carolina tem razão, para vocês sobreviverem mais um dia aqui, precisam descançar, portanto eu quero que durmam.
– Se vamos dormir aqui – falou Alice – vai ser em algum lugar bem longe daquelas vespas!
 Ignorando a argumentação da Alice, Dennis se voltou para Isáby e disse:
– Isáby, aceitamos ficar com você. Vamos passar à noite aqui e libertar o seu povo dos sei lá quem, se, você, seu pai e o seu povo nos ajudar a encontrar a minha prima e todos os terráqueos.
– Podem contar comigo.
 Isáby rodopiou para a esquerda, mas acabou se esbarrando em uma ávore e caiu no chão dando risadinhas.
***
 Anna acordou, estava confusa, assustada e atordoada. Anna estivera sobre efeitos de fortes sedativos, mas conseguiu ficar conciente. Estava deitada sobre uma mesa de metal, em uma sala grande, vazia e muito iluminada, com uma forte luz branca, que a deixava com dor de cabeça. Seus pulços e tornozelos estavam presos, sobre a mesa, mas o que lhe chamou a atenção, foi o material que lhe aprisionava, uma gosma verde e gelatinosa mantinha seus pulços e tornozelos fixos na mesa de mental.
 Anna tentou se levantar, mas não conseguiu se mexer. A gosma tinha uma aparencia mole, mas era tão duro e forte, como um elástico. Anna percebeu que não estava com seu dispositivo R.N.G., o que significava que a qualquer momento, se seus níveis de extresse aumentassem mais um pouco, seu corpo poderia entrar em combustão, mas por outro lado poderia lhe dar sua liberdade. Ela cocentrou em sua mão esquerda, com a intenção de derreter aquela gosma com uma bola de fogo.
 Mas o fogo que brotou de sua mão, não era muito maior do que a de um palito de fóforo.
– Mas o quê? – Anna se indgnou – Não pode ser!
 Anna se esforçou para almentar a chama, mas o fogo acabou se apagando. Ela se concentrou na mão direita, mas apenas conseguiu criar algumas fagulhas.
– O que tá acontendo comigo? – Murmurou ela.
***
 Antes que percebessem, à noite caiu, mas ao contrário do que imaginavam a noite na floresta não era tão sombria e escura, pois três luas e zilhões de estrelas iluminavam o céu.
 Desde que os Feras Noturnas, conheceram Isáby Kestet e tiveram uma breve conversa com ela, muitos outros argumentos havia se formado na mente de Carolina. Ela estava afastada dos outros, na margem do rio pensando: o fato de Kestet ser semelhante a um gato não explica o motivo para abduzirem a gatos da Terra. Segundo a história de Maria Gertrudes, eles estavam procurando alguém na Terra. Alguém semelhante a um gato. Então um humanoide gato estaria vivendo, escondido na Terra, há anos? Seria ele quem teria trazido à ordem dos felinos do planeta? Ou será que foi ele o motivo para existir a história do E.T. de Varginha?
– É, até que você tinha razão.
 Carolina pulou de susto e viu uma garota loira ao seu lado.
– Esse planeta é uma arraso – comentou Alice. –, só não chegue perto de umas florsinhas gigantes, porque elas não são nada amigáveis.
 Carolina segurou na garganta uma afronta, mas ela sorriu e disse:
– Muito obrigada, pelo conselho.
 Carolina deu as costas, mas antes que se fosse, Alice lhe chamou.
– Carolina, espera.
 Carolina parou, mas se recusou em olhar para Alice.
– O que você tem?
 Carolina olhou para Alice com a testa franzida.
– Eu? Nada.
– Ah, não é verdade! Não fala mais comigo, quando fala é só para soltar farpas e só me olha de cara feia. O que foi que eu fiz?
 Carolina ficou surpresa com o tom suave e gentil na voz de Alice, mas ela apenas forçou um sorriso e respondeu:
– Eu não tenho nada, Alice, agora se me der licença...
– Sabe o que eu mais amava na minha amizade com a Anna? – Interrompeu Alice. – Ela era verdadeira, em tudo que fazia ou que dizia. Ela era sincera, e ao mesmo tempo respeitava e compreendia os outros, coisa que eu nunca aprendi a fazer.
 Alice sorriu.
– Eu me lembro que antes de ela ser abduzida, ela pediu pra min e para o Pedrinho te ajudar a...
– Conquistar o Dennis. – Carolina murmurou aquilo com certo desgosto.
 Se sentia envoergonhada em ter se comportado daquele geito, só por causa de um sentimento.
 – Mas independete de você conseguir conquistá-lo ou não – acrescentou Alice –, Anna nos pediu para te fazer feliz. Carolina, por favor, em algum lugar desse planeta a Anna está aprisionada e nem sabemos se ela ainda está viva, tudo que eu queria fazer é realizar o pedido da minha amiga.
 Carolina entendeu o que Alice estava querendo dizer, mas não conceguia esquecer a imagem de Alice beijando Dennis. Por isso ela fechou o rosto e voltou a dar as costas, mas antes que se fosse Carolina percebeu que já era hora de resolver isso, se não falasse com Alice naquele momento iria acabar enlouquecendo, por causa do ciúme.
– Você beijou o Dennis! – Disparou Carolina.
– Hãn? O quê? Quando? Onde? – Alice ficou desesperada.
– Eu não consigo entender, como alguém é capaz de fazer uma coisa dessas! O combinado era que você iria me ajudar a conquistar o Dennis, não roubar ele de min eu ia sentar do lado dele pra gente assistir Titanic, mas antes do filme começar o que eu vejo? Alice beijando o Dennis!
 Quando Carolina terminou de falar, Alice estava batendo a cabeça em uma árvore.
– Amiga, olha só, respira, se acalma. Por favor, não dá a louca pra min não. Escuta: eu não beijei o Dennis, ele me beijou, foi tudo um mal entendido.
– Argh! Você acha que eu sou o quê? Que eu sou burra ou que eu sou cega? Ah não, você deve achar que eu sou burra e cega. Eu vi Alice, eu vi, você bijando ele.
– Porque ele me beijou! Foi um mal entendido, garota, e também o bocó do Pedrinho teve culpa, ele não sabe fazer nada direito! Contou uma história sem pé e sem cabeça pro Dennis e o garoto acabou achando que tinha que ficar comigo e não com você.
– Ah... – Carolina cutucou o queixo – é mesmo?
– Eu juro pelos feats da Nicki Minaj! – Carolina disse bem devagar.
– Ah, agora faz sentido.
– Lembra da festa de aniversário que fizemos pro Dennis? – Perguntou Alice. – Eu admiti pra você que eu já fui afim do Dennis e que eu tenha uma pequena quedinha por ele, mas ele não faz o meu tipo. É sério, ele foi feito pra você.
– Alice, eu... – Carolina gaguejou – Eu... não sei nem o que dizer.
 Alice sorriu.
– Tá tudo bem amiga, não diga nada.
– Não! Eu agi feito uma idiota, preferi dar atenção aos meus sentimentos do que a voz da razão, o que é estranho, porque eu não sou de fazer isso.
– Hum, agora, se eu posso te dar um conselho. Se eu fosse você, eu ia correndo cuidar do seu Garoto-Morecego.
– Por quê? – Carolina piscou.
– Ahm, digamos que enquanto você se cobre de culpa e de vergonha, certo alguém está se aproveitando que a "barra tá limpa".
 Alice apontou para Julie que segurava a mão de Dennis, enquanto conversava com ele.
 Carolina fez um sorriso diabólico.
– Ah, mas isso não vai ficar assim. – Alice se alegrou.
– Ai, barraco! A-DO-RO.
***
 Enquanto isso, no cárcere alienígena, as portas da sala se abriram e Anna viu entrar um Aghartiano. Um humanoide, alto, com cerca de dois metros de altura, pele pálida-esverdiada, vestindo couro sintético, cabeça grande e em seu rosto, não havia nariz ele tinha olhos grandes, negros e redondos.
All terráquea (Olá, terráquea!) – Murmurou ele.
– O que fizeram comigo? – Perguntou Anna.
Somairaoda rezaf moc cêvo o mosme ki somefiz moc so sotrous  sam cêvo i tenrefide sod ki aj somarutpica edrol iav ratsog otium ed recenho cêvo (Adorariamos fazer com você, o mesmo que fizemos com os outros, mas você é diferente dos que já capturamos, o Lorde vai gostar muito de conhecer você.)
– Vai pro inferno! – Anna o insultou.
 O Arghatiano gritou algo em seu idioma e dois homens com rosto de largato entraram, junto com outro humanoide, também de espécie diferente que Anna não soube reconhecer. Sua estarua física era de um garoto entre 16 ou 17 anos, seus pulços estavam presos com algum tipo de algema, logo depois Anna percebeu que a mesma gosma que lhe prendia estava em volta dos pulços do garoto.
An edadrev le iav ratsogi ed recenhoc cêvo’s isode (Na verdade, ele vai gostar de conhecer vocês dois.) – Acrescentou o Arghatiano.
 O garoto humanoide, não estava vestindo roupas, mas seu corpo era coberto de pelos brancos, suas orelhas eram pontudas, sua face tinha um aspecto felino e seus olhos eram grandes, tristes e azuis, mas ao mesmo tempo muito famíliares. Anna não tinha certeza de quem ele era, mas ele a olhou como se já lhe conhecesse.
– Oi Anna. – Disse o garoto.
 Anna então, se lembrou de quem ele era. Um alguém muito espécial, mas que Anna apenas conhecia em outra forma.
– Xandre?
***
 Na floresta, decidiram acender uma fogueira, não foi fácil sem a Anna, por perto para criar fogo em um estalo de dedos, mas esfregando alguns gravetos e batendo algumas pedras Dennis conseguiu criar fogo. Julie se agachou ao lado dele e disse:
– Dennis você é tão inteligente.
 E de repente, Carolina se agachou entre eles dois e disse:
– É mesmo? Obrigada, fui eu que ensinei pra ele.
– Na verdade – disse Dennis – eu aprendi a acender fogueira, no...
– Não acho uma boa ideia acender uma fogueira. – Advertiu Isáby. – Podem atrair animais.
– Se aparecer algum animal – Pedrinho falou –, não vai querer se meter com a gente.
– Por quê?
– Porque, minha cara – respondeu Alice – essa floresta pode ser perigosa durante o dia...
– Mas a noite, nós é quem tocamos o terror! – Completou Julie.
 Isáby gemeu um miado.
 Usando um graveto, Pedrinho assava alimentos na fogueira que Isáby havia lhe dado, mas alguns ele preferia comer cru. Pedrinho não fazia ideia do que era aquilo, mas todos tinham sabores doces e salgados que nunca esperimentara antes.
– Hum, que delicia! – Murmurou ele. – Isáby o que é isso?
 Isáby sorriu.
– Ah, obrigada. São só algumas frutinhas do mato e uns bixinhos, que eu andei cançando nessa manhã.
 Alice cuspiu tudo que estava comendo.
– Argh, que nojo! Por que não disse isso antes? Sou vegetáriana! – Pedrinho Perguntou:
– Então, porque você come um cachorro quente todo dia na escola?
– Ahm... eu coloco um pepino no lugar da salsicha... um pepino de cor vermelha.
– Isáby – Dennis se sentou –, explica pra gente: o que está havendo em Animália? Quem são esses Arghatianos? E que profecia é essa?
– Tudo bem – ela suspirou. –, foi tudo muito de repente. Antes do meu irmão se for e da minha mãe... antes de tudo. Há cerca de quatro anos, nós os felinianos, viviamos em paz com os outros povos...
– Ahm, desculpe... – disse Carolina.
– Não interrompe, garota, ela tá contando a história! – Murmurou Alice.
– Você por acaso disse, felinianos?
– Sim – respondeu Isáby – essa é a minha raça, mas por quê...?
– Eu achei que você fosse uma ThunderCat. – Disse Pedrinho.
– Tudo bem Isáby, continue. – Pediu Carolina.
– Como eu dizia, nós, os felinianos sempre viviamos em paz com os outros povos. Os câlinianos, os reptilianos, os avianos... Até que um dia, conhecemos os arghatianos. 

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